Santo do Dia ─ 25/10/67 ─ 4ª feira . 10 de 10

Santo do Dia ─ 25/10/67 ─ 4ª feira

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O Senhor Doutor Plinio faz a descrição de um “zuppi” cometido na Sede do Reino de Maria * O homem anti-igualitário é naturalmente cerimonioso * Graves conseqüências que poderiam advir de um “zuppi” * Um conselho do Senhor Doutor Plinio para se evitar o “zuppi” * Leitura de uma ficha sobre São Bernardo * A Santa Igreja é a verdadeira pedra filosofal. Tudo em que Ela toca, transforma-se em ouro * São Bernardo foi um homem que se abriu para a graça de Deus e por isso dele saíram maravilhas * É nos santos que nós compreendemos a Santa Igreja * “A medida de amar a Santa Igreja Católica, Apostólica, Romana, nossa Mãe, consiste em amá-La sem medida” * “Se nós queremos conhecer a Santa Igreja Católica, olhemos para o Grupo” * Se nós nos abrirmos à graça faremos maravilhas e nada nos impedirá de destruir a Revolução

* O Senhor Doutor Plinio faz a descrição de um “zuppi” cometido na Sede do Reino de Maria

O “zuppi” é uma instituição da “geração nova”. E contra o “zuppi” a gente deve agir com as armas da persuasão. São as únicas eficientes. Aqui eu acho que poderei dar um argumento persuasivo a respeito dos inconvenientes do “zuppi”.

Dr. Fábio: recebeu um telegrama cujo texto me chegou às mãos hoje. Eu não sei quem é o autor do “zuppi” que eu vou comentar agora, de maneira que se o autor estiver aqui presente, e se tem consciência de que fez esse “zuppi”, porque é bem possível que tenha “zuppado” que fez esse “zuppi”, que ele saiba que eu não sei quem ele é, e que portanto não é contra ele que eu estou falando.

Eu estou falando em tese. Dr. Fábio recebeu um telegrama muito importante do deputado Último de Carvalho, vice-líder da Arena:

Agradeço o oferecimento me fez patriótica obra Frei, o Kerenski Chileno. Antes felicitar, desejo felicitar minha pátria possui filhos altura moral e intelectual do ilustre amigo. Prossiga em seu trabalho pela legítima democracia e em defesa da Família, Tradição, Prosperidade. Saudações. Deputado Último de Carvalho.

Esse telegrama, é a melhor das respostas aos discursos… [inaudível] … fizeram na Câmara contra nós, em que um deles declarou que eu sou bebedor dos restos de whiski dos sócios do Jockei Club. Quer dizer, uma coisa que não se comenta. Mas que um vice-líder da Arena, o partido majoritário, tenha dito de um livro publicado por nós, uma coisa dessas, os senhores compreendem reduz a pó, os deputados.

Agora, qual é a história desse telegrama? Esse telegrama foi expedido. Conseguir esse telegrama era uma coisa difícil. Sobretudo um telegrama espontâneo vir, era uma coisa difícil. Coisa menos difícil, mas igualmente difícil também, depois de expedido, o telegrama chegou a São Paulo. Terceira coisa: chegou à Rua Pará e foi recebido. É menos difícil. Quarta coisa: uma mão desconhecida abriu esse telegrama. Já abriu com mão “zuppoza”, porque telegrama dirigido a outros, a gente não abre assim sem mais nem menos.

* O homem anti-igualitário é naturalmente cerimonioso

Eu tenho muita liberdade com Dr. Fábio. Toda essa correspondência que tem vindo para o Dr. Fábio, eu não tenho aberto, eu tenho pedido para os irmãos dele abrirem, porque eu não sinto liberdade para pegar a carta de alguém e abrir.

Eu tenho certeza que Dr. Fábio se soubesse que eu faço essa cerimônia com ele, diria que eu levo longe de mais a cerimônia. Mas em matéria de cerimônia, é sempre melhor levar longe de mais. Na dúvida, pró-cerimônia.

Nunca ninguém brigou por causa de cerimônia; por causa de falta de cerimônias, o mundo está cheio de brigas originadas daí. Depois, o espírito católico, é naturalmente cerimonioso, gosta da etiqueta, gosta do protocolo, gosta do respeito aos direitos e às prerrogativas dos outros. Quem é anti-igualitário, gosta de respeitar os direitos e as prerrogativas, inclusive dos que são mais moços, como o Dr. Fábio em relação a mim. Olhem que… Eu não vou chamar as testemunhas do que vou dizer, Dr. Caio e Dr. Arnaldo, porque como eles são cerimoniosos, eles diriam, que eu tenho razão, mas eu tenho a impressão que se Dr. Fábio soubesse que eu abri um telegrama dirigido a ele, ele nem se lembraria de estranhar. Pois bem, mesmo assim um telegrama dirigido a ele, eu não abro.

* Graves conseqüências que poderiam advir de um “zuppi”

Bom, uma mão “zuppoza” abriu esse telegrama. Olhos “zuppozos” leram o telegrama e depois a mesma mão “zuppoza” que segurava o telegrama, deixou na sala do expediente em qualquer lugar.

Em cima disso, uma outra mão “zuppoza” colocou um livro. E depois outra mão “zuppoza” colocou outro livro. E o sono do “zuppi” estabeleceu-se sobre telegrama de uma alta necessidade para nós, de uma alta oportunidade para nós

E se não fosse o nosso Solimeo ter revolvido um canto qualquer na sala de expediente, onde isso dormia debaixo de dois livros, os senhores sabem o que acontecia?

Acontecia que não se tiraria proveito disso, e que na próxima viagem em que nós formos à Brasília, nós não teríamos a oportunidade de entrevistar o deputado Último de Carvalho e de combinar, ou de propor pelo menos providências, contra o requerimento desses dois deputados comunistas que pedem uma investigação governamental quanto à TFP.

Agora, os senhores vejam que coisas enormes pendem de uma pessoa que com certeza abriu… vagava assim, porque o “zuppão” não pisa, vaga. Ou pisa com pé de chumbo sonolento, ou então vaga, paira. Tocou a campainha, o “zuppão” com certeza pensou: “Ora, veja, o que será?” Foi e abriu para ler. O telegrafista ele achou menos interessante. Mas quanto ao telegrama: “Quero ver se pelo menos diverte.” Abriu e leu, e disse: “Ora, não era o que eu pensava encontrar para me divertir. Ora então, jogar fora seria um pouco excessivo. Deixemos sobre a mesa. Um interessado pegará.” Os senhores compreendem, poder-se-ia fazer uma peçazinha literária, escrevendo como isso foi.

* Um conselho do Senhor Doutor Plinio para se evitar o “zuppi”

Bom, o “zuppão” deve estar presente aqui. Ele deve estar dizendo: “Não, Dr. Plinio está imaginando, mas não foi assim. Eu pelo contrário olhei e pensei: que importante, eu vou falar com Dr. Plinio Xavier. E deixei ali à espera que dali a alguns minutos, procurar o Dr. Plinio Xavier. O mal foi que depois me esqueci do telegrama, de maneira que então, eu não encontrei o Dr. Plinio Xavier, mas eu nem tive nem um pouco os desleixos que Dr. Plinio apontou”.

Está bom, meu caro, então é uma outra modalidade de “zuppi”! “Zuppi” há mil. Eu descrevi a modalidade mais completa, porque quando a gente descreve, a gente descreve o paradigma.

Para os anônimos o argumento é o paradigma. Eu compreendo que possa ter sido menos paradigmático, menos completo, se quiserem menos carregado. O “zuppi” aqui está. “Eu pequei contra Ti só, e o meu pecado está de pé contra mim.”

Os que não são encarregados do “zuppi”, dirão: “Mas não fui eu que perdi esse telegrama, porque Dr. Plinio perde tanto tempo só para atingir um anônimo? Leva tanto tempo tomando a atenção do auditório inteiro.”

É que esse anônimo é ele mesmo paradigmático também. De maneira que eu acho que não ando mal em ocupar um pouco do tempo, realmente valioso dos senhores, no combate ao “zuppi”.

