Reunião de 26/8/67 (Sede Rua Pará ‑ sábado) (rolo 225‑020) – p. 13 de 13

Reunião para o Grupo da Martim 1 (Auditório da Santa Sabedoria) — 26/8/1967 —— Sábado [rolo 225‑020]

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A misericórdia Divina é uma noção fundamental numa visão Con­tra‑Revolucionaria das coisas * A doutrina da Graça ensinada no Colégio São Luís. A realidade: Eu sou filho de misericórdia * Essa misericórdia, quê fundamento tem em Deus? * O papel de Nossa Senhora * Toda a nossa vida espiritual, é filha da misericórdia * A necessidade da cruz: se nós formos castigados nesse mundo, ainda não é o Reino de Justiça, é o Reino da Misericórdia * Sofrer com espírito de fé, com amor, aceitar de bom grado o sofrimento * Mistérios da dureza que a Revolução fez cair sobre os homens: Modorra frente às verdades fundamentais * Como gostaria de poder abrir àquela hora da noite a igreja, e de poder entrar sozinho na capela do Santíssimo Sacramento e ficar o resto da noite rezando lá * O deserto eucarístico * O pecado de Revolução gastou só símbolos e as palavras e fechou as almas *No Reino de Maria as almas vão começar a serem sensíveis. O relógio de São Rafael * O fato de Nosso Senhor estar presente no sofrimento, dava uma suavidade, uma tranqüilidade de alma, uma resignação, da qual o homem moderno já não tem nenhuma idéia * Um aspecto do Pecado de Revolução: insensibilidade córnea * Nossa procura do absoluto. O verdadeiro enlevo, que é o entusiasmo pela coisa enquanto ela é, sem preocupação de gozo pessoal * Não há coisa mais miserável do que a vida da alma que é egoísta * Afinal raia no mundo, a aurora do desinteresse * Um perfeito escravo de Nossa Senhora. * O papel de mediador do Sr. Dr. Plinio. Comentários segundo o Espírito do Fundador que tocam as almas

* A misericórdia Divina é um noção fundamental numa visão Contra‑Revolucionaria das coisas

C) ….A Cruz!

Crucem, a cruz; que ele a leve, pois nada existe que seja tão necessário, tão útil, tão doce ou tão glorioso, quanto sofrer alguma coisa por Jesus Cristo”.

Então, ele vai provar antes de tudo quanto é necessário: necessário, útil, doce e glorioso. São quatro proposições. Então, ele vai começar por provar como é necessário.

a) Nada tão necessário — para os pecadores:

Com efeito, queridos Amigos da Cruz, sois todos pecadores; não há um só dentre vós que não mereça o inferno, e eu mais que ninguém. É preciso que nossos pecados sejam castigados neste mundo ou no outro; se o forem neste, não o serão no outro”.

Essa afirmação de que todos nós mereceríamos o inferno, é uma expressão que pode parecer uma demasia, uma coisa assim maluca, e entretanto, não é. Ela se baseia na idéia, de que nenhum homem, é capaz de corresponder á graça de Deus, constantemente, durante a vida inteira. Já não se trata aqui da possibilidade do homem agradar a Deus com a graça, mas é uma outra idéia: dada a graça, se a graça for dada ao homem parcimoniosamente, apenas a graça necessária, o homem faz dela um tão mau uso, que ele acaba desmerecendo a graça de Deus, e que portanto ele a perde, e que por isso ele merece o inferno. Nesse sentido, só quem não teria merecido o inferno, seria Nossa Senhora, porque Ela em todos os dias de sua vida, correspon­deu de um modo perfeito a graça que Deus lhe dá. Então, isto coincide, com aquela doutrina dele, de que os homens todos são sapos, são escorpiões, são porcos, são isso e aquilo, que ele diz de cada homem.

Então, é coerente que ele ache que todos os homens, se não fosse a misericórdia Divina, se Deus tratasse os homens apenas pela justiça, todos os homens mereceriam o inferno. Esta noção, é uma noção que é fundamental numa visão Contra‑Revolucionaria das coisas. Como é fundamental na própria doutrina católica.

É a compreensão da maldade básica do homem, da maldade fundamental do homem, e portanto, de como nós devemos viver de pé atrás em relação aos homens, e em relação a nós mesmos. E isto vale também para os santos. E por isso, ele diz de si mesmo: ele mesmo, se não fosse a misericórdia de Deus, ele teria ido para o inferno.

A gente dirá: mas Dr. Plinio , isso não está em contradição com as palavras de São Paulo antes de morrer? “Combati o bom combate, etc.”. A resposta é muito simples: não está nem um pouco em contradição. São Paulo não diz que ele conseguiu combater o bom combate e que ele conseguiu fazer o percurso todo da pista por mera justiça de Deus. Ele diz que conseguiu aquilo, mas sem entrar na indagação. É claro que conseguiu pela misericórdia. Se Deus não tivesse sido misericordioso com ele, ele não conseguiria preencher as condições que lhe davam em justiça, o direito ao céu. De maneira que o céu é devido em justiça, a alma que morre bem, mas é devido à misericórdia que a alma morre bem, de maneira que todos nós, somos filhos da misericórdia, e com a mera justiça nós nos penderíamos.

