[O
número de páginas é o mesmo do microfilme. A
página 3 e 4, 7, 8 e 9 são adendos do datilógrafo,
de trechos que ele não tinha entendido. A página 6 tem
a sua metade ilegível. O datilógrafo escreveu muita
coisa à mão, de modo que nos …[ilegível]…
este e.M. não entendeu.] – p.
[O número de páginas é o mesmo do microfilme. A página 3 e 4, 7, 8 e 9 são adendos do datilógrafo, de trechos que ele não tinha entendido. A página 6 tem a sua metade ilegível. O datilógrafo escreveu muita coisa à mão, de modo que nos …[ilegível]… este e.M. não entendeu.]
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Santo do Dia (Sede do Reino de Maria) — 25/5/1968 — sábado [SD 303] (Carlos Nini)
Comentários sobre a oração do Venerável Tomás de Kempis
E como nós estamos na novena de Nossa Senhora Rainha, eu acho muito interessante ler aqui e comentar uma oração do Venerável Tomás de Kempis, a quem se atribui essa verdadeira obra-prima de unção, teologia e piedade que é a …[ilegível]… É uma oração a Nossa Senhora tirada do livro “Espírito do Santos Ilustres”. Eu acho uma verdadeira maravilha essa invocação de Santo Tomás de Kempis a Nossa Senhora.
Para nós compreendermos essa invocação, nós temos que nos colocar em presença da seguinte noção. Que a alma, ao longo de sua vida espiritual, passa por várias desolações. Essas desolações vem às vezes, dos pecados que ela comete, que a abatem, que a prostam, que tendem a lhe tirar o ânimo.
São Francisco Xavier disse, uma ocasião, muito bem, que o pior do pecado não é o pecado, é o desânimo que a alma fica depois de ter pecado, a falta de coragem de se aproximar de Deus Nosso Senhor como um verdadeiro filho, depois de ter pecado. Isto é o pior do pecado.
Então, há almas pecadoras que prevaricam e que caem numa prostração, caem no abatimento. Há almas que propriamente não pecam no sentido de que diretamente não cometeram uma ação contrária aos Mandamentos, mas que caem na tibieza. É a queda mais inopinada e mais freqüente na vida espiritual. O fervor está em mar alto e, de repente, sobrevém a tibieza e aquela bela chama vai cindo, vai diminuindo e vai desaparecendo.
Como isso é freqüente, por exemplo, em alguns que vêm a São Paulo. Eu já tenho ouvido depoimentos nesse sentido. Vêm a São Paulo, acendem a chama. À medida que o ônibus vai embora de São Paulo, aquela chama vai diminuindo, diminuindo como um sinal luminoso que fica na estrada. Quando a gente chega ao ponto terminal daquilo, resta apenas uma recordação. O resto é [reulez?], o resto é desolação, o resto é …[ilegível]… de espírito, não é?
Quantas vezes a alma é mais provada ainda e nem São Paulo, nem coisa nenhuma lhe dá consolação. Tudo para ela é tédio, tudo para ela é monotonia, tudo para ela é desinteresse. Às vezes porque ela consentiu num pecado de tibieza, às vezes apenas por uma provação da qual ela não tem culpa nenhuma.
OBS: O resto da gravação está praticamente inaudível. [SIC]
[Na folha 3 e 4 o datilógrafo recompôs quase tudo do dito acima. (Carlos Nini)]
Mas esses são os estados trágicos pelos quais a alma passa e que constituem a trajetória da alma para o Céu. É atravessando estes estágios de modo vitorioso que a alma …[falta palavra]… para o Céu. E para todos estes estágios, Nossa Senhora é chamada a Estrela do Mar. Tomando-se o mar …[falta palavra]… com todas as suas ondas, com todos os seus ventos, com a noite na qual ele se encontra, Nossa Senhora é a Estrela na qual nós olhamos e que nos guia e nos salva das várias tempestades, dos vários maremotos que em todas(?) as vidas(?) espirituais(?) existem(?).
Então, tomando isso em consideração e colocando-se no papel de uma alma pecadora, de uma alma que se tornou tíbia, de uma alma que não é pecadora nem se tornou tíbia, mas é uma alma que está trabalhada e amolada pela desolação dos grandes vendavais da aridez, e então, colocando-se nesta posição, tomar com um terço(?) e ler essa linda oração a mais:
“Eu vos saúdo, Maria, cheia de graças, Virgem serena, singular esperança …[inaudível]…”
Bem, os senhores estão vendo aqui a invocação bonita: “Eu vos saúdo, Maria…”, mas tudo tem uma razão de ser para a alma que se encontra em algum destes estados.
“Maria, cheia de graças”, quer dizer, que Ela está cheia de graças, e eu estou na desolação, Ela tem de modo superabundante aquilo de que eu preciso. É como o mendigo que chega diante de uma rainha riquíssima e diz: “Eu vos saúdo rainha, cheia de riquezas do reino”. Quer dizer, a minha miséria vos presta homenagem. A minha miséria implora vossa misericórdia.
Depois, ele continua:
“…Virgem serena…”
Ela é tão serena, tão plácida. Até no alto da Cruz, junto a Nosso Senhor Jesus Cristo, no momento tremendo do “Consummatum est”, Ela se conservou virginalmente serena.
Eu estou abalado, eu estou agitado, eu estou provado, eu estou aflito, eu estou atormentado, eu deito meus olhos sobre vosso semblante sereno e espero de que vos [transfirais?] em mim algo da Vossa serenidade.
“…Virgem serena, singular esperança dos infelizes”.
