Reunião
Normal – 27/02/68 – 3ª feira .
Reunião Normal — 27/02/68 — 3ª feira
Nome
anterior do arquivo:
Quando a Revolução quer dar a impressão de que um regime está decadente, ela tira os jovens e deixa os partidários velhos, compondo uma situação semelhante à da Câmara dos Lordes * Pela análise dos fatos percebe-se o conjunto de sintomas que demonstram as intenções da Revolução; prepara-se assim o contra-ataque — Importância das reuniões do Fundador * A causa dos problemas do Grupo é a pouca Fé na certeza contínua e viva de que fomos chamados por Nossa Senhora para derrotar a Revolução * Para tirarmos todo proveito das reuniões do Fundador, devemos ser homens de princípio; para isso não devemos ser egoístas, mas viver para as grandes verdades transcendentais * Nosso Fundador é um varão que consubstancia os princípios a que entregou sua vida; porém, por nossa culpa, seu exemplo prolifera pouco dentro do Grupo * Os membros da reunião de 6ª feira são chamados a constituir um estado-maior do Fundador na luta R-CR; eles devem ter o tirocínio para usar contra a Revolução os estratagemas da Revolução * A importância de uma preparação durante a “statio” para o bom aproveitamento das reuniões — O papel fundamental da Fé na assimilação da doutrina e dos métodos de ação do Fundador * O prestígio da palavra “tradição” é tal que até mesmo seus adversários muitas vezes a usam como efeito de propaganda * A TFP é uma escola de ultramontanismo * Os dois modos de comer na ótica francesa e alemã — Para o contra-revolucionário, comer é uma operação intelectual; mais ainda: é um ato de virtude
* Quando a Revolução quer dar a impressão de que um regime está decadente, ela tira os jovens e deixa os partidários velhos, compondo uma situação semelhante à da Câmara dos Lordes
(Sr. –: Qual o papel pelo qual eles colocam juventude?)
O papel dele é colocar a juventude — mas uma juventude fanática — para dar a entender que o regime — chamemos staliniano — para dar a entender que o regime staliniano ainda tem muitas raízes.
Porque onde ainda tem moços, há muitas raízes. Quando eles querem dar a idéia de que uma coisa está decadente, fazem o contrário, tiram os moços e deixam partidários velhos.
Quer ver aí uma coisa característica? É o seguinte: a Câmara dos Lordes. O tipo de coisa que eles fariam é o clube dos anciãos da Inglaterra — porque na Inglaterra há clubes para tudo — mandar um telegrama choroso, pedindo que, pelo menos até morrerem os membros do Clube dos Anciãos, não eliminem a Câmara dos Lordes, ou melhor, não eliminem a tradição da Inglaterra, porque eles não conseguem viver sem a tradição da Câmara dos Lordes etc.
O tipo da coisa que a TFP faria se existisse na Inglaterra é um desfile de moços pedindo a manutenção das Câmaras dos Lordes. Imagine, por exemplo, sua impressão nos jornais, lendo uma coisa assim:
“Sem os Lordes, a Inglaterra não é Inglaterra! Jovens de famílias operárias carregavam os cartazes”
Isto é um coisa que, estritamente falando, a Revolução não tolera. E o indivíduo que inventa uma manobra dessas contra ela, está marcado com a pior das marcas. É claro.
Porque para o mundo inteiro, é uma injeção de adrenalina — creio que é adrenalina que faz reviver o coração — que se dá à Câmara dos Lordes. Porque a simples idéia de que moços são a favor dela dá idéia de que ela não é uma tradição que está morrendo. Portanto, dá uma idéia de homicídio a extinção dela.
(Sr. –: Portanto, no caso da Rússia, eles fazem esses jovens stalinianos exagerados, para mostrar que a coisa continua viva?)
Exatamente, com uma pequena peculiaridade. Esses jovens, pela apresentação que é feita aqui, percebe-se que são jovens que não representam a média da juventude.
São jovens fanáticos, separados e segregados da massa da juventude que, daqui a pouco, vem a notícia de que está com os comunistas aggiornatos. Mas, em todo caso, ainda tem jovens.
