Santo do Dia (Rua Pará) – 29/5/1968 – 4ª feira [SD 278] – p. 3 de 3

Santo do Dia (Rua Pará) — 29/5/1968 — 4ª feira [SD 278]

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A simbologia de uma estampa de Nossa Senhora com o medalhão da Sagrada Face no peito * A beleza de São Fernando fazer os maometanos transportarem nos ombros os sinos de Compostela * Uma oração de São Fernando, muito útil contra o defeito da falta de despretensão * São Fernando mais temia lançar um imposto injusto que enfrentar um exército de mouros * Sinal de sujeição ao Rei dos reis, reflete a doutrina da Sagrada Escravidão * Idiota o comentário humanista do biógrafo que atribui a São Fernando um amor à cultura em abstrato * A espada oferecida por São Luís a São Fernando, uma coisa incomparável

* A simbologia de uma estampa de Nossa Senhora com o medalhão da Sagrada Face no peito

O santo do dia é tão importante, que eu vou ver se divido o tempo e dá para três coisas.

Em primeiro lugar, quero chamar a atenção dos senhores para uma fotografia que representa aqui uma devoção a Nossa Senhora, muito bonita. É Nossa Senhora que tem, ao centro do peito, e fulgurando com raios, um medalhão que contém a Sagrada Face. Ou seja, Nossa Senhora tendo, no Seu Coração, a Sagrada Face. Ou seja, Nossa Senhora enquanto adorando a Sagrada Face.

Qual é a parte teológica nisto?

A parte teológica é a seguinte: há uma relação muito grande entre a Sagrada Face e o Sagrado Coração de Jesus. A devoção ao Sagrado Coração de Jesus é a devoção, em última análise, à vontade de Nosso Senhor Jesus Cristo, de alguma forma à sua inteligência.

Isto é que é o Coração. É a expressão e o símbolo da vontade de Nosso Senhor Jesus Cristo. De maneira que, se a gente quiser, são duas expressões da Alma Santíssima d’Ele, são as duas expressões da santidade d’Ele: a Sagrada Face e o Sagrado Coração.

Nossa Senhora enquanto contemplando o Sagrado Coração, ou melhor, enquanto contemplando a Sagrada Face, enquanto tendo a Sagrada Face em si, é Nossa Senhora adoradora da alma de Nosso Senhor Jesus Cristo, da santidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, do seu Coração portanto, ou de sua Face, que são símbolos, a títulos diversos, da mesma realidade.

De maneira que essa é uma muito bonita invocação, uma muito bonita devoção. A realização não é muito bonita, tem até de heresia branca. Mas a idéia é tão bonita e tão teológica, que acho interessante deixá-la aqui para os senhores verem.

* A beleza de São Fernando fazer os maometanos transportarem nos ombros os sinos de Compostela

Hoje temos a festa de São Fernando de Castela. A biografia está tirada de Daras, “La Vie des Saints”.

Ele foi filho de Afonso, rei de Leão, e de Berengère de Castela. Nascido em fins do século XII, subiu ao trono aos 18 anos, tornando-se um dos grandes soberanos cristãos. Aos 27 anos pegou em armas contra os mouros, que mantinham parte da Espanha sob seu jugo e só as depôs quando de sua morte. Foi notável batalhador.

No dia de São Pedro do ano de 1236 entrou em Córdova, que os infiéis dominavam há cinco séculos. Consagrou a grande mesquita da cidade à Santíssima Virgem e fez transportar nos ombros dos maometanos os sinos de Compostela.

É, inegavelmente, uma beleza, não é? Os ombros carregando os sinos, hein? É propriamente o que gostaríamos de fazer, não é?

* Uma oração de São Fernando, muito útil contra o defeito da falta de despretensão

Marchou sobre Sevilha e tomou-a com forças tão inferiores às do inimigo, que o general que entregou a cidade, olhando-a com lágrimas nos olhos: “Somente um santo poderia, com tais tropas, apoderar-se de uma praça tão forte e populosa”.

Sua espada só usou-a ao serviço de Cristo. “Senhor, dizia, Vós que sondais os corações, sabeis que busco Vossa Glória e não a minha. Não me proponho conquistar reinos perecíveis, mas difundir o conhecimento de Vosso nome”.

Que linda oração para nós, contra o defeito da despretensão. Nós podermos dizer, em todas as nossas ações de apostolado, que procuramos exclusivamente a glória de Deus e não a nossa. Nós não propomos conquistar para nós um prestígio perecível, mas queremos difundir o conhecimento da verdade de Nosso Senhor Jesus Cristo, quer dizer, da doutrina da Santa Igreja Católica Apostólica Romana.

* São Fernando mais temia lançar um imposto injusto que enfrentar um exército de mouros

Seu exército era um exército cristão. A Santa Virgem era sua padroeira e sua imagem era transportada como símbolo de proteção e vitória.

O rei era o exemplo. Jejuava, usava um cilício em forma de cruz e passava em oração as noites que antecediam as batalhas. Essas guerras contínuas nunca o induziram a carregar seu povo de impostos. Confiava no auxílio da Providência e afirmava temer mais as maldições de uma pobre mulher do que todo um exército de mouros.

Agora venham falar que na Idade Média não havia sentido de pena dos pobres, não havia compreensão do direito dos pequeninos. Os senhores estão vendo um homem aqui que tem mais medo de cometer um pecado lançando contra uma pobre mulher um imposto injusto, do que enfrentar um exército de mouros.

* Sinal de sujeição ao Rei dos reis, reflete a doutrina da Sagrada Escravidão

Este grande príncipe morreu quando se preparava para uma expedição em África, contra os últimos inimigos de seu país. Ao lhe trazerem o Santíssimo Sacramento, lançou-se de joelhos, lançando ao pescoço uma corda em sinal de sujeição ao Rei dos reis.

É a doutrina da Sagrada Escravidão a Nosso Senhor Jesus Cristo e a Nossa Senhora.

* Idiota o comentário humanista do biógrafo que atribui a São Fernando um amor à cultura em abstrato

São Fernando também amou e protegeu a cultura, tendo fundado a célebre Universidade de Salamanca.

Aqui está um comentário humanista perfeitamente idiota. Um tão grande santo não podia proteger e amar a cultura em abstrato como está aí. Ele amava a cultura como um reflexo da glória de Deus e um instrumento para a difusão do Reino de Deus.

* A espada oferecida por São Luís a São Fernando, uma coisa incomparável

Após mais de quatro séculos, seu corpo foi encontrado incorrupto, quando Clemente XI o canonizou em 1671.

Valia a pena ter lido, ainda que não comentando, tão grande vida de tão grande santo.

Eu creio que estava com o Dr. Paulo, Dr. Adolpho e mais uma pessoa, quando visitamos no Museu do Prado, em Madrid, a Armeria, que é a parte das armas, e vimos então uma espada, que era presente de São Luís a São Fernando de Castela. São Luís era primo-irmão de São Fernando de Castela. Esse presente de um santo a outro santo, e feito para matar mouros. É uma coisa incomparável.

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