Singular, aqui, é termo um pouco arcaico e quer dizer esperança única, suprema. E a esperança que os infelizes têm e continuam a ter mesmo depois de razão de não terem esperança em mais nada. Mas, como Ela é a esperança suprema, n’Ela os mais infelizes, nas situações mais irremediáveis esperam sempre. Ela é a esperança singular como …[ilegível]… de todos os infelizes …[ilegível]…
[O resto da página está ilegível, porém esses dois comentários abaixo estavam anexos na página 7 e 8. Precisaria digitar a parte da oração e anexar no ponto certo, reouvindo a fita.]
* Por que é que vem aqui esses “órfãos”?
* Por viver nesta terra longe de Deus. Ela é uma terna Mãe de todos os órfãos, Ela é Mãe minha. Na minha orfandade, na orfandade de todos os homens, todos voltam os olhos para Ela, porque Ela de todos é Mãe. Os senhores estão vendo quanta beleza isso encerra e quantas orações de esperança ele contempla.
“Quando toda a sabedoria e toda a força se retiram de mim, e eu em nada posso me apoiar;…”
Os senhores estão vendo aí , é a alma pecadora da qual a sabedoria e a fortaleza se retiraram. E ele não pode se apoiar em mais nada. Agora, vem um outro tipo de alma.
“…quando o tédio da vida presente e a angústia do coração lhe entristece tão fortemente, que eu quase não posso fazer nada neste mundo…”
É a alma que caiu no tédio, é a alma que, às vezes, sem culpa própria acha a vida na virtude supremamente difícil e monótona, e que pede ou agarra com um [complexo?] de morte. Ela está tão trabalhada pelo tédio, que ela quase não pode fazer outra coisa senão sentir esse tédio.
Agora, outra situação: [Este trecho não estava entre parênteses; teria que ler a oração para saber se faz parte dela. (Carlos Nini)]
Quando o sol da alegria desapareceu e uma noite de temores e tristeza — é uma alma que outrora fora alegre, mas depois vieram as tentações, vieram as provações e o sol da alegria sobrenatural desapareceu, e nesta alma reina uma noite de temor, uma noite de tristeza. Pode haver uma coisa pior do que uma noite de temor ou de tristeza? …[ilegível]… a noite de Agonia de Nosso Senhor Jesus Cristo …[falta palavra]… e do outro, os lados ruins estão crescendo, estão se avolumando, estão se agitando dentro dela, e ela tem medo de ser submersa pela tentação?
Agora, vem um outro tipo de alma.
“Quando também chega uma enfermidade imprevista ou quando uma adversidade se agiganta, as almas são acometidas de uma doença imprevista. Doença que faz sofrer, doença que abate e doença que traz consigo o espectro da morte. A morte é um castigo e salvo uma graça especial, os homens a temem. Quantas e quantas vezes os atos(?) falam disso: (expressão latina) …[falta palavra]… as sombras da morte …[falta palavra]… de todos os lados. Com algo que está em torno de mim e que está na eminência de entrar em mim. A morte …[ilegível]… , a morte de alguém que a gente ama, a morte de alguma alma por cuja salvação …[falta palavra]… interessa.
“A própria morte…
[Aqui continua na página 6, na parte que está ilegível.]
“Ó Maria, Mãe suave e bem amada! Sim, Vós sois a Estrela brilhante do Mar; Vós consolais todos aqueles que Vos contemplam e Vos chamam e os conduzis logo ao porto da tranqüilidade…”
Os senhores sabem que os antigos — e parece que até hoje em alguma medida isto é assim, se guiavam no mar pelas estrelas, e havia uma estrela particularmente indicativa do caminho durante a noite. De maneira que, na imensidade do oceano, aqueles barquinhos de antigamente não tinham outro rumo senão olhar para aquela estrela e aquela estrela ia indicando o caminho. Nossa Senhora, em nossa vida, é a estrela do mar. Essa vida é esta navegação tremenda …[ilegível]… A gente olha …[falta palavra]…
“Vós que consolais todos aqueles que Vos contemplam e Vos chamam e os conduzis logo ao porto da tranqüilidade, eu me refugio perto de Vós. Se estais perto de mim, minha gloriosa Senhora, quem será contra mim?”
Quer dizer, o demônio nada pode se eu me refugio junto a Nossa Senhora, se eu me cubro com o manto da proteção d’Ela.
“E se concedeis Vossa graça, quem a poderá recusar?”
Ora, acontece que Ela concede sempre.
“Estendei, pois, vossos braços sobre minha cabeça, para que eu me refugie sobre sua sombra.”
Vejam que …[ilegível]… que intimidade bonita. Pedir a Nossa Senhora que estenda as mãos d’Ela sobre minha fronte, exausta, cansada, preocupada, sofredora, e basta isto …[falta palavra]…
“Dizei à minha alma: ‘Eu sou tua Advogada, nada tema. Como uma mãe consola seu filho, assim Eu te consolarei’.”
Isso é o próprio da devoção a Nossa Senhora. É o ouvir essa palavra interna de Nossa Senhora. Nossa Senhora fala às almas de um modo misterioso. Não há uma alma verdadeiramente marial que não tenha sentido dentro de si, de vez em quando, uma moção, e que é a voz de Nossa Senhora que fala.
Então, o pedido é esse: “Dizei-me que sois Vós, minha Mãe, porque quando Vós me disserdes isto, por uma voz misteriosa que não atinge os ouvidos, mas que enche a alma, então a minha alma estará tranqüilizada”. É uma súplica ardente, filial, magnífica e respeitosa a Nossa Senhora.
* * * * *
Sede do Reino de Maria