* Pela análise dos fatos percebe-se o conjunto de sintomas que demonstram as intenções da Revolução; prepara-se assim o contra-ataque — Importância das reuniões do Fundador
É com a percepção desses fenômenos que a gente fica habilitado a duas coisas preciosas, para as quais existe a reunião das sextas-feiras.
Primeira coisa, é ter uma sintomatologia, um conjunto de sintomas por onde a gente perceba quais são as intenções da Revolução. E, através disso, com muito probabilidade, perceba o que vai acontecer.
Porque a Revolução, quando faz um plano, o que historicamente tem acontecido até agora é que em um número minoritário de casos, o plano sai, se executa a breve espaço, mais ou menos como ela queria, mas a longo tempo acaba sendo o que ela queria. Então, a gente percebe qual é o plano dela.
Mas, outro lado, talvez mais interessante para os senhores, e que não é o lado da previsão, é o lado do contra-ataque. Porque conhecendo coisas dessas é que as manobras da TFP são delineadas.
Se eu vejo que a Revolução opera assim, eu procedo criteriosamente na hora de eu, atacando a Revolução em nome da Contra-Revolução, usar os sintomas que ela usa para falar à opinião pública. São sintomas que a opinião pública já entende e através dos quais eu crio na opinião pública os efeitos opostos ao que ela deseja.
Aí os senhores vêem qual é a importância das reuniões de sextas-feiras. A reunião de sexta-feiras, bem aproveitada, torná-los-ia capazes — não quero dizer que não sejam, mas cada vez mais capazes, digamos — de através da detectação dos sintomas, prever e contra-atacar.
E eu poderia deixar a cargo dos senhores muitas manobras secundárias e passar para um gênero de ofensiva muito mais alto que eu não faço, porque diria o Capitão Jarbas, que quando o general é obrigado a fazer o papel de capitão, ele não pode, ao mesmo tempo, fazer o de general.
(Dr. Paulo Eugênio: […inaudível] do que a Revolução sempre consegue a longo prazo. Agora, em poucos passos com brevidade?)
Ela consegue mais ou menos, mas não consegue inteiramente o que ela quer. Eu lhe dou um exemplo.
Vamos falar, naturalmente, na Revolução, como ela existiu antes da TFP.
(…)
* A causa dos problemas do Grupo é a pouca Fé na certeza contínua e viva de que fomos chamados por Nossa Senhora para derrotar a Revolução
Muita gente que vem falar comigo, ou muita gente que tem problemas, no fundo teria menos problemas, se tivesse mais Fé.
Isto é evidente. Se ele tivesse uma certeza mais contínua e mais viva de que nós fomos chamados para acabar a Revolução e que de fato, com o auxílio de Nossa Senhora, nós haveremos de acabar com ela.
Muito gente tem problemas por causa disso. E precisamente porque eles têm pouca Fé, não são capazes de perceber o mal que estamos fazendo à Revolução. Eles aceitam por um ato de Fé, mas não vêem claramente.
Por exemplo, eu não tenho certeza de que todos os membros do Grupo estejam persuadidos de que a RAQC, com todo o trabalho que em torno dela se faz, tenha sido de fato a razão pela qual a Reforma Agrária não passou no tempo do Jango. Olhem que é a coisa mais claro do mundo, mas não tenho certeza de que tenham certeza disso.
Qual é o resultado? Acaba numa certa interrogação. O que estamos fazendo presta para quê?
Se Nossa Senhora ajudasse a ajudar os senhores, de maneira que meu tempo pudesse ser mais canalizado para certas coisas, acontece que Nossa Senhora me ajudaria a fazer certas coisas que provariam mais claramente que isto é assim.
E por um círculo vicioso bom, entusiasmaria mais muita gente. Eu talvez não esteja me exprimindo com a clareza necessária, porque o assunto é um espiral, e parece voltar sempre sobre si. Aliás, os senhores estão me vendo e, como bons brasileiros, os senhores vêem, são intuitivos e percebem.
Eu não ponho um pingo de amargura no que estou dizendo, não ponho um pingo de mau humor, mas ponho uma boa tonelada de verdade. Isto é incontestável.
