Santo do Dia (Auditório da Santa Sabedoria) – 14/8/1967 – 2ª-feira – p. 6 de 6

Santo do Dia (Auditório da Santa Sabedoria) — 14/8/1967 — 2ª-feira

Nome anterior do arquivo: 670814--Santo_do_Dia_2.doc

Europeização: comentário de praça em Bremen



...14 de agosto do ano de 1966 foi assinado pelo Conselho Nacional da TFP, junto ao Monumento do Ipiranga, a súplica a Nossa Senhora Aparecida pedindo que Ela não permita que o divórcio entre no Brasil. Hoje é o último dia da novena da Assunção de Nossa Senhora e estamos na novena do Imaculado Coração de Maria.

Nós devemos comentar hoje um monumento europeu na tendência a levar adiante... num esforço para levar adiante aquela campanha de europeização de que eu tive ocasião de falar aos senhores.

Essa europeização não significa a perda das características nacionais no que elas têm de louvável, mas significa apontar para a cultura nacional um horizonte magnífico, um horizonte europeu em que nós possamos nos inspirar para dar mais vôo às nossas produções e às nossas criações. Então para este efeito é que está sendo movida esta campanha de europeização.

Especialmente a campanha visa mostrar o seguinte: o gosto que a cultura européia revelou pelo maravilhoso, entendido maravilhoso no seguinte sentido da palavra: que se trata de fazer coisas que não só sejam bonitinhas, não só engraçadinhas, não só agradáveis para se considerar debaixo de um ou de outro ponto de vista, mas coisas de um grande valor de uma grande categoria e que produzem no espírito uma sensação de entusiasmo, uma coisa tão bonita que pareça meio colocada fora da ordem humana e que, pela sua nobreza, pela sua elevação, prepare o espírito para ter apetência das coisas divinas. É, portanto um instrumento natural para dirigir, para dispor as almas para receberem o auxílio sobrenatural da graça e para esperarem o céu, para esperarem os grandes dons que Deus reserva na outra vida àqueles que lhe são fiéis nesta vida.

Eu tive oportunidade de comentar com os senhores a atitude de alma do caiçara — se chama de caiçara aqui em São Paulo, não sei se em outros estados também o caboclo do litoral — que, vivendo em panoramas marítimos magníficos faz a sua choça muitas vezes com os fundos [defeito na gravação] e que não aprecia o mar. O mar é apenas um depósito líquido onde tem peixes que a gente pode pegar sem grande esforço. Panorama de interior, ter entusiasmo por um ipê dourado, ter entusiasmo por um flamboyant, ter interesse por um grande panorama, com uma montanha, com um rio; nada disso. O gosto é apenas uma vidinha prosaica em que o maravilhoso existente em nossa terra não ocupa praticamente lugar.

Então, para corrigir esse ranço, que é a inapetência do maravilhoso, nós exatamente fazemos uma série de comentários... no mês, deve ser feito na primeira segunda-feira de cada mês, para que possam alcançar ainda muitas das pessoas de outros estados que estão aqui, mas no mês de agosto faz-se uma pouco atrasado no dia de hoje, um comentário por mês de um panorama europeu.

E aqui os senhores têm um panorama alemão da cidade de Bremen. Bremen é uma das mais gloriosas cidades medievais da Alemanha. A cidade de Bremen, de Hamburg, de Lübeck e de Dantzig eram as quatro cidades que eram os pivôs da Liga Hanseática. Eram cidades burguesas, que adotavam uma forma de governo burguesa, em que o operariado elegia… as populações elegiam uns tantos representantes que constituíam a câmara municipal, mas de fato o governo da cidade acabava tocando a uma oligarquia de famílias, que constituía uma aristocracia monetária, de famílias que se dedicavam ao comércio e à industria. Nessas cidades elas se ligaram e formaram a famosa Liga Hanseática, que chegou a ter marinha própria, marinha de guerra própria e era tão rica que emprestava dinheiro até aos imperadores do Sacro Império Romano Alemão e que durante algum tempo foi uma das maiores potências da Europa. Estas cidades tinham… esta Liga tinha por assim dizer quatro capitais e uma dessas capitais era Bremen. E acontece exatamente que, como essas cidades eram governadas pelas prefeituras e que a prefeitura era o símbolo da autonomia da cidade, eles procuravam fazer paços municipais muito bonitos e muito dignos. E daí os senhores terem nos Países Baixos e na Alemanha, que eram lugares de municipalismo muito desenvolvido, os senhores terem paços municipais que eram verdadeiros que eram verdadeiros palácios régios.

