Santo do Dia (Rua Pará) – 22/7/1967 – Sábado [SD 188] – p. 4 de 4

Santo do Dia (Rua Pará) — 22/7/1967 — Sábado [SD 188]

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Origem da invocação a Nossa Senhora Rainha dos Anjos * O poder da Revolução não seria possível sem a ação do demônio * O sumamente elevado da invocação Nossa Senhora Rainha dos Anjos * O que pedir a Nossa Senhora Rainha dos Anjos

Índice

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Hoje, 22 de julho, é festa de Nossa Senhora Mãe de Misericórdia. É também festa Santa Maria Madalena, penitente.

De Santa Maria Madalena diz Martirológio:

O Senhor expeliu dela sete demônios e mereceu ser a primeira a contemplar o Salvador Ressuscitado.

* Origem da invocação a Nossa Senhora Rainha dos Anjos

Deram-me como ficha do santo do dia uma oração a Nossa Senhora pedindo o auxílio de seus anjos contra a ação do demônio.

Em 1863, estando em oração o venerável Pe. Luís Eduardo, viu uma quantidade enorme de demônios que, espalhados pelo mundo, causavam estragos medonhos por toda parte. Abismado, implorou o socorro da Santíssima Virgem, que lhe apareceu e disse:

Meu filho, é hora de ser eu invocada como Rainha dos Anjos e de me pedir que mande minhas legiões santas de anjos celestes a combater e derrubar essas potências do Inferno que soltas andam pelo mundo.

Mas Vós que sois tão bondosa, minha Mãe, não podeis fazer isso sem que vo-Lo peçamos?

Não, filho, a oração é condição imposta por Deus para que d’Ele se possa obter graças.

Ensinai-me, pois, Vós mesma, como haveis de ser implorada em tão espantoso momento.

E instruído pela Rainha dos Anjos, compôs o venerável essa oração: “Augusta Rainha dos Céus e soberana dos anjos, Vós que desde o primeiro instante de vossa existência recebeste de Deus o poder e a missão de esmagar a cabeça de Satanás, humildemente vo-Lo pedimos: enviai as legiões celestes dos anjos a perseguirem por vosso poder, e sob as vossas ordens, os demônios, combatendo-os em toda parte, repreendendo-lhes a insolência e lançando-os nas profundezas do abismo. Quem como Deus? Santos Anjos e Arcanjos defendei-nos e guardai-nos. Ó boa Mãe e tão terna, sede sempre o nosso amor e nossa esperança. Ó mãe divina, mandai-nos os vossos santos anjos que nos defendam e repilam para bem longe de nós o maldito demônio, nosso cruel inimigo. Amém”.

* O poder da Revolução não seria possível sem a ação do demônio

Esta oração foi indulgenciada com 300 dias, pela Santa Igreja.

O fato merece, sem dúvida nenhuma, um comentário.

Quando nós consideramos o poder da Revolução, o modo pelo qual ela se alastrou pelo mundo e, mais do que isso, a ferocidade intrínseca que ela tem, nós chegamos à conclusão de que isso não poderia ser sem ação do demônio.

A Revolução se mostra, em toda a sua maldade, nas épocas em que ela age, deixando cair a sua própria máscara. Assim, por exemplo, durante a Revolução Francesa. Assim, por exemplo, por ocasião do protestantismo, por ocasião da explosão comunista na Rússia, em outro lugares onde o comunismo tem vencido. Em todos esses lugares, a Revolução se mostra na sua maldade total. Essa maldade com certeza se manifesta pela crueldade da Revolução para com suas vítimas.

Todos nós temos a memória cheia de crimes nefandos praticados pela Revolução por toda a parte. Mas este não é o aspecto pior da Revolução. O aspecto pior está na própria ideologia revolucionária, que mostra as suas conseqüências durante essas grandes crises.

