Santo do Dia (Rua Pará) – 26/7/67 – 4ª feira [SD 246] – p. 4 de 4

Santo do Dia (Rua Pará) — 26/7/67 — 4ª feira [SD 246]

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O Pe. Hermolau discerniu no jovem Pantaleão uma pessoa “catolicizável” * Sua mãe queria que ele se tornasse cristão, mas o pai o queria seguidor do credo oficial para que fizesse carreira no palácio * Querendo estudar a medicina de Esculápio, Hipócrates e Galeno, o jovem Pantaleão foi instado a instruir-se no Divino Médico, Jesus Cristo * O verdadeiro seguidor de Nosso Senhor sempre vence, ainda que aparentemente derrotado * São Pantaleão fez diversos milagres, e obteve até a conversão de seu pai

* O Pe. Hermolau discerniu no jovem Pantaleão uma pessoa “catolicizável”

o santo de amanhã é São Pantaleão, mártir. Diz Daras na “Vie des Saints”:

São Pantaleão era filho de um rico pagão habitante da Nicomédia. Sua mãe, cristã, morrera cedo. Seu pai fê-lo estudar medicina. Ora, para ir a casa de seu mestre, Pantaleão passava no local onde morava o sacerdote Hermolau.

São umas pessoas … [inaudível]… de santo, não é? Um São Pantaleão e um sacerdote Hermolau. E a medicina que ele ia estudar naquele tempo … [inaudível]… eu não sei, para curar alguma coisa que não seja … [inaudível]… é medicina do arco-da-velha, misturada com feitiçaria, etc.

Bom, então ele passava pela casa onde morava o sacerdote Hermolau.

Este, vendo o jovem todos os dias, encantou-se pelo jeito de sua expressão, a serenidade de seu olhar e a … [inaudível]… de seu porte.

Os senhores estão vendo que ele fez como nós muitas vezes fazemos. Nós olhamos para alguém e achamos ultramontanável, não é verdade? Então resolvemos fazer apostolado.

Esse padre também achou que ele fosse catolicizável, por esses indícios fisionômicos, o Pe. Hermolau. E mais empenhado que outros colegas dele … [inaudível]… , ele resolveu fazer apostolado com o jovem.

* Sua mãe queria que ele se tornasse cristão, mas o pai o queria seguidor do credo oficial para que fizesse carreira no palácio

Então começa a história da conversão de São Pantaleão.

Julgou-o pelos traços um vaso de eleição, e um dia chamou-o, indagando sua origem. O rapaz respondeu ser … [inaudível]…, acrescentando que sua mãe desejava que ele se tornasse cristão, o que muito o atraía, mas o pai desejava vê-lo seguir o credo oficial, pois queria que fizesse carreira no palácio.

Os senhores estão vendo que o problema é velho. É posição religiosa para facilitar carreira, o pai… os senhores conhecem tudo isso.

* Querendo estudar a medicina de Esculápio, Hipócrates e Galeno, o jovem Pantaleão foi instado a instruir-se no Divino Médico, Jesus Cristo

Qual a ciência que estudas — perguntou Hermolau?

O nosso Pantaleão, que tinha poesia no falar, em vez de dizer que era simplesmente medicina, deu essa resposta:

A de Esculápio, Hipócrates e Galeno, e meu mestre me assegura que se eu a dominar bem poderei curar todas as doenças.

Os senhores, em 1967, estão bem longe de conseguirem isso. Era o caso de duvidar do mestre de São Pantaleão.

O sacerdote então aproveitou a oportunidade para mostrar-lhe a ilusão de tal idéia, dizendo-lhe do único e verdadeiro médico, Jesus Cristo, e concluir: “É ele que ainda hoje torna seus seguidores invencíveis, os consola na perseguição e lhes alegra o coração em meio a tantas penas. Ele não só atende nossas preces, mas prevê mesmo nossos desejos. E comunica aos que ama o poder de fazer milagres e lhes dá uma vida que não tem fim”.

Os senhores estão vendo que são palavras de vida eterna.

