Santo do Dia ─ 17/05/68 ─ 6ª feira . 8 de 8

Santo do Dia ─ 17/05/68 ─ 6ª feira

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Para combater suas más tendências, o homem tem dois caminhos: vencê-las, ou estimulá-las para o bem * O elemento fundamental da virtude consiste no desejo de possuir o bem por que ele é o bem * Onde há amor existe necessariamente ódio * Se queremos combater algum defeito, antes de tudo precisamos pedir graças extraordinárias * Como primeiro passo no progresso espiritual, devemos ter uma profunda humildade * Nada é mais belo do que ver a luz da graça reacender uma alma * Confiar em Nossa Senhora quando nos imaginamos abandonados é o supremo da fidelidade a Ela

Bom, nós passamos agora para as matérias de ontem. Vamos tratar de mais alguns daqueles pontos relativos ao Santo de Dia de anteontem.

É festa de São Félix Cantalício, confessor. Da Ordem dos Frades Menores capuchinhos, notável pela candura e pela caridade evangélica. Sua relíquia se venera em nossa capela. Também é novena de Nossa Senhora Auxiliadora.

Uma outra pergunta é a seguinte:

Esse esforço que o senhor nos pede para termos uma vida inteiramente voltada para a Contra-Revolução, até nos seus mínimos detalhes, opõe-se diametralmente ás tendências de nossa alma, que de si mesma, está inclinada para a vulgaridade, para a preguiça e para o egoísmo.

Assim sendo o senhor poderia expor qual é o papel da luta contra as más tendências para se adquirir este espírito incondicionalmente contra-revolucionário? Em que campo e de que forma esta luta deve ser especialmente travada?

* Para combater suas más tendências, o homem tem dois caminhos: vencê-las, ou estimulá-las para o bem

Isso é um ponto de vida espiritual extremamente sutil que está implícito à pergunta feita aqui, e é a seguinte: Uma pessoa tem uma tendência má ─ por exemplo, ela tem a tendência para as coisas vulgares, para se ocupar com coisas banais e sem importância ─ ela quer elevar o seu espírito até a cogitação das coisas importantes. Ela tem dois caminhos a seguir.

Um é combater esta tendência fazendo as coisas importantes, quer dizer, contrariando. Então organiza um método: “Tantas vezes por dia eu me lembrarei disto. Tantas vezes por dia eu me penitenciarei porque eu mão segui este exemplo, essa deliberação que eu tomei. E por esta forma eu vou procurar ser fiel ao meu propósito.”

Bem, este caminho consiste em tomar a má tendência e vencê-la.

Outro caminho consiste em estimular a tendência para o bem, em eu refletir bem sobre a vantagem que há em ter pensamentos elevados, quanto isto é reto, quanto isto é nobre, quanto isto aproxima de Deus. Eu examinar-me bem para ver se eu estou profundamente persuadido disto. Eu tomar as objeções subconscientes que eu tenha a este respeito, e procurar estas objeções, conscientizá-las e depois de as refutar, me tornar mais firme nesta resolução.

* O elemento fundamental da virtude consiste no desejo de possuir o bem por que ele é o bem

Bom, por qual das duas coisas deve começar o progresso espiritual? Deve começar pelo combate à tendência má ou deve começar pela persuasão do bem?

A resposta que se deve dar é a seguinte: depende da forma de graça que a pessoa recebe. Isso não se pode resolver no plano teórico, tem que se resolver no plano concreto.

A cada alma Nossa Senhora toca por um modo. Alguma, Ela movimenta chamando violentamente a atenção sobre o mal de alguma coisa, então a pessoa forma seus propósitos a respeito dessa coisa, toma deliberações. E a outra, a graça chama a atenção para o bem de algo.

Algumas vezes a graça nos pede o seguinte: “Você já compreende que isto assim, isto é mau, comece por combater que compreenderá melhor quanto isto é mau, quanto o oposto é bom”.

Quer dizer, se a gente deve começar combatendo ou meditando. No meditar se a gente deve começar pelo mal ou pelo bem, isto depende do modo pelo qual a graça sugere a cada um de nós o que deve fazer.

Então nós devemos nos examinar a nós mesmos, e nós devemos nos perguntar a nós mesmos como e que nós achamos que a coisa vai melhor.

