Santo
do Dia – 21/5/68 – 3ª feira .
Santo do Dia — 21/5/68 — 3ª feira
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Como a carreirosa dentro do Grupo, a fruição do próprio trabalho e o espírito de funcionário público impedem a visão contra-revolucionária do trabalho * Como a carreirosa se apresentava para o Grupo no ano de 1968 * Como o desejo de honrar a virtude e de desprezar o vício criava um equívoco no Grupo * Uma falsa escola de santificação em que o sintoma vale pela realidade: se eu adquirir os sintomas, eu teria a realidade * Nessa falsa escola de santidade se erige a aquisição do sintoma como processo para aquisição da realidade. Uma metáfora: a pessoa anêmica que usa rouge para curar anemia * Muitas vezes sucede que pessoas que são muito apagadas, retraídas, com menos brilho, têm uma virtude muito grande, que entretanto não é notória * Na aquisição dos sintomas de santidade, se adquire todos os sintomas de vaidade * Por ocasião da missa de trigésimo dia da Senhora Dona Lucilia, o Fundador agradece a todos por tudo que fizeram por ele e por ela nessa ocasião
* Como a carreirosa dentro do Grupo, a fruição do próprio trabalho e o espírito de funcionário público impedem a visão contra-revolucionária do trabalho
Amanhã, dia 22 de Maio é festa de Santa Joana Virgem, filha de D. Afonso V de Portugal, praticou na corte as mais altas virtudes. Tomou como emblema a coroa de espinhos, e sob as ricas vestes trazia rudes cilícios. Professou na Ordem Dominicana, onde após longa e dolorosa enfermidade, faleceu santamente.
Novena de Nossa Senhora Auxiliadora, Novena de Nossa Senhora Rainha.
A ficha de Santo do Dia é de São Bevônio, também no dia 22, confessor.
São Bevônio, natural da Provence, de linhagem nobre, entrou ainda jovem para a carreira das armas, combateu valorosamente em defesa da Fé e de seu país contra os sarracenos vindos da Espanha. Caracterizou-se por usar de compaixão pelos inimigos feitos prisioneiros ou que se submetiam voluntariamente, tendo conseguido a conversão de muitos.
Deixando mais tarde o serviço militar, entregou-se à vida de oração e penitência, e veio a falecer perto de Pavia, em 935, durante uma peregrinação que fazia a Roma.
Eu continuo num comentário, embora rápido daquelas perguntas que me foram feitas a respeito de como pôr a intenção por ocasião do trabalho. Uma pessoa cuja assinatura não figura aqui, faz a seguinte pergunta: “O senhor poderia comentar como a carreirosa dentro do Grupo e a fruição do próprio trabalho, e o espírito de funcionário público impedem a visão contra-revolucionária do trabalho?
“Se fosse possível também — pode ser em outra ocasião — o senhor comentar o modo de como aproveitar o próprio trabalho para a aquisição do espírito sapiencial?”
Essas são perguntas muito boas, mas que exigiriam um desenvolvimento muito maior, de maneira que eu vou apresentar apenas aqui em parte.
O que é que vem a ser a carreirosa dentro do Grupo?
* Como a carreirosa se apresentava para o Grupo no ano de 1968
A carreirosa dentro do Grupo se apresenta diante de nós de um modo muito curioso, como uma espécie de verdade que depois foi transformada, adulterada e que serve de modo e instrumento para a obliteração das almas. Esta verdade é a seguinte:
Graças a Deus, no Grupo do “Catolicismo” e é o que o Grupo tem de melhor, as coisas estão postas de tal maneira que a maior honra, a maior consideração, o maior prestígio correm naturalmente para a virtude. Enquanto os ambientes aqui fora são ambientes de tal maneira constituídos que quem é virtuoso é caçoado, é execrado e é espezinhado, e pelo contrário, quem é ruim é honrado.
Dentro do Grupo as coisas correm de uma maneira diferente: há uma tendência para honrar a virtude, para glorificar a virtude, para cercar a virtude de consideração. Enquanto, pelo contrário, há um desprezo para com os vícios, para com os defeitos, para com os pecados, etc..
Agora, isto que de si é uma coisa excelente, a tal ponto que os senhores podem compreender facilmente quantas almas se perdem aí fora porque, exatamente, o respeito humano lhes tira a coragem de ostentarem a virtude. Então, a gente compreende também quantas almas podem praticar o bem, porque o ambiente as estimula para a virtude. Os senhores compreendem que todo o Grupo aspire a uma mediana fidelidade a Nossa Senhora. Deve ser assim, deve honrar a virtude e deve desprezar o vício dentro do seu ambiente.