* A doutrina da Graça ensinada no Colégio São Luís. A realidade: Eu sou filho de misericórdia

A esse propósito é preciso dizer que não é uma doutrina, eu insisto um pouquinho nela, não é uma doutrina muito esplanada no Colégio São Luís, e como nós somos numerosíssimos aqui alunos do Colégio São Luís, eu creio que vale a pena a gente desenvolver isso um pouco. A doutrina que ao menos se insinuava, não se ensinava, mas que ao menos se insinuava, no Colégio São Luís, no meu tempo de aluno era essa: Deus me dá a graça suficiente. Eu correspondendo inteiramente à graça, o que está inteiramente em meu poder, eu obtenho em Justiça de Deus, mais graças. E assim, eu vou merecendo de Deus promoção por promoção, até o estado em que eu deverei ficar quando eu morrer. E aí eu me apresento perante Deus, com um sorriso, de igual a igual e com um cheque na mão. Quer dizer: eu fiz, eu mereci, agora, cumpra sua palavra, honre sua promessa, porque eu fiz o que era de minha parte. Isso não é verdade. Eu sou filho de misericórdia. É verdade que com a graça suficiente, ela é suficiente mesmo e eu poderia corresponder a ela bem; mas é verdade que eu não vou corresponder. E é verdade que eu fico portanto, em débito perante Deus. E se não houver portanto uma intervenção contínua de misericórdia, a restaurar aquilo que eu usei mal, eu não vou para o céu. E isso, comanda as minhas orações com Deus. É um colorido, que entra em todas as perspectivas de minhas relações com Deus. Eu estou continuamente precisando da misericórdia d’Ele. E é por isso que a gente vê os maiores santos, morrerem, recomendando‑se à misericórdia d’Ele. Não é por um ato de humildade.

Quer dizer: eu no fundo de minha cabeça aqui sei, que eu vou me salvar por justiça mesmo, e me impondo à justiça de Deus mas, em última análise, eu vou ser humilde, e eu vou dizer que Deus tenha compaixão de mim.

Mas, não é não. Deus precisa ter compaixão de mim para que eu me salve, senão eu não me salvo. Quer dizer, a salvação é uma obra da misericórdia de Deus.

* Essa misericórdia, que fundamento tem em Deus?

Alguém poderá dizer: mas essa misericórdia, que fundamento tem em Deus? Porque compreende‑se que a Justiça tenha fundamento em Deus; que fundamento tem em Deus a misericórdia? Não sei se os srs. se lembram de uma conferência que eu fiz em que eu mostrava a virtude da misericórdia e o espírito conservador como são coisas conexa. Todo artista por exemplo, gosta de conservar as suas obras de arte. E ele gosta de conservá‑las porque são reflexos dele, de maneira que se uma obra de arte se estraga, ele por amor a si mesmo, ele trabalhará para conservar essa obra de arte. Ora, nós somos as obras de arte de Deus, e cada um de nós é uma obra de arte irrepetível de Deus. E Deus, por amor ao plano que Ele teve ao criar aquela obra de arte, Ele condescende em restaurar essa obra de arte e nisso está a misericórdia d’Ele. Não é no direito da obra de arte de ser restaurada por Ele. E é por isso que Deus usa para conosco, de um espírito conservador na misericórdia. E a misericórdia e o espírito conservador, são a mesma coisa. E o por onde o homem quer que tudo que existe e possa continuar a existir, continue a existir; e o por onde portanto, ele é conservador, que é essa espécie de amor a tudo quanto existe, isto, é uma perfeição, que é no homem análoga à perfeição de Deus sendo misericordioso. De maneira que o verdadeiro misericordioso é conservador. E o verdadeiro conservador é o homem de misericórdia. Essas são noções conexas. E que dão a noção de misericórdia Divina, mas é dessa misericórdia que eu vivo, eu não vivo de justiça de Deus.

* Aí se compreende o papel de Nossa Senhora

Aí também a gente compreende o papel de Nossa Senhora melhor. Porque se é para ter misericórdia, a misericórdia é um dom. Se é preciso ter esse dom, é preciso pedi‑lo. Mas como poderei ser ouvido? Só poderei ser atendido por misericórdia. Como posso obter misericórdia se eu não pedir? O modo que eu tenho é de uma pessoa como Nossa Senhora, cuja oração é perfeita e imaculada rezar por mim. Aí é a solução para o caso. Porque Ela sim, pode se ter certeza de que será obtida, sermos atendidos. Então se Ela reza por mim, se eu não tenho nenhuma razão para esperar ser atendido, Ela rezando por mim, eu sou atendido. Então, Nossa Senhora é a fonte entre Deus e os homens. É o canal da misericórdia d’Ele. É uma criatura que Ele criou, para que a misericórdia d’Ele se realizasse de um modo esplêndido. De maneira que então aí vem que Ela é Mãe de misericórdia, etc.