Por exemplo, durante a explosão protestante, o número de religiosas que foram profanadas, que se entregaram à heresia, que saíram do convento e que depois se prostituíram. Um autor daquele tempo chegou a dizer que o chão da Alemanha ficou coalhado de hóstias profanadas, tal foi o número de sacrários que foram profanados e de hóstias consagradas que foram atiradas à rua para serem calcadas aos pés pelos transeuntes. Quanto às freiras de que eu há pouco falava, chegou a se constituir um mercado de venda de antigas freiras, mais ou menos como escravas, como prostitutas, porque elas não tinham mais o que fazer e elas queriam se entregar às piores formas de depravação. Era uma das expressões da maldade revolucionária.

Durante a Revolução Francesa, o que dizer?

Basta dizer que a Revolução separou a Igreja do Estado, decretou depois a separação da Igreja em relação a Roma, depois decretou o fechamento de todas as igrejas, mandou adorar como deusa da razão, no altar de Nossa Senhora, de Notre Dame de Paris, uma atriz nua! Isto para se compreender o que é a Revolução.

Quanto ao comunismo, isto está tudo visto.

Esta é a maldade da Revolução. Agora, o poder da Revolução.

Se considerarmos tudo o que o Revolução tinha contra si quando ela começou a Idade Média, príncipes, papas, imperadores, ela tinha contra si os potentados de toda ordem, e entretanto ela foi minando o edifício e chegou até o auge do poder hoje, nós chegamos à conseqüência de que nada disso poderia ser se não houvesse um crescente poder do demônio. Um poder do demônio que, também este, chegou ao auge em nossos dias e nós estamos, portanto, numa época de infestação diabólica tremenda.

Todo poder da Revolução se explica por aí. Ela é pior do que o homem. Por mais decaído que o homem seja depois do pecado original, a Revolução é pior do que ele.

E essa degradação revolucionária mostra que o demônio se tornou o príncipe deste mundo e que todos os homens, picados pelo espírito da Revolução, sofrem, pouco mais ou menos, uma infestação do demônio e que o demônio é verdadeiramente o senhor deste século infeliz no qual vivemos.

* O sumamente elevado da invocação Nossa Senhora Rainha dos Anjos

Assim, portanto, nossa ação nunca será completa se ela não tiver também esse aspecto, de uma ação de luta contra o demônio. E essa luta contra o demônio só pode ser feita com o amparo de Nossa Senhora. Porque só quem tem o dom de esmagar os demônios da terra é Nossa Senhora. E Ela os expulsa por meio dos anjos.

Por que por meio dos anjos? Porque Deus quer que suas criaturas se governem umas às outras. Já no Céu Ele poderia ter expulso o demônio por um simples império da vontade d’Ele, mas Ele quis que os anjos fiéis fossem os que expulsassem os anjos infiéis, tendo-se feito então no Céu a grande guerra, a primeira guerra da história da Criação, que redundou na expulsão do demônio e na sua precipitação no Inferno.

Assim também Nossa Senhora quer expulsar os demônios hoje em dia, por meio dos anjos. E invocar Nossa Senhora como Rainha dos Anjos é sumamente adequado, porque Ela é rainha dos anjos fiéis, Ela é inimiga inexorável dos anjos infiéis, e Ela ordena aos anjos fiéis que expulsem os demônios da terra.

Agora, nesta preleção diz Nossa Senhora muito bem: é preciso que se peça. A saída dos demônios da terra não se consegue sem oração, porque Deus condiciona suas graças à oração. É preciso pedir, e pedindo se obtém, mas é preciso insistir no pedido.

E cada vez mais em nossa época, uma ação ordenada para expulsar o demônio é uma ação que se deve desenvolver a partir da oração, e nisto reconhecendo-se uma importância cada vez maior.

Nós estamos a bem dizer no momento em que o poder das trevas tem tudo na mão e que lhe falta apenas dar o último lance para se apoderar de tudo. Estamos no momento em que nunca, em toda a história da Criação, mesmo antes de Jesus Cristo, o poder do demônio foi tão grande quanto em nossos dias. Nós estamos na época em que devemos pedir que Nossa Senhora expulse o demônio. Porque expulsando os demônios, obrigando-os a voltarem para o Inferno, neutralizando-lhes a ação, Nossa Senhora combate o pior dos inimigos que temos diante de nós.

