Santo do Dia ─ 16/5/1968 ─ 5ª feira – p. 7 de 7

Santo do Dia (Auditório da Santa Sabedoria) ─ 16/5/1968 ─ 5ª feira

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Um dos modos de saber o que devemos amar no Senhor Doutor Plinio é ver no que a Revolução mais o odeia * A primeira coisa que os adversários odeiam no Senhor Doutor Plinio é a certeza que ele tem de que segue a verdade * A certeza do Senhor Doutor Plinio é uma certeza que rejeita completamente o erro, separando-o da verdade * No contato com o Senhor Doutor Plinio deve-se procurar ver e admirar nele a “pedra de escândalo” e a profunda seriedade de espírito * Outro aspecto do Senhor Doutor Plinio que causa ódio nos revolucionários é a elevação do trato * “Minha missão dentro do Grupo e nos ambientes onde eu estou é de representar a grandeza” * Quando a gente começa a sentir prazer na grandeza, é melhor afundar no maior apagamento possível a oferecer a Deus o fruto podre de Caim * Outra virtude do Senhor Doutor Plinio que incute ódio nos revolucionários: a Pureza

* Leitura de uma ficha sobre São Pascoal Bailão

Amanhã, 17 de maio é festa de São Pascoal Bailão, Confessor. Dom Guéranger na L’anné Liturgique diz dele o seguinte:

Pascoal Bailão nasceu em 1540 em Torrermócia em Aragão. Desde sua juventude fez-se notar por sua inocência, sua atração pela contemplação, seu amor pela Santíssima Virgem. Em 1564 entrou para os Menores de estrita observância na qualidade de frade converso.

Aí não teve então outro cuidado senão humilhar-se sem cessar, praticar grande mortificação e passar diante do Santíssimo Sacramento todo o tempo que dispunha.

Lá é que adquiriu esta ciência profunda que permitiu refutar os heréticos e falar com sabedoria dos mistérios de nossa Fé.

Morreu a 17 de maio de 1592 e foi canonizado por Alexandre VIII um século depois. Leão XIII o proclamou o patrono dos Congressos Eucarísticos.

E tem aqui uma oração dele ao Santíssimo Sacramento.

Mas eu tenho aqui uma lista de perguntas que me foram feitas com qualquer coisa do Santo do Dia de ontem e eu acho que é da glória de Nossa Senhora responder estas perguntas.

* Um dos modos de saber o que devemos amar no Senhor Doutor Plinio é ver no que a Revolução mais o odeia

Umas das perguntas é:

Para estarmos a todo momento relacionando o que fazemos com a finalidade contra-revolucionária de nossa vida e só fazer as coisas em vista desta finalidade, evidentemente não são suficientes raciocínios e elucubrações. O que move as almas nessa direção é o amor a Nossa Senhora e a Santa Igreja e o ódio sem rodeios nem contemplações à Revolução.

Ora, para aqueles que não têm esse amor e esse ódio, o único meio de passar a ter é receber de quem tem. Sendo o senhor de quem devemos receber isto, pergunto: como devemos fazer para aproveitar mais e o melhor possível, em vista da finalidade contra-revolucionária, os contatos com o senhor? Como aproveitar os contatos diretos como, por exemplo, num Santo do Dia, enfim, indiretos através das pessoas que para nós representam o seu espírito? Através das fitas gravadas, dos seus escritos, das sedes e das salas que recebem o seu espírito? E tudo aquilo que no Grupo nos fala do senhor?

A pergunta é muito bem posta e não é muito fácil de responder porque de fato há tantos modos de aproveitar os contatos que há entre nós, quer os contatos diretos, quer os contatos indiretos que é muito difícil esgotar tudo nos limites de uma resposta num Santo do Dia.

Em todo caso alguma coisa pode-se dizer a respeito disto.

Eu creio que há algumas notas entre outras muitas que são notas salientes naquilo que nós dizemos. São notas salientes no nosso modo de ser. São notas salientes no ambiente que se cria em torno de nós e nas nossas sedes. E que essas notas salientes nós devemos ter em vista quais são para que nós saibamos encontrá-las quando se toma, por exemplo, contato comigo. De maneira que a gente saiba o que procurar e então a gente possa encontrar aquilo que quer. Quer dizer, algo para se procurar é realmente indispensável.

Talvez nós pudéssemos dizer a coisa da seguinte maneira: que em nossos adversários ─ por exemplo, um liberal qualquer que os senhores encontram pela rua e que tem ódio de mim ─ tratando comigo e por ricochete tratando com os senhores, tratando com aqueles que representam ainda mais particularmente o meu espírito aqui dentro, tem ódio por algumas razões, essas razões quais são? Essas razões são razões para nós de amar.