Se nós devemos, por exemplo, organizar algum programa e combater esta má tendência, ou se, pelo contrário, nós devemos começar a pensar sobre o mal que há nesta má tendência para nós nos resolvermos, ou se nós devemos pensar no bem que a má tendência destrói, para nós nos resolvermos. Isto tudo depende de como a graça nos toca.

O que é verdade é o seguinte: É que quando a virtude esta completamente adquirida… a virtude na sua plenitude supõe antes de tudo uma profunda e lógica ─ às vezes é de uma lógica subconsciente ─ mas uma lógica admiração pelo bem. E o desejo de possuir esse bem porque ele é o bem, e porque por ele nós nos aproximamos de Nossa Senhora e de Nosso Senhor.

Quer dizer, isto é o elemento fundamental da virtude.

* Onde há amor existe necessariamente ódio

Mas este elemento fundamental tem como luminoso e magnífico reverso da medalha a condenação do oposto. Porque eu nunca estou verdadeiramente persuadido de que o bem é bem, se eu não estou persuadido de que o oposto a esse bem é mau. É inútil.

O princípio de contradição pelo qual uma coisa não pode ao mesmo tempo ser e não ser é uma regra fundamental do pensamento humano. E se eu estou persuadido de que algo é bem, mas eu não tenho horror ou contrário disto, não conheço, não posso conceber como é o contrário disto, e não odeio o contrário disso, eu de fato não amo aquilo. O amor e o ódio são indissociáveis.

Assim como há luz, há necessariamente sombras, assim onde há amor existe necessariamente ódio.

E numa virtude bem construída, existe um ódio profundo, arraigado, concentrado, intransigente, meticuloso, combativo do mal. Não se escapa disto.

Bem, também é verdade que uma virtude não está só na especulação. A virtude é um hábito, ela tem que ser praticada. E que portanto não adianta eu estar cheio de entusiasmo, vamos dizer por exemplo, um homem que costuma perder a hora sempre e que sempre levanta tarde. Quer, por exemplo, nunca vai ao trabalho de manhã na hora certa quando o relógio do ponto da Comissão do Movimento, da Comissão do Exterior, taratatá, pediria que a gente chegasse na hora.

Esse homem, penetrado de admiração pelo Dr. Caio, pelo Dr. Eduardo, pelo Professor, por todo os que dirigem todas as Comissões, e certo de que é muito bom a gente chegar cedo ao trabalho, entretanto chega sempre tarde, e dirá: “Doutor Plinio, eu tenho o elemento capital da virtude, o senhor não imagina como eu sei que eu faço mau, o senhor não imagina como eu acho bonito que os outros façam bem, o senhor não imagina que vergonha eu tenho quando eu chego atrasado; e até quando eu posso, eu oculto que eu chego atrasado, tal é a vergonha que eu tenho. Para o senhor ver como eu vejo que isto é ruim. Se eu não visse que isto é muito ruim, eu não me ocultaria, Doutor Plinio. Portanto o elemento fundamental eu tenho. Eu não tenho o elemento acessório, eu nunca chego na hora, mas o senhor está vendo bem, este é um pequeno acessório, o elemento fundamental eu tenho”.

Seria um modo de raciocinar ridículo não é verdade?

É preciso fazer a coisa. E há um determinado momento em que não basta a gente ficar com elucubrações, mas é preciso na manhã fria do inverno, saltar do leito e dizer: “É por vosso amor, minha Senhora e minha Mãe. Mas eu me levanto pontualmente, não tem conversa”.

Quer dizer, é preciso o fato. E o fato supões um certo método, e o método supõe um controle, e há controles que se esvaem.

A gente faz um tipo de controle que a gente pergunta depois: Como é que vai o controle meu caro? Diz: “Eu não sei bem, hã, hã…”

Eu tenho vontade de dizer: “Eu sei disso”.

Eu não encontro meu controlador nunca.

Eu pergunto:

Mas ele costuma estar?

Talvez ele esteja nas horas combinadas um certo número de vezes, porque nem sempre eu vou. Quando eu vou, eu encontro a ele, e nos dias que eu não vou, eu não sei se ele está, não posso saber, eu não fui lá encontrar com ele. Mas um certo número de vezes pelo menos encontrei a ele.

Mas então o que é que tem?

Ah! O senhor sabe… eu chego lá, não sei o que dizer para ele.

E vai daí para fora, qualquer coisa.

