Santo
do Dia (Rua Pará) – 19/7/1967 – 4ª-feira –
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Santo do Dia (Rua Pará) — 19/7/1967 — 4ª-feira
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anterior do arquivo:
Beato Gregório Lopez, pajem na corte de Felipe II; tocado por Nossa Senhora abandona o mundo para fazer-se ermitão no México; sofre perseguições; reconhecida sua virtude, pedem-lhe conselhos; maneiras de contemplação; nosso modo, a partir da esfera temporal.
* Beato Gregório Lopez, biografia * Feitios de contemplativos * Contemplação na esfera temporal
Beato Gregório Lopez
Amanhã, vinte de julho, é festa do Beato Gregório Lopez, confessor. Rohrbacher, diz ele o seguinte na “Vida dos Santos”:
* Beato Gregório Lopez, biografia
Gregório nasceu em Madri, em julho de 1542, no esplendor da hegemonia espanhola na Europa. Pajem na corte de Felipe II. Em 1572 fez uma peregrinação à Nossa Senhora de Guadalupe, na Estremadura. Ali ouviu falar de outro santuário de Nossa Senhora de Guadalupe, no México. Uma [como] tocha ardente abrasou-lhe o coração, concebendo o desejo imenso de partir para o Novo Mundo, onde se poria às ordens do Senhor e de sua Mãe Santíssima.
Desembarcando em São João de Ulhoa, na cidade que Cortez chamara Vila Rica da Verdadeira Cruz, Gregório vendeu tudo que trouxera e o produto da venda deu aos pobres. Para ganhar a vida, fez-se copista por algum tempo. Depois afastou-se da sociedade indo para um ermo e dedicou-se a fazer penitência, sendo assaltado duramente pelo demônio.
Apenas aