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Reunião Normal — 6/5/1968 — 2ª feira
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A elite e seu papel
Meus amigos. Essa exposição que foi organizada pela sociedade Argentina da Defesa da Tradição, Família e Propriedade, há uma palavra que tenho a dizer-vos, como presidente da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade, acerca da temática exposta nesse audio-visial.
Há uma lição da história que é de suma importância para todos os que refletem sobre o futuro da América Latina. Essa lição é que os países que dispõem de uma elite que tenha a consciência de sua responsabilidade, são países que sobem no firmamento da história e que realizam brilhantemente sua missão. Porém, ao contrário, as nações que têm elites que não tem consciência de sua responsabilidade e de sua missão, são nações que de uma maneira inevitável fracassam e se precipitam nas grandes catástrofes da história. Isso se pode ver nos diferentes povos, na ascensão e declínio das diferentes nações da terra, e para nós, portanto, nessa época em que se fala com tão grande insistência sobre problemas sociais, há uma questão de ordem social para ser colocada, que parece ser da maior importância. Tem, as elites de nossos países, a consciência de sua responsabilidade? A consciência de sua Missão? O assunto é grande demais para que eu dele me ocupe nessas rápidas palavras. Porém, há um princípio, que é como que uma pressuposição de toda consciência da missão das elites, e esse princípio, pelo menos, eu gostaria de explaná-lo, nessas palavras.
O princípio é o seguinte: que toda elite tem os privilégios que tem, tem as vantagens que tem, não principalmente para a vida agradável e suave daqueles que a compõem, mas para o serviço inteiro da sociedade. E esse serviço da sociedade supõe que a elite esteja disposta aos sacrifícios necessários para cumprir sua missão. Esse cumprimento de sua missão por certo inclui a disposição nalguma medida, dos bens temporais para ajudar os que necessitam. Porém, não é somente o recurso temporal que se pede das elites. Eu ousaria acrescentar que nem sequer isso pe o principal. O homem de elite, seja qual for o tipo ao qual pertence essa elite, o homem de elite tem a principal responsabilidade, ou a principal missão de se dar a si mesmo ao bem comum. Essa doação de si mesmo ao bem comum consiste em que ele tenha o conceito claro sobre o que a elite deve fazer. O que deve fazer a elite?
A elite deve convidar a seus membros a adaptar suas vidas a um princípio do poeta francês, Paul Claudel. Disse Claudel sobre a juventude, que a juventude [não] foi feita para o prazer, porém, para o heroísmo. Também se pode dizer o mesmo e principalmente se deve dizer o mesmo da elite. Os bens de fortuna, o prestígio social não foram dados aos membros da elite principalmente para seu prazer, porém, foram dados para o heroísmo, para que os ajudem a ter a elevação de alma necessária para uma abnegação completa de suas vidas. Essa abnegação se constitui principalmente dos seguintes elementos:
O membro da elite tem que ser uma pessoa consciente de que a moralidade é uma característica indispensável da verdadeira elite e que se a elite perde o sentido de moralidade, renuncia à missão de ser o freio de todas as formas de imoralidade. Se ela renuncia à responsabilidade de ser a classe social que dá um tônus à sociedade, mas um tônus cristão e moralizador, em lugar de ser um tônus descristianizante e paganizador, se renuncia a elite a essa responsabilidade, ela deixa de ser uma verdadeira elite.
Portanto, nas elites contemporâneas na América do Sul, devem ter como obrigação fundamental uma reação contra as modas paganizantes, contra as modas que convidam à nudez, à corrupção, À dissolução dos costumes. Também contra as modas que não são diretamente contrárias à pureza dos costumes, porém que por sua extravagância, por sua maneira de ser, induzem à falta de seriedade, a uma falta de compenetração, a uma falta de dignidade que rebaixa a importância do homem como rei de toda criação, e que, portanto, representa uma revolta, uma revolução dentro dos planos de Deus.
Por outro lado, a elite deve ser a classe social à qual pertence a responsabilidade de lutar contra os faltores de desordens e de revoltas. A elite deve ser, por excelência, a classe que deve lutar contra a [maior chaga?] de nossos dias, que é o comunismo. E cada membro da elite tem a responsabilidade de ser um soldado na luta, mas essa luta militante, uma luta declarada, não somente contra o comunismo aberto, porém contra essas mil formas de comunismo insidioso e disfarçado que conduzem à preparação do povo para a aceitação da revolução comunista.