* A primeira coisa que os adversários odeiam no Senhor Doutor Plinio é a certeza que ele tem de que segue a verdade

É uma coisa fora de dúvida que os revolucionários, por exemplo, tratando comigo ─ há uma coisa que lhes dá ódio, é a certeza que eles notam em mim que eu tenho de que eu estou certo. A certeza de que o que eu digo é verdade e que a posição que eles externam é erro.

E que portanto pelo meu modo de ser eu entendo que eles estão fora da lei e represento uma censura contínua a tudo quanto eles pensam, fazem ou dizem. Isto é uma coisa que neles dá ódio, esta certeza neles dá ódio.

Se essa certeza lhes dá ódio, esta certeza em nós deve despertar amor. E no trato comigo e no trato com as pessoas que representam o espírito do Grupo é preciso saber ver isto, e é preciso ter amor a isto. É preciso compreender que isto deve ser assim, que a Contra-Revolução é feita de fé, que ela é feita de certeza, que ela não permite qualquer forma de dúvida, que ela é coerente, que ela é lógica, que ela expande os seus princípios, ela desdobra até as últimas conseqüências e que ela sustenta estas conseqüências.

De maneira tal que ela representa o amor pleno à verdade. E esta verdade sagrada que a Igreja Católica nos ensina e que Nosso Senhor Jesus Cristo veio trazer ao mundo e que os rogos de Maria nos ajudam a que nós sejamos fiéis a esta verdade.

Quer dizer, esta certeza é a primeira coisa que os nossos adversários notam em nós, é a primeira coisa, que nós devemos ver quando se trata comigo ou quando se trata conosco e que nós devemos amar.

* A certeza do Senhor Doutor Plinio é uma certeza que rejeita completamente o erro, separando-o da verdade

Mas não é só uma certeza puramente lógica, mas é uma certeza tomada por uma lógica que não é apenas uma lógica positiva mas é uma lógica negativa. Se aquilo que eu estou dizendo é certo, aquilo que é o contrário do que eu estou dizendo é errado. E aquilo que é errado não tem direito de cidadania. Enquanto aquilo que é certo tem todo direito de cidadania. Quer os outros queiram, quer não queiram; quer aplaudam, quer não aplaudam; quer entendam, quer não entendam, veritas Domine manet in aeternum: “a verdade de Deus permanece eternamente”.

E eu portanto a afirmo. E a afirmo desembaraçadamente, categoricamente, de cabeça em pé, ufanamente, pensem o que pensem, porque é!

E o resultado é que eu afirmo isto em atitude imperativa, numa atitude que envolve algo de imposição, que envolve algo de coerção junto aos outros, que é uma coerção que se torna possível pela certeza, pelo amor à verdade e pelo amor ao bem.

Quer dizer, há qualquer coisa que de fato impõe. Há qualquer coisa que tem uma grandeza, que tem uma autoridade que vem da fidelidade na verdade, da fidelidade ao bem. E esta autoridade de fato tem algo de coercitivo e esta coerção eles detestam. Está bem. Esta coerção nós devemos amar.

Nós devemos compreender, nós devemos admirar e nós devemos amar. Assim é que deve ser.

* No contato com o Senhor Doutor Plinio deve-se procurar ver e admirar nele a “pedra de escândalo” e a profunda seriedade de espírito

O resultado é que também as pessoas que tratam conosco têm um verdadeiro horror a nossa seriedade. Por quê? É uma coisa evidente que se uma pessoa se apresenta como alguém que não tem princípios nem convicções, que entra como um bobo num ambiente ─ hããã, amável com todo mundo, meu amigo… meu amigo! Vem cá, dá um abraço, gargalhadas, brincadeiras, simpatias, seu ligação ─ é evidente que ele se torna muito simpático. Mas esse é um homem sem princípios, porque um homem de princípios não pode ser assim.

Um homem de princípios tem que amar quem é bom, tem que detestar quem é ruim, tem que representar uma reprovação contínua àqueles que são maus e aquilo que está mal feito. E por causa disso ele tem que ser um divisor de águas. Ele tem que ser como Nosso Senhor, uma pedra de escândalo, uma pedra na qual se bate e sai divisão, sai luta, sai atrito. Evidentemente.

E isto envolve uma grande seriedade de espírito. Uma seriedade de espírito que se traduz numa seriedade de atitudes. Uma seriedade de atitudes que se traduz numa seriedade de trato.

Uma seriedade de espírito que evidentemente não é necessariamente uma carranca. Pode até ser uma grande amabilidade, uma grande cortesia, mas é uma cortesia que tem por detrás a seriedade de uma pessoa que tira as conseqüências do que se diz, tira as conseqüências do que se faz. E que pesa profundamente as coisas, e para a qual tudo é profundo, para a qual tudo tem conseqüências. Não há bagatela. Tudo quanto se passa no mundo é muito importante porque vai ser objeto do Juízo Final. E para Deus, aos olhos de Deus tudo é importante, para os olhos de Deus não há bagatela, não há coisa sem importância, tudo é serio aos olhos de Deus.

