Santo do Dia (Rua Pará) – 28/7/1967 – 6ª feira [SD - IIA D 034] – p. 5 de 5

Santo do Dia (Rua Pará) — 28/7/1967 — 6ª feira [SD - IIA D 034]

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O viver de amor para as almas da Pequena Via * Morrer de amor, para Santa Teresinha, era ser vítima pelo Amor Misericordioso * Viver de amor e morrer de amor na nossa Vocação é diferente: é que nós queremos viver para amar a Nosso Senhor e Nossa Senhora, odiando aqueles que são os filhos da Revolução * Na celebração da missa na catedral teremos que mostrar nossa força e fazer recuar o inimigo

Como amanhã não haverá Santo do Dia, o Dr. Paulinho me pede que comente a poesia de Santa Teresinha “Viver de amor”.

Eu o faria de bom grado, mas acontece que muitos aqui não entendem francês, e muito menos francês mal pronunciado. De maneira que eu não ousaria ler em francês. E para ir traduzindo para o português, perde, naturalmente, muito do suco da coisa.

Mas se os senhores preferem, leio primeiro a poesia e depois comento alguns pensamentos que ela contém.

* O viver de amor para as almas da Pequena Via

É muito bonita a poesia, como os senhores podem imaginar. Seu título é “Viver de Amor”.

Na verdade, a poesia se divide em duas partes, porque fala, primeiro, em viver de amor, e de repente ela muda e passa a falar em morrer de amor.

São, aliás, duas partes muito bem continuadas, muito bem cravadas dentro da poesia.

Parece-me que os três trechos mais dignos de nota aqui, e que são mais característicos da Pequena Via dela são esses aqui:

Viver de amor é banir todo temor,

Toda lembrança das faltas do passado.

Dos meus pecados eu não vejo em minha alma nenhuma marca,

Pois no fogo divino cada um se apagou.

Chama sagrada, ó doce fornalha,

Em teu foco eu fixo minha habitação.

Jesus, é lá que eu quero cantar à vontade.

Eu vivo de amor.

Pensamento muito bonito que está aqui é o seguinte:

Para aqueles que seguem a Pequena Via e que se deixam levar pelo enlevo para com Nosso Senhor Jesus Cristo e para com Nossa Senhora, para esses a ação da graça é tão profunda na alma, para as pequenas almas que não são capazes das grandes lutas e dos grandes embates é tão profunda a ação da graça na alma, que enquanto na alma pecadora, normalmente, os pecados deixam durante muito tempo — e, às vezes, durante a vida inteira — o seu rastro, pelo contrário, nessas almas que vivem de amor, que são as almas da Pequena Via, passam completamente os rastros do pecado.

A pessoa que vive na Pequena Via não deve, portanto, estar se lembrando dos seus pecados passados, não deve estar se preocupando com as coisas do passado que já se foram, porque o amor de Deus tocou nelas e consumiu todos os restos do pecado.

Então, o que é preciso é não ter mais esses pensamentos que perturbam, esses pensamentos que desnorteiam, mas é preciso pôr os olhos apenas no amor de Deus e compreender que para as almas muito pequenas, o amor de Deus leva tudo, queima tudo e não adianta estar falando do seu passado.

Depois ela tem um trecho que, debaixo de certo ponto de vista, é mais ousado. Porque não fala dos pecados passados, remotos, dos pecados que já estão encerrados e liquidados porque a alma deles já se arrependeu, dos quais parece falar mais especialmente no trecho que eu acabo de ler, mas fala de certos pecados que a pessoa, de vez em quando, ainda repete. Então trata dêsses pecados. Diz:

Viver de amor é guardar em si mesmo um grande tesouro em um vaso mortal.

Meu bem-amado, a minha fraqueza extrema.

Ah, como eu estou longe de ser um anjo do céu.

Quer dizer, mostra então o medo que ela tinha de cair em algum pecado, ela que era uma tão grande santa, masque era da Pequena Via.

Aí, então, está acentuado esse pensamento de que o vaso mortal é aquele que se quebra com facilidade e que, portanto, ela podia cair num pecado. Ela estava longe de ser um anjo do céu.

Mas se eu caio a todo momento que passa,

De outro lado, me levantando, me osculando cada vez de novo,

Tu vens a mim, tu me dás tua graça,

Eu vivo de amor.

Quer dizer, a cada momento que a pessoa peca — a Escritura diz que o justo peca sete vezes por dia, tem faltas, tem falhas, tem lapsos, tem lacunas, a cada momento que vem —, Nosso Senhor também vem a essa alma, oscula essa alma e remedia os efeitos do pecado cometido. De maneira tal que a pessoa, com toda tranqüilidade, apesar da borrasca em que está, pode viver de amor.

A idéia então é de uma proteção especialíssima, de uma ternura especialísima para as almas pequenas que se deixam enlevar e que se deixam consumir por essa forma, por amor de Deus. É a idéia fundamental da Pequena Via, expressa — como, aliás, é do estilo de Santa Teresinha — com muita meiguice de um lado, mas, de outro lado, com muita força, com muito sabor. Muito claramente exposta a doutrina dela da Pequena Via.

* Morrer de amor, para Santa Teresinha, era ser vítima pelo Amor Misericordioso

Depois ela fala de morrer de amor.

Morrer de amor é um bem doce martírio,

É aquele que eu gostaria de sofrer.

Ó Querubins, afinal as vossas liras,

Porque eu sinto que meu exilio vai terminar.

Dardo inflamado, consuma-me sem cessar,

Fira meu coração nessa triste vida da terra.

Divino Jesus, realiza-se meu sonho: morrer de amor.

Morrer de amor, eis minha esperança.

Quando eu vir romperem-se os vínculos,

Meu Deus será minha grande recompensa.