* Como o desejo de honrar a virtude e de desprezar o vício criava um equívoco no Grupo
Os senhores compreendem como esta coisa excelente, naturalmente, pode criar um equívoco no seguinte ponto: se é verdade que a virtude deve ser honrada — vem agora uma recíproca — todo mundo que é honrado dentro do Grupo é virtuoso. Logo, ser tido como dos mais cotados dentro do Grupo, é uma prova de que se vai bem na vida espiritual e é uma prova de virtude.
E então, a gente quando é honrado é porque vai bem. E então, basta ser honrado dentro do Grupo pelos outros para ir bem. E então a gente para ir bem dentro do Grupo, deve fazer piruetas, jeitos e trejeitos — segundo a expressão castelhana pitoresca, dar vueltas e vuelteretas, para ser considerado. Porque então a seqüela das conseqüência vem.
E então, os senhores vêem como se coloca aí um ciclo de erros se acumulando uns sobre os outros.
O resultado é que a pessoa, por exemplo, conseguir passar por ser muito bom funcionário, ou a pessoa conseguir passar por ser muito corajosa, ou conseguindo passar não sei, por ser uma pessoa muito amável, ou uma pessoa de muito bom espírito, então, conseguindo passar por qualquer uma dessas coisas, embora empregue bluffs para isso, embora empregue recursos e estratégia para isso, ela é empurrada pela consideração geral para o centro do Grupo. Logo, vai indo bem na vida espiritual.
E é um modo prático e cômodo de ir bem na vida espiritual, porque a gente faz um bluff, a gente se cerca de consideração, e é prova de que vai indo bem. Não precisa fazer um esforço sério, duro, difícil, penoso, tremendo de ir bem. Basta uma meia dúzia de bluffs, basta uma meia dúzia de tapeações que a gente é tido como indo bem, e tido como indo bem está indo bem, porque está próximo dos que vão bem. Está colocado e aderido aos que vão bem.
* Uma falsa escola de santificação em que o sintoma vale pela realidade: se eu adquirir os sintomas, eu teria a realidade
E então há uma forma de santificação — eu coloco quinhentas aspas de cada lado da palavra, formando o respeitável total de mil aspas, e assim mesmo eu as acho insuficientes — dá uma escola de santificação que seria a escola seguinte: o sintoma vale pela realidade, se eu adquirir os sintomas eu terei a realidade. E logo, a sustentação do sintoma, ou o fabrico do sintoma é um processo pelo qual eu adquiro a realidade. E adquiro — é claro — de um modo muito mais fácil do que penosamente pela aquisição da realidade em si mesma considerada.
Eu não sei se quereriam algum exemplo imaginário concreto — porque eu não darei real — se quereriam algum exemplo imaginário concreto, ou se isto está bastante claro. Se alguém quiser um exemplo imaginário concreto, levante o braço.
Bem, um exemplo imaginário concreto seria o seguinte: vamos dizer por exemplo: um serviço burocrático que eu faço, eu sobressairei muito tendo diligência. Se eu tiver diligência e sobressair muito, eu serei tido como dos melhores. Eu sendo tido como dos melhores eu sou dos melhores. Porque a fama de ser dos melhores é idêntico a ser bom. Aqui está o grosso engano. Logo, em vez de eu penar para ser bom, eu serei diligente no meu serviço, e com isso eu estou com o meu caso resolvido.
Um outro exemplo, talvez mais fácil e também mais compreensivo é o contrário: muitas vezes acontece e acontece mesmo, que pessoas de muito bom espírito passam por umas certas provações por onde durante algum tempo não podem trabalhar bem.
Então diz: “Ah, bom, eu percebo que há algumas pessoas que não trabalham bem porque se confessam capengas, isso e aquilo — e depois pode acontecer, em sã justiça com ciência e santidade pode acontecer — eu vejo que aqueles lá que são bem tidos no Grupo e que de fato são bons apresentam este sintoma, logo chega na hora do trabalho eu faço uma cara de choro e digo: “Oh, eu fiz uma capenguice, não andei bem, nhenhenhê…”, e com isto eu me identifico aos que vão bem por esta forma, e portanto, vou bem.
Porque quem a vox populi no Grupo canoniza, este está canonizado, é uma santificação ex opere operato, automática.
O resultado é o seguinte: que aquilo que os senhores muito pitorescamente chamaram “milecanização” acaba sendo o processo de santificação. Porque “Se eu tomar um sintoma qualquer de santidade e ‘milecanizar’ este sintoma, eu fico santo, porque os do Grupo admitem que aquilo é santo”.
