Santo do Dia (Sala dos Alardos) – 2/9/1967 – Sábado – [SD 171] – p. 2 de 2

Santo do Dia (Sala dos Alardos) — 2/9/1967 — Sábado — [SD 171]

Nome anterior do arquivo: 670902--Santo_do_Dia_Sabado.doc

A música e o canto devem corresponder ao fim geral da liturgia, que é a honra de Deus e a edificação dos fiéis * A Igreja condena tudo que em música é ligeiro, vulgar, trivial, ridículo, profano, teatral

* A música e o canto devem corresponder ao fim geral da liturgia, que é a honra de Deus e a edificação dos fiéis

Por ser hoje vigília de São Pio X, um dos santos protetores do Grupo e padroeiro do Coro, será cantado no final o “Duo Serafin”, de Victoria, em louvor do mesmo santo.

Para a intenção do terço de hoje, é conveniente lembrar que é o primeiro sábado, reparação a Maria Imaculada, ao Coração Imaculado de Maria.

A respeito de São Pio X, há uma ficha tirada de Jerônimo Dalgal, biografia de São Pio X, Papa. É a famosa biografia que foi tão impugnada pelos progressistas, biografia de um franciscano que tem algumas coisas excelentes. Eu creio que ela está longe de ser uma biografia perfeita, mas tem coisas excelentes e a ficha se refere especialmente à atitude de São Pio X diante da música sacra.

Carta de São Pio X, ainda como patriarca de Veneza, datada de primeiro de maio de 1895, dirigida ao povo e ao clero de Veneza, por ocasião do oitavo centenário da consagração da Basílica de São Marcos.

Depois de uma breve introdução, o Eminentíssimo Cardeal Sarto recordava as grandes solenidades que acabavam de terminar por motivo do oitavo centenário da Consagração da Basílica de São Marcos. Insistiu em seguida sobre a finalidade do espírito da liturgia.

Então vêem agora as próprias palavras do Papa, quando ele era ainda Patriarca de Veneza.

A música e o canto na Igreja devem corresponder ao fim geral da liturgia, que é a honra de Deus e a edificação dos fiéis e também ao fim particular da Missa, que é o de excitar os fiéis à devoção, por meio da melodia e dispô-los a acolher em seus corações, com a maior prontidão, os frutos de graça que são próprios aos santos mistérios solenemente celebrados.

Assim, a música sacra, pela estreita união que mantém com a liturgia e com o texto litúrgico, deve participar do sumum grau de suas qualidades íntimas: santidade, bondade de arte, universalidade.

* A Igreja condena tudo que em música é ligeiro, vulgar, trivial, ridículo, profano, teatral

A Igreja tem condenado constantemente tudo que em música é ligeiro, vulgar, trivial, ridículo. Tudo o que é profano e teatral, seja na fórmula de composição, seja no modo de ser executado, sempre tem feito valer na música as razões da verdadeira arte, pelo que lhe deve muito a civilização, já que, pelo benéfico influxo da Igreja, a arte musical se desenvolveu através dos séculos aperfeiçoando seus diversos sistemas.

Por último, a Igreja tem pensado sempre na universalidade da música, segundo aquele princípio tradicional em virtude do qual, se uma é a lei da fé, também há de ser uma a forma de oração e, quanto seja possível, a norma no canto.

Usam-se maneiras novas teatrais, cujo caráter intrínseco é ligeireza sem limites e cuja forma melódica, se bem que sumamente agradável ao ouvido, está dulcificado até o exagero, cujo fim é o prazer dos sentidos, cuja andadura é o máximo do chamado convencionalismo e não há que dizer que, muitas vezes, tomaram as mesmas melodias teatrais, adaptando-as, de um modo muito mal realizado, aos textos sagrados.

Com maior freqüência, compuseram-se novas melodias, mas sempre segundo o modelo do teatro e com reminiscências daqueles motivos, reduzindo as funções mais augustas da religião a representações profanas; profanando os mistérios da fé ao ponto de merecerem a reprovação de Cristo: ‘Vos autem fecistis speluncam latronum — Vós entretanto a transformastes numa espelunca de ladrões’.

Muitos dizem que o povo não gosta mais de melodia gregoriana, que é inútil tentar demovê-lo de seu lugar de honra, que há perigo de que o povo deserte das funções litúrgicas por não escutarem mais os cantos e as músicas de que gostam, mas eu digo que somente o prazer nunca foi critério para julgar das coisas sagradas e que o povo não deve ser secundado nas coisas que não são boas, mas sim educados nos estudos”.

Que verdade profunda, hein! O povo não deve.

*_*_*_*_*