O que se deve fazer quando a gente está com vontade de “zuppar”? A vontade de “zuppar” em geral é subconsciente. Ninguém tem vontade consciente de “zuppar”. Mas há uma vontade de “zuppar” subconsciente em que a pessoa está posta em molezas e introvertido, pensando em si mesmo, ou então sonho de olhos abertos. Fica pensando: “Se eu fosse o maior plantador de chá da Índia, eu estaria agora no Canadá, montando uma empresa de sorvete no gelo do Alaska, por aí e qualquer coisa, e daí iria de avião todo de ouro para Paris e iria agredir não sei quem, qualquer coisa desse gênero. Il y en a. Então, para esses o “zuppão”. E se houver por aí outros “zuppões”, aqui pelo auditório, eu dou um caso característico. A pergunta é essa: Eu nesta hora de “zuppi”, estou percebendo o que este meu olho bambo, esta minha mão mole, esta minha perna mole, este meu pé mole, estão fazendo?

Estão lendo, transportando, carregando, um documento que pode ser útil à glória de Nossa Senhora. E eu pego isso aqui e hum? Eu não convido também a Nossa Senhora no mais alto dos Céus a fazer também hum, quando receber minha oração?

Depois diz: “Nossa Senhora, eu rezei para Ela e Ela não me atendeu.”

Os senhores conhecem o Ave Maris Stella, e numa parte do Ave Maris Stella, quem reza diz: “Mostrai que sois Mãe”. E conta-se que há uma pessoa que disse isso, uma imagem se animou e disse: “Mostra que és filho”. É cheio de propósito esse dito dessa imagem. E aí meus caros fica aí um aviso que eu não julgo nada supérfluo.

* Leitura de uma ficha sobre São Bernardo

Vamos considerar aqui São Bernardo, bispo e confessor, cuja festa transcorre amanhã. Os dados biográficos são tirados da Vida dos Santos de Rohrbacher:

São Bernardo, foi bispo de… [inaudível] …no Sacro Império, no século X. Sendo muito dotado em relação às artes, cultivou-se com cuidado enquanto bispo.

Mandado escrever livros de maneira que reuniu uma grande biblioteca, composta tanto de obras eclesiásticas, quanto de filosóficas. Incrementava o aperfeiçoamento da pintura do mosaico, da serralharia, da ouriversaria, recolhendo cuidadosamente os trabalhos curiosos, que os estrangeiros enviaram ao rei. E mandando jovens de bom comportamento serem educados para exercitá-los nessas artes.

Embora muito dedicado às funções eclesiáticas, não se cansava de prestar serviços ao rei e ao Estado. E tão bem se saía, que chegava a despertar a inveja de outros fidalgos.

Havia muito tempo que Saxe permanecia bastante exposto às incurssões de piratas e de bárbaros. O santo bispo, muitas vezes os repelira, ora com suas tropas, ora com auxílio de outras. Mas os assaltantes eram senhores das duas margens do Elba, e da navegação do mesmo rio. De maneira que se espalhavam por todo o território do Saxe e quase chegavam a… [inaudível]. Para detê-los São Bernardo mandou construir duas fortalezas em dois pontos de sua diocese, guarnecendo-as. Não obstante a despesa acarretada por essa obra, enriqueceu sua Igreja com a aquisição de várias terras, cultivou-as e guarneceu-as com belos edíficios. Quanto à igreja-catedral, decorou-lhe as paredes e painéis com maravilhosas pinturas. Mandou fazer para as procissões nos grandes dias santos, um livro com os Evangelhos trabalhado com ouro e pedras preciosas, incensórios dos mais altos preços, grande número de cálices, um de cristal, um de ouro puro, do peso de 20 libras, uma coroa de ouro e prata de prodigioso tamanho, suspensas no centro da Igreja, sem contar uma infinidade de outros objetos do mesmo gênero. Rodeou as muralhas de torres e o claustro da catedral. De maneira que servissem ao mesmo tempo de adorno e defesa. Nada havia no Saxe, que lhe pudesse ser comparado.

* A Santa Igreja é a verdadeira pedra filosofal. Tudo em que Ela toca, transforma-se em ouro

Aqui os senhores encontram bem exatamente aquele elogio que eu fazia, creio que ontem, da Santa Igreja Católica, Apostólica Romana.