Então, vamos dizer por exemplo, eu ouço falar que fulano é muito virtuoso e que por exemplo ele é capenga: “Coitado, é um capenga médio”.
Ah, eu puxo um suspiro e digo: “Eu sou mil vezes mais capenga do que ele. Ele não é capaz — não sei! — de trabalhar cinco horas por dia, eu não sou capaz de trabalhar cinco minutos, e todos os sintomas que ele sente quando ele chega a trabalhar cinco horas por dia, eu sinto simplesmente trabalhando cinco minutos, mas sinto ao quíntuplo, e espalho isto.
Aliás, é muito cômodo, é muito cômodo. O resultado é o seguinte: é que eu fico sendo tido como muito bom. E se eu sou tido como muito bom, eu sou muito bom, porque eu ser tido como, equivale à realidade de. Aqui está o âmago da coisa. E então eu progrido na vida espiritual.
* Nessa falsa escola de santidade se erige a aquisição do sintoma como processo para aquisição da realidade. Uma metáfora: a pessoa anêmica que usa rouge para curar anemia
Porque, notem bem, seria uma estupidez chamar isto de hipocrisia ou de farisaismo porque não é. O hipócrita finge uma virtude que não tem. Este não, ele erra no modo da aquisição da virtude, e ele levanta a aquisição do sintoma, ele erige a aquisição do sintoma como processo para a aquisição da realidade.
É como, por exemplo, se uma pessoa anêmica dissesse: “Não, eu vou curar a minha anemia. Vou passar rouge”. Passa umas pomadas. Quantas senhoras fazem isto! Eu vejo naquele salão que tem lá embaixo de casa, às vezes entra uma tísica, saí rubicunda, duas horas depois eu cruzo com ela e está rubicunda, e além do mais ela entra quase calva e sai com uma cabeleira. Quer dizer, passa por uma transformação completa. Isto basta morar na rua Alagoas que a gente vê, no nº 350 que a gente vê.
Então, vamos dizer que essa pessoa acreditasse que ela se pintando ela toma saúde, não é uma pessoa que quer se falsificar, porque se fosse isso o fenômeno era mais triste, mas muito mais simples. Mas não é não. Entra uma espécie de ingenuidade dentro disso, se os senhores me permitirem, uma palavra dita com uma imensidade de afeto, entra um primitivismo dentro disto pelo qual não é uma hipocrisia, mas é uma idéia errada e primitiva da aquisição da santificação.
E então, assim como na primitiva Igreja alguns que eram aclamados Santos, eram tidos como Santos, e estão nos catálogos dos Santos. Mas era uma coisa inteiramente diferente, era uma moção do Espírito Santo, etc..
Aqui há assim uma espécie de consenso geral de que fulano é santo, dá-lhe a santidade. Como esse consenso geral muitas vezes não é inspirado pelo Espírito Santo…
Meus caros, notem, que eu estou falando com muito afeto, notem eu estou querendo… Eu acho de tal maneira, para dizer com toda franqueza, entra um qüiproquó “geração-novesco” nisso que até tem seu pitoresco, mas que é nocivo. Eu falo transbordando de afeto, e não estou censurando a ninguém, mas é isto.
Então, quando a pessoa adquire esta fama de santidade, é santo — muitas vezes a fama se adquire pelo sintoma — logo, “eu vou adquirir o sintoma”. Está acabado. E isto forma então um elo perfeito.
* Muitas vezes sucede que pessoas que são muito apagadas, retraídas, com menos brilho, têm uma virtude muito grande, que entretanto não é notória
Agora, o que é que se deve pensar de real dentro, a respeito disso. É verdade que em princípio, em princípio, no Grupo há um reconhecimento dos verdadeiros valores, e em princípio, no Grupo é verdade que se atribui respeito e consideração àqueles que verdadeiramente merecem.
Isto não quer dizer, que haja qualquer forma de infalibilidade nisto, e que muitas vezes suceda que pessoas que são mais apagadas, mais retraídas, que brilham menos, não possam ter uma virtude muito grande, que não é entretanto notória para muitos. Eu dentro do Grupo conheço casos. E portanto a recíproca não é verdadeira: “É pouco tido como bom, logo não é bom”. Essa recíproca não é verdadeira.