* Há uma forma de correspondência à vocação, que é uma luz intelectual cheia de amor, por onde a gente voa na percepção daquilo que o Grupo tem de sobrenatural
(Sr. –: O que é ter mais Fé?
Dante — desculpem entrar com um pouco de poesia no caso — Dante, falando da graça, a chama de “luz intelectual cheia de amor e um amor cheio de todo bem”.
A definição é esplêndida. Porque é uma luz intelectual, mas que vem cheia de amor. E esse amor traz consigo toda a forma de bem.
Há uma forma de correspondência à vocação, que é uma luz intelectual cheia de amor, por onde a gente como que intui, como que percebe, a gente voa na percepção daquilo que o Grupo tem de sobrenatural, em que é túmido de graças de sobrenaturalidade.
A gente vê isto com a clareza com que olhando para uma folha, a gente vê que ela está viva e não morta. Basta olhar.
(Sr. –: Como é que se prova que esta folha está viva?)
Eu não sei também, olhe aqui. O Grupo é assim. A graça nos chama a vê-lo assim. E quando nós não o vemos assim, evidentemente devemos pedir mais graça e devemos pedir uma conversão interior de nossas almas para vê-lo assim. Isto é o ter mais Fé.
(Dr. Cury: Nessa linha, por exemplo, […inaudível] causou […inaudível] o loteamento da Casa de Pedra.
É um grande empreendimento, uma grande empresa […inaudível] não acredita e acha […inaudível] toda […inaudível] empreendimento que é possível aos poderes humanos fazer. O membro vê e não acredita muito […inaudível].)
Isto foi feito por gente — Dr. Plinio Xavier que me perdoe a blasfêmia — capenga que, além disso, tem o mérito de estar muito cansada e nenhum deles com uma saúde ideal: Dr. Eduardo, Dr. Caio e Dr. Plinio.
Nasceu do quê? Nasceu de uma coisa que serve para compreender a pequena via e que muitos dos que falam de pequena via não a entendem. É um frase que Dr. Caio gosta de citar. A frase de Santa Terezinha: “para o amor nada é impossível”. Para o amor de Deus, nada é impossível.
* Durante as reuniões, o Fundador está sempre atento para que lado a graça toca as almas; porém nosso aproveitamento é nulo
Digo mais uma palavra. Estas reuniões, às vezes, se transformam em reuniões de vida espiritual. Às vezes fica, como vai ficar desta vez, sem aproveitamento. Mas às vezes a gente nota, que há certas horas de graça, e a gente não tem o direito de deixar passar a graça.
Há uma frase da Escritura, que sempre me impressionou muito, e que é esta: “se hoje ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações”. Pedir a Nossa Senhora que em nenhum dia de minha vida eu endureça meu coração para a voz da graça.
Acontece que esses momentos de graça, é a graça que está falando na alma dos senhores e se eu, quadradamente, fosse fazer reunião, eu faria com que os senhores não ouvissem a voz da graça, e eu endureceria meu coração e o coração dos senhores à graça. E isto eu não posso fazer.
Perdoem-me um tão longo parênteses de desvio da finalidade da reunião, mas é um desvio por superação; não é um desvio por perda de rumo.
* O Senhor Doutor Plinio analisa o operar da graça dentro do Grupo
Eu digo o seguinte: vem essas graças, a reunião causa uma certa impressão, e eu vejo, se não em todos, pelo menos em alguns, a tal “luz intelectual cheia de amor” e o “amor cheio de bem”. E eu vejo, vejo com enlevo, vejo com veneração, vejo com ternura, vejo com agradecimento, porque é um sinal que Nossa Senhora dá de que Ela está presente.
Eu deveria acrescentar que vejo com uma certa tristeza? Por quê já as almas estão impostadas em não receber esta graça inteiramente?
E uma das impostações é a seguinte; elas se colocam nesta linha: “Dr. Plinio falou conosco e nós sentimos uma certa coisa. Nós, naquele momento, nos sentimos melhores, nos sentimos mais pertos de Nossa Senhora, sentimos em nós uma força para ver, para aceitar, para amar e para fazer aquilo que nos pede a nossa vocação, e que nós não sentimos fora dessas horas.