Bem, eu compreendo que a gente possa ter alergia com o controlador e acho isto ultra-razoável, ultra-lógico. Ou então a gente muda de controlador. Mas esse gênero não muda não, fica marcando passo, considerando entre o controlador que não presta e controlador que não chegou a pedir. Fica assim balançando nos ares e nas atmosferas, está compreendendo? E desconfia fazer alguma coisa.

* Se queremos combater algum defeito, antes de tudo precisamos pedir graças extraordinárias

Agora, qual é a experiência ─ já que nós estamos no século da experiência ─ qual é a experiência que eu tenho a respeito disso com a minha caríssima “geração nova”.

A experiência é a seguinte, que a gente deve ir propondo as coisas. Portanto os senhores façam isso consigo. O que eu faço com os senhores, os senhores façam consigo.

Propõe primeiro um pensamento: “Olhe tal coisa como é bonita. Se a graça bate naquilo, começa a andar”.

Eu falo uma graça extraordinária, porque graça suficiente é outro capítulo. Se não bate, a gente põe um outro ponto: “Você viu como é feio tal coisa assim?”

Se os olhos continuam vítreos, a gente diz:

─ “Meu caro você não quer começar a fazer tal coisa assim? ─ Se o indivíduo continua vítreo a gente diz ─ Você não queria fazer tal coisa assim?”

Hummm!?

─ “Está bom. Se você queria, você não quer rezar para tal coisa assim?

Está bom.

Reza, vamos tocar o barco. Começa por aí.

A primeira coisa que a gente deve fazer quando a gente quer começar a praticar uma virtude, é rezar para pedi-la. Essa é a primeira coisa. E as nossas orações devem ser dirigidas para pedir as virtudes que nós precisamos. Nunca se viu uma pessoa pedir virtudes sem pensar antes em que virtudes vai pedir.

Eu tenho a impressão que há gente que pede virtudes, abre um livro: “Homem! Aqui está a virtude da observância ─ que é uma linda virtude, mas que eu não sei se todos saberão o que é que quer dizer ─ ah, a virtude dessa observância que coisa interessante, babababá, a virtude da observância”.

Bom, é bem isso o que nós queremos, é isso que nós devemos querer? É isto que é o caso de pedir no momento? A pessoa que nos controla, a pessoa que nos dirige, nós devemos perguntar a esta pessoa o que é que eu devo pedir? Como é que eu devo pedir? O que é que está no caso de eu pedir?

E se eu não sei o que pedir, eu já sei o que pedir, eu digo: “Minha Mãe, ensinai-me o que eu devo pedir. Dizei-me o que Vós quereis me dar para que eu vos peça tudo o que Vós quereis me dar. Falai a minha alma, não por um fervorzinho interior, mas ilustrando o meu pensamento, fazendo-me atinar com aquilo que eu devo pedir”.

A primeira coisa portanto para a gente ter pensamentos elevados é a gente pedir os pensamentos elevados. Eles vêm da graça, eles vêm de Deus Nosso Senhor, é o Espírito Santo que os comunica.

E na ladainha dos Rogações, que é uma lindíssima ladainha que a Igreja canta no Advento, tem a seguinte invocação: “Que Vós eleveis os nossos espírito aos desejos das coisas celestes, nós Vós rogamos ó Deus, ouvi-nos.”

É uma coisa que em forma de jaculatória, eu acho uma verdadeira beleza. Quer dizer, “Deus Nosso Senhor, por meio de Maria Santíssima, nós Vos pedimos a graça de que Vós eleveis as nossas mentes ao desejo das coisas celestes”.

O que são as coisas Celestes? Não é só pensar no Céu que é coisa celeste, é tudo quanto na Terra por algum aspecto é nobre, é elevado, é digno, diz respeito ao nosso apostolado, diz respeito à nossa santificação, isto é algo que nos eleva para as coisas celestes.

Então, “o desejo das coisas nobres, dos pensamentos elevados, das coisas dignas, das coisas que são segundo Deus, nós vos pedimos, concedei-nos esse desejo”.

Eu tenho a impressão de que é a primeira coisa, quando a gente quer combater este defeito, é pedir as graças extraordinárias para combater este defeito.