O nosso maior aliado é Deus, a nossa maior aliada é Nossa Senhora, o único fator decisivo de nossa vitória é a graça.

Para a ordem da vitória e dos meios positivos de destruição do inimigo, nós olhamos para o sobrenatural. É preciso que reconheçamos que simetricamente de outro lado, a principal arma voltada contra nós não é natural, é preternatural, e que nosso combate é sobretudo um combate voltado contra o demônio.

* O que pedir a Nossa Senhora Rainha dos Anjos

Se isto é assim, e quantas e quantas vezes fazendo apostolado, se rezássemos para que Nossa Senhora expulsasse o demônio das pessoas junto a quem fazemos apostolado, nosso apostolado seria muito mais fecundo. Se isto é assim, então se compreende quanto é oportuno rezar a Nossa Senhora dos anjos, especialmente com este pedido: de que Ela afaste o poder das trevas. Afaste do quê? Primeiro, de cada um de nós.

Nós temos um anjo da guarda que está continuamente nos defendendo. Não haverá também algum demônio continuamente nos cercando? Há autores que sustentam — e eu confesso que tenho a maior simpatia por esta doutrina — que o homem não é capaz de ter uma tentação meramente natural. Sempre que ele sofre uma tentação natural ocasionada pelas circunstâncias, ele sofre ao mesmo tempo uma tentação preternatural, e o fator preternatural é de si mais possante que o fator natural. Então, não teremos um demônio que nos tenta?

São Paulo dizia que tinha sido mandado junto a ele um anjo de Satanás, quer dizer, um demônio, para o esbofetear, para o tentar. E isso continuamente. Não haverá a mesma coisa conosco?

Então, pedir antes de tudo que Nossa Senhora expulse de nós o demônio. Expulsar de nós o demônio, é pedir de Nossa Senhora que arranque de nós também o espírito revolucionário, que é uma participação do demônio, e pedir que Nossa Senhora nos restitua uma inocência, uma integridade de espírito contra-revolucionário, que é um dos maiores dons que Ele pode conceder. Pedir depois que Nossa Senhora atue do mesmo modo no Grupo, que Ela faça com que todos aqueles que Ela chamou para uma união tão alta com Ela sejam livres de qualquer ação diabólica para poder servi-La com todo denodo, com todo amor, com toda integridade. Pedir depois que Nossa Senhora afaste o demônio daqueles a quem Ela chama para a vida do Grupo. E pedir, por fim, que pela ação valorosa do Grupo, Nossa Senhora expulse o demônio da terra.

Os senhores sabem que há duas espécies de demônios: os demônios que tiveram uma iniciativa marcante na revolta dos anjos e que foram precipitados no Inferno, e os demônios que mais se deixaram arrastar do que propriamente lutaram, mas que também se revoltaram torpemente contra Deus. Esses demônios estão pelos ares.

São Paulo fala nesses demônios dos ares e ainda até há pouco tempo se rezava depois da missa o exorcismo de Leão XIII, que pedia a Deus que mandasse para o Inferno os demônios que andam pervagando no mundo para a perdição das almas.

Nós devemos pedir que sejamos livres da ação dos demônios do Inferno e desses demônios dos ares. Que toda a terra seja livre deles de maneira tal, que se estabeleça uma das condições mais fundamentais para o Reino de Maria.

O fim da Bagarre, o último lance dela, vai ser, evidentemente, uma grande vitória de Nossa Senhora sobre o demônio e uma rejeição, uma expulsão de um número incontável de demônios para o fundo do Inferno. Aí compreenderemos bem como o mundo respirará aliviado, sem esse peso diabólico, cujo gravidade a gente não é capaz de sentir tão inteiramente nos dias que correm.

Fica, portanto, aqui esta sugestão para que rezemos a Nossa Senhora dos Anjos, inimiga irreconciliável do demônio, para que os anjos venham em nosso auxílio, expulsem de nós e da terra o poder do demônio.

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