Ora, os únicos olhos que interessam são os olhos de Deus, e por causa disso o homem como um verdadeiro ultramontano, o verdadeiro filho de Nossa Senhora é sério, ele é grave. Ele poderá às vezes brincar, ele poderá dar risada. Mas uma coisa é a brincadeira e a risada do homem sério, outra coisa é a brincadeira e a risada do néscio. São coisas profundamente diferentes. E assim se deve ser.

E isso se deve procurar no contato comigo. Isso se deve procurar ver, isso se deve procurar admirar. E eu não hesito em dizer admirar porque essas coisas não vêm de mim. Essas coisas são aspecto da Igreja Católica que eu procuro realizar em mim.

Nossa Senhora que me ajude pela misericórdia dEla a realizar cada vez mais. Mas que eu procuro [realizar] em mim e que não são coisas inventadas por mim. É afinal de contas a imitação de Nosso Senhor Jesus Cristo que foi assim. E que no Evangelho nunca foi visto rindo nem sorrindo. Mas sempre profundo e sumamente sério.

* Outro aspecto do Senhor Doutor Plinio que causa ódio nos revolucionários é a elevação do trato

Outra coisa que dá ódio às pessoas que tratam conosco é ao par dessas coisas a nossa elevação de trato. Nunca sair uma palavra chucra, uma palavra banal, uma palavra corriqueira. Nunca um modo de tratar os outros que no linguajar comum seria democrático, quer dizer, vulgar, que estabelece um trato sem respeito.

Mas todo o nosso trato é impregnado de respeito ainda que seja para o mínimo dos homens, o mais humilde dos homens.

Quantas vezes os senhores viram, por exemplo, nós chegarmos à Sede da Martim Francisco e encontrar o Manuel. Quantas vezes me viram entrar no automóvel e encontrar este chauffer, por exemplo. O trato é sempre um trato que se reveste daquela forma de respeito que se tem para com os pequenos, mas é um respeito também.

Nunca deixar de dizer bom dia, nunca um bom dia dito assim: bom dia… não, um bom dia inteiro, de quem olha para ele e o saúda. Ainda que seja com a autoridade com que o superior saúda o inferior, saúda mesmo. E que toma a ele em uma certa consideração que ele merece, que é proporcionada a ele, que é adequada a ele.

Também com as pessoas de categoria maior. Dar o respeito que se deve a essas pessoas. E isto não porque a pessoa nos é útil, não porque a pessoa se pode vingar, não por megalice nossa, mas por um dever de justiça, porque aquela pessoa é aquela pessoa, e por causa daquilo que ela é, ela merece aquele trato.

Agora, isto é uma coisa que eles detestam. O respeito, a seriedade, a solenidade que nas ocasiões se comportam solenidade e as pessoas detestam, o respeito e a seriedade até na intimidade.

A intimidade é uma coisa muito agradável. A intimidade, vamos dizer, é um fator indispensável na vida. Mas a própria intimidade não deve ser uma coisa “achinelada”, mas deve ser uma coisa nobre, uma coisa que eleve, uma coisa digna. E nessa intimidade muitas vezes se pode tratar de assuntos muito pequenos, muito terra-terra, e nessa intimidade deve estar presente uma certa grandeza.

* “Minha missão dentro do Grupo e nos ambientes onde eu estou é de representar a grandeza”

Eu pronunciei agora a palavra, e nesta palavra os senhores tem tudo. O igualitarismo abomina a grandeza. Ele detesta tudo quanto tem grandeza. E a missão do Grupo e a minha missão dentro do Grupo e nos ambientes onde eu estou é de representar a grandeza.

Grandeza de alma, grandeza de espírito, grandeza de gestos, grandeza de atitudes, grandeza de intenção, grandeza de luta.

Não se trata aqui de uma grandeza megalótica feita para receber palmas. Se fosse para receber aplausos eu seria o oposto do que eu sou. Porque o meu modo de ser é uma coisa que liquida a carreira de qualquer homem.

Hoje em dia um homem para fazer carreira, se quer fazer carreira eu dou um conselho: estude bem e faça o contrário. Faz uma excelente carreira. Ser como eu sou é um funeral para a carreira. É um funeral.

Se por exemplo, amanhã eu cometesse isso que eu reputaria um pecado mortal: sair, por exemplo, num sábado à tarde, com uma camisinha de malha com manga por aqui, cor canário claro. Uma calça azul e ficasse conversando na bomba de gasolina da Rua Alagoas esquina com a Avenida Angélica, com um companheiro qualquer, algum dos senhores e dando umas gargalhadas, e de vez em quando dando uns abraços: “oh, amigo!”