Como por outro lado, também é verdade o seguinte: que muitas vezes a pessoa, vamos dizer, é tida como boa — e eu tenho visto esta fama de santidade errar — muitas vezes eu ouço elogiar santos em torno de mim e eu fico quieto, ou eu digo: “nha-nhanhan-nhanha mon coeur n’y est pas”. Eu não posso estar a propósito de tudo dizendo o que é que eu penso do estado… eu não posso servir de termômetro aos olhos de todos como vai este ou aquele, de maneira que eu sou obrigado a ser muito discreto. Mas há muitas “santificações” que eu: “Está certo, está bom, é muito bom rapaz, mas…”
Por quê? Porque nem sempre nós estamos de acordo. A voz pública e eu nem sempre estamos de acordo. É preciso ver bem isto, é preciso ter sutilezas nisso.
Agora, o que é que acontece? Acontece que por causa disso vem o demônio e dá uma picada. Por que a gente com vontade de se santificar pela aquisição de sintoma, muito facilmente acaba tendo apego ao brilho que esta situação dá, mas muito facilmente.
* Na aquisição dos sintomas de santidade, se adquire todos os sintomas de vaidade
Eu não tenho vergonha de dizer — eu estou com 59 anos e meio — muita gente teria, mas eu não tenho, não se escandalizem com o que eu lhes disser: eu tomo cuidado para não consentir em tentações de vaidade. Porque se não tomar cuidado…, eu tenho a impressão de que não há um homem no mundo que se não tomar cuidado, não consente — ao menos eu não sei, eu penso que é, não sei e D. Mayer pensa de outro modo.
O fato é o seguinte, que a pessoa precisa prestar atenção. Vem uma pessoa inteiramente nova em vida espiritual. Começa a se pôr na cabeça que brilhando se santifica, não tem cuidado em não se envaidecer porque é nova em vida espiritual — depois, porque não gosta de ser vigilante em matéria de vida espiritual, não gosta de olhar para os efeitos do pecado original em matéria de vida espiritual, o que é que acontece? Que se apega.
E daqui a pouquinho o que é que acontece? Na aquisição dos sintomas de santidade adquire todos os sintomas de vaidade, e, portanto, de não santidade.
E eu tenho visto gente fazer um itinerário assim: começa a se santificar, é aplaudida pelos progressos que faz, acentua o sintoma, se apega e fica com a santificação atrapalhada.
Agora, porque? É exatamente por causa desta forma errada de conceber as coisas.
Eu não posso, não quero, e não devo dizer mais do que isto. Não posso porque eu tenho muito receio de fazer alusão a qualquer pessoa, quando o meu desejo é de não fazer alusão a ninguém. E eu vou lhe dizer porque é que meu desejo é de não fazer alusão a ninguém: porque não seria justo, o fenômeno é tão geral que eu não teria o direito de individualizar. Portanto, eu não quero. E não posso porque não seria discreto, não seria correto. Eu não devo porque já é meia hora e chegou a hora de me recolher.
* Por ocasião da missa de trigésimo dia do falecimento da Senhora Dona Lucilia, o Fundador agradece a todos por tudo que fizeram por ele e por ela nessa ocasião
Eu queria dizer aos senhores que por ocasião do trigésimo dia de mamãe, eu mais uma vez quero agradecer tudo, absolutamente tudo, que a tão vários títulos fizeram por ela e por mim nessa ocasião. Ainda eu preciso agradecer publicamente a Excelência que veio de Campos para celebrar esta missa de trigésimo dia. Agradecer também a presença de meu caríssimo Cônego Villac que esteve presente na missa, e de todos aqueles que concorreram, o coro e os que estiveram de manhã. Depois os que estiveram à tarde.
E os senhores sabem que pela estima sem nome que eu tinha a ela, pela veneração que não encontra palavras, que o decurso do tempo vai ainda fazer crescer, que eu tinha para com ela, eu posso dizer que continuando um juiz implacável como eu pretenderia ser de mim mesmo, e quero ser de todo o mundo, inclusive dela, alguns aspectos da personalidade dela entretanto, com a distância vão se tornando ainda mais claros para mim, mais luminosos e mais brilhantes. E em geral quando chega o trigésimo dia, as saudade estão amortecidas.
E comigo não se trata de um fenômeno de saudades, mas é um fenômeno de admiração que vai subindo no firmamento de minha alma, e, portanto, de afeto que vai crescendo com o tempo.
Bem, que tudo quanto fizeram por ela — especialmente as orações pela piedosa alma dela, que eu agradeço do fundo de minha alma.
Não se poderia fazer coisa que me agradasse mais do que rezar por mamãe a não ser rezar por esta outra Mãe, tão mais desventurada do que a minha e que é a Santa Igreja Católica, Apostólica e Romana que eu amo indizivelmente mais do que minha mãe. Eu agradeço a todos, portanto, do fundo do coração e pediria a D. Mayer o favor de que as orações dessa noite fossem por ela.
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