Entrevista
– 7/1968 – p.
Entrevista — 7/1968
Nome
anterior do arquivo:
Entrevista para a revista “Fatos e Fotos”
Meu caro Rodrigues, eu peço desculpas a você. Eu mandei bater à máquina a entrevista de ontem e saiu mais uma encrenca, mais uma confusão, de maneira que para não adiar mais a entrevista, ela vai mesmo pelo gravador, com alguns retoques. Eu respondo, portanto, à pergunta nº 1: quem fundou a TFP, onde e quando?
A resposta é: A TFP teve uma vida anterior à sua fundação como personalidade jurídica. Ela foi fundada como pessoa jurídica em São Paulo, no dia 26 de julho de 1960, por um grupo de intelectuais, homens de ação e homens de negócio. Mas esse grupo preexistiu longamente à TFP e talvez seja interessante dizer uma palavra a respeito dele. Constituiu-se o elemento inicial da TFP, no período áureo das Congregações Marianas, quando o mais importante órgão de movimento mariano era o semanário “Legionário” – órgão oficioso da arquidiocese de São Paulo. O diretor desse órgão era o professor Plínio Corrêa de Oliveira, professor universitário, que há pouco exercera as funções de deputado federal à Assembléia Constituinte de 1934. E em torno dele se congregou o primeiro núcleo de pessoas das quais a TFP nasceu. Esse núcleo, como o correr do tempo, se dissociou do “Legionário” mas continuou a atuar e estudar. E foi recebendo a adesão sucessiva de elementos mais moços. De maneira que quando em 1960 a TFP se constituiu, já era formada por elementos bastante numerosos.
As figuras principais desse núcleo além do professor Plínio Corrêa de Oliveira, eram o professor Fernando Furquim de Almeida, catedrático de matemática da Universidade de São Paulo e da Pontifícia Universidade Católica, que se encarregava sobretudo dos estudos de história da Igreja; o engenheiro José de Azeredo Santos, vigoroso polemista católico; o engenheiro Adolpho Lindenberg, que se incumbia de estudos especializados sobre política internacional; um dos mais competentes jornalistas, especializado em jornalismo católico da América do Sul que é o dr. José Carlos Castilho de Andrade; além do Dr. José Fernando de Camargo e do Dr. Paulo Barros de Ulhoa Cintra. A esse grupo foram acedendo elementos novos e em 1960 se destacavam entre eles vários que constituem hoje o Conselho Nacional da TFP.
Segunda pergunta é a seguinte: Em que se inspirou a sociedade?
A sociedade não se inspirou em nenhuma congênere anterior. Ela foi nascendo aos poucos à medida que a obtenção de sua finalidade exigia que ela fosse se expandindo em novos campos de ação. Em 196[?] os elementos que outrora haviam constituído o “Legionário” estavam agrupados no prestigioso mensário católico “Catolicismo” que é um órgão de cultura que se publica na diocese de Campos sob os auspícios do bispo diocesano D. Antônio de Castro Mayer e que tem repercussão em todo Brasil e em toda América Latina, nos meios católicos.
Desejando transportar para o campo cívico a ação de caráter cultural e religioso levada a cabo pelo “Catolicismo”, um grande número de colaboradores de “Catolicismo” fundou essa sociedade. Fundou-a com o intuito ideológico que era o de combater o socialismo e o comunismo. Levando esse combate a cabo de dois modos: um modo negativo um modo positivo. O modo negativo era de refutar as doutrinas socialistas e comunistas. O modo positivo era de pôr em valor, pôr em realce de três valores que o socialismo e o comunismo procuram destruir na sua marcha para a vitória sobre a sociedade atual. Esses valores eram a tradição, a família e a propriedade.
Inicialmente portanto, a sociedade teve esse caráter cultural; esse caráter ideológico. Procurava congregar pessoas de todas as classes sociais, de todas as idades para realizarem cursos com essas pessoas para a difusão de suas idéias. Entretanto, como os cursos da sociedade interessavam especialmente à juventude, foi ela tendo contato com numerosos jovens, e verificou que desses jovens muitos moravam no interior, tinham as famílias residindo no interior e moravam em São Paulo, e outros, por essa ou por aquela razão, não tinham residência própria também, embora suas famílias fossem de São Paulo.
Então a sociedade resolveu fundar uma série de pensões, sem o fito de lucro, para proporcionar a esses jovens, residência adequada. A essas pessoas foram se acrescentando outros organismos, como por exemplo, um restaurante, também sem efeito de lucro, para esses jovens. E o mesmo sistema de desenvolvimento que criou, que se constituiu em São Paulo com a fundação dessas pensões e restaurantes, foi formado também em outras cidades, em Belo Horizonte, no Rio de Janeiro e em várias outras, para onde a sociedade se foi [difundindo?].
Então nós temos um órgão de caráter ideológico e cultural, que se desdobra num órgão que presta uma forma de serviço social a determinadas pessoas. Essa organização de serviço social, por sua vez foi se desenvolvendo. Nós temos hoje um serviço médico gratuito em São Paulo, serviço médico gratuito em Belo Horizonte. Está se cogitando fazer um ambulatório para favelas no Rio de Janeiro e assim por diante. Quer dizer, a obra ideológica se transforma numa obra social que acaba beneficiando também pessoas inteiramente alheias à ação propriamente ideológica, como são, por exemplo, os favelados do Rio de Janeiro. Mas o que está na linha ideológica, por que o remédio para as questões sociais na ordem da assistência, favorece a luta contra o socialismo e o comunismo.
A 3ª pergunta já está atendida. Quanto à 4ª pergunta: Quantos membros possui no Brasil? No estrangeiro? Em Minas? Em Belo Horizonte?
A resposta é: que por todo Brasil a sociedade caminha para ter mil e quinhentos membros. A sociedade já existe com seções, sub-seções…. [ilegível] …com apoio de núcleos desses militantes em cerca de cinco cidades do Brasil, quase todas elas, quase todas capitais de estado, além de cidades do interior. … [ilegível] …ele… [ilegível] …para a sociedade e constituem seus núcleos de militantes são muitos selecionados, razão pela qual é muito expressivo esse número. Não se recebe gente a granel, mas o critério de seleção é: a inteira solidariedade com a ideologia da sociedade e a disposição de cooperar efetivamente a disseminação dessa ideologia. Em Belo Horizonte vocês… [ilegível] …e em Minas, qual é o número dos associados e dos militantes.