Que coisa bonita! É como um homem de fé vê a Nosso Senhor. Não dessa fé rasteira, comum, bruxuleante, mas de fé verdadeira.

* O verdadeiro seguidor de Nosso Senhor sempre vence, ainda que aparentemente derrotado

Merece repetir o que ele disse:

É ele que ainda hoje torna seus seguidores invencíveis,…

E realmente o verdadeiro servidor de Nosso Senhor, ainda que aparentemente derrotado, vence sempre. Ninguém consegue vencer um verdadeiro servidor de Nosso Senhor.

os consola na perseguição e lhes alegra o coração em meio a tantas penas. Ele não só atende nossas preces, mas prevê mesmo nossos desejos.

Quer dizer, antes mesmo de nós termos formulado o que queremos, ele vai e atende o que nós desejamos.

É uma beleza de expressão da Divina Providência, solícita em atender aqueles que querem de fato unir-se a Nosso Senhor.

E comunica aos que ama o poder de fazer milagres e lhes dá uma vida que não tem fim”.

O comunicar o poder de fazer milagres não seria muito mais freqüente hoje se verdadeiramente nós tivéssemos fé? Não é nossa pouca fé que torna raros os milagres? Sem dúvida também entra nisso a malícia da Revolução. Porque a Revolução é tal que não merece mais a aparição de milagres numerosos no mundo. Mas também não entra uma certa falta de fé? Uma contaminação do espírito revolucionário por aqueles que são contra-revolucionários?

* São Pantaleão fez diversos milagres, e obteve até a conversão de seu pai

Pantaleão convenceu-se e começou a instruir-se na fé. Um dia em que ele regressava de sua aula de medicina, encontrou uma criança morta, ao lado de uma víbora. O reptil lá estava como para mostrar sua culpa. Após um primeiro momento de medo, o jovem achou que a ocasião era boa para provar o que lhe dissera Hermolau. “Em nome de Cristo, disse, que a criança se levante e que a víbora sofra a morte que lhe havia dado”. No mesmo instante, aconteceu como pedira.

Essa é a fé que move as montanhas. Está tudo dito. Está claro, São Pantaleão fez uma coisa que nem eu nem os senhores fizeram.

Plenamente convencido, São Pantaleão converteu seu pai.

É duro, hein! Ah, bom, mas ele usou o método que também eu não usei e por enquanto, até aqui, os senhores também não usaram: ele curou um cego para convencer o pai. Se nós soubéssemos usar métodos desses, também nós converteríamos nossos pais. Talvez.

Curou um cego para convencer o pai, mas invejosos acusaram-no a Galério, que o mandou prender. Após submetê-lo a horríveis torturas, decapitou-o.

Essa é a má-fé do ímpio. Pega um santo, faz milagres. Bom, isso é que eu não posso suportar, vou matar. E acabou-se.

Conserva-se de São Pantaleão, em Amalfi, uma ampola contendo seu sangue, que se liquefaz no dia de sua festa. É ele um dos patronos da medicina.

Os senhores têm aí um esplêndido modo de ser médico. Confiar tudo na graça da Providência, que sempre as coisas dão certo.

Que Nossa Senhora nos dê, a nós, a fé que teve São Pantaleão. E nos dias da Bagarre que vão se aproximando, que Ela nos dê, se for da vontade d’Ela, o dom de fazer milagres. De maneira tal que nós perseguidos aqui, ali e acolá, peguemos uma parede, corramos assim … [inaudível]… possamos sair do outro lado … [inaudível]… acontecer. É uma coisa que nós devemos começar a pedir: se for da graça, da vontade de Nossa Senhora, o dom de fazer milagres … [inaudível]. E para isso nós temos que pedir, entre outros dons, esse: que é o de não ficarmos megas se os milagres chegarem. Porque a tentação não é pequena: “Que santo eu sou! Olha aquela parede, eu corri … [inaudível]… aí o Dr. Plinio compreendeu quem é esse discípulo admirável dele”, etc. [Inaudível]… um santo que beijaria seus pés, desde que não ficasse mega, não tem dúvida nenhuma.

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