E então, na cidade de Bremen os senhores têm aqui o paço municipal, Rathaus, ou Casa do Conselho, que é este edifício que está aqui. E depois os senhores têm aqui uma praça, os senhores têm um edifício que dá para uma praça e os senhores têm ao fundo a Catedral. De maneira que a Catedral e isto constituem para uma pessoa colocada nesta perspectiva, um só conjunto, um só golpe de vista. Os senhores estão vendo que o palácio que continua para cá, tem dependências, tem edifícios análogos que encostam aqui na Catedral, que a praça é de uma forma irregular, mas que convém a uma certa simetria com esta disposição, provavelmente mais recente, mas que foi posta ali de modo judicioso e muito adequado, porque não só evita que a porta fique como praça de certas cidades…

(…)

praça simétrica, chão batido e aquelas circunvalações, com poças d’água, com milho, com galinha, com pinto, com criança e ao contrário das obras de Deus: sem conta, sem peso nem medida.

Essa praça meio irregular recebeu uma espécie de centro de gravidade com isso e depois procuraram fazer uma coisa bonita, porque fizeram uma espécie de mosaico com pedras. Os senhores estão vendo que isso aí dá uma impressão de um canteiro, mas um canteiro sem flor. A gente quase não pensa nas flores quando olha para isso aqui, não é? Ficaria mais bonito um chafariz, mas por razões que são fáceis de intuir e que um dia eu poderia explicar, o jato de água horripila.

Houve tempo que tiveram necessidade de usar isso para fazer andar a Revolução, então foral os grandes jatos de água de Versailles, etc., etc. No século passado ainda houve alguns jatos de água burgueses e bojudos, mas depois desapareceram completamente. Os senhores prestem atenção, no urbanismo moderno não se usa jatos d’água. Uma coisa que poderia, por exemplo, atenuar a irremediável feiúra…

(…)

se fizessem em algum lugar, um jato d’água elegante, leve, bonito, que… vamos dizer, até com estas técnicas modernas de iluminar, com coloridos diversos… Os senhores precisavam ver o que é no Champs-Élysée, sobretudo, no Bois de Boulogne… no Champs-Élysée, não; no Bois de Boulogne, o que é que é os jatos de água que têm lá, em que se coloca luz no fundo do reservatório e têm umas luzes douradas, azuladas, esverdeadas, avermelhadas, depois sai o jato cor de champagne, cores magníficas assim. A gente tem a impressão de pedras líquidas, preciosas; são topázios, são ametistas que estão continuamente… rubis, berilo que estão continuamente subindo e caindo.

Os senhores têm aqui nessa praça algo que deve ter sido uma fonte, que acho que poucos verão, e que é uma torre colocada num lugar assimétrico mas que é antiga e que condiz com o monumento.

Esse edifício aqui, percebe-se que é um edifício antigo também. Os senhores estão vendo aqui como no alto com algumas figuras. Aqui os senhores percebem também a nota antiga. Todo o ambiente é antigo.

Os senhores têm então, um primeiro plano, depois uma ruazinha, a Catedral em terceiro plano, um ambiente completamente medieval. Medieval… renascentista com reminiscências medievais.

Agora, o que é que se deve dizer aqui deste edifício. Edifício, em primeiro lugar eu faço notar aos senhores a beleza do teto. O teto é muito utilizado pela arquitetura de certos períodos da Europa, como elemento de decoração. Por exemplo, na Catedral de Santo Estevão em Viena, em outros prédios da Idade Média se apresentavam ardósias de cores diversas e faziam com as ardósias, desenhos bonitos. De maneira que, havendo teto assim inclinado, o golpe de vista era magnífico. Aqui é, segundo estiveram comentando, deve ser um teto todo ele de cobre e que azinhavra com o tempo e que fica com este verde lindo de esmeralda que é uma cor delicada. Os senhores têm impressão que é todo feito de uma pedra preciosa. Os senhores vêem por outro lado como isto é alegre; se esse teto fosse preto, como ficava de um peso medonho, mas como ele é aqui esse verde claro dir-se-ia uma turmalina muito clara, como comunica uma alegria e uma leveza para todo edifício que lhe vem da cor e lhe vem também da forma, pois como ele é assim, tem-se a impressão que ele sobe, não é uma caixa d’água, um quadradão, mas tudo nele convida para elevar.