* Toda a nossa vida espiritual, é filha da misericórdia.

Então, nós compreendemos aí como toda a nossa vida espiritual, é filha da misericórdia. E uma vida espiritual que faça abstração disso, se torna insuportavel­mente pesada, insuportavelmente dura, insuportavelmente fria. Se nós não tivermos a idéia, tivermos só a idéia de um Deus justo, e mais nada em relação a nós, é‑nos impossível amar a Deus. Nós precisamos dessa idéia de um Deus misericordioso, que condescende conosco, tem pena de nós, que nos perdoe as nossas faltas; sem isso nós não conseguimos amar a Deus. É essa idéia desse Deus misericordioso, que ele inculca aqui subjacente a esse trecho.

* A necessidade da cruz: se nós formos castigados nesse mundo, ainda não é o Reino de Justiça, é o Reino da Misericórdia

Então, ele diz que todos merecem o inferno. E vem então, uma explicação da necessidade da cruz, para os pecadores: todos merecem o inferno, ora, se nós não formos castigados na outra vida, seremos castigados nesta. É melhor sermos castigados nesta vida, do que na outra. Portanto, as cruzes nessa vida, afastam de nós o inferno.

Se Deus nos castigar neste mundo de concerto conosco, Sua punição será amorosa. Quem há de castigar será a misericórdia, que reina neste mundo e não s Justiça rigorosa; o castigo será leve e passageiro, acompanhado de atenuantes e de mérito, seguido de recompensas no tempo e na eternidade”.

Quando nós formos julgados no fim do mundo, terminada a vida, o reino da misericórdia acabou, e começa o Reino da Justiça. Nós vamos ser julgados segundo a misericórdia e a Justiça. E depois nós vamos ser enviados para o inferno ou para o céu, de acordo com o verdictum final, que é da Justiça. Ora, diz ele, se nós formos castigados nesse mundo, ainda não é o Reino de Justiça, é o Reino da Misericórdia. Então, vem mil cruzes, é verdade, mas mil cruzes consentidas por nós, mil cruzes com atenuantes, mil cruzes com mil provas de amor; enquanto a outra, o tormento eterno, que nem sequer merece o nome de cruz. Quer dizer dores terríveis como no inferno.

Mas, se o castigo necessário dos pecados que cometemos, for reservado para o outro mundo, a punição caberá a Justiça vingadora de Deus, que leva tudo a sangue e fogo. Castigo espantoso, “horrendum”, inefável, incompre­ensível: quis novit potestatem irae tuae? — Quem conhece o poder de Tua cólera?

Castigo sem misericórdia, judiciem sine misericórdia, sem piedade, sem alívio, sem méritos, sem limite e sem fim”

É o castigo do inferno.

Sim, sem fim, esse pecado mortal de um momento que cometestes; esse pensamento mau e voluntário, que escapou a vosso conhecimento; essa palavra que o vento levou; essa açãozinha contra a lei de Deus, que durou tão pouco, será punida eternamente, enquanto Deus for Deus, com os demônio no inferno, sem que o Deus das vinganças tenha piedade de vossos soluços e de vossas lágrimas, capazes de fender as pedras. Sofrer para sempre, sem mérito, sem misericórdia e sem fim”.

É a antítese que ele põe: os sofrimentos dessa vida e os sofrimentos do inferno.

Será que pensamos nisso, queridos irmãos e irmãs, quando sofremos alguma pena nesse mundo? Como somos felizes por podermos trocar tão vantajosamente, uma pena eterna e infrutífera, por outra passageira e meritória, carregando nossa cruz com paciência!

Quantas dividas temos a pagar, quantos pecados temos para cuja expiação, mesmo após amarga contrição e confissão sincera, será preciso que soframos no purgatório durante séculos inteiros, porque nós contentamos nesse mundo, de penitências leves demais”.

* Sofrer com espírito de fé, com amor, aceitar de bom grado o sofrimento

Ele então já passa para o purgatório, porque o mesmo se dá com o purgatório.

Ah, paguemos neste mundo, de forma amigável, levando bem nossa cruz. Tudo deverá ser pago rigorosamente no outro, até o último centil, mesmo uma palavra ociosa. Se pudéssemos arrebatar ao demônio o livro de morte, onde anotou os nossos pecados todos e a pena que lhes correspon­de, que grande “debet” verificaríamos e como nos sentiría­mos encantados em sofrer durante anos inteiros neste mundo, para não sofrer um só dia no outro”.

Aqui vem então, um pensamento que a pessoa deve ter quando sofre. A maior parte das pessoas quando sofre, sofre inconformada. Não se lembra do inferno. Deve dizer; não se lembra do purgatório; e a pessoa deve dizer: como me alegro de sofrer. Eu estou sofrendo agora, mas esse sofrimento vai me ser desviado; esse sofrimento vai me tirar outro, mil vezes pior. Isto aqui afinal de contas passa, por pior que seja acaba. E o sofrimento nessa terra é menos ruim do que o no purgatório, para já não falar no inferno. Então, com espírito de fé, com amor, abraçar esse pensamento e cada vez que se sofre, aceitar de bom grado esse sofrimento. Como isso é uma coisa boa.