No exterior já vai alguma centena também os membros da sociedade. Ela existe organizada sob a forma de Sociedade Argentina defesa da Tradição Família e Propriedade; Sociedade chilena de Defesa da Tradição, Família e Propriedade; núcleo Uruguaio de Tradição Família e Propriedade, nas três nações irmãs. Ela está em vias de formação em várias outras nações latino-americanas. A fundação dessas congêneres estrangeiras se deve ao fato de que tendo a sociedade muita projeção em certos círculos da mocidade brasileira que tem contato natural com a mocidade dos países vizinhos, nasceu nesses países o desejo de imitar o exemplo brasileiro constituindo também sociedades do feitio da nossa.
A 5ª pergunta: por que nós nos escudamos na Igreja Católica?
Deve ser respondida da maneira seguinte: nós não nos escudamos na Igreja Católica enquanto hierarquia católica, enquanto estrutura juridíca. Nós somos uma entidade cívica que visa a luta contra o comunismo e o socialismo no terreno da vida cívica brasileira, disseminado idéias, disseminado princípios, esclarecendo problemas para persuadir a nação e por essa forma atuar de um modo, se bem que indireto, na vida pública brasileira. Como a Igreja Católica não é uma entidade política, é uma entidade religiosa, nós não podemos nos escudar Nela, nem Ela pode nos dar um apoio.
Nós temos como base de nossa doutrina, de nossas idéias, de nosso programa – é melhor dizer nosso programa – nós temos como base, em alguma medida, a doutrina da Igreja. Porque a Tradição, a família e a propriedade, e outros valores, outras instituições fundamentais da ordem… [ilegível] …coisas, são objeto… [ilegível] …parte dos papas. Esses ensinamentos nós os tomamos pelo que merecem, quer dizer, por válidos e nós aceitamos, portanto, a doutrina católica a respeito das questões sociais que interessam à vida cívica, como doutrina verdadeira. Nesse sentido nós podemos dizer que nos apoiamos nos documentos pontifícios, mas nós não temos um apoio da Igreja Católica. É verdade que temos numerosos amigos, não só clero como também em algumas altas figuras do episcopado. Nós nos honramos em mencionar entre essas figuras D. Geraldo de Proença Sigaud , arcebispo de Diamantina e D. Antônio de Castro Mayer bispo de Campos, que desde os primeiros tempos do “Legionário” acompanharam nossa trajetória e outras vezes têm participado de nossos estudos. Mas isso não quer dizer que tenhamos um apoio da Igreja Católica.
4ª pergunta: Nos seus princípios, alia o Estado à Igreja?
O que nós pensamos a esse respeito das relações entre Igreja e Estado é precisamente o que a Igreja pensa. Quer dizer, nós desejamos a congregação mais íntima possível entre o poder espiritual e o poder temporal. Além disso não temos o que dizer.
5ª pergunta: qual o papel da Igreja na História?
O papel da Igreja na História nós devemos entender que é na história das sociedades temporais, na história da civilização, na história da cultura humana. O papel da Igreja na História nos parece bem claro: a Igreja é uma sociedade sobrenatural, visível, fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo. Essa sociedade tem uma missão, entre outras, a de ensinar os Dez Mandamentos da Lei de Deus e a moral evangélica. Essa missão inclui que sendo a moral o fundamento, baseada toda ela na ordem natural e sendo do interesse fundamental das civilizações se basearem na ordem natural, toda civilização que se baseia na verdade da moral pode atingir a sua perfeição.
E assim nós temos baseada, nós temos nascida dessa missão da Igreja que é de ensinar a verdadeira moral, nós temos a civilização cristã e a cultura cristã que nascem. Elas são a civilização perfeita e a cultura perfeita. Isso não quer dizer de nenhum modo que não tenha havido outras civilizações ou outras grandes culturas antes da católica. Mas isso implica em afirmar que a cultura e a civilização católica, quando são genuínas e fiéis em tudo à doutrina da Igreja correspondem à perfeição, enquanto nas outras civilizações ou culturas se bem que se tenham elevado a um grau muito alto sob alguns aspectos, e sob outro aspecto deixaram muito a desejar.
Por exemplo, as culturas romanas, a civilização romana, foram extraordinárias, mas a escravidão era uma chaga em Roma. A maior parte da população romana era de escravos. Isso não seria possível numa civilização católica. Assim, o papel da Igreja é de ser a mestra dos princípios fundamentais da civilização. Além disso, a Igreja dá a vida à civilização, porque é por receber de Deus a graça necessária , que Ela consegue dos homens a força moral para cumprirem os mandamentos da Lei de Deus. Assim, a Igreja não é apenas a mestra de uma doutrina fria, mas Ela é a fonte da vida dessa civilização.
A pergunta seguinte é: … [ilegível] …quais os mentores… [ilegível] …mentores religiosos?
No que diz respeito à matéria religiosa, os nossos mentores são bons mentores em geral de todos aqueles que estudam bem a doutrina católica. Não há nomes especialmente para destacar. Nós [poderia?] dizer, entretanto que não se trata apenas de nossa parte de estudos doutrinários. Nós temos concepções históricas, observações da realidade.
O livro base que orienta nossa ação é o ensaio “Revolução e Contra-Revolução” do professor Plínio Corrêa de Oliveira, publicado em 1959, e traduzido em vários idiomas. Este, essa obra que é sobretudo um grande tratado de filosofia da história, contém, entretanto, elementos de ação, porque deduz da filosofia da história os meios necessários para se reconstruir a civilização presente, gravemente abalada por vários fatores deletérios.