Eu se fizesse essa cena numa tarde, eu faria mais bem para a minha carreira, do que andar a vida inteira de Mercedes.

Porque os homens que são assim são os homens que encontram todos os ambientes abertos diante deles. São os homens que encontram todas as simpatias abertas diante de si. Os homens que são como eu fecham os ambientes para si, porque o mundo de hoje está intoxicado de Revolução e detesta essa grandeza.

De maneira que ninguém pense que essas coisas, por exemplo, da grandeza, representa reivindicação de direito pessoal e de uma superioridade pessoal. Representa uma abnegação, representa um sacrifício, representa uma renúncia. E esta grandeza só é uma coisa respeitável enquanto vivida na renúncia, enquanto uma grandeza cravada na cruz que sabe que ela se imola a si mesma por ser fiel a si mesma. Ela renuncia a mil vantagens para ser ela mesma e que portanto não é uma grandeza megalótica.

* Quando a gente começa a sentir prazer na grandeza, é melhor afundar no maior apagamento possível a oferecer a Deus o fruto podre de Caim

E notem bem, isto é importante: quando a gente começa a sentir prazer na grandeza, é melhor a gente se afundar ─ não na vulgaridade ─ mas no maior apagamento possível. Porque não há coisa pior do que nós oferecermos a Deus as frutas podres de Caim.

Os senhores conhecem bem isto. Abel imolou frutas boas, Caim imolou frutas podres. O que é que é a fruta podre? É aquilo que a gente oferece a Deus e que é um sacrifício de algo de infectado. Eu querer bancar a grandeza com apego a esta grandeza, eu querer me deleitar com isto, me alegrar com isto e depois dizer a Deus que isto é sacrifício, isto são as frutas de Caim.

A Deus se oferece sacrifícios, a Deus se oferece imolação, e se eu encontro nisto algum prazer eu tenho que renunciar a isto porque isto é um sacrifício de Caim.

Então eu preciso reformar-me inteiro e tornar-me de tal maneira abnegado que eu possa ter esta grandeza sem megalice, e enquanto eu não tiver isto, nada de grandeza. Modéstia, apagamento, aniquilação de mim mesmo. Vulgaridade, nunca! Mas isto é que deve ser. Para quê? Para eu não estar oferecendo um sacrifício errado a Deus Nosso Senhor.

* Outra virtude do Senhor Doutor Plinio que incute ódio nos revolucionários: a Pureza

Alguém dirá: “Mas Dr. Plinio, é esquisito. O senhor aí não está nos falando de Nossa Senhora. O senhor não está dizendo que use o distintivo com a cruz e que é uma coisa linda usar o distintivo com a cruz. O senhor não está dizendo de que é visto nas igrejas comungando, que o senhor enfrenta o respeito humano comungando. O senhor não está pondo nada de sobrenatural no que o senhor está dizendo”.

Eu estou dizendo aquilo que é o traço de virtude saliente que nós devemos praticar. O mais saliente é exatamente a linha contra-revolucionária. E a linha contra-revolucionária nós a devemos praticar assim e nós a devemos ter assim.

Há uma outra coisa contra-revolucionária, e esta também incute ódio aos nossos adversários. É a pureza.

É um modo de tratar com as pessoas em que elas sintam que não entra sentimentalismo. Porque o sentimentalismo é viscoso e impuro por natureza.

É um modo de tratar com as pessoas em que elas sintam que não entram falsas complacências com as pessoas do outro sexo. É um trato correto, atencioso, suficiente, mas sem melúrias nem arrastações, nem nada disso que possa significar qualquer coisa que não esteja em ordem.

Mas pelo contrário, pureza, castidade em todo trato. O que envolve inclusive o fato de a gente não gostar de ser visto a não ser num traje completo, com a sua gravata, com o seu terno. Tudo isso faz parte da pureza. A compostura faz parte da pureza.

E isto é um elemento intrínseco da grandeza, e da nota contra-revolucionária. Isto se deve amar, e a vitória deste valor se deve desejar.

Então, é isto que se deve procurar no contato comigo, e no contato com aqueles que por estarem a mais tempo no Grupo ou por Nossa Senhora ter ajudado muito, representarem mais intensamente o meu espírito. E nas nossas sedes e em tudo mais se deve procurar isto.

Se ao autor da pergunta eu não respondi com suficiente claridade, eu gostaria de ter sido claro, ele pode me fazer um bilhete que eu depois respondo mais claramente. Se algum dos senhores quiser mais clareza a respeito disto me façam outro bilhete que eu com todo gosto explico.

Infelizmente o meu horário me sujeita a dar por encerrado o Santo do Dia e amanhã se Deus quiser, nós retomamos essas perguntas.

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Auditório da Santa Sabedoria – Rua Pará