* Mistérios da dureza que a Revolução fez cair sobre os homens: Modorra frente às verdades fundamentais

Há uma coisa curiosa no meio disso que é a seguinte: e faz parte da crise religiosa do Ocidente; quando um pregador dizia coisas dessas na Idade Média, as almas se comoviam, os pecadores muitas vezes se arrependiam, as pessoas mudavam de vida. Eu não sei o que aconteceu, e o que caiu sobre o gênero humano, que essas verdades tão fundamentais, que todos nós deveríamos amar, encontram uma espécie de modorra no homem contemporâneo, e mesmo dos homens piedosos.

E uma tal modorra, que os santos meditavam essas verdades com delícias. E eu tenho uma certa vergonha de desenvolver isso aqui. Tenho uma certa vergonha de desenvolver, com a sensação de estar de dentro de uma coisa, tão banal, tão sabida, que as pessoas se espantam de eu estar dizendo o que estou dizendo. E entretanto se nós formos ver que proveito disso nós tiramos para a nossa vida espiritual, é muito bom. E são conselhos de Nosso Senhor: meditai em vossos novíssimos e não pecareis eternamente. Novíssimos são a morte, o juízo, o céu e o inferno. São os 4 novíssimos do homem. São as últimas coisas que lhe sucederão. Eu não sei o que há, que isto, a meditação sobre a bem‑aventurança do céu, a meditação sobre a visão beatífica, todos os mil enlevos que deveriam decorrer daí, tudo isso, acabou ficando como fontes estancadas; e que a gente procura tirar alguma água para a vida espiritual, de dentro disso, as almas não se dessedentam com isso, não se abeberam disso, nem se dessedentam com isso.

Pensamentos as vezes menos importantes, menos nobres, menos….., produzem um efeito maior do que este.

Ora, não é razoável que isso seja assim. Para quem tem fé, não é razoável. O que pode mover mais alguém a aceitar a cruz do que isso? Entretanto, acaba sendo — e eu tenho impressão que os srs. sentem isso na própria pele — acaba sendo que isso está seco. Está como uma fonte que estancou.

E os srs. vêem aí os mistérios da dureza que a Revolução fez cair sobre os homens. Porque essa mesma coisa, essa mesma atitude de alma do homem contemporâneo, é para a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, é pela meditação do amor misericordioso d’Ele. É para a meditação sobre a Sagrada Eucaristia, por exemplo: Deus que está só e na Sagrada Eucaristia, e que não tem quem O adore, e que está continuamente oferecendo reparações por nós no Santíssimo Sacramento, etc., não diz nada. É uma coisa curiosa, mas não diz, diz pouco. São meditações que dizem pouco.

Eu vou dizer mais: eu tenho impressão

(…)

Isto é o melhor suco e o melhor leite da vida espiritual, é a flor da farinha da piedade.

São os pensamentos que Nosso Senhor trouxe para nos salvar. Nossa Senhora ditou a Santo Inácio em Manrresa, meditações com base em considerações dessas todas de que eu acabo de falar aqui.

* Como gostaria de poder abrir àquela hora da noite a igreja, e de poder entrar sozinho na capela do Santíssimo Sacramento e ficar o resto da noite rezando lá

Entretanto, qualquer coisa secou. É inútil dizer, mas qualquer coisa secou. Eu vejo as vezes por exemplo, eu estou voltando do Jordano ou qualquer coisa assim, passamos pela igreja da Consolação e o automóvel passa a pequena distância das janelas que a gente vê que são do tabernáculo, da capela do Santíssimo. Ali dentro está o tabernáculo. Certamente, não (…) vazio! A gente comenta um pouco: que maravilha deve estar se passando dentro dessa capela. A gente pensar o que é uma capela qualquer do Santíssimo Sacramento, as 2,00 da noite, as 3,00 horas da noite, no auge da solidão. As coisas inenarráveis que Nosso Senhor está dizendo para as outras Pessoas da Santíssima Trindade. Os anjos e os santos todos que estão ali presente pelo menos pela atenção e pelo espírito adorando. Depois, aquele silêncio próprio de capela do Santíssimo, com aquela luzinha acesa, aquela lamparina vermelha, um desses silêncios onde os menores estalidos se ouvem, onde os ruídos da rua passam cortando o ar, como se fossem profanações, mas cessam imediatamen­te também e depois um longo silêncio grosso de solidão, de abandono, de recolhi­mento, de soledade, que coisa magnífica a soledade; um silêncio deste impregna a capela. Como a gente gostaria de poder abrir àquela hora da noite a igreja, e de poder entrar sozinho na capela do Santíssimo Sacramento e ficar o resto da noite rezando lá. E para isso, o verdadeiro é ir sozinho, Não é ir nem sequer com companhia. Mas ter essa sensação de que Nosso Senhor está ali só para a gente, de que Ele não presta atenção em mais ninguém e que a gente penetra a bem dizer, no Coração d’Ele como penetra dentro da capela do Santíssimo Sacramento. Ter ali uma imagem de Nossa Senhora para quem rezar. E até as primeiras claridade da aurora, a gente estar numa espécie de envolto nesse mistério de oração, nesse fluxo de orações, que há ali dentro. Isso é uma coisa verdadeiramente celeste. Ainda que seja uma coisa insensível, a gente sabe que é daquele jeito.