E essa impressão de elevar os senhores ainda têm acentuada por estes três grupos de janelas, que também tendem para o alto. A gente diria que esta aqui sobe, levando estas duas menores também consigo. É o tipo perfeito de teto. O teto não deve pesar, o teto deve dar a idéia de uma coisa que eleva, que sobe, que convida para subir. E os senhores têm aqui um teto muito bem feito para convidar para subir. Bem.

Os senhores têm, então, comentado um aspecto deste prédio, porque esse prédio tem três partes definidas: uma é o teto, outra é essa parte aqui e outra é a parte de baixo. A parte de baixo é levíssima também; ela é composta de uma série de ogivas que dão para uma galeria aberta, onde as pessoas podem passear e ficar em tempo de chuva. Como se trata de um edifício público, quando havia reuniões, concentrações populares, era preciso que todo mundo pudesse ficar no edifício sem tomar chuva. Então essa parte aqui é toda ela vazada, com arcos muito elegantes.

Os senhores vêem que acompanhando a linha geral do edifício, que tem um corpo central e duas alas — um corpo central que se projeta para a frente — também a galeria acompanha isto e forma um movimento variegado, mas muito leve. Esta galeria é muito leve. Bom. O resultado é que essa parte intermediária aqui, que poderia pesar um pouco, fica ela mesma tão leve que é um verdadeiro encanto. Em que que ela poderia pesar? Os senhores prestem atenção na altura dessa janela; são janelas enormes, não é verdade? Um corpo de edifício com janelas tão grandes que esta parte central, as janelas são menores, tomam dois andares. Os senhores estão percebendo que estas janelas aqui, portanto, são quase o dobro dessas janelas daqui, que já são janelas altas. Por aí os senhores podem calcular o tamanho dessas janelas laterais. Isso deveria ficar necessariamente muito pesado. Esses quadradões, janelões, sem apoio nenhum, isso deveria ficar um peso enorme. Mas, como tem isso que puxa para cima e isso aqui que apóia no chão com muita leveza, como as janelas, por sua vez, são esguias, não são janelas largas e baixas, como gosta a arquitetura moderna, como são, por exemplo, no meu prédio, que são horrorosas. Mas são janelas altas e esguias elas mesmas, os senhores percebem que fica tudo muito leve e que o prédio todo dá uma idéia de que quase não toca no solo e que tem qualquer coisa de conto de fadas que são a diferença das cores: verde, um vermelho claro muito bonito entremeado com um bege que se prolonga aqui nas pedras. Os senhores têm impressão de um jogo de cores tal, tudo tão claro, tão delicado, tão leve, que a gente tem a impressão de que se se colocasse esse prédio sobre uma jangada ele passaria para as ondas a flutuar e que não iria para o fundo, e que daria, aliás, um lindíssimo palácio flutuante. Quer dizer, esse prédio flutua na praça. O total fica no senso de imponderáveis, ele dá a impressão de uma grande nave que está flutuando na praça, que seria uma espécie de mar de pedra. Há qualquer coisa de aquático indefinido dentro disso que é a verdadeira beleza do prédio. O prédio debaixo deste ponto de vista é um encanto, ele parece todo rendilhado. Este é o Paço Municipal de Bremen. Bem.

Contrasta com estilo do prédio, — que é a Renascença alemã, mas com muitas reminiscências góticas, o telhado gótico, com a sua reminiscência gótica, esta galeria aqui em baixo, não são mais ogivas, mas é do gótico; aqui há uma porta gótica — contrasta com isto a Catedral que é um misto de gótico e de românico. Mas, a Catedral, enquanto esse prédio sorri, a Catedral, pelo contrário, tem qualquer coisa de majestoso e de forte. De majestoso, de forte e de sério, que lembra um dos aspectos da Igreja Católica que é sua divina severidade. Cada igreja, quando é bem construída, espelha um aspecto da alma da Religião Católica, e aqui está expressa a solidez e a severidade da Igreja Católica.