Eu não quero possuir outros bens, senão Deus.

De seu amor eu estou apaixonada.

Que Ele venha, a fim de me queimar com o amor d’Ele.

Irrimissivelmente, eis o meu céu, eis o meu destino:

Viver de amor.

A idéia que vemos passar aí é um sopro que havia na alma dela, que pedia que ela se consagrasse como vítima ao amor misericordioso e que ela aceitasse o martírio prematuro, que ela deveria aceitar, para as almas que deveriam ser salvas. Mas mais do que para as almas que deveriam ser salvas, aceitasse para a glória de Deus, sem nenhuma outra finalidade além da simples glória de Deus, para que Deus fosse servido.

Ela queria morrer de amor por Ele. Então ela prevê, ela pressente — por essas premonições interiores misteriosas da graça — que de tal maneira o amor haveria de crescer nela, que o amor haveria de matá-la. Sentindo que a morte vem vindo, ela saúda a morte como uma libertadora. A morte vai romper esse cárcere, vai acabar com essa vida e vai permitir a ela, afinal, de tocar naquelas paragens, naqueles lugares magníficos, onde se encontra Deus, Nosso Senhor, e é o Paraíso, onde a alma dela espera estar eternamente.

Então, viver de amor, morrer de amor. Este é o pensamento de Santa Teresinha.

* Viver de amor e morrer de amor na nossa Vocação é diferente: é que nós queremos viver para amar a Nosso Senhor e Nossa Senhora, odiando aqueles que são os filhos da Revolução

Eu queria passar agora… já que nós temos que viver de amor, eu poderia dizer que nossa vocação é um pouco diferente.

É viver de amor e é morrer de amor, não tem dúvida nenhuma. É de viver de amor e de morrer de amor por um amor desinteressado a Nossa Senhora, que é nossa Rainha, nossa senhora e nossa Medianeira junto a Nosso Senhor Jesus Cristo. Mas o nosso amor tem uma forma especial, e assim a nossa vida e assim a nossa morte. Nós queremos viver de amor, quer dizer, nós queremos viver de ódio; nós queremos morrer de amor, quer dizer, nós queremos morrer de ódio.

Em que sentido da palavra? É que nós queremos viver para amar Nosso Senhor e Nossa Senhora, odiando aqueles que são os filhos da Revolução, que querem fazer triunfar o reino do demônio na terra. Nós queremos morrer de ódio, ódio, quer dizer, ser uma tocha viva de protesto contra todo o mal que se faz na terra. E nós queremos lutar contra todo esse mal de tal maneira, que sem os nossos inimigos não nos matarem, nós teremos, entretanto, um amor de tal maneira combativo por Nosso Senhor que, em determinado momento, a vinculação entre nossa alma e nosso corpo desaparece e nós entregamos a alma ao Salvador, de ódio às tramas de Satanás, às suas pompas e suas obras, ao trabalho do demônio, do mundo e da carne nessa terra.

E isso não é só para fazer bem às almas, mas é por amor a Deus enquanto Deus, por amor a Nossa Senhora enquanto Nossa senhora, para não serem ofendidos como são ofendidos, por amor à Santa Igreja Católica enquanto Santa Igreja Católica, para que ela não seja ofendida do modo atroz como ela atualmente o está sendo ofendida.

* Na celebração da missa na catedral teremos que mostrar nossa força e fazer recuar o inimigo

Isto, meus caros, conduz a uma conclusão prática. E a conseqüência é a seguinte:

É que nós devemos empenhar, como os senhores bem sabem, todos os nossos esforços para que o nosso inimigo recue. E um dos meios que temos para fazer com que ele recue é mostrar a nossa força. Porque nós combatemos um inimigo que é, ao mesmo tempo, arrogante e covarde. A Revolução é arrogante como só ela, mas ela é covarde. Quando ela sente força, ela se desfaz e recua. E nós precisamos mostrar a nossa força.

E uma das ocasiões onde vamos mostrar a nossa força é agora, na catedral, na presença da missa que vai ser celebrada por D. Antônio, segundo as intenções que os senhores conhecem. Quanto mais membros da TFP haja lá, melhor será.

De maneira que eu considero uma obrigação grave de cada um dos membros da TFP de estar presente na missa. Eu não considero que ninguém possa legitimamente se escusar, a não ser num casos desses de força maior tremendo: morte em família ou qualquer coisa nesse gênero. Assim mesmo, se ainda der um jeito de dar uma escapada, ainda é o caso de dar. Se alguém for lá muito doente, Dr. Edwaldo estará lá e pode, na própria catedral, dispensar os socorros médicos a quem estiver lá e precisar.

Mas todos devem estar na catedral. Todos os senhores devem estar de flâmula e os senhores compreendem que quanto maior for o número de pessoas de flâmulas, tanto maior será a impressão que nós vamos causar aos nossos adversários.

De maneira que o argumento do número, nesta época de demagogia, sendo fundamental, nós devemos saber manejar esse argumento, e esse argumento é a presença de cada um de nós.

Não basta a presença de cada um de nós. Eu quereria que os senhores fizessem o possível para levar as suas famílias, levar seus conhecidos. De maneira que fizessem a mesma campanha para encher a catedral, que fizeram para encher a sala de conferências durante as conferências sobre o divórcio. Eu quisera que a catedral estivesse proporcionalmente cheia, como a sala da última conferência sobre o divórcio estava cheia, quer dizer, repleta, gloriosamente repleta. É assim que eu quisera que estivesse a catedral.

De maneira que os senhores façam todo o possível para levar todo mundo. Qualquer esforço que façam será bem compensado, porque dará muita glória a Nossa Senhora e à Santa Igreja Católica.

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