A Santa Igreja é, ao pé-da-letra, como a pedra filosofal, de que falavam os medievais. Os medievais diziam que havia uma pedra ─ era uma lenda ─ uma pedra que tinha o condão de transformar em ouro tudo aquilo que ela tocava. De maneira que seria por exemplo, suficiente tocar com essa pedra uma parede aqui desse prédio, ou o prédio todo, e se transformava em ouro.

Então, os alquimistas medievais procuravam encontrar o segredo do fabrico da pedra filosofal, porque eles então ficariam prodigiosamente ricos.

Os senhores vêem que sinarquia, magia e alquimia, têm coisas muito parecidas.

A Igreja Católica é a verdadeira pedra filosofal. Quer dizer, tudo aquilo que Ela toca, e que se abre à influência d’Ela, se transforam em ouro, tudo aquilo que Ela toca fica esplêndido.

Quem é que seria esse São Bernardo? Os senhores façam um pouquinho seus cálculos.

Este homem viveu no século X. Ora, o século X era um século que ainda estava pouco distante do fim das invasões. Era um século que ainda tinha muito de barbarie. E esses descendentes de bárbaros é que governavam a Europa. Toda a influência da Igreja a alma de um semibárbaro, de algúem que ainda é recém-egresso da barbárie, toca na alma dele e esse homem se abre para Ela.

Imediatamente os senhores vêem que esse homem começa a fazer, não só na ordem temporal tudo quanto há de maior e de melhor. E imediatemente ele se põe a civilizar, ele se põe a fazer toda espécie de benefícios, e ele se põe a civilizar.

Tudo quanto ele faz, é grandioso do ponto de vista temporal, de um temporal que vai servir ao espiritual, que é destinado a colocar o espiritual, aliás, o temporal na ordem do espiritual; nesse temporal, ele age como um grande príncipe, como um grande senhor, ele que era um grande dignatário eclesiástico.

Os senhores vêem o que ele diz aqui. Em primeiro lugar, o amor dele à cultura. Ele mandou escrever livros, nós estávamos ainda muito longe de Gutemberg e da tipografia, de maneira que era preciso copiar cada livro. E aqui então, aqueles famosos copistas que escreviam livros enormes. De maneira que reunisse uma grande biblioteca, composta de obras eclesiásticas, como de filosóficas.

Os senhores estão vendo que portanto esse santo é um santo que prepara alta cultura, ele não vai fazer apenas uma alfabetização bobinha, mas ele prepara alta cultura.

São livros de teologia e filosofia, com os quais ele organiza uma grande biblioteca.

* O talento de São Bernardo é próprio de quem tem o espírito católico

Depois, de outro lado, ele era um artista, e incrementava, com o bafejo da Igreja e segundo o espírito da Igreja, e para a formação das almas nas vias da Igreja, ele incrementava o aperfeiçoamento da pintura, dos mosaicos, das serralharias, da ouriversaria.

Quer dizer, ele estimulou a formação de pintores, ou fabricantes de mosaicos, de serralheiros e de ourives. Os senhores estão vendo esses serralheiros que tornam seguras as casas, que protegem a ordem, que por outro lado, faz obra de serralharia, que são adornos das portas e dão decoro à vida.

As jóias, os mosáicos, esse descendente de bárbaro, ama tudo isto, produz tudo isto.

Quão menos bárbaro do que estes bárbaros eclesiáticos da Igreja pós-constantiniana, que são miserabilistas e que querem esvaziar de todas as obras de arte os santuários e reduzir a Igreja a um local de onde as artes fugiram espavoridas. Depois continua:

Ele fundou um museu. Com efeito, ele recolheu cuidadosamente os trabalhos curiosos que os estrangeiros enviavam ao rei.

Era hábito, já naquele tempo, como é hoje, dar presentes aos chefes de Estado notável de um país ia visitar outro país, levavam presentes para o rei e também para os notáveis do país que vistavam. É uma praxe natural que sempre se praticou.

Esses presentes ficavam acumulados nos palácios reais e muitos não tinham uso. Ele então mandou recolher, organizar, fazer um museu, talvez dos mais antigos museus do mundo, foi esse homem que mandou fazer. Tudo sob o espírito da Igreja, sob o bafego da Igreja.