“Então, o jeito que tem é de Nossa Senhora multiplicar esses instantes e, se pudéssemos, o tempo inteiro Dr. Plinio estar falando isto para nós. E nós sentido isto, os problemas de nossa vida espiritual estavam resolvidos. Ou seja, esta sensação resolveria tudo.”
E não é verdade.
Esta sensação nos é dada a todos, mas esporadicamente como as asas de um pássaro que passa voando e toca em nós; e quando toca em nós, nós nos sentimos empolgados.
Mas depois ele está longe e algo tem que ficar em nós, porque nós não podemos viver no Tabor. E — se me for possível cometer este erro de português — eu não nos vejo em condições de levar mais do que a lembrança da sensação, o enlevo da sensação e o desencanto porque a sensação cessou.
Isto é sensível para os que habitam em São Paulo e para os que não habitam em São Paulo. Porque os que não habitam em São Paulo, tem uns momentos assim de contato de alma e dizem:
— Oh! Se eu morasse em São Paulo!
Os que habitam em São Paulo tem esses momentos por exceção, e ficam pensando:
— Ah! Se o Grupo fosse aquilo que é nesses fugidios momentos!
Não é verdade que isso nos prejudica muito?
* Para tirarmos todo proveito das reuniões do Fundador, devemos ser homens de princípio; para isso não devemos ser egoístas, mas viver para as grandes verdades transcendentais
(Sr. –: […inaudível] )
Vou dar uma resposta que parece um jogo de palavras, mas não é. A pergunta verdadeira deveria ser a seguinte: como é quê a gente revistará a capacidade de entrar como o senhor desejaria que a gente entre?
Porque se a gente entra como eu desejo que entre, sai como eu desejo que saia. É esta simples coisa de que o homem contemporâneo tem uma preguiça fabulosa: é ser uma pessoa de princípios, que quando houve algo, guarda sem “intalactualidade” — o “intalacta”, eu o abomino — guarda aquele princípio que persiste mesmo quando a sensação cessou e que frutifica na alma como a semente do Evangelho, que não caiu na pedra, não caiu nos abrolhos, não caiu no caminho de maneira que as aves a comessem, mas caiu em terra boa. A terra boa é a alma que tem princípios.
Para ter princípios não é preciso ser inteligente. Todos os senhores que estão aqui nesta sala têm mais do que o suficiente para serem homens de princípios. É preciso não ser egoísta, não viver só para si, mas viver para as grandes verdades transcendentais e amá-las mais do que a vidinha da gente. É preciso, além disso, a gente não ter a preguiça de se lembrar delas e de pensar nelas.
(Sr. –: …)
* Nosso Fundador é um varão que consubstancia os princípios a que entregou sua vida; porém, por nossa culpa, seu exemplo prolifera pouco dentro do Grupo
Eu procuro dar o exemplo contínuo de uma pessoa de princípios. Afinal de contas, eu gostaria de ser — se não sou, pelo menos — uma pessoa que se explica inteira pelos seus princípios, e dentro da qual não há senão seus princípios.
Eu não lembro… Não obtenho — vamos falar linguagem do Ancien Régime — que esse exemplo prolifere tantas vezes quantas eu quisera.
(Sr. –: […inaudível])
É esplêndida, desde que nós nos lembremos de que o melhor dela é um princípio, que deve sobreviver depois da sensação ter passado.
(Sr. –: […inaudível])
Exatamente, mas a provisão que a gente guarda é muito menos a lembrança da sensação, mas é o conteúdo do que foi dito.
(Sr. –: […inaudível])
Não, o que estou chamando aqui de sensação é propriamente uma graça sensível. Toda graça sensível contém um princípio
Isto, aliás, se dá nos outros campos da piedade. Qual de nós, rezando diante de uma imagem de Nossa Senhora, em certo momento não teve uma graça onde sensivelmente sentiu quanto Ela é boa?
Eu sei que essa sensação vai passar, mas eu procuro guardar na minha memória a recordação dessa sensação e o princípio teológico, que vale contra ventos e marés, de que Ela é boa.
De maneira que mesmo na hora da aridez, quando para minha alma as sensações não falam nada, eu trouxe comigo, desse momento de graça sensível, algo que me alimenta.
