Santo do Dia (Rua Pará) – 27/8/1967 – Domingo [SD 251] – p. 5 de 5

Santo do Dia (Rua Pará) — 27/8/1967 — Domingo [SD 251]

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Relato sobre a lacrimação de uma imagem de Nossa Senhora de Fátima, no Rio * Entre os membros do Grupo as opiniões sobre as lágrimas são divergentes * Atitudes do padre encarregado da imagem * Nenhum dos membros do Grupo viu a imagem chorar * “E a ser autênticos, quando eles menos esperarem, a TFP do Rio fará uma visita lá com estandartes”

* Relato sobre a lacrimação de uma imagem de Nossa Senhora de Fátima, no Rio

Ontem à noite o Mário me telefonou, já tarde da noite, dizendo que estava chegando, enfim, tinha chegado há pouco de Jacarepaguá, onde se tinha dado o seguinte fato:

Há lá uma capela de portugueses, porque é um bairro de imigração portuguesa, uma capelinha pertencente a uma confraria, e é dedicada a Nossa Senhora de Fátima. Nessa capela existe um nicho. A capela está toda caiada e o nicho também caiado, mas é um nicho aberto, não é um nicho fechado. Nesse nicho existe uma imagem de madeira de Nossa Senhora de Fátima, que tem uma altura… é bem alta, talvez quase do tamanho natural. E ali vai um velho padre, reza, etc., funciona, enfim, como uma capelazinha que fica lá para as necessidades espirituais daquela zona. E essa imagem, segundo notícias dos jornais, tinha sido vista chorando.

Eles então foram lá para ver o que havia, e havia, de fato, o seguinte:

A imagem, segundo as narrações de ontem, durante dois dias da semana teria chorado. A primeira vez que viram a imagem chorar foi na noite de sexta-feira, se não me engano, em que se acabava de realizar uma novena, uma coisa em louvor de Nossa Senhora de Fátima. As pessoas tinham todas saído, e a senhora que toma conta da capela e que é, com o marido dela, a proprietária da imagem, fez vir recentemente a imagem de Portugal, essa senhora disse à filha: “Vá lá, apague as velas para fechar a capela”. Quando a filha foi apagar as velas, olhou finalmente para a imagem e viu que a imagem estava chorando. Então chamou a mãe, a mãe viu a imagem chorar também.

Produziu, naturalmente, uma efervescência no lugar, muitas pessoas entraram, etc., e de nove horas até uma da manhã, uma coisa dessas, a imagem lentamente chorava, vertia lágrimas.

Isso ocasionou muita efervescência. O padre teria dado então uma entrevista nos jornais declarando que essas lágrimas eram falsas, não passavam de gotas de parafina. No dia seguinte “O Dia”, que me parece que é um jornalzinho sensacional lá do Rio de Janeiro, de quinta classe, “O Dia” veio então dizendo que o padre se retratava, que se arrependia, que não eram lágrimas de parafina, que era uma coisa verdadeira.

* Entre os membros do Grupo as opiniões sobre as lágrimas são divergentes

Foi a essa altura que nosso pessoal foi ver então a imagem. Eles chegaram ontem lá, a imagem não estava mais chorando. Mas eles viram uma gota pendente do queixo da imagem e na bochecha do lado esquerdo. A certa altura, uma gotinha muito menor, mas líquida também, uma coisa que se via que era líquida. E no rosto o sinal que pode deixar sobre uma imagem o escorrer de uma lágrima, o escorrer de lágrimas.

Eles perguntaram ao padre, eles procuraram ver então de perto a imagem e as opiniões entre eles, no grupo do Rio, não coincidiram inteiramente. Porque alguns achavam que era uma coisa inteiramente líquida e com a consistência de água, de lágrima. Outros, entre os quais o Mário, achava que não, que tinha uma certa consistência de parafina e que, portanto, havia uma certa suspeição em torno do caso. Mas as opiniões ficaram assim.

Eles infelizmente esqueceram de levar a máquina de fotografia, de maneira que ficou tudo na mesma.

(Sr. –: …)

Foi bom você perguntar.

Aquelas mulheres recolheram algumas lágrimas numa salva de prata e as lágrimas, na salva de prata, tomaram a consistência, mais ou menos, de uma parafina. Mostraram-me até um papel… Como foi que isso me chegou às mãos? Foi Marcos que trouxe.

Está com você, ou não?

O Marcos tem aí um papel que traz uma lágrima. Dá impressão mesmo de uma coisa, eu não sei, invisível, é tão pequeno que não dá para se ver nada. No papel do Marcos, com o calor do corpo, a gente tem impressão que aquilo derreteu, praticamente não dá para ver nada.

* Atitudes do padre encarregado da imagem

Agora, eles voltaram então hoje cedo lá. Voltou Henrique, voltou um certo número deles, entre os quais o Marcos, o Mário. A imagem não chorou à noite.

O capelão que guarda lá a imagem é um barnabita de 82 anos, que eles tiveram impressão que era um homem muito ortodoxo, desses antigos, respeitáveis, que disse a eles que não está fazendo outra coisa senão seguir as normas tradicionais do Vaticano nessa matéria. Ele recebeu uma carta de D. Jaime dizendo que era preciso evitar a exploração no caso, então recomendando a ele que não desse entrevista aos jornais, nem nada. Que tudo quanto acontecesse lá, ele elaborasse um relatório e encaminhasse — os senhores pensam que é à Cúria, não é? — a Da. Alice Távora.

A Da. Alice Távora ficaria então incumbida de numa coluna que ela tem, parece que é no “Jornal do Brasil”, não sei onde, ir dando ao público a notícia, e que ela seria, portanto, uma porta-voz oficiosa da Igreja, a respeito desses fatos, para o Rio de Janeiro.