De outro lado, os senhores vêem que ele mandou educar jovens de bom comportamento, para exercitá-los nessas artes. Ele organizou portanto uma escola de artistas. Os senhores vêem que obra magnífica ele fez uma coisa magnífica. Daí saíram, de iniciativas como essas, multiplicadas por homens desse espírito, mais ou menos pela Europa inteira, daí saíram então as inumeráveis obras de arte, cheias de espírito católico, que a Idade Média conheceu.

Embora muito dedicado a suas funções eclesiásticas…

Não era portanto desses padres seculares que querem incrementar um bem estar puramente temporal e sem significado religioso.

não se cançava de prestar serviços ao rei e ao Estado. E tão bem se saía, que ele chegava a despertar inveja.

Por exemplo, e fala aí do nogócio das torres. O rio Elba era uma avenida para a penetração dos bárbaros. E com freqüência chegava até a diocese dele. Ele então que dispunha de tropas ─ porque os bispos naquele tempo eram às vezes senhores feudais e podiam dispor de tropas ─ ele que dispunha de tropas, mandou organizar duas torres, duas fortificações. Mas fez umas fortificações tão bonitas, que eram ao mesmo tempo o adorno da paisagem.

Os senhores estão vendo o descortínio desse homem, o talento, mas é uma forma de talento própria à sabedoria e é uma forma de sabedoria própria a quem tem o espírito católico.

* São Bernardo foi um homem que se abriu para a graça de Deus e por isso dele saíram maravilhas

Depois ele diz que o próprio bispo ia lutar com as tropas contra os bárbaros. Quanto à igreja-catedral, os senhores estão vendo que ele inaugurou um verdadeiro luxo eclesiástico. É um santo canonizado pela Igreja. Com certeza, havia muita gente pobre na diocese dele. Vejam as coisas que ele mandou fazer.

Mandou fazer para as procissões solenes dos grandes dias, um livro dos Evangelhos trabalhado com ouro e pedras preciosas. Para incutir respeito ao Santo Evangelho. E mais ainda, para dar glória a Deus. Incensórios do mais alto preço, grande número de cálices, um de cristal, um de ouro puro, do peso de 20 libras. Cálices para a celebração da missa.

Os senhores sabem que os inimigos da Igreja constantiniana desejam cálices de um metal qualquer, de alumínio que seja, mas não desejam ouro, porque tem caráter capitalista.





Uma coroa de ouro e prata de prodigioso tamanho, suspensa no centro da Igreja.

Com certeza para afirmar a realeza de Nosso Senhor e de Nossa Senhora.

Sem contar uma infinidade de objetos do mesmo gênero.

Quer dizer, ele foi um verdadeiro organizador do luxo eclesiástico e do luxo civil. Padroeiro do luxo santo, do luxo nobre, que simboliza a virtude, que simboliza toda espécie de valores morais e que portanto conduz as almas a Deus.

Rodeou de muralhas e de torres o claustro da catedral.

Quer dizer, ele entendeu que seria bom defender a catedral, ainda mesmo que a cidade fosse tomada pelo adversário. De maneira [uma linha inteira está ilegível no microfilme]. O funcional e o belo ligados juntamente.





Nada havia no Saxe que lhe pudesse ser comparado.

Há em certas missas, ou havia pelo menos, uma parte da liturgia que perguntava: “Quem é este homem, que nós o louvaremos?” E acrescenta: “Em toda a terra, não foi encontrado um semelhante a ele.”

Isto se pode dizer de cada santo. Quem é ele, e nós o louvaremos. Porque em toda a terra não foi encontrado um que fosse semelhante a ele. E aqui nós temos um santo assim.

Quem é como um homem destes? Em toda a zona dos que ele conheceu, ele era flor, ele era o adorno, ele era torre, ele era a glória, ele era a sabedoria, ele era a orientação, ele era doutrina. Por quê? Unicamente por isso. Porque nele, criatura miserável, pecadora, sujeita ao pecado original, sujeita como tal a toda espécie de degradações morais, nele que era potencialmente um infame pelo simples fato de ter nascido, porque esta é a condição dos homens que nascem em estado [de pecado] original e que se fecham para a graça de Deus, nele entretanto pousou esta coisa sobrenatural, quintessenciada, admirável, única, onipotente, da qual nasce todo o bem, na qual se ensina toda a verdade, e que confere aos homens toda espécie de fortaleza: a graça de Deus.