* O deserto eucarístico

Alguém dirá: mas Dr. Plinio, que diferença faz noite e dia? O Sr. pensa que Nosso Senhor adora menos ao Padre Eterno durante o dia do que durante a noite? E que nossos miseráveis barulhinhos terrenos, são capazes de perturbar a Ele?

Certas coisas não se sofismam assim. Por exemplo, São João Batista ia para o deserto rezar, Nosso Senhor ia para o deserto rezar. Deus está tão presente nos desertos, quanto está presente nas cidade. Mas há uma graça, no deserto, há uma graça da solidão total no deserto, onde a gente tem a impressão de que Deus, na solidão d’Ele, se manifesta melhor ao homem que está só. E que Ele…. o homem, que Ele abraça o homem, e que o homem, como que pode abraçá‑lo melhor também. E este é exatamente o deserto eucarístico, que é uma capela do Santíssimo Sacramento à noite.

E se não fosse chamar a atenção, a gente teria vontade, de uma noite parar um automóvel bem junto ao muro, à parede da capela do Santíssimo, a ficar adorando do lado de fora. São coisas tão verdadeiras e tão evidentes. A agente presta atenção, nos automóveis que passam a toda velocidade, quem é uma alma que se lembra de Deus dentro disso? Quem é uma alma capaz de fazer uma jaculatória pelo menos ao Santíssimo Sacramento?

Pior! Aquele pessoal todo vai descansar, ele está vindo do pecado, ele está indo para o pecado, ele vai descansar para pecar, ele vai descansar do pecado. Aí está no meio daquela praça Roosevelt, por exemplo, a igreja da Consolação, e aquele transito todo. Então, o abandono de Nosso Senhor ainda fica mais pungente.

Não é mais uma boa aldeia piedosa, que dorme na paz d’Ele e em torno d’Ele, mas pensem em toda aquela coroa, com aquele cárcere de edifícios altos que estão ali em volta, quantos pecados àquela hora estão sendo cometidos ali. Boites em baixo, etc. Quantas almas que comungam, todos os dias, passam por uma capela dessas, não tem um pensamento, para essa situação; mas um! Acontece, acontece. Agora por que isso? É ou não é verdade que é porque essas coisas acabaram um tanto gastas? Mas gastas, não está nelas, está em nós, porque elas são eternas, elas são insondáveis. O gasto está em nós.

* O pecado de Revolução gastou só símbolos e as palavras e fechou as almas.

Agora, qual é esse gasto que está em nós? Porque isto está gasto? Que mistério houve para que essas coisas sumamente tocantes, tenham deixado de tocar? Eu me lembro com horror, o dito de (…) aggiornamentista “avant la lettre”, ele dizia: todos esses símbolos tem que acabar, o hábito dos franciscanos; depois ele me dizia: a cruz dos passionistas, oh,oh, celulóide; aliás, a cruz não, aquele coração dos passionistas. E ele falava: devoção ao Coração de Jesus, o coração é um símbolo que não fala mais, todos os símbolos estão gastos e vão ser renovados. Se não fosse uma coisa estratégica, que me impedia de falar com ele, (…) são símbolos que estão gastos ou as realidade que estão gastas? Porque o Sr. julga que as realidades expressas por esses símbolos, mudando de símbolos, voltariam a falar aos homens? Que ingenuidade é essa? Experimente fazer um sermão sem símbolo, a respeito disso, e note a coisa tremenda: esta verdade não está gasta apenas na alma do pregador, na alma do fiel, mas ela nasce gasta nos lábios do pregador. Ela está gasta para o pregador, e ela está gasta para o fiel. E é claro que este gasto, é o resultado do pecado da Revolução.

Entra nisso o pecado de Revolução. Quer dizer, a Revolução instaurou na alma humana, uma forma de dureza, uma forma de frieza, que gastou essas coisas e que fechou as almas para isso.

*No Reino de Maria - eliminado o pecado de Revolução- as almas vão começar a serem sensíveis. Exemplo do relógio de São Rafael

E nós devemos considerar que no Reino de Maria isso vai ser diferente. Devemos considerar que eliminado o pecado de Revolução, pelo Reino de Maria, as almas vão começar a serem sensíveis para isso. Vão aparecer de novo as almas que a gente via outrora, chorando ao fazer a Via Sacra. Eu ainda peguei no meu tempo de pequeno, a gente ia à igreja de vez em quando durante o dia, encontrava uma pessoa ou outra fazendo a via Sacra, horas perdidas dentro da igreja, que são as horas mais simpáticas, 3 ou 4 horas da tarde (…) para tratar com os homens. A gente chega à igreja e vê uma pessoa: é uma velha, é uma mocinha, é um menininho fazendo a Via Sacra, calmamente, lentamente, meditando cada um daqueles passos, como isso deveria falar para as almas. Mas, gastou.

