Santo do Dia (Rua Pará) – 27/7/1967 – 5ª feira [SD 187] – p. 3 de 3

Santo do Dia (Rua Pará) — 27/7/1967 — 5ª feira [SD 187]

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Biografia de Santa Rusca * “Mãe católica verdadeira, com toda energia e toda coragem, é uma outra Maria Santíssima” * “Devemos evitar custe o que custar o convívio dos pecadores”

* Biografia de Santa Rusca

eu as considero injúrias, eu as considero infâmias.

Porque ele era bárbaro, era um pagão, era um perseguidor da igreja, e as honras que vem dos inimigos da igreja não são honras, são injúrias.

O teu palácio, eu o qualificaria de um inferno, e não de um palácio, e por isto eu não quero morar nele, pois é um palácio no qual reina o ódio, que é incompatível com o amor que professamos ao filho de Deus, Cristo Nosso Senhor. E como que é que poderíamos morar no mesmo palácio, sendo que amamos coisas opostas? O que você odeia, nós amamos; o que nós odiamos, você ama. Nós não podemos morar com você. Portanto, você, ó homem obstinado, viva no seu palácio que é um antro de pecadores, que eu prefiro ser, dentro da igreja de Deus, a última, do que viver com honras de primeira num palácio de inimigos de Deus. Portanto, agora, porque eu me recuso a morar no teu palácio, tu queres matar-me, apressa-te. Nós já estamos desejosas de padecer por Jesus Cristo e já resolvemos padecer. É bom que não te retardes e que leves também minha filhas para o martírio, pois por meio desse martírio, eu espero subir ao palácio eterno, ver e amar a Cristo, por quem vivo e por quem morro”.

São realmente lindíssimas palavras.

A gente pode imaginar Santa Rusca e as duas filhas, e um tiranete sentado num troninho, cheios de sicários e cúmplices, e ela lhe dizendo a verdade no rosto de todo mundo parado, quieto e atônito diante dessa coragem.

Depois continua:

A filha mais velha de Rusca, vendo que o tirano hesitava em executar a sentença, aproximou dele e cuspiu-lhe nos olhos.

É agir diretamente e sem cerimônias.

A explicação dada é a seguinte:

Como ele tinha a língua muito malvada, ela queria injuriá-lo com a língua inocente dela, para fazer uma injúria da inocência contra a malvadeza, e por isso cuspiu-lhe nos olhos. O que admirou a todos não foi só ela ter feito isto, mas a naturalidade e prontidão com que fez isto. Então todos os que lá estavam presentes passaram a mão nas armas e, para bajular o monarca, atiraram-se sobre ela. Cravaram as armas nelas e houve um que tomou o sangue das filhas e ofereceu-o à mãe, para dobrar-lhe a pena. Ela, levantando o sangue nas mãos e posto os olhos no céu, fez o seguinte oferecimento: “A vós, meu Senhor Jesus Cristo, ofereço este cruento sacrifício, por meio do qual vos entrego estas duas virgens, tão puras e tão castas como do meu ventre nasceram. Celebrai, Senhor, com elas, os vossos divinos desposórios, mas permiti que não desmereça eu mesma da glória e que imite minhas filhas na morte como elas me imitaram na vida”.

* “Mãe católica verdadeira, com toda energia e toda coragem, é uma outra Maria Santíssima”

Está acabado, senhores, não tem mais comentário, porque já esta comentado. Está dito tudo. Esta mãe ajoelhada e que, como o sacerdote, toma o sangue das filhas, oferece assim, e que levanta este testemunho: “São virgens como vieram à luz do dia. Elas me imitaram na vida, porque eu também fui virgem até no matrimônio, que eu agora as imite na morte e seja mártir como elas”. Está acabado, não há comentários.

São certos episódios de vida de santos tão maravilhosos e que dizem tanto, que ficam colocados muito acima de todo gesto de heroísmo da história profana.

Por exemplo, costuma-se falar no heroísmo, heroísmo dos soldados de Napoleão. O que é heroísmo do soldado de Napoleão comparado com isto? Um carniceiro. Fala-se no heroísmo de tal homem, que foi um desbravador, de outro homem que se expôs ao contágio de uma doença. Está bom, mas de uma mulher que toma o sangue de suas filhas, oferece por esta forma e depois pede o martírio para si… E depois não é só a coragem, mas a nobreza de alma com que esta coragem era alimentada. Era a causa pela qual ela morreria. Depois disso ela cai morta, não tinha mais importância. Era a vida eterna diretamente para ela.

Aí a gente compreende que os santos têm bom odor de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Essa santa não imitou, porventura, Nossa Senhora oferecendo o sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo? Evidentemente imitou.

Christanus alter Christus”. Mãe católica verdadeira, com toda energia e toda coragem, é uma outra Maria Santíssima.

* “Devemos evitar custe o que custar o convívio dos pecadores”

Vamos agora terminar apenas com isto: como ela acentuou bem o inconveniente que há de morar em casa de pecadores. Como os filhos da luz devem estar separados dos filhos das trevas e como, portanto, é preciso a gente compreender que nós devemos evitar custe o que custar o convívio dos pecadores. É uma grande lição que para nós fica.

Se ela não tivesse o senso do mal desse convívio, ela não teria a coragem do martírio.

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