(Sr. –: …)

Fazer passar isso por uma senhora e por um órgão desses, não tem propósito nenhum.

E diz que essas lágrimas que caíam no chão, o pessoal do Rio ontem perguntou as lágrimas que caíam no chão o que tinham feito. Dizem que as lágrimas quando a pessoa toca, elas se desfazem. E por isso o padre proibia que se tocasse nas lágrimas. E que havia, portanto, na capela, toda uma atmosfera montada contra quem tocasse essas lágrimas, por isso eles não puderam tocar na lágrima.

Eles foram hoje lá, que a lágrima estava na mesma. Compreende-se, nessa versão, que as lágrimas não se acumulem no chão, porque tocadas elas se desfariam. E o padre disse a eles que deu ordem de jogar fora todas as lágrimas que tenham aparecido até agora, que essa é uma diretriz da Igreja, entende? A Igreja só toma em consideração essas lágrimas depois da primeira semana. Como se houvesse choros contínuos de imagens.

É uma coisa que não tem comentário, passemos adiante.

Amanhã apenas é que ele vai começar a recolher, mas que ele vai recolher numa ânfora e não dar a ninguém, porque isso depois tem que ser estudado. Porque até agora não valia a pena nem fazer a análise, que não se faz análise de lágrimas a não ser depois da primeira semana.

Tudo isso não tem eira nem beira.

Depois declarou que no século passado se fez assim e que houve um papa do século passado, cujo nome o Mário não deu, que diante de um crucifixo que vertia sangue, que foi levado para ele, tomou o crucifixo nas mãos e disse: “Eu vos adoro como Deus e vos quebro como obra de arte”. Quebrou o crucifixo e encontrou dentro uma esponja com um líquido que vertia sangue, não sei mais o quê. Então, aqui também é preciso ter o mesmo espírito cético.

Mas ele, padre, viu as lágrimas correrem, até foi o primeiro que viu. Na véspera do dia em que o povo viu, ele já tinha visto.

Quer dizer, que ele viu e não disse. É o que se deduz.

E ele na terça-feira à noite, sei lá quando, viu a imagem verter lágrimas. E que ele acha que não é coisa natural, mas que é preciso ter muito cuidado com o demônio, que é uma coisa que pode vir do demônio. De maneira que então é preciso tomar todo cuidado para não sermos enlaqueados pelo demônio nessa emergência.

(Sr. –: Nessa hora acredita no demônio…)

Como é? Ah, nessa hora acredita no demônio, nessa hora existe o demônio. Bem, é melhor não… Ahm?

* Nenhum dos membros do Grupo viu a imagem chorar

(Sr. –: …)

Ah, continua? Diz que as lágrimas que ele teve em mãos não têm nem o cheiro, nem outras características da cera.

O Mário objetou que a tal lágrima pendente do queixo de Nossa Senhora estava durando demais para ser água, que se teria desfeito, que então deveria ser parafina. Ele disse: “Não, pode ser que a lágrima tome essa consistência por ordem de Nossa Senhora, para poder durar”.

A imagem não chorou hoje e quarta-feira. Todos os outros dias chorou. Até agora ninguém do Grupo viu a imagem chorar. O tal telegrama de Fátima de que também em Fátima a imagem estaria chorando, não teve confirmação.

Esses são os fatos, de maneira que essa fita pode passar para todos os povos.

Comentários acho que…

(Sr. –: Dr. Plinio, o Mário telefonou para contar que hoje, na campanha do “Catolicismo”, que estão fazendo lá no Rio, parou o carro com o Costa e Silva, chamou um dos nossos, pediu um jornal, deu cinco contos e disse que poderiam ficar com o troco. Aí o Cury perguntou a ele se ele ia ler:

O senhor vai ler, Presidente?

Oh, como não.

E era o artigo do Frei.)

Ah, está muito boa.

Contar para o padre amanhã, viu, Plinio? Contar algo muito sinteticamente. Ou melhor, contar para o Fábio, amanhã, viu, Plinio?

Quem quer perguntar algo, muito sinteticamente?

(Sr. –: …)

* “E a ser autênticos, quando eles menos esperarem, a TFP do Rio fará uma visita lá com estandartes”

Eu esqueci de contar hoje à tarde. O Mário disse isso também, que constava lá que tinha vindo um telegrama de Fátima, para a portuguesada lá do bairro, dizendo que a imagem tinha chorado.

(Sr. –: …)

É, vamos ver um pouco como anda. Porque eu tenho impressão que a ser autêntico, ainda vai chorar muito mais. E a ser autêntico, quando eles menos esperarem, a TFP do Rio fará uma visita lá com estandartes … [inaudível]… e esse criado estará…

(Sr. –: Só a do Rio, Dr. Plinio?)

Bem, quem quiser ir de São Paulo e de outros lugares, não é, Valdemar? De todas as Bahias do Brasil podem estar lá presentes.

(Sr. –: …)

Bem, Argentina e Chile … É uma coisa. É, Argentina, Chile e Bahia.

Bom, há mais perguntas, senhores?

(Sr. –: Parece que ela começou a chorar no dia do Imaculado Coração de Maria?)

Terça-feira foi 22? É, então é isso mesmo. Imaculado Coração de Maria.

Mais perguntas ou considerações?

(Sr. –: Poderia ser, no caso de que não fosse verdadeira lacrimação, estar havendo uma outra verdadeira e haver algo para encobrir?)

Como é que você diz? Ah, no caso dessa não ser verdadeira?

(Sr. –: Poderia ser que houvesse uma outra imagem verdadeiramente chorando e isso estivesse sendo feito conscientemente?)

É possível. Mas aí a gente saberá também, porque se Nossa Senhora diz é para os homens saberem, não é?

Mais alguma coisa, senhores?

Então vamos dormir.

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