Relato Santo do Dia – 5/12/67 – 3ª feira . 3 de 3

Relato Santo do Dia — 5/12/67 — 3ª feira

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É na perspectiva da doutrina do Corpo Místico, em união com o Sangue de Cristo e as lágrimas de Maria que se compreende toda a sublimidade da dor * Agrada enormemente a Nossa Senhora aceitar os sofrimentos da vida interna do Grupo * Não devemos desperdiçar nenhuma dor, mas tomá‑las sempre como uma pérola que Nossa Senhora pôs em nossas mãos * O grande valor que tem, diante de Nossa Senhora, cada sofrimento generosamente aceito * Correlação entre sofrimento e humildade * “Só dá pleno aproveitamento à sua inteligência quem sofre e quem compreende o sofrimento”

* É na perspectiva da doutrina do Corpo Místico, em união com o Sangue de Cristo e as lágrimas de Maria que se compreende toda a sublimidade da dor

Devemos realçar a importância da dor. Fazer compreender que o doente não é um afastado do amor de Deus. A Igreja ama o doente e a doença é sempre um benefício de Deus.

Deus quer que os homens a aceitem, vejam a sublimidade da dor pelo Corpo Místico de Cristo, em união com o sangue que Nosso Senhor derramou e com as lágrimas que Nossa Senhora verteu.

Nosso Senhor, pela sua Paixão, resgatou todos os homens. Para que estes efeitos fossem efetivos aos homens, quis que houvesse padecimentos humanos. Quis que juntássemos as nossas dores com as d’Ele e de Nossa Senhora. O doente é então um bem‑amado de Deus, aquele que Deus convida para sofrer os padecimentos morais. O sofrer é receber uma visita de Deus. O sofrimento permite à alma verdadeiramente desapegada aceitar esta provação, e oferecê‑la para a Santa Igreja e tocar para frente o caminho.

* Agrada enormemente a Nossa Senhora aceitar os sofrimentos da vida interna do Grupo

Dentro do grupo há às vezes provações, e são fórmulas mais fecundas de sofrimentos. Sofrem mal‑entendidos, perseguições e se sentem mal com isto, etc. Oferecer essas injustiças, maus tratos, pelo grupo e pela pessoa que está sendo a causa do meu sofrimento. O Senhor Doutor Plinio nunca viu que uma pessoa tomasse esta atitude e que não realizasse para ela depois, os melhores frutos espirituais. Isto agrada enormemente a Nossa Senhora, exatamente o aceitar os sofrimentos dentro do grupo. Há algo até que pareça o oposto da vocação, aceitar isto e oferecê‑lo para o próprio grupo.

Isto nos deve levar à idéia de que o católico é um amigo da Cruz, e que não é um bobo. Deus não quer que soframos aquilo que nos pôs nas mãos para agirmos, como, por exemplo, uma mosca que passeia em nosso rosto e dizermos: “Oh, Deus! Vós que me mandastes esta mosca para eu sofrer, etc., etc.” Eu tenho mão é para espantar a mosca.

* Não devemos desperdiçar nenhuma dor, mas tomá‑las sempre como uma pérola que Nossa Senhora pôs em nossas mãos

Há dores que não conseguimos remover, sejam elas físicas ou morais e Nossa Senhora quer que as soframos e são preciosas. Nunca desperdiçarmos uma dor, ver sempre que é uma pérola que está em nossas mãos.

Qualquer que seja o sofrimento dizer: “Minha Mãe, eu Vos agradeço esta ocasião e Vos digo: eu quero esta dor, eu a quero, porque Vós quereis que eu queira. Eu a quero durante o tempo que Vós quiserdes, ajudai‑me na minha debilidade, para que possa carregar esta cruz, como Vós a entenderdes. Eu a osculo, como Nosso Senhor a osculou no momento que a colocou sobre os ombros, porque eu quero tudo sofrer.

Eu ficaria desolado se minha vida fosse sem cruz. A vida sem cruz é uma vida sem Vós e, portanto, eu a aceito de todo coração”.

* O grande valor que tem, diante de Nossa Senhora, cada sofrimento generosamente aceito

Cada sofrimento aceito assim, por menor que seja, tem um grande valor aos olhos de Nossa Senhora. Imagina um que pisasse no pé do outro e o outro, em vez de dizer “ai”, sorri, e diz que pelo sorriso ele teve o prazer de manifestar a amizade dele para com o outro. Nós, que somos maus, ficaríamos inteiramente enternecidos com esta atitude. O que se dirá de Nossa Senhora e de Nosso Senhor, se nós fizermos a mesma coisa: “Eu tenho a alegria de receber o sofrimento e eu o recebo em união conVosco e para Vos agradar. Eu gosto que dói em mim para Vos agradar a Vós. Eu sou o que sou e Vós sois o que sois. Vós mereceis tudo de bom, e eu mereço a dor que caiu sobre mim e eu a aceito”.

Os pequenos sofrimentos, segundo Santa Teresinha, vividos sobrenaturalmente têm um valor extraordinário para as almas pequenas, da pequena via, e nem se pede outra coisa. É o aceitar o sofrimento da vida de todos os dias, e esta oferece sofrimentos, de toda ordem.

* Correlação entre sofrimento e humildade

Como isto faria bem para todos os membros [do Grupo]! Muitos se afligem com toda espécie de sofrimentos, como por exemplo pegar um táxi, etc. “Corre, corre, porque perde a hora, perde o ônibus, etc.” E a vida dá a impressão de uma série de engrenagens que estão para se desengrenarem, e as pessoas vivem com pânico. Portanto, se a gente aceitasse este sofrimento de perder o ônibus e tomar o outro, sofrendo assim um pouco, com maior resignação as pequenas coisas durante o dia, como isto faria bem. O sofrimento faz bem para a humildade. Não pode ser verdadeiramente humilde uma alma que não goste de sofrer. É pelo sofrimento que a alma adquire uma certa flexibilidade, plasticidade, por onde ela compreende que tem que dar alguma coisa de si e que nem tudo que é dela, é dela; e que tem de amar os outros por amor de Deus, e que deve desapegar‑se de si, abaixar‑se, etc.

Uma alma que nunca tem sofrido é hirta, dura, egoísta e orgulhosa. Se eu tenho algo por onde eu sou mais do que alguém, eu sendo egoísta, eu quero fazer sentir isto. Os outros me fazem sentir que são mais do que eu, e eu encontrando um coitado que é menos do que eu, eu desconto nele.

De maneira que, passando alguém perto de mim e me olha de cima para baixo, porque está em um magnífico automóvel e eu estou num carro de “extremo, extremo”, quando eu passar em um ponto de ônibus, onde existem vários para pegá‑lo, eu sorrio e dou uma olhada para eles. É fácil fazer isto, e o olhar assim diz tudo e azeda a vida do outro para a vida toda. Isto é inevitável para quem é egoísta, porque uma das coisas mais gostosas é exatamente sentir algo que o outro não tem. Um indivíduo, para não ser orgulhoso, precisa sofrer.

* “Só dá pleno aproveitamento à sua inteligência quem sofre e quem compreende o sofrimento”

São Francisco de Sales dizia que o sofrimento é de si o 8º sacramento, e tem um valor que os outros não têm.

Devemos pedir o amor e o senso da cruz. Só dá pleno aproveitamento à sua inteligência quem sofre e quem compreende o sofrimento. Quem não sofre é embotado e fica valendo a raiz quadrada do que poderia valer se tivesse sofrido. Até para a inteligência, o senso metafísico, etc., o sofrimento é necessário.

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