Eu me lembro que as cozinheiras pretas de casa tinham um relógio, aliás era uma mulher doente, era reumática, tinha qualquer coisa, e uma vez que eu vi o quarto dela, me chamou a atenção encontrar um relógio dela, um desses despertadores ordinários, chamado relógio de São Rafael. Então, no mostrador do relógio — mas como artigo muito barato — em cada hora, estava descrito por meio de uma figurinha o que Nosso Senhor na Paixão d’Ele tinha feito àquela hora. Então, todas as horas da Paixão estavam ali, e era um relógio de doente. É o relógio que ficava à cabeceira do doente, quando o doente começava a achar longa a sua doença, quando ele começava a achar que o tempo estava custando para passar, ou quando chegava a hora da dor pungente, da preocupação mais tremenda, ele olhava para o relógio, e dizia: na hora em que eu estou sofrendo isso, Jesus penetrava no pretório de Pilatos. Ou nesta hora, em que eu estou sofrendo por exemplo, as constrições de uma angina, Jesus tinha Seu flanco transpassado, Seu coração, pela lança de Longinus.

E apreendo a descansar, era encontrar uma distensão, eu me lembro que ainda perguntei para ela: você reza isso? Você olha para isso? Ela deu uma risada assim com uma certa bonomia e disse: se olho!

Eu saí pensando com meus botões: como é bem diferente (…) Se é que se pudesse dizer que eu tinha complexo com ele, mas era sempre ele. Era um ursinho de bronze, muito bonitinho, em cima de uma arvore, uma chapa de….., segurando o relogião de ouro dele, muito pontual e perfeitamente inexpressivo. Eu pensava com meus botões: eu preferia ser a negra, do que ser ele. Desde que eu tivesse alma para entender esse relógio, e não tivesse as pontualidades dele que eu detesto. É evidente. Mas por quê? Porque (…)…

Imaginem eu acordar durante a noite, vira do lado direito para o esquerdo, operação deliciosa sobre colchões inteiramente fofos, estrados, etc., ele se virar durante a noite e alguém dizer: a esta hora, Cristo começou a suar sangue no Horto das Oliveira: oh que horror!

Não é um amigo da cruz. Amigo da Cruz, era a negra, essa sim, a cozinheira.

Porque esses relógios de tal maneira deixaram de existir que eu tive uma dor pungente, quando há anos atrás (….) e ele mostrava para todo mundo que nunca tinha visto um relógio assim, como se fosse uma verdadeira curiosidade: olhe lá, como os antigos eram piedosos. Isto, o Coração de Jesus, aquela livraria, do Coração de Jesus (…) vendia para as negras do bairro, no tempo em que eu era menino. É um lindo pensamento este, mas é lindo, eu tenho certeza que nessa sala não haveria um que não gostasse de ter um relógio como esse. Isso sumiu tão completamente que 50 anos depois, é mostrado com uma curiosidade como quem mostraria um amuleto, tirado de dentro de um sarcófago de uma múmia egípcia. Os srs. estão vendo portanto como isso sumiu, como isso desapareceu.

* O fato de Nosso Senhor estar presente no sofrimento, dava uma suavidade, uma tranqüilidade de alma, uma resignação, da qual o homem moderno já não tem nenhuma idéia

Eu me lembro que uma vez ou outra quando era pequeno, eu ainda ouvia as criadas, uma pessoa ou outra, umas interjeições dessas: pelo sangue de Cristo, não faça isso! Ou então, velhos documentos pontifícios, pedindo que Fulano não fizesse isso, ou Sicrano não fizesse aquilo, pelas entranhas de misericórdia de Nosso Senhor Jesus Cristo. Vinho, — Lacrima Christi — vinho dulcíssimo, que a lágrima de Cristo era cheia de doçura e de misericórdia. Trepadeira “lacrima Christi”, que nós temos aqui, e que o branco da flor, tem uma pétala vermelha e é um pouco de sangue misturado numa lágrima cristalina e puríssima de Jesus Cristo. Ele suou sangue. Essas coisas eram sagradas.

As pessoas se aproximavam com um senso sacral, um enlevo, uma admiração, uma ternura enorme. Na Semana Santa, ainda havia qualquer coisa dessas, as pessoas se vestiam de preto, não se fazia barulho, as crianças não podiam falar alto, os motores não funcionavam, as chaminés das locomotivas não apitavam. E uma espécie de doçura de dor, pairava sobre toda a humanidade. Aí a gente compreendia o que São Luiz Grignion fala da suavidade do sofrer. Porque, o Nosso Senhor estar presente nesse sofrimento, dava uma suavidade, dava uma tranqüilidade de alma, dava uma resignação, da qual o homem moderno já não tem nenhuma idéia, nenhum conhecimento. A preta é que tinha, ela é que compreendia bem isso. Mas, infelizmente isso passou e passou completamente (….).