Eu não acredito em combate nenhum, de nenhum defeito que não começa pela convicção de que eu de dentro de mim ─ eu Plinio Corrêa de Oliveira, e, portanto, também qualquer um de nós, porque todos somos homens ─ eu de dentro de mim não tenho luzes, não tenho recursos, a minha natureza foi maculada pelo pecado original, eu cometi depois outros pecados. E por isso, por minha culpa, por minha culpa, não há em minha natureza nem meios, nem recursos para tirar um pensamento que de fato me aproxime da ordem sobrenatural, que me aproxime de Deus Nosso Senhor e de Nossa Senhora, e da Igreja Católica e de minha Vocação.

E eu portanto preciso pedir, e preciso reconhecer que quando portanto um pensamento desses vem ao meu espírito, embora pareça e embora eu tenha o que hoje se chama vivência de que fui eu que raciocinei, de fato meu raciocínio foi capaz disto por causa da graça que desceu sobre mim, porque eu não sou capaz disto. Eu como criatura humana sou incapaz de qualquer coisa que me faça andar na ordem sobrenatural.

* Como primeiro passo no progresso espiritual, devemos ter uma profunda humildade

E portanto, o primeiro movimento para eu progredir na virtude é eu rezar pedindo a virtude. É eu compreender, ou ao menos eu pedir para compreender que eu não produzo a virtude. Exatamente quando esta [sede?] estiver terminado, eu quero fazer uma conferência sobre este ponto: compenetrarmo-nos de que nós não produzimos a nossa virtude. Nós não somos os autores de nossa virtude.

Nós, por meio de uma colaboração, às vezes fatigante, às vezes generosa para com a graça de Deus, nós aceitamos a graça que produz em nós a virtude. Mas nós não somos os autores da virtude.

E, portanto, o primeiro passo é reconhecer a nossa impotência, nossa fraqueza, nossa miséria, nossa radical incapacidade de dar um passo naquela direção, nós praticarmos um ato de humildade e prostrarmo-nos, inclinarmos a cabeça, batermos no peito. E pedirmos a Nossa Senhora, que é nossa Medianeira Onipotente, que porque ela é Mãe, Ela é cheia de misericórdia, o refúgio dos pecadores, que Ela nos conceda a virtude que nós não temos. Este ato de humildade é inteiramente indispensável

Os senhores sabem o que é que acontece quando a gente não faz este ato de humildade antes de pedir a virtude e começa a achar que a gente é um colosso porque está praticando a virtude, e começa a achar que a gente fabricou em si aquela virtude. Eu, Plinio, à força de meditar, eu fui tão inteligente que eu percebi que se deve fazer tal coisa. Depois eu precipitei-me com toda a força da minha vontade sobre os meus defeitos, sacudi os meus defeitos, corrigi e modelei em mim esta virtude. E então eu sou um colosso porque eu sou a fonte da minha própria virtude.

Os senhores têm o mega. Tem o mega, tem o homem a quem Nossa Senhora não pode conceder progressos maiores na virtude porque ele se orgulhará, e a partir deste momento ninguém sabe o que pode acontecer.

Quer dizer, este ato de humildade, este ato de piedade é o primeiro passo para nós adquirirmos a virtude.

Quanta gente fica parada no caminho da virtude? Fica parada anos e não sabe o que fazer. Mas não sabe o que fazer porque não rezou, não se humilha, e não quer reconhecer que não pode fazer nada a não ser por via sobrenatural, porque o sobrenatural a gente se obtém pela oração. De maneira que então o primeiro conselho é esse.

* Nada é mais belo do que ver a luz da graça reacender uma alma

O conselho segundo para os meus diletos “gerações novas” é de ir experimentando, ora uma reflexão, ora outra, ora um método prático para praticar a virtude, ora outro. Com paciência, com perseverança, continuamente esperando sem se desesperar.

Porque outra coisa que eu tenho visto e que é ao mesmo tempo miséria e beleza, e onde há muita miséria, existe por via da graça muita beleza, onde na ordem natural existe muita miséria a graça põe muita beleza, por miséria da “geração nova”, em geral começam a fazer esses planos e tudo rui: “Eu vou pensar em tal coisa. Há está bom”. Compra um livro… [inaudível] … a coisa vai também, não dá certo.

Mas Nossa Senhora se agrada destas tentativas aparentemente inúteis. Ela se utiliza da frustração dessas tentativas para convencer a pessoa do seguinte: inopinadamente, quando a gente menos espera vem uma graça e às vezes pode demorar. Quanto mais demora, mais é rica a graça que vem. E de repente a alma pega aquilo e aquilo passa para a frente.