E esta graça que tocou nele, ele se abriu para ela, e a partir do momento em que ele se abriu para ela, dele, que era tão torpe, nasceram toda espécie de maravilhas.

* É nos santos que nós compreendemos a Santa Igreja

Ora, o veículo dessa graça, a sede dessa graça, o instrumento dessa graça, eu diria que a Esposa verdadeira e única do Autor dessa graça, que é Nosso Senhor Jesus Cristo, esta é a Santa Igreja Católica, Apostólica, Romana da qual nós não pretendemos ser senão uma célula, senão um pequeno membro vivo, senão uma emanação, senão um centelha, senão um elemento integrante, elevado e que coloca toda a sua ufania na terra, apenas nesse ponto: ser um homem católico.

Católico na força do termo e mais nada. Podem dizer o que quiser, podem caluniar como entenderem, podem até matar, se desse homem se pode dizer ele foi um varão católico, nele o espírito da Igreja de Deus, digo, o espírito da Igreja viveu, se diz dele tudo quanto de bom, de grande e de admirável, que de um homem dizer se pode.

É assim que nós devemos entender a Igreja e que nós devemos amar a Santa Igreja Católica, Apostólica, Romana.

Diz-se que Deus é admirável em seus santos. A Igreja que é o espelho de Deus e a Esposa de Deus, a primeira criatura de Deus, mais bela que todo o universo que Deus criou, a Igreja Católica, Apostólica, Romana é admirável nos seus santos.

É nos santos que a gente compreende a Igreja. Olhando para aqueles que são segundo a Igreja é que a gente compreende como a Igreja é.

* “A medida de amar a Santa Igreja Católica, Apostólica, Romana, nossa Mãe, consiste em amá-La sem medida”

E então a gente compreende que a gente deve aplicar ao amor que temos pela Santa Igreja, à veneração e a ternura que nós temos para com a Santa Igreja, aquelas palavras de São Francisco de Sales. Uma vez perguntaram a São Francisco de Sales qual era a medida do amor que se deveria ter a Deus. E ele disse: “A medida de amor de Deus, consiste em amá-Lo sem medida.” E eu digo: a medida de amar a Santa Igreja Católica, Apostólica, Romana, nossa Mãe, consiste em amá-La sem medida.

A medida da veneração e da ternura que nós devemos ter à Santa Igreja Católica Romana, consiste em ter para Ela uma ternura e uma veneração sem medida.

Que este santo, tão glorioso e tão fora dos nossos horizontes, São Bernardo, bispo e confessor, reze por nós e nos obtenha nesta noite, pelo menos a raiz desta forma de amor para com a Igreja, que é a coisa mais forte que há no universo.

Fala-se hoje em dia da força de desintegração do átomo, fala-se em forças materiais enormes, organizadas, encadeadas e desencadeadas pelo homem.

Nada disso é forte como a força do enlevo, da veneração e da ternura, são forças espirituais incomparavelmente mais fortes do que todas as forças materiais.

Que Nossa Senhora implante em nossa alma, essa disposição, esta veneração e esta ternura, pela Santa Igreja Católica, Apostólica, Romana.

Santa Igreja Católica… como não dar um “ai” depois disto?

Como não olhar para as ruínas que fumegam? Para os corpos que enchem as ruas? Para o sangue que se verte de todos os lados? Para os corpos que se abatem sobre os cadáveres, para os tremores de terra que abalam aquilo que os incêndios ainda não consumiram?

Como a gente pode não ter um gemido pensando nisso? E então a gente diz: “Bem, a Santa Igreja Católica, Apostólica, Jerusalém, a Cidade Perfeita, cujas muralhas eram de brilhantes e de pérolas, cujas vias eram cobertas de safiras e de esmeraldas, cujas torres eram revestidas de rubis, cujas ruas eram calçadas de ouro e prata. Esta Jerusalém era uma prefigura tímida da Igreja Católica, Apostólica, Romana.