Os senhores estão vendo em duas lindas torres, muito altas, os senhores estão vendo o mesmo jogo do verde que se repete até aqui em cima. Mas o resultado é que como efeito ótico, a Catedral tem duas simetrias: uma se perde no céu e a outra é da pedra para cá, que forma como que um outro golpe de vista, destacado deste golpe de vista do verde. São dois golpes de vista distintos contidos no mesmo edifício. E o atarracado e severo está aqui. No que é que está? A parte central do edifício fica como que esmagada entre as duas torres, e as torres, ao contrário disto aqui, elas cavam o pé no chão. É assim, como quem diz: “é isso mesmo! Não só eu afirmo que é isso e finco o pé no chão, mas levanto a cabeça, e com toda altura de minha estatura te olho, ó transeunte, para te dizer que a Igreja nunca muda, que a Igreja não passa, que Ela é eterna e que tu tens que olhar com respeito para a severidade dos princípios que Ela emite”.

Há qualquer coisa aí, é um dos aspectos da Sabedoria é essa seriedade, um dos aspectos da Sabedoria é essa catadura. Toda de pedra, o tempo passa, mas ela não muda, as pedras não mudam. Elas ficam de um jeito que a gente tem a impressão que ela tomou consistência ao embate de mil tempestades, ela tomou co-naturalidade com a tempestade, essa Catedral, não é verdade?

E ela, com isso, entra num choque, numa discrepância, mas numa discrepância harmônica com esse corpo de edifício que está aqui.

É o maravilhoso da severidade, é o maravilhoso do combativo, do altaneiro ao lado do maravilhoso do delicado, do gracioso, do harmonioso, do flutuante. São duas formas diversas do maravilhoso que, juntas, constituem pelo seu próprio contraste uma só única e harmoniosa maravilha.

Essa é uma das mil maravilhas da maravilhosa Europa antiga que o espírito…

(…)

eliminar, o espírito progressista procura de todos os modos insultar e que os tratadistas de arte e de História procuram desvirtuar. Porque, quando se faz uma descrição de um edifício deste com as técnicas atuais, a descrição é inteiramente oposta da que eu fiz.

A descrição é assim: Rathaus da cidade de Bremen, século tanto. Material empregado: bric tirado de uma terra especial que se encontra na montanha tal, de onde lhe vem por tal reação química a consistência e a durabilidade de seu vermelho. Estas pedras foram tiradas, segundo documento do século tal, das carreiras de pedra de tal lugar assim, junto ao rio tal. Elas são um xisto betuminoso — eu lá sei o que é xisto betuminoso! — é qualquer coisa assim, ou então um basalto, sei lá o que, uma coisa qualquer… e foram trabalhadas em estilo românico, estilo Renascença, sob as ordens de Mestre Não sei o que, no século tal. Há tantas arcadas que medem tanto por tanto. Neste edifício passaram-se tais fatos históricos. — E os fatos históricos são assim — : aqui foi proclamada a famosa insurreição dos comuneros de Bremen contra o Imperador Zigismundo número tanto. Aqui também pela primeira vez tocou o sino — aliás aqui não tem campanário, mas enfim — que deu o sinal de alarme pela penetração das tropas de Napoleão em Bremen em tal ocasião assim. Duramente bombardeado durante a Guerra Mundial, serviu de Quartel General ao general Patton. Então lá vem…

[Risos]

Agora foi reaproveitado pelo governo alemão que instituiu —a gente fica pensando o que é que instituiu, não e? — a sede do sindicato da cidade [assim?] Então tem gente escrevendo à máquina, telefone interno, etc., etc., e a ossatura só, ficou… [inaudível]