(D. Bertrand: Qual o princípio a guardar dessa reunião?)
Daqui a pouco o defino.
(Sr. –: […inaudível] a sensação seria boa se traduzisse a alegria de ter aprendido mais um princípio que deveria ficar para si?)
Exatamente. A sensação, vamos dizer, é a refulgência sensível do princípio. Depois que a refulgência sensível passa, o princípio fica.
* Os membros da reunião de 6ª feira são chamados a constituir um estado-maior do Fundador na luta R-CR; eles devem ter o tirocínio para usar contra a Revolução os estratagemas da Revolução
Respondendo ao que D. Bertrand pediu há pouco: não é um princípio, mas uma concatenação de princípios.
E a concatenação de princípios se põe assim: os membros da reunião de sexta-feira — daqui a pouco direi uma palavra sobre a ampliação das reuniões de sexta-feira — foram chamados para ser um estado-maior do movimento. Este é o primeiro princípio.
Segundo princípio: para isto, eles devem ter, entre outras coisas, mas de um modo capital, um alto tirocínio na previsão dos fatos que se devem dar e na composição de manobras, utilizando contra a Revolução os próprios estratagemas da Revolução.
Porque a RCR, neste sentido — os médicos presentes me permitam a metáfora…
(…)
… de princípios, se deduz o seguinte: que eu teria muito mais tempo para fazer outras coisas, se os membros das reuniões de sexta-feira se compenetrassem dessa responsabilidade e procurassem se adestrar nessa missão, e que essas coisas seriam muito mais transcendentais.
Primeiro, eu poderia fazer mais coisas; segundo, mais transcendentais; terceiro, que fazendo essas coisas mais transcendentais, a recauchutagem tão laboriosa dos membros seria menos importante, menos absorvente pelo próprio entusiasmo que as coisas transcendentais poderiam trazer consigo.
Aqui está o segundo bloco de princípios. O primeiro bloco foi sobre as reuniões de sexta-feira e sua finalidade, o segundo bloco é sobre a posição dos membros em fase dessa reunião.
* A importância de uma preparação durante a “statio” para o bom aproveitamento das reuniões — O papel fundamental da Fé na assimilação da doutrina e dos métodos de ação do Fundador
Agora vem um terceiro bloco de princípios, e o bloco é esse: há um defeito que nos leva a não participar convenientemente das reuniões de sexta-feira, que é a preguiça de ter princípios. Esta preguiça nos leva a um aproveitamento falso das reuniões.
Então, eu mostrei que uma graça sensível traz legitimamente uma sensação. Por isso ela é sensível. Mas que ela não produz o seu efeito se ela, passada, não ficar um princípio, quer dizer, uma verdade ou uma deliberação.
E portanto, para nós assistirmos bem a reunião, precisamos saber como é que entramos na reunião. E que — isto eu não disse, mas digo agora — o melhor aproveitamento da statio consiste, precisamente, em saber, ao menos na statio, lembrar-se disso e cultivar este pensamento.
Como seria bonito, por exemplo, se o que eu estou dizendo agora fosse registrado. Se isto fosse distribuído na statio para quem quisesse, para que ao menos na statio isso se meditasse, como seria uma coisa boa! A mim parece que seria esplêndido. Eu ousaria dizer que seria indispensável.
Com isso, também por extensão, chegamos à idéia do que é a muita Fé ou a pouca Fé. É um outro bloco de princípios. A muita Fé é aquela “luz intelectual cheia de amor, amor cheio de todo bem” de que fala Dante, e que nos dá uma espécie de facilidade para percebermos os princípios, sentirmos as graças dos princípios e os conservarmos em nossas almas.
Isto que eu falei sobre os princípios, é uma outra apresentação da virtude da sabedoria. É ter a sabedoria.
Então, é uma espécie de zig-zag de princípios, em uma seqüência logica, mas não de tratado, mas aplicada às conveniências do auditório ao qual me dirigi.