* Um aspecto do Pecado de Revolução: uma insensibilidade córnea

Entretanto, São Francisco de Assis, quanto chorou aos pés de um crucifixo. Santo Afonso de Ligório, quanto o osculou.

Quantas almas, não maculadas pela Revolução, eram sensíveis para isso. Aí a gente compreende um aspecto do pecado de Revolução, que é uma insensibilidade córnea, e que é uma coisa que a gente tem dificuldade em definir e em explicitar. Mas, que faz com que diante dessas coisas, as almas não liguem e simplesmente não liguem.

Alguém me dirá: Dr. Plinio , o Sr. está fazendo uma grande confusão. Porque o Sr. está falando de piedade sensível e a piedade sensível, a sensibilidade com a piedade não tem relação com a Revolução. Isto é uma concessão de Deus, que dá o dom das lágrimas ou não dá. E as vezes há mais mérito em não ter essa sensibilidade do que ter.

É bem verdade, mas do que eu estou falando não é só a sensibilidade; é de algo por onde esses raciocínios moviam as almas e hoje não movem mais. É uma coisa que impressiona, simplesmente impressiona.

Para arrematar isso, os srs. prestem atenção: como na terminologia da Igreja não‑constantiniana, tudo isso está passado. Concílio, todos os documentos pontifícios, essas coisas, uma palavra onde a gente sinta por exemplo o fervor pelas chagas de Cristo, nunca!

Portugal, por exemplo, que colocou as chagas de Cristo na sua bandeira, que coisa admirável o que isso significa. Não tem nada desse fervor. É exatamente um efeito do pecado de Revolução e que é uma espécie de dureza de alma, de falta de ternura da alma, de falta de enlevabilidade, de frieza e a qual corresponde uma forma requintada de egoísmo.

* Nossa procura do absoluto. O verdadeiro enlevo, que é o entusiasmo pela coisa enquanto ela é sem preocupação de gozo pessoal

E aí os srs. compreendem também uma outra coisa: a nossa famosa procura do absoluto como está ligada a isso.

A alma picada pela Revolução, não se incomoda com o absoluto. A gente mostra para ela, a coisa mais sublime, desde que não tenha relação com uma vantagem dela prática, da vida de todos os dias, ela não se incomoda. A gente chegar por exemplo para uma alma picada pela Revolução,— ontem nós estávamos falando longamente dos uniformes militares antes da guerra de 14. Então se nós mostrásse­mos um álbum a uma almas picada pela Revolução,— um álbum com uniformes militares de antes da guerra de 14, essa alma poderia achar isso agradável aos olhos, e portanto, proporcionando um prazer, um prazer para uma hora de lazer, para se divertir. Mas ter um verdadeiro entusiasmo: que beleza o estado militar, que beleza a força a serviço do bem e da verdade, como é magnífica a aristocratização da força, como a cultura européia inventou uma miríade de obras primas com os uniformes militares do século passado, a cultura católica européia.

Não tem alma para isso! Considerações dessas, não dizem nada, porque não tem uma vantagem pessoal dentro de tudo isso. São secas e frias para isso. Completamente. Elas só se preocupam com aquilo que é vantagem para elas, o resto não lhes diz nada. Essas são as tais almas ineleváveis, não tem enlevo. Elas tem umas fruições, mas verdadeiro enlevo, que é o entusiasmo pela coisa enquanto ela é a tal, e sem preocupação de gozo, esse verdadeiro enlevo, essas almas não tem. O egoísmo é tal, que elas só são capazes de pensar no seu próprio gozo. E não pensam em mais nada.

Por isso também estão fechadas para a Paixão de Cristo. Estão fechadas para esse pensamento aqui. São as almas duras, as almas frias.

* Não há coisa mais miserável do que a vida da alma que é egoísta

Se a gente quer ter a idéia de uma alma em diâmetro oposto a isso, agente pode por exemplo pegar aquela fotografia de Santa Terezinha do Menino Jesus menina. Cheia de enlevo, mas em que ela ama uma porção de coisas, por não serem ela. E não é por darem vantagem a ela, mas é porque as coisas são como elas são. Aquelas famosas meditações que ela fazia, nos Buissonnets, em que ela olhava para as estrelas, etc., eram coisas que ela não amava como um egoísta pode amar, porque gosta de olhar para estrela, mas é porque a estrela é estrela. É o tal famoso cego bom de Veneza, de que há anos atrás nós falamos. Mas quão poucas são as almas que são assim.

Depois o que tem de tremendo, é que o demônio, isto que ele promete, é precisamente o que ele quer tirar. Ele promete às almas, que elas sendo egoísta, vão encontrar o prazer na vida. Não há coisa mais miserável do que a vida da alma que é egoísta. É completamente miserável. O único prazer da vida, é ter uma alma enlevada, enlevável, enlevada e que vive do enlevo desinteressado. Esse é o único prazer da vida, o resto da vida não tem prazeres. Mas, mais uma vez, quantos ignoram isso. E daí a secura das almas para com as nossas coisas.