Resultado: a gente apresenta isso para gente moça, sem fazer a explicação que eu dei, a gente tem a impressão que está descrevendo um cadáver, não é? Por que o que é que têm essas explicações assim, no que é que isso pode entreter para gente moça? É morto. É um pouco como quem… [inaudível] …um cadáver, em vez de dizer, por exemplo, não sei, ahhh… vamos dizer, o cadáver de São Sebastião, então dizer “Procônsul romano, chefe da Guarda pretoriana imperial”, e fazer um belo comentário, não: “São Sebastião, cadáver encontrado na catacumba de tal, etc., pelo famoso arqueólogo… [inaudível] …É o número tanto do grande álbum de não sei o que, intitulado ehhh… tal coisa assim. Esse cadáver mostra que São Sebastião tinha um metro e tanto por tanto de largo, etc., etc. Discute-se pelos seus traços se ele era da Ilíria ou da Macedônia. A esse respeito há duas federações de associações, cada uma delas sustentando um ponto de vista. É de se notar que as armaduras que ele traz são de aço de tal, o que vem provar que o exército romano temperava os seus metais de tal maneira assim”.

[Risos]

Quer dizer, é uma pura técnica. Mas é uma coisa que mata! Quer dizer, um jovem que vai ao museu, com um comentário deste ele sai correndo. Porque isso é realmente a morte, e a morte no seu aspecto mais horroroso, que é o esqueleto. É a coisa reduzida ao esqueleto, não é verdade? Bom.

Agora, com uma explicação “Ambientes, costumes”, a coisa vive e ela deita toda sua alma para fora, e aí a gente não tem a sensação da morte; a gente tem a sensação da perenidade. E a sensação é seguinte: se, como nós sabemos, Deus existe, não é possível que uma coisa destas esteja definitivamente morta. Não é da glória de Deus, Ele não pode permitir que uma coisa destas tenha desaparecido da terra e que nunca mais algo de análogo vá brilhar como um valor que oriente os homens. Se isso fosse assim, era para o mundo terminar logo, porque, que haja novos séculos e novas civilizações construídas sobre o conspurcado de tudo isso, é impossível, a glória de Deus não permite.

Então, a gente sai com a alma cheia, a gente sai com a certeza da Bagarre e a esperança do Reino de Maria. E aí está o ponto, a perspectiva última do maravilhoso: é ver no passado o perene, no perene o futuro.

Esses seriam os comentários sobre o Rathaus de Bremen.

Agora, uma coisa curiosa. Esta gente que fez isto — esse comentário que eu fiz é um comentário objetivo —, essa gente que fez isto teria a intenção expressa de fazer isso que eu comentei? Não, eu não creio. Mas isso estava tão profundamente na alma deles, que eles faziam isso sem fazer a explicitação de tal maneira havia uma sabedoria esparsa por toda a Idade Média e que era um patrimônio comum da Cristandade, que levava as pessoas a agirem bem e fazerem as coisas retamente, muitas vezes sem saber bem porque. É o auge de entranhamento da sabedoria.

Os sentimentos mais fundos do homem muitas vezes se apresentam assim. Vamos dizer, por exemplo, uma mãe que sabe tratar de seus filhos: ela não sabe… ela não é uma pedagoga. E eu sustento de pés firmes que não é nem um pouco necessário estudar pedagogia para ser uma excelente mãe. Ela como é que faz isso: do fundo de seu amor materno, instintivamente, ela tira os recursos para ser uma boa mãe. E melhor do que se ela tivesse estudado.

Essa gente tinha nesse estado todos os tesouros da sabedoria. Compete, entretanto, ao Grupo explicitar essas coisas. Explicitá-las para fazê-las viver, mas, fazendo-as viver também dar oportunidade de elas terem outra coesão, outra consistência, e outra vida no Reino de Maria. Porque, quando o homem chega a explicitar aquilo que ele tinha implícito, ele [construiu?] aquilo o último teto da perfeição.

De maneira que compete exatamente ao Grupo ter esta escola de pensamento, comunicar no Reino de Maria uma intenção consciente e harmônica, não racionalista, mas vinda das profundezas do sentimento na sua boa espontaneidade, para a elaboração de uma arte que nós não sabemos como vai ser. Será a arte medieval? Será uma outra arte? Os românicos não podiam imaginar o gótico, de repente o gótico apareceu. Nós não podemos saber também, mas se não for o gótico é porque será uma coisa mais gótica do que o gótico. Porque o caminho foi encontrado e desse caminho não se sairá mais.

Eu acho que basta isso para um comentário da Rathaus de Bremen.

*_*_*_*_*

Auditório da Santa Sabedoria