* O prestígio da palavra “tradição” é tal que até mesmo seus adversários muitas vezes a usam como efeito de propaganda
É uma coisa engraçada como o próprio adversário, de vez em quando, menciona a palavra “tradição” com honra, e o prestígio que a própria palavra “tradição” toma no vocabulário deles freqüentemente. Eu não quero dizer que é por causa de nós nos chamarmos tradição. Mas é o valor que tem nas almas o vocábulo que nós colocamos no nosso lema. Portanto, a utilidade, além de ideológica, também propagandística de nosso vocábulo.
Título do “Estado”: “Tradição desafia perigo”:
Todos os dias, ao nascer do sol, na colina 881, sul…
Essa colina, com certeza, não se chamava assim, esse nome é norte-americano, é lá no Vietnã. Deveria se chamar a Colina dos Espíritos do Bom Conselho, ou do Mau Conselho; ou então, a colina do crime atroz, colina do devaneio ou qualquer coisa assim.
(Sr. –: norte-americana ou da CNBB…)
Os fuzileiros navais norte-americanos realizam a mais perigosa cerimônia de içamento de bandeira do mundo.
Quer dizer, os norte-americanos, anti-tradicionais por feitio de espírito, vão, com perigo de vida, cumprir uma tradição: a velha tradição do hasteamento da bandeira.
Porque os artilheiros do Vietnã do Norte, em posições nas proximidades, observam tudo através das miras telescópicas de suas armas e podem escutar claramente o toque de clarim.
O português não está muito bom: claramente o toque de clarim, está “claro” demais.
A idéia de içar a bandeira na colina foi do capitão […inaudível] …
Tudo começa nos capitães, não é Cap. Poli?
… ele sabe que a bandeira aumenta a capacidade de resistência.
* No Vietnã, “Marines” norte-americanos içam a bandeira de seu país sob os morteiros inimigos: estará a Tradição ressurgindo nos EUA? — O êxito de uma ação contra-revolucionária nos EUA
Vejam que beleza.
Quando os fuzileiros navais içam a bandeira de seu país, absolutamente ninguém irá baixá-la, enquanto depender deles. Todas as manhãs, fuzileiros saem das trincheiras e participam da cerimônia na forma tradicional de seu país.
Se nós compreendêssemos assim um pouco melhor a cerimônia do alardo, que é um hasteamento interno de nossa sacrossanta bandeira, como seria bonito. Em vez de fazer assim uma cerimônia que, quanto ao olhar de alguns, parece uma fila de coleginho, depois vai-se distribuir balas de açúcar torrado.
Mas antes que soe a última nota do clarim, os fuzileiros têm de voltar para os abrigos para se defender dos morteiros inimigos. A bandeira dos Estados Unidos não é hasteada apenas nessa colina em Khe San, mas todos os fuzileiros navais que servem nas proximidades da zona desmilitarizada, emprestam ao fato um valor emocional indiscutível.
Um pouco de ventilação ainda. Então, quando eu digo: uma campanha inteligente de tradicionalismo, lançada com muita ousadia, teria nos Estados Unidos, grande êxito? Os tais espíritos de pouca fé, bocejam e dizem: “até que paradoxos a R-CR não leva…” Aqui está um indicezinho por onde se compreende o fundamento do que estou dizendo.
Com isto está terminada a reunião, e os senhores vêem que um pouco de Ambientes e Costumes em fim de reunião, é bom, pois a torna mais leve.
(D. Bertrand: …)
Não é propriamente um princípio, mas é uma concatenação de princípios.
Por exemplo, este restaurante italiano: é o SESC, SENAI, qualquer um desses monstros que resolveu levantar o nível dos hotéis de São Paulo. E estabeleceu então uma escola de cozinheiros, e está exigindo que esses cozinheiros façam grandes menus.
* A TFP é uma escola de ultramontanismo
Aqui está um princípio muito sábio. Sempre que a gente quer levantar o nível de qualquer coisa, a gente monta uma escola para as pessoas encarregadas de fazer a coisa. É por onde começa tudo. É sempre uma escola especializada, e por isto é que o grupo é uma escola de ultramontanismo.
Este pessoal do SESC, tomando em consideração que a colônia italiana em São Paulo é enorme, fez então uma série de pratos regionais italianos, um de cada região da Itália. O restaurante serve a Nc$ 8,00. Aqui vem um princípio interessante também: ninguém aprende, a não ser fazendo para outrem.