Por sua vez, na obra do professor Plínio Corrêa de Oliveira se pode discernir a influência de grandes pensadores, sobretudo do século passado, entre os quais poderíamos mencionar… [ilegível] … de Maistre, Le Bonald, Lonoso Cortés, como sendo talvez os mais marcantes. Mas a obra do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira trasborda largamente do quadro de pensamento desses grandes pensadores, de maneira que não se pode dizer que eles sejam os mentores de nosso trabalho.
Qual é a finalidade principal TFP?
Já dissemos que essa finalidade é o combate ao socialismo e ao comunismo, de caráter ideológico, com desdobramentos sociais.
11. Para que… [ilegível] …como deve agir quando erra?
A pergunta é uma pergunta de caráter filosófico e religioso, cuja resposta não cabe bem em nome de uma associação de caráter cívico. Mas as impostações doutrinárias da TFP procedem da idéia afirmada pela filosofia escolástica, que por sua vez, está em consonância com a doutrina católica de que o homem foi criado por Deus , nasceu para conhecê-LO, amá-LO, servi-LO nessa Terra e depois fazer o mesmo na eterna bem-aventurança. O que deve fazer o homem quando erra? Emendar-se, reconhecer o seu erro, reparar o mal que fez e … [ilegível] …bem. em toda parte, em todos os tempos, em todos os lugares, não … [ilegível] …outra resposta para essa pergunta.
12ª pergunta: que [encontram?] … [ilegível] …ser. Não consideram justa… [ilegível] …padre?
Nós não temos que fazer apreciações a respeito do padre ou do bispo enquanto tal. Nossa sociedade é uma sociedade cívica e ele está colocado enquanto arcebispo no campo religioso. Mas D. Helder é uma personalidade que tem muita projeção no campo cívico. De maneira que nesse campo nós podemos dizer alguma coisa a respeito dele, da atuação dele.
Parece-me… [ilegível] …dele não coincide com a nossa. E isso em vários pontos. Antes de tudo porque nós consideramos que a luta contra o socialismo e o comunismo é uma luta de caráter preponderantemente ideológico e doutrinário, que as condições políticas, econômicas e sociais, podem condicionar, podem influenciar em alguma medida essa luta. Mas que não é verdade dizer-se que o principal é ter boas estruturas [para depois ter boas doutrinas?]. O exemplo … [ilegível] …muito concludente nesse sentido: a estrutura social … [ilegível] … era profundamente [defectuosa?] … [ilegível] …católica foi… [ilegível] …dos homens livres, mas também em muito… [ilegível] …eles e foi servir de cristianismo… [ilegível] …Império… [ilegível] …se pode … [ilegível] … política e social mais perfeita.
Nesse ponto de vista, parece-nos que D. Helder… [ilegível] …os que ele… [ilegível] …de caráter… [ilegível] …mas com as estruturas. … [ilegível] …Nossa impressão de que ele… [ilegível] …estruturas . Ela depois disseminou a… [ilegível] …E nesse ponto, há entre nós uma divergência de linha de ação. Essa divergência de linha de ação é preciso que se entenda bem no que consiste. Essa… [ilegível] … disseminação doutrinária e a nosso ver se… [ilegível] …de caráter social, assim também nós fazemos alguma disseminação social e nos … [ilegível] … muito à atuação de caráter doutrinário. Mas nós não afirmamos por isso que se deve primeiro notificar – primeiro … [ilegível] …cronológica – notificar a mentalidade das … [ilegível] …para depois agir socialmente. Nós afirmamos que se deve dar à ação ideológica toda amplitude possível e que o trabalho de caráter social deve ser concomitante, mas de uma importância secundária. Ele não tem que anteceder o trabalho social em larga escala. Digo mal: o trabalho social não tem que anteceder em larga escala o trabalho de caráter ideológico.
De outro lado também nós não vemos D. Helder conduzir contra o socialismo e o comunismo, uma luta frontal. … [ilegível] …de denunciar esses erros, os erros desses… [ilegível] …de mostrar em que sentido é que … [ilegível] …católica, é ter … [ilegível] …socialistas e comunistas um diálogo… [ilegível] …ele… [ilegível] …mudar a [coruscação?] deles, pode ser que eles… [ilegível] …entretanto com proporções que… [ilegível] …não… [ilegível] …nosso conhecimento em proporções… [ilegível] …provavelmente muito pequenas. … [ilegível] …que esta luta é… [ilegível] …não só porque isso é um ato de… [ilegível] …que os … [ilegível] …socialistas e comunistas … [ilegível] …irmãos separados, que também é um ato… [ilegível] …que não são socialistas e comunistas,… [ilegível] …e a propaganda muitas vezes desonesta e… [ilegível] …intencionada que especialmente os comunistas fazem. De maneira que esse trabalho polêmico de um… [ilegível] …que é de defesa da sociedade contra adversários e adversários pressupostos. Parece-nos que D. Helder Câmara se preocupa pelo contrário, pela linha geral [desta situação?] … [ilegível] …os socialistas e os comunistas, tomando uma impostação em matéria social que dê uma certa impressão de que eles em algumas coisas têm razão: que nós … [ilegível] …com eles e que são preocupações [muito?] com o que nos separa deles.
Não há nenhuma doutrina … [ilegível] …como não tenho razão. Isso é evidente, mas que nós nos preocupamos mais com o que nos separa dos socialistas e comunistas, do que com os minúsculos imponderáveis e imponderabilíssimos pontos de contato que possamos ter com eles. Nos parece que esse modo de agir, que… [ilegível] …imponderáveis… [ilegível] …isso está exposto ao risco de … [ilegível] …muitas vezes … [ilegível] …demagógico e de levar… [ilegível] … socialistas e comunistas… [ilegível] …se afastar deles!
Que … [ilegível] …[sempre nos?] separa deles, ou ao menos fazendo um tanto caso… [ilegível] …o que nos separa deles e pondo muito em realce o que nos une a eles, nós muita vezes fazemos o papel da propaganda deles. Isso não quer dizer que nós estejamos … [ilegível] …de D. Helder e de outros… [ilegível] …[As intenções Deus as conhece?]. mas nós estamos julgando as… [ilegível] …concretas os … [ilegível] …linha.