* “Se nós queremos conhecer a Santa Igreja Católica, olhemos para o Grupo”

A Igreja, minha Mãe, onde está Ela? E a resposta, se há uma resposta de uma dor que constringe o coração e o coroa de espinhos em toda a sua superfície, o envolve com uma cápsula de espinhos em toda a sua extensão, esta pergunta entretanto, além de despertar esta dor, desperta uma alegria: A Santa Igreja Católica, Apostólica, Romana onde Ela está?

Nosso Senhor uma vez disse que o Reino de Deus está dentro de nós mesmos.

O Reino de Deus é a Igreja Católica, nós somos os filhos da Igreja, nós somos fiéis à Igreja. E a expressão da Igreja somos nós.

É a nossa fidelidade a uma doutrina que não foi inventada por nós no que Ela ensina, há sacramentos que não estão em nossas mãos, mas que estão nas mãos d’Ela e que Ela administra, há uma Tradição gloriosa de 2000 anos que nos vem em documentos inconcussos e que nos explica como é que é verdadeiramente a Igreja e aos quais nós nos conformamos. Nossas idéias não são um capricho, nossa orientação não é um ato de preferência arbitrária e pessoal, nós somos os escravos da Igreja Católica que seguimos a Igreja no que Ela quer, que seguimos a Igreja no que Ela ensina e ensinou e que aí está apesar de toda a fuligem das épocas, para nos dar a entender como devemos ser.

Nós conseguimos ser como somos, porque somos filhos d’Ela, porque a graça d’Ela tocou em nós, porque nós somos pequenos membros d’Ela e pequenas fagulhas d’Ela.

Olhamos para tanta coisa boa, grande e nobre que vive em nossas almas, apesar de nossas próprias fraquezas, e nós não precisamos olhar em volta de nós. Nós podemos dizer com tranqüilidade, com a alma aí então exultante de alegria, ao mesmo tempo humilde e cheia de paz: A Santa Igreja Católica se nós a queremos conhecer, olhemos para o Grupo.

É o que engendrou como farol para nos guiar nessas trevas. Olhemos com confiança, ali está todo o nosso ideal.

* Se nós nos abrirmos à graça faremos maravilhas e nada nos impedirá de destruir a Revolução

Meus caros, se nós nos abrirmos à graça, como São Bernardo se abriu, nós faremos maravilhas.

E não haverá nada que consiga impedir que nós vençamos a Revolução.

Porque nós vemos por exemplo, São Bernardo, e de tantos outros santos, para uma alma que se abre à graça, absolutamente nada é impossível.

O Hino das Congregações Marianas cantava: “De mil soldados não teme a espada quem pugna à sombra da Imaculada.” A espada poderá parecer uma espada bem anacrônica, está bem, de mil bombas atômicas, ainda que todo o universo se desagregasse em explosões atômicas, a alma que se abre à influência de Nossa Senhora na Igreja, não temeria, porque se fosse esse o desígnio de Nossa Senhora, depois dessas explosões, seguia o Reino de Maria, num universo renovado. Porque o que Nossa Senhora quer, isto se faz invencivelmente, irrecorrivelmente.

O desígnio d’Ela é que manda em tudo. E nós devemos ter mil vezes mais medo de despertar uma expressão de tristeza na face augusta de Nossa Senhora, do que na cólera de todos os ímpios e na explosão de todas as bombas atômicas.

Que Nossa Senhora seja a nossa aliada e nós faremos tudo. E para Ela ser nossa aliada, nós temos que abrir as nossas almas para a graça de Deus. Ou, de outra forma: para nós abrirmos as nossas almas para a graça de Deus, que Nossa Senhora condescenda em ser cada vez mais a nossa aliada.

Que Ela nos dê aquela abertura de alma que sem Ela nós não teríamos, aquela generosidade de que Ela é a fonte.

Para dizer aquilo que foi dito por Ela ao Anjo quando ele anunciou a missão d’Ela: “Eis em nós os escravos de Maria, faça-se em nós segundo a vontade d’Ela”.

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