Quer dizer que um membro da elite não pode gastar todo o seu tempo em diversões, só no trabalho para o aumento de seu patrimônio, só em suas atividades particulares; porém que uma grande parcela de seu tempo, de sua atenção, de sua dedicação, devem ser dadas a esses grandes problemas sociais e ao desenvolvimento de uma atuação voluntária e consciente para impedir esses fatores de dissolução.
Eu entendo por isso – e vale insistir um pouco sobre o que diz o áudio-visual sobre a matéria – eu entendo por isso a luta que as elites devem ter para prestigiar os princípios fundamentais da civilização cristã. E entre esses princípios me é necessário recordar aqui um, que vai sendo esquecido cada vez mais e que por isso deve ser objeto de uma insistência particular: é o princípio da propriedade privada. A propriedade privada não pode ser vista somente como uma vantagem do proprietário. A existência do princípio da propriedade privada é um bem da sociedade ainda para aquela que desgraçadamente não tenha propriedade. Porque a condição do proprietário é a condição natural do homem. O homem, porque é dono de si mesmo, é dono de seu trabalho. Porque é dono do fruto de seu trabalho, é dono da economia (?) que pode fazer com os frutos de seu trabalho. E porque é dono desses bens, tem a possibilidade de constituir para si condições de existência que lhe facilita o aperfeiçoamento de toda sua personalidade e esse aperfeiçoamento… [ilegível] …importa, por osmose, num movimento de elevação de todo o corpo social. É uma afirmação da autonomia do homem, da propriedade que ele tem sobre ele mesmo, da dignidade, portanto, que lhe compete como ente racional, que tem a inteligência necessária para fazer a seleção de seus caminhos na vida e para escolher o trabalho que lhe convém e a maneira pela qual deve atender suas próprias necessidades.
A propriedade é fruto de tudo isso, e como quando se contrariam as causas, os efeitos se comprimem às causas, também quando se mutila a propriedade privada, se persegue a propriedade privada, se elimina a propriedade privada, se faz um mal profundo ao senso de autonomia, ao senso de dignidade do homem como ente racial dotado de uma alma imortal, a máxime como cristão, batizado, ao homem compete.
Por esta razão me parece que, ainda que devamos todos nós ter muita preocupação em realizar a função social da propriedade, nós não podemos consentir em que, sob pretexto de eliminar a função socila da propriedade, de cumprir a função social da propriedade, se elimine a propriedade.
A função não pode depauperar [o] órgão; seria algo de monstruoso. E há, portanto, nessa época em que se fala tanto de função social da propriedade, muitas vezes [meritoriamente?] , muitas vezes também com uma exageração suspeita, há, para os membros da elite, a necessidade de estudar a propriedade privada e de fazer uma grande justificação.
Por isso eu quero convidar todos que me ouvem, especialmente aos que pertencem à elite argentina, a que concentrem sua atenção sobre os trabalhos dessa sociedade benemérita, que é a sociedade Argentina de Defesa da Tradição, Família e Propriedade, três grandes valores, combatidos de tantos [Lanotres?]: A tradição que liga a Argentina de hoje à Argentina de ontem; a Argentina de ontem, à gloriosa Espanha, de passado… [faltam palavras] …e a todo o passado da cristandade, que há si, em melhor, que foi fundada por Carlos Magno e que é o berço da cristandade ocidental.
De outra parte, a família, que é a célula da sociedade, que a dissolução dos costumes, o divórcio, mil outros fatores, a todo o momento ameaçam de uma destruição completa. E, por fim, a propriedade privada, de que acabo de falar-vos.
Essa sociedade merece a atenção, merece todo o apóio de todos os que ouvem, apoio especialmente dos jovens que eu convido a se inscrever, a exemplo de tantos outros jovens argentinos que já o fizeram, e chilenos que atuam na Sociedade Chilena da Defesa da Tradição, Família e Propriedade, de jovens uruguaios, que trabalham no núcleo uruguaio Tradição Família e Propriedade – eu convido os jovens argentinos que ingressem na sociedade de Defesa da Tradição Família e Propriedade, porque todos poderão estar certos de inserir suas atividades num conjunto de trabalhos, de estudos, de atuações que representem a necessidade mais urgente de povos cristãos e latinos da América do Sul.
Meus amigos, muito cordialmente eu vos saúdo e vos convido.
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