Da… [ilegível] …é … [ilegível] …que a sociedade brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade conhece as… [ilegível] …pelas quais passa as classes necessitadas no Brasil. É … [ilegível] …que se resolvam as situações… [ilegível] …tantas vezes se ergueram entre nós… [ilegível] …mais ainda nos limites de sua possibilidade de ação, ela trabalha nesse sentido por meio de obras sociais. Entretanto, ela considera que D. Helder Câmara, e muitos dos que o aplaudem, têm uma visão por vezes pessimista e até muito pessimista da realidade nacional, com que contribuem – sempre ressalvando as intenções – contribuem para agravar nossa situação criando um clima de angústia, um clima febricitante no qual os problemas não podem ser vistos com lucidez e que muitas vezes prepara ressentimentos que conduzem à luta de classes. Nós somos de opinião que numa atmosfera de luta de classes. Nada se resolva; que a concórdia das classes é que resolve tudo. E por isso estamos separados, em vários aspectos da linha seguida por D. Helder Câmara.
Vem a pergunta a respeito, a pergunta 13: como encaramos o Concílio de Trento?
Resposta é: Uma sociedade cívica como a nossa, não tem o que encarar o Concílio de Trento, sob esse ou outro aspecto. Seria um pouco perguntar à… [faltam palavras] …Como a… [faltam palavras] … encara o Concílio de Trento. O Concílio de Trento traçou normas que foram acatadas como tais por toda a cristandade. E acabou-se.
O Concílio Ecumênico Vaticano II?
A resposta é a mesma. Nós não temos que nos pronunciar a respeito de um Concílio.
Nº 15: No ângulo sócio-cristão, do ângulo sócio-cristão, como vemos a Idade Média?
Nós consideramos que Leão XIII analisou muito bem a Idade Média no famoso texto – e vocês devem dar aqui aquele texto “houve tempo em que”…etc – vocês dêem pelo menos algumas frases desse texto.
Paulo VI tem também um texto a respeito do papel da Idade Média na Itália, do papel da Igreja na Idade Média na Itália, como elemento vivificador da sociedade italiana e da cultura italiana, que é uma aplicação, ao campo mais restrito da história italiana do que Leão XIII via como papel preponderante da Igreja na Idade Média em toda a Europa.
Nós achamos que a Idade Média foi uma idade em que os homens foram dóceis ao ensinamento da Igreja, tanto quanto cabe na miséria humana, e que por causa disso nasceu. A Idade Média, a civilização cristã que fora construída pela invasão dos bárbaros. E que, aliás, no Império Romano, nunca chegou a ser uma civilização inteiramente descida de importantes vestígios do paganismo anterior.
Nós sabemos que é preciso distinguir, em toda realização da civilização cristã, três aspectos: um é a aplicação dos princípios eternos e imutáveis da Igreja. Em segundo lugar, é a aplicação, não propriamente dos princípios da Igreja, das normas, de modos de ser que são corolários, que são paralelos - a expressão não está boa. Nós devemos distinguir em primeiro lugar, os princípios imutáveis e eternos da Igreja: e em segundo lugar não a aplicação literal desses princípios naquilo que a utilização só pode ser uma pela própria imutabilidade desses princípios, mas certas formas de aplicação desses princípios a realidades contingentes que têm alguma coisa variável.
Assim também nós dizemos que na Idade Média houve traços, houve lineamentos da sociedade medieval que corresponderam exatamente a uns princípios eternos e imutáveis da Igreja. Esses devem continuar sempre. Por exemplo, na organização da família. Toda a sociedade européia na Idade Média conheceu a família monogâmica indissolúvel. A família monogâmica e indissolúvel deverá continuar como tal até o fim do mundo. A moral, por outro lado, na própria estrutura, ou melhor na própria instituição da família cristã em si mesma, há possibilidade de uma porção de adaptações aos tempos e aos lugares de acordo com a índole, as tradições e as contingências em que vive cada povo.
Na Idade Média, em matéria de família, como em muitas outras matérias, houve uma contribuição dos fatos contingentes que condicionou a aplicação da doutrina da Igreja. Já quanto a esse povo, ou me… [ilegível] …ponto, às vezes condicionou felizmente, o mais das vezes condicionou sabiamente, outras vezes não condicionou tão sabiamente. E além disso houve a margem de erros e misérias que o homem sempre acusa todas as suas realizações.
Enfim, para resumir foi, a nosso ver, uma época de alta religiosidade, em que a civilização e cultura cristã chegaram a altas realizações. Mas que não foi isenta de erros como outras épocas históricas também não o são, mas, a nosso ver, essa margem de erro, foi menor do que em muitas outras épocas históricas.
O que que nós pensamos da época atual?
Nós pensamos da época atual o seguinte: que quem a considera superficialmente. Deve fazer a respeito dela um juízo muito desfavorável. Se nós consideramos o comunismo. O pior dos males para uma sociedade, se nós considerarmos o socialismo uma rampa de acesso para comunismo. Nós devemos dizer que em nenhuma outra época da história, as instituições e os costumes estiveram tão próximos do socialismo e do comunismo. Por outro lado, a degenerescência moral em nossa época atingiu índices alarmantes, que podem ser comparadas ao período de decadência do Império Romano e que às vezes apresentam sintomas mais inquietantes dos que o do Império Romano decadente. Entretanto essa visão da época atual nos parece corresponder apenas a uma superfície.
Há muita propaganda enaltecendo e engrandecendo esses aspectos que nos aprecem precisamente os aspectos errados de nossa época. Mas quando se consulta o homem contemporâneo e se vê mais a fundo qual é a sua psicologia, vê-se que ele, apesar de toda essa propaganda, vai aderindo a cada vez menos ao esforço feito para o empurrar para o socialismo, para o comunismo, para a abolição da família, para a supressão de todos os últimos lineamentos da civilização cristã.