Fazer, por exemplo, mil menus que ninguém vai comer, não se faz com isso uma escola de cozinheiros. É preciso fazer o prato concreto e ter o cliente que come. Sem isto, o cozinheiro não sai. Então, é preciso vender essa comida, de onde o restaurante. Agora, o restaurante é Nc$ 8,00 e parecem ser pratos opulentos.
* Os dois modos de comer na ótica francesa e alemã — Para o contra-revolucionário, comer é uma operação intelectual; mais ainda: é um ato de virtude
Há dois modos de comer: um é o homem que come, porque tem princípio, e o outro é o do homem que come porque tem estômago.
A língua alemã, que tem matizes muito bonitos, faz uma distinção entre essen e [fressen?]. Essen é o comer do homem e [fressen?] é o comer do bicho.
Os franceses tem uma distinção paralela com essa. Não é tão enérgica, mas é mais raffinée: entre o gourmand e o gourmet. O gourmand é o que gosta de comer muitas coisas. O gourmet não é propriamente o que gosta de comer muita coisa, ou muita quantidade, nem gosta de comer pouca quantidade. O quanto é indiferente. O importante é que o gourmet presta atenção na qualidade, enquanto o gourmand presta atenção na quantidade; a tônica é na qualidade.
Se uma pessoa é um homem que come por princípio, ele pode fazer tanto ato de virtude comendo, quanto jejuando, porque ele come numa operação intelectual, em que a cabeça degusta o prazer da comida, como pode degustar o prazer do vinho.
[Para] um grande conhecedor de vinho, degustar o prazer do vinho é uma operação intelectual. É como quem lê um livro. Absolutamente a mesma coisa. Não há nenhuma distinção. Absolutamente a mesma coisa. Eu pergunto: quantos de nós estaria habilitado a ir a esses restaurantes dizendo: eu vou comer um pouco de espírito italiano, e vou sair de lá tendo saboreado a Itália, de tal maneira que eu gostaria que alguém me desse as fotografias do lugar de onde é essa comida, para eu estudar e folhear antes de ir comer, e depois de ter comido também.
Eu terei comido os monumentos e as paisagens. Isto é comer. Quantos de nós iremos lá com outro cálculo: tomar pouco café de manhã, para ficar com uma fome assim, porque, como a coisa custa Nc$ 8,00 chegou a hora de comer até arrebentar.
Uma coisa é comer com princípio, outra coisa é comer — eu não ousaria dizer com pressa, porque seria pouco amável — mas é a palavra que me viria aos lábios.
* Alegria de nosso Pai e Fundador com o crescimento do Grupo
Que Nossa Senhora os recompense por ouvir com tanta paciência tanta coisa desagradável. Há uma expressão que diz: repreende o sábio, e ele te amará. Se os senhores não se irritarem com tanta coisa que eu disse, os senhores tem sabedoria, os senhores são bem-aventurados.
(Sr. –: […inaudível])
Vejo alguns aqui que não participam das reuniões de sexta-feira. Graças a Deus o grupo germinou tanto que ele tem tanta gente em condições de participar das reuniões de sexta-feira, que eu precisaria ter um teatrinho para fazer as reuniões de sexta-feira. E não só a Sala do Reino de Maria chega para isso, mas se eu fosse colocar mesmo todo mundo que poderia freqüentar as reuniões de sexta-feira, a reunião perderia o que ela tem de ter, e que é algo de íntimo e de quintessenciado.
Quer dizer, de não muito numeroso. Mas não pensem que são chamados só para isso os que fisicamente pertencem à reunião de sexta-feira. São chamados também aqueles a quem eu autorizo ouvir o fio e aqueles que se habilitam a ser autorizados para isso, são chamados para as reuniões das sextas-feiras.
Alguém dirá: “mas eles não tem a sua presença”. Eu digo: é verdade, mas tem os princípios. E nós voltamos ao nosso ponto: não tem a sensação, mas tem a verdade. É claro que a graça saberá suprir se eles se contentarem com isso e procurarem ser fiéis. Isto fica bom que seja gravado.
*_*_*_*_*