* Afinal raia no mundo, a aurora do desinteresse.

Se alguém portanto quiser ter uma noção do que vai ser o Reino de Maria, deve imaginar almas completamente diferentes das almas de hoje. E almas capazes de se tocarem desinteressadamente.

Afinal raia no mundo, a aurora do desinteresse. Almas capazes de se tocarem desinteressadamente, por essas coisas. E de amar essas coisas por elas serem elas e não por serem qualquer outra coisa.

Até — já que nós estamos falando bem disto — é uma coisa que não é claramente enunciada por São Luiz Grignion de Montfort, mas eu dizendo, todo mundo percebe que está por detrás, no conceito da sagrada escravidão de São Luiz Grignion de Montfort, o que tem é precisamente isso: o escravo é aquele que renuncia a ter qualquer interesse. Ele renuncia a direitos próprios, ele só tem os direitos mínimos do direito natural, os inalienáveis. A todos o outros, ele renuncia. Ele renuncia a vantagens próprias, ele renuncia a interesses próprios, ele renuncia quase que se diria ao seu eu próprio. Porque ele compreende que essas coisas não são nada; são puro egoísmo e trazem consigo a frustração de todas as amarguras. E ele funde‑se em Nossa Senhora, que é Senhora dele; ele se torna escravo d’Ela, porque ele não quer fazer outra coisa, senão contemplá‑La, admirá‑La, admirar só a Ela, contemplar só a Ela, e todo o prazer dele, é exatamente em que tudo que seja conforme a Ela na terra, viva, prospere, independente dos interesses dele.

* Um perfeito escravo de Nossa Senhora

Um perfeito escravo de Nossa Senhora, seria de tal maneira, que ele teria incomparavelmente mais ventura em ser lixeiro no Reino de Maria, do que ser um duque na Inglaterra ou um milhardário nos EUA.

Mais ainda: um verdadeiro escravo de Maria, no Reino de Maria, gostaria mais de ser o último, não ter nenhuma vantagem pessoal, para contemplar desinteres­sadamente aquele quadro no seu cantinho, do que ele ser um ator do centro da cena. E são almas assim, que o “Grand Retour” deve suscitar. Almas nesse ponto escravizadas ao enlevo, escravizadas ao ideal, e que já não procuram mais nada para si. E que, afinal, encontram paz para suas almas.

Mas, isso supõe graças muito especiais, graças verdadeiramente de “Grand Retour”. Graças de uma renuncia interna, que tanto dá no heroísmo dos Macabeu, quanto dá no isolamento dos eremitas, quanto dá na pequena via de Santa Terezinha, quanto dá em todas as formas de santidade, mas não dá nesse egoísmo que a Revolução criou.

Aqui estaria uma meditação sobre um dos aspectos mais fundamentais do que é a cruz.

Porque, o que é a cruz? A cruz é o conjunto de renúncias, que a gente faz para ser assim. Isso é a cruz. E quando a gente faz esse esplêndido negocio, a gente percebe que de fato toma uma cruz sobre os ombros, mas que é bem verdade, o que dizia o Cura de Ars, que a vida dos que vivem segundo a cruz, é como um manto de espinho, forrado de arminho. E que a vida dos que vivem segundo o seu egoísmo, é como um manto de arminho forrado de espinho.

Quanta coisas existe para a alma nesta vida de enlevo. Que miséria existe no contrário!

* O papel de mediador do Senhor Doutor Plinio. Os comentários segundo o Espírito do Fundador que tocam as almas

(Intervenção: quando o Sr. comentou o Tratado de São Grignion, eu acompanhava digamos razoavelmente, mas quando o Sr. comentou esse mistério de que….mais, a coisa tomou outro calor. O Sr. poderia explicar algo a respeito disso de novo?)

A questão é a seguinte: é que no Reino de Maria, essas coisas todas, vão tomar um calor novo. E como o Reino de Maria está nascendo entre nós, é explicável que o comentário feito entre nós com nossa linguagem, com nossos matizes, com as nossas perspectivas, tenha alguma coisa de vida nova de todas essas coisas. De maneira tal, que se isso fosse comentado, segundo os padrões correntes, não teria essa espécie de poder que tem comentários dentro de nossos padrões e conforme o nosso espírito.

Isso é a meu ver uma indicação de que a graça quer exatamente, a linguagem do Grupo, o espírito do Grupo, eu quase diria o bafo do Grupo, para dar vida a essas coisas.

E que isto é bem o papel de mediador que o Grupo exerce em relação a cada um de seus membros, por onde o espírito dele, a coisa vem condicionada, vem adaptada e modelada para uma primavera nova. É bem a aurora do Reino de Maria.

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1 Estava como “Reunião de sábado”. Nos Sábados à tarde eram realizadas reuniões para os membros do Grupo da Rua Martim Francisco, na Sala dos fundos da mesma sede; e, no domingo, para os membros da Pará, na Sede do Reino de Maria, da rua Pará.