Nós temos aqui diante de nós um grande fato: o comunismo dispôs sempre de meios de ação e de propaganda magníficos. Durante os anos de Marx até nossos dias, ele pode discutir livremente eleições mais ou menos por toda parte. Ele não ganhou uma eleição. Isso significa cem anos de fracasso, de derrota do mundo ocidental. Por outro lado, nos próprios países comunistas, os meios de ação de que ele dispôs ainda foram muito maiores. O que que acontece? Esses países comunistas, ou estão sujeitos a uma ditadura férrea, o que significa que o poder público não se sente apoiado pela opinião, tem medo da oposição, ou eles são objetos de contentamento, de convulsões, de dúvidas quanto à interpretação ao próprio pensamento comunista, que indicam um desassossego, o qual por sua vez , é uma expressão da falência do comunismo. Como possibilidade de se assenhorear da opinião pública, o comunismo fracassou.
Nós podemos ver isso aqui no Brasil também. Houve uma arremetida seríssima de socialismo agrário por ocasião da grande campanha a favor da reforma agrária que se fez no tempo do presidente João Goulart. A frieza do povo em relação a essa reforma foi tal que num dos seus últimos discursos irradiados para todo o Brasil. O ex-presidente ainda no exercício da suprema magistratura do país se queixava de que as massas rurais não davam apoio as suas desiderata de reforma.
O mesmo se deve dizer do insucesso das guerrilhas em toda a América Latina. Os camponeses não se interessaram pelos seus pretensos libertadores. Pelo contrário, tinham pânico deles e foi por falta de apoio das massas camponesas que as guerrilhas se extinguiram.
Por outro lado, nós consideramos o resultado que obteve a Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade, na difusão de seu abaixo assinado contra a Reforma Agrária. Vinte e cinco mil assinaturas no Brasil inteiro. Entregue na Câmara dos Deputados e no Senado, provaram a rejeição de incontáveis brasileiros à reforma agrária. Até hoje a reforma agrária não foi aplicada em larga medida apesar do apoio que teve em muitos campos inclusive – é pena dizê-lo – também no campo eclesiástico – não foi aplicada até hoje porque ela não encontra base no povo brasileiro. Quer dizer, o povo brasileiro não é este povo “socializante”, esse povo fácil de empurrar para o comunismo que muitos gostariam de figurara, de imaginar.
O êxito extraordinário de que teve o livro “Reforma Agrária, questão de consciência”, escrito contra a reforma agrária pelo arcebispo de Diamantina, D. Geraldo de Proença Sigaud pelo bispo de Campos D. Antônio de Castro Mayer, pelo professor Plinio Corrêa de Oliveira, presidente de nossa sociedade e pelo economista Luis Mendonça de Freitas. Foi um êxito espetacular. Tiraram-se em poucos meses 30 mil exemplares, o que para uma obra de caráter doutrinário é verdadeiramente sem precedentes em nosso país.
A “Declaração do Morro Alto”, em que as mesmas pessoas … [ilegível] …um programa positivo de política agrária, sem caráter social nem confiscatório, obteve uma aprovação geral. Muitíssimos municípios telegrafaram por meio de suas Câmaras, de seus prefeitos, solidarizaram-se com esse programa. Isso tudo prova que o Brasil não é o paiol de pólvora que muitos imaginam.
Também no que diz respeito a campanha do divórcio, nossa entidade promoveu, há dois anos atrás, um abaixo-assinado contra o divórcio. Em 60 dias conseguimos um milhão de assinaturas no Brasil inteiro. E teríamos conseguido muito mais se maior fosse o número de coletores de que dispúnhamos. Mas como utilizamos como coletores de assinaturas apenas sócios ou militantes da TFP, não foi possível conseguir maior número de assinaturas.
O presidente Castelo Branco retirou o projesso de Código Civil divorcista. Isso significa o que? O Brasil é antidivorcista. Por outro lado, - e creio que isso é mais expressivo do que tudo – a nossa campanha atual a favor do abaixo- assinado ao Papa Paulo VI pedindo medidas contra a infiltração comunista na Igreja, vai alcançar um resultado extraordinário apesar da violência que os baderneiros estão exercendo contra essa propaganda em alguns pontos do território nacional.
Estamos informados, no momento mesmo em que damos essa entrevista, que na Avenida Rio Branco a… [ilegível] … postados em janelas, em lugares onde não podem ser objeto de revide da parte dos nossos jovens, lhes atiram objetos para perturbar a livre expansão, a livre manifestação da opinião do povo brasileiro… [ilegível] …pela Constituição. … [ilegível] … só no primeiro dia, nos resultados de algumas cidades do Brasil, nós obtivemos 50 mil assinaturas. É fácil compreender que mesmo… [ilegível] … são esquerdistas de certa minoria, e é preciso ressaltar a palavra minoria, de clérigos e leigos católicos, não encontra ressonância. Pelo contrário, encontra repúdio no povo brasileiro.
Isso significa que o Brasil real. O Brasil profundo, não é esse Brasil de aparência, como apresentam certas revistas sensacionalistas e imorais, mas é um Brasil que deseja continuar a se desenvolver e a acelerar o seu desenvolvimento na fidelidade à sua própria tradição.
Pergunta 17: como é que nós encaramos o sexo?
O sexo – deve ser aqui provavelmente a função sexual - a função sexual pergunta-se aí se a encaramos como um tabu. Francamente. Nós não compreendemos como essa pergunta possa ser feita a alguém, uma vez que a função sexual foi instituída pelo próprio Deus para a perpetuação da espécie humana, ela é intrinsecamente boa e não há razão para encará-la como um tabu. Ela foi instituída para a perpetuação da espécie humana e Deus que a instituiu, ao mesmo tempo promulgou mandamentos que especificam como é que ela deve ser cumprida.
Quer dizer, depois do pecado original, quando os homens já estavam nessa terra de exílio, Deus revelou a Moisés os Dez Mandamentos. Os Dez Mandamentos confirmaram a moral natural que já vinha sendo acatada pelos homens e que estabelecia que a função sexual deve ser executada dentro do casamento; dentro do casamento com vistas à prole, à educação dos filhos e secundariamente, para o bem dos próprios conjugues.