Quer dizer, é preciso ir experimentando, convém ir experimentando. Mas é como quem, por exemplo, alguém estende o braço para ver se cai um moeda dentro, de alguém que vai dar, pedindo esta esmola. Todo dia recomeça, recomeça, até que Nossa Senhora conceda de um determinado modo.

É esta a forma humilde pela qual dentro da pobreza dos nossos recursos nós podemos obter grandes coisas.

Ainda outro dia eu estava pensando a respeito do Grupo. A história do Grupo é sobretudo a história das almas dentro do Grupo. E a história das almas no Grupo é uma bela incógnita da vida do Grupo. Inclusive com as coisa que tem que não são belas.

Eu não quero dizer que da parte do homem, cada história da alma no Grupo seja bela, mas a parte de Deus é sempre bela porque Deus sempre faz as coisas perfeitas e deste lado a história das almas é uma beleza.

Eu falo numa noite dessas a respeito das alma que se acendem e que se apagam. Como é feio se apagar, não é verdade? Mas como é belo acender. Ás vezes a gente espera um ano, a gente espera dois anos, às vezes a gente espera mais e às vezes a gente espera muito mais.

Uma alma ziguezagueia, se arrasta, faz de tudo, mas Nossa Senhora continua a contemporizar. Nada é mais bonito do que ver, num determinado momento ─ às vezes quando a gente menos esperava ─ a luz da graça que se reacende numa alma, e que inicia uma etapa nova com aquela alma e leva aquela alma longe. E quantos casos assim na vida do Grupo. Dos mais belos e dos mais comovedores.

De maneira que meus caros, rezar muito, desses vários métodos experimentar o que for possível e esperar tudo da oração.

Da oração e dessas tentativas que Nossa Senhora abençoa ainda quando não faz coroar imediatamente de resultados. Este seria o modo de responder a esta pergunta.

Não sei se seria o caso de eu, dentro desta série, fazer uma exposição a respeito do seguinte ponto: o que é que tem de nobre na elevação das idéias e que há de censurável na trivialidade das idéias. O que é propriamente elevação das idéias, o que é trivialidades das idéias, o que tem de nobre e de censurável?

Se desejarem, me façam um bilhete que eu com todo gosto abordo a questão. Seria uma contribuição para exatamente acender em nós a admiração.

Eu estava outro dia dizendo isto. Amar a Deus sobre todas as coisas é sobretudo admirá-Lo sobre todas as coisas, porque a gente só ama a quem admira. Um amor sem admiração é tolice. Nós precisamos para amar estas virtudes, começar por admirá-las e por ter um horror ao contrário delas.

(…)

* Confiar em Nossa Senhora quando nos imaginamos abandonados é o supremo da fidelidade a Ela

Sobretudo meus caros muita confiança em Nossa Senhora. Nossa Senhora nos chamou para cá, Ela não nos deixa no meio do caminho. Ela é Mãe de misericórdia e nos pega de qualquer jeito e de qualquer modo e leva avante no caminho.

Essa misericórdia de Nossa Senhora é o “b-a-bá”, na minha vida espiritual e da de todo mundo que eu conheço que está aqui dentro. ─ exceção feita do Pe. José Luís que está acima das nossas cogitações, com exceção disso ─ eu não conheço um, a começar por mim, e a respeito de tudo eu teria perdido as esperanças se não fosse a confiança em Nossa Senhora. Se Nossa Senhora não existisse, eu desanimaria imediatamente de me santificar, de trabalhar para as santificação do Grupo.

É a misericórdia d’Ela a razão pela qual eu espero a misericórdia infinita de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ela é aliás o canal e eu só posso receber a graça pelo canal competente.

Mas por esse canal a graça vem numa exuberância enorme embora não pareça. Muitas vezes há almas que se julgam abandonadas, julgam que estão na estaca zero. Não é verdade. Nossa Senhora pode parecer que abandona uma alma, mas muitas vezes Ela não está tão próxima da alma do que quando essa alma se julga abandonada.

Confiar nEla, no socorro d’Ela, mesmo quando a gente se imagina abandonado é o supremo da fidelidade a Ela. Que Nossa Senhora nos dê esta confiança nEla.

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