A função sexual merece todo respeito. Ela deve ser tratada com recato, ela não pode ser objeto desse trato quase obsessivo que tem em muitos meios modernos; ela não deve ser objeto de uma preocupação constante, exarcebada, doentia; ela não deve ser tratada publicamente, a todo momento, de todos os modos.
Há algo que se chama o pudor, o pudor tradicional, o pudor cristão, que leve a… [ilegível] …fale disso quando necessário e nas… [ilegível] … quando for necessário. Mas daí deduzir que isso seja um tabu, eu não vejo como se possa fazer.
A pergunta é fazemos da questão social uma questão de consciência, como fazemos da reforma agrária.
Naturalmente. Todas as ações do homem são suscetíveis de uma apreciação moral. Sobre todas elas a moral tem algo a dizer. E na medida em que sobre elas se refere a moral, elas constituem questões de consciência. Se nós devêssemos dizer que não há também sobre a questão sexual uma questão de consciência, então nós deveríamos dizer que em matéria de sexo não há moral, e nós professaríamos a mais aberta imoralidade. É um pensamento que estamos muito longe de ter.
A outra pergunta é se nós achamos justa a educação sexual na escola.
Primariamente a formação em matéria sexual compete à Igreja e compete à família. Na intimidade do colóquio da mãe com sua filha, do pai com seu filho; no colóquio dos pais com seus filhos nas ocasiões adequadas; na intimidade sagrada do confessionário e da direção espiritual, se deve fazer o mais precioso da formação sexual. Nós compreendemos, entretanto, que em matéria sexual se possam dar cursos, fazer reuniões, desde que esses cursos sejam para pessoas, sejam inteiramente condicionados à idade das pessoas, portanto, não sejam prematuros, não sejam dados quando o problema sexual nem sequer se pôs, e não sejam cursos mistos. Sejam cursos só para rapazes, ou só para moças; só para pessoas adultas de um e de outro sexo. Aí achamos que esses cursos podem prestar precioso serviço, desde que eles ensinem os princípios da ordem natural das coisas, consagradas pela moral cristã nessa matéria.
Naturalmente nós não podemos estar de acordo … [ilegível] … das questões sexuais em que elas são apresentadas até obscenamente no teatro, no cinema, na rádio, na televisão, não raras vezes, e em que chegam a justificar o emprego do palavrão, da palavra de baixo calão nas representações públicas.
Eu tive a dor de ver no boletim da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil um sacerdote que fazia a afirmação de que em si se compreendia que cenas de alcova e palavras de baixo calão pudessem figurar no teatro. Considero isso uma coisa completamente inexplicável nos lábios de um sacerdote; como tive a dor de ver também uma conhecida revista católica. Uma conhecida revista católica que afirmou que em última análise não há razão para se proibir a homossexualidade vendo nela apenas uma variante da sexualidade. Não compreendemos como uma revista católica possa afirmar um erro desses.
Pergunta 1[?]: como encaramos… não. pergunta [18?]…A inovação pode trazer ao mundo mais progresso que a tradição?
A pergunta supõe uma espécie de antinomia entre inovação e tradição. Essa antinomia realmente não existe, quando as coisas são postas nos seus verdadeiros termos. O que que é a tradição? A tradição é a transmissão de valores culturais, de valores … [ilegível] … , ou melhor, valores morais. Valores culturais, valores morais, instituições de uma geração para outra. Essa transmissão comporta algo de imóvel,de estático, algo de estável porém não de móvel e algo, por sua vez que é móvel. Vamos dizer, mais exemplificando com família.
Há traços da organização da família que são imóveis. Por exemplo a indissolubilidade do vínculo conjugal, resulta diretamente da ordem natural das coisas e não pode ser abolida jamais. É um valor da tradição conservar este princípio, conservar o hábito da indissolubilidade através das gerações. E nesse sentido, a imobilidade absoluta da tradição é um valor dela. É uma condição para o progresso, porque como é um princípio fixo da ordem natural das coisas. Se nós formos abalar esse princípio, abalamos a ordem humana na sua solidariedade com a ordem natural. E com isso derrocamos a ordem humana. Então, nesse ponto é um mérito da tradição veicular consigo valores e máximas perenes. Por outro lado, há certas coisas que dentro da própria organização da família nossos maiores fizeram, nós conservamos e acrescemos, mas não são inteiramente fixos. Por exemplo, o modo pelo qual se celebram as festas nupciais. É conveniente que as haja, uma tradição estabeleceu o modo pelo qual elas devem realizar-se. O povo se mostra, por exemplo, muito apegado ao belo símbolo do véu branco da noiva. Mas estas coisas que têm uma certa estabilidade e devem ter, é bom que ao longo das gerações se conservem do mesmo modo. … [ilegível] …podem ser reformadas.
E uma tradição suficientemente flexível é abrir mão de algumas dessas coisas, quando necessário, mas com parcimônia, porque a continuidade, ainda aí, é um bem, embora não seja imobilidade absoluta. Mas há certas outras coisas muito [contingentes?] que devem ser renovação de geração em geração e nisso a tradição deve ser ainda mais flexível. Assim a tradição comporta sucessivo aperfeiçoamento ao progresso. Ela cria condições favoráveis ao progresso.
A verdadeira tradição é a fonte do progresso. O verdadeiro progresso é o filho da tradição. Não há antinomia entre uma coisa e outra. … [ilegível] …antinomia entre tradição e progresso que é evolucionista e que … [ilegível] …tudo… [ilegível] …é efêmero, tudo… [ilegível] …não há valores terrenos de nenhuma ordem. Mas para quem como nós é antievolucionista, a tradição é condição de progresso. Bem entendido, para um evolucionista a tradição freia a evolução e é uma inimiga do progresso. Mas então a civilização é um perpétuo destruir para um renascer. Para nós não. ela é um perpétuo construir, aproveitando tudo quanto as gerações do passado deixaram. Nos parece isso muito razoável.
Pergunta 19: Como encaramos o Corpo Místico de Cristo? Com as resoluções ecumênicas?
A resposta é: o Corpo Místico de Cristo é a Santa Igreja Católica. É uma sociedade visível de caráter sobrenatural e religioso. Nós somos uma sociedade cívica. Nós não temos que nos pronunciar, a não ser dizer que nós a acatamos com o saber que Ela é a Igreja verdadeira. Mais nada.
Bem. 18: para difundir seus princípios – 20, quero dizer – seus princípios. A TFP lutará contra as encíclicas e as resoluções do Concílio? Mesmo culminando com a excomunhão de todos os seus membros? O que fariam? Manteriam a posição criando um novo culto?
A resposta está dada implicitamente pelas perguntas anteriores: A TFP é uma sociedade cívica. Como sociedade cívica que ela é, ela não tem que tomar conhecimento, não tem que entrar … [ilegível] …resoluções de índole religiosa… [ilegível] … e no Concílio. Não está bem formulado. A TFP é uma entidade cívica. Como entidade cívica que ela é, é um absurdo imaginar que ela possa tomar uma posição contrária a essa ou aquela, contrária à religião católica, que tem o seu… [ilegível] …próprio que é o campo religioso. Imaginar que da TFP possa nascer uma nova religião é a mesma coisa que perguntar se [de] uma sociedade filatélica pode nascer uma nova religião. São coisas diferentes. São preocupações diferentes. Agora, poder-se-ia dizer: está bom, mas se a Igreja [tradicional?] a doutrina social na qual Ela se apóia, na qual se apóia a TFP e promulgar uma outra doutrina social, o que fará a TFP? Nós negamos que a Igreja possa entrar nessa contradição consigo mesma.
Pergunta 21: a violência é válida na luta pela preservação da moral e da virtude? Se for, encontram-se preparados para tal?
A pergunta coloca como princípio, em tese vamos fazer uma aplicação a respeito
dela. Um senhor está passando pela rua com sua esposa. A esposa é agredida por um tarado. A violência é válida para a preservação da moral e da virtude da esposa? Resposta: evidentemente, sim. Sempre se admitiu como tal. Mas a pergunta parece trazer consigo outro sentido:se nós… [ilegível] …que na luta contra o comunismo, se deve… [ilegível] …violência e se nós estamos preparados para… [ilegível] …violência. A resposta é: nós somos uma organização cívica, uma organização civil, não somos uma organização militar. Se o Brasil… [ilegível] …atuando pelo comunismo, nós… [ilegível] …contra comunismo, pelos… [ilegível] …nós não temos que nos preparar… [ilegível] …autonomamente contra o comunismo… [ilegível] …aparelhamento estatal militar para isso. … [ilegível] …pessoas que têm dado sobejas… [ilegível] …de estarem resolvidas a cumprir o seu dever nessa matéria.
22: … [ilegível] …opinião sobre as profecias… [ilegível] …Segredo de Fátima, etc.
Uma sociedade cívica não tem opinião a omitir a esse respeito
23: Com relação ao matrimônio, encarando-no como medida certa a ser adotada por todos os homens?
A resposta só pode ser que obviamente sim. Pois se Deus deu a recomendação, o mandamento: “Crescei e multiplicai-vos” e se está na ordem natural das coisas que o homem exerça a função da reprodução, esse é o casamento, é a conclusão natural de todos os homens.
A pergunta seguinte é que participação tem o matrimônio na preservação da família.
O matrimônio é o próprio fundamento da família. A família ilegítima não pode ser chamada propriamente de família. A família verdadeira, no sentido pleno e nobre da palavra, é a família legítima.
Diz: A TFP aconselha o matrimônio?
Evidentemente aconselha. Aconselha porque ele é aconselhável. O celibato é para situações de exceção, e a respeito dele deu ensinamentos muito sábios a encíclica Sacra Virginitas, do Santo Padre Pio XII. Ele mostrou que a condição comum dos homens é de ser casados, mas que a Providência … [ilegível] …o celibato… [ilegível] …que… [ilegível] …inteiramente a uma causa mais elevada… [ilegível] …a família. Daí vem o celibato sacerdotal. O celibato para os religiosos. Pio XII… [ilegível] …que… [ilegível] …clérigos ou religiosos… [ilegível] …[justificável?] … [ilegível] …casos… [ilegível] …aplicável à luta por um mundo melhor? Exemplo.
A quase totalidade dos historiadores dos nossos dias, para não dizer a totalidade [toma?] a respeito da Idade Média uma posição inteiramente diferente da de certos historiadores célebres, como Michelet no século passado. Falar na noite de mil anos, numa época em que não houve progresso nem evolução, não há hoje um homem com uma meia cultura de história que admita esses conceitos a respeito da Idade Média. Todos sabem que durante a Idade Média, notáveis progressos se fizeram não só no campo filosófico, no campo artístico, no campo cultural, mas também no campo científico e até no campo das realizações práticas; e que ao cabo da Idade Média, no puro terreno inclusive das realizações mecânicas e da vida econômica, o progresso do mundo era muito maior do que era na origem da Idade Média, por ocasião das invasões bárbaras.
A Idade Média apresenta portanto, em tantos campos, índice de progresso – que o embaraço está em dar exemplos – para dar um exemplo, entretanto, mencionamos esse: em virtude da tradição, já do Império Romano do Ocidente e em virtude do que se praticava entre os bárbaros, a escravidão existia na Europa no começo da Idade Média. Ela foi sendo lentamente atentada e transformada numa mera servidão. Enquanto para o Império Romano o escravo era um objeto inanimado, sem direito. Durante a Idade Média o servo da gleba, era um homem que tinha direitos. Ele tinha direito à família, ele tinha direito à propriedade. … [ilegível] …apenas sobre ele a restrição de que ele não podia distanciar-se da gleba de trabalho sem a licença, sem a permissão do proprietário. Entretanto, essa situação de servo da gleba era muito melhor do que do escravo, que não tinha direito nenhum. Essa situação de servidão da gleba [era uma?] espécie de estado de convalescença da escravidão. A… [ilegível] …dia a própria servidão da gleba estava agonizante, e nós tivemos a supressão, afinal, da escravidão em todo o continente europeu, em virtude de um impulso que teve a sua ação mais forte, mais preponderante na Idade Média. Isso mostra bem como a Idade Média realizou progressos sociais eminentes.
Como e por que é composta a cúpula da TFP?
A TFP, a cúpula da TFP é constituída em São Paulo, por dois organismos: o Conselho Nacional e a Diretoria Administrativa e Financeira Nacional. O presidente do Conselho Nacional é o professor Plínio Corrêa de Oliveira. Seu Vice-presidente é o professor Fernando Furquim de Almeida; seu secretário é o advogado Dr. Eduardo de Barros Brotero e seu tesoureiro é o advogado Dr. Caio Vidigal Xavier da Silveira. Fazem parte do Conselho Nacional, muitas personalidades de relevo brasileiras, nos negócios e na atuação pública de diversas gerações. Nós deveríamos lembrar a esse propósito os nomes já mencionados dos elementos iniciais do grupo do “Legionário”. Fazem parte também do Conselho Nacional, personalidades que se destacaram como o engenheiro Adolpho Lindenberg , à testa de umas das maiores empresas de construção do Brasil. Ele , por seu trabalho artístico recolocando em voga o estilo colonial, não pouco para a manutenção de importantes trabalhos arquitetônicos no Brasil. Nós poderíamos mencionar o Dr. Fábio Vidigal Xavier da Silveira, que há pouco escreveu um livro de grande atualidade, com repercussão em toda a América Latina, várias edições, “Frei Kerensky chileno”; o economista Luís Mendonça de Freitas, que é um dos autores do livro “Reforma Agrária, Questão de Consciência” e assim outros. O Conselho Nacional orienta as atividades ideológicas e sociais da entidade. A Diretoria Administrativa e Financeira é responsável pela parte econômica.
Se recebemos auxílio financeiro de entidades privadas e estatais.
O grosso dos nossos auxílios, dos auxílios de que vivemos, vem dos próprios quadros sociais. De entidades estatais não recebemos nenhum auxílio. Nós costumamos, quando temos necessidade, pedir auxílio a essas ou aquelas entidades privadas, como por exemplo, quando precisamos de material para nossas pensões, que são sem fito de lucro, pedimos a essas ou aquelas empresas de comércio material. Pedimos, às vezes, para os nossos restaurantes, que também são sem fito de lucro, a essas ou aquelas empresas que nos dêem, com abatimento os víveres para os restaurantes, e assim por diante. Mas de modo geral, vivemos das contribuições dos nossos sócios.
Que papel possui o professor Plínio Corrêa de Oliveira na TFP?
O professor Plínio Corrêa de Oliveira foi o fundador do núcleo inicial de batalhadores em torno do jornal “Legionário”. Ele é um dos colaboradores mais insignes da revista “Catolicismo”. De outro lado, o seu livro “Revolução e Contra-Revolução” é, como dissemos, o livro fundamental que explica todas as nossas atividades. Ele é o presidente do nosso Conselho Nacional e pela sua personalidade é o grande recrutador em torno do qual tem afluído do Brasil inteiro, para cerrar fileiras em torno do nosso pendão rubro, marcado pelo leão áureo e assinado com as palavras Tradição, Família, Propriedade.
Como professor universitário, como excelente orador e conferencista, ele se tem tornado conhecido largamente no público brasileiro, tendo por exemplo, realizado aqui, em Belo Horizonte, uma série de conferências sobre a questão agrária, que se tornaram notórias em toda a cidade. O professor Plínio Corrêa de Oliveira tem publicado sucessivas obras, que a TFP tem difundido com muito sucesso, entre elas “A Liberdade da Igreja no Estado Comunista”, em que ele demonstra a incompatibilidade entre a Igreja e qualquer regime que negue a propriedade individual, ainda que esse regime não negue a liberdade da religião. Esse trabalho – do qual se tiraram mais de cento e cinqüenta mil exemplares vendidos no Brasil pela TFP, índice verdadeiramente espantoso e sem paralelo com muitas obras do mesmo gênero, do qual se tiraram numerosas edições em língua estrangeira – esse trabalho foi objeto de uma carta de louvor muito importante da Sagrada Congregação dos Seminários e Universidades, assinada pelos cardeais Pizzardo e Staffa.
O professor Plínio Corrêa de Oliveira, anteriormente publicara um livro – anteriormente à fundação da TFP – intitulado “Em Defesa da Ação Católica” que fora objeto de uma carta de louvor escrita em nome do papa Pio XII, pelo então substituto da Secretaria de Estado, Monsenhor João Batista Montini. Monsenhor Montini é hoje o Papa Paulo VI. O professor Plínio Corrêa de Oliveira publicou também outro ensaio, largamente difundido no Brasil e fora dele, “Baldeação ideológica inadvertida e diálogo”, de que também a TFP faz uma larga difusão. Ele é o grande… [ilegível] …do movimento. A… [ilegível] …recrutador, ele é o… [ilegível] …porque é um homem de ação extremamente esclarecido… [ilegível] …ao qual se deve a inspiração e a direção das grandes campanhas que a TFP tem realizado. O professor Plínio Corrêa de Oliveira nasceu em São Paulo no ano de 1908… [ilegível] …nascimento e descende de… [ilegível] …Pernambucano de nascimento e descende de uma velha família de senhores de engenho. Ele é sobrinho-neto do conselheiro João Alfredo Corrêa de Oliveira, presidente do Conselho de Ministros que promulgou , juntamente com a princesa Isabel a Lei Áurea da abolição da escravatura no Brasil. Pelo lado materno, ele pertence a uma tradicional família paulista. Ele fez o seu curso secundário no Colégio São Luís, dos padres jesuítas. Formou-se em direito pela faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, e exerceu durante largo período de sua vida, a advocacia, além do magistério universitário de que já falamos.
25: a cúpula da TFP em Belo Horizonte é constituída por mim, Antônio Rodrigues Ferreira, pelo conhecido engenheiro Milton Mourão, diretor da empresa construtora Itambé e pelo também conhecido notável dentista Vicente Ferreira. Somos os fundadores da TFP, da secção mineira da TFP em Belo Horizonte e vimos dirigindo seus destinos até o presente dia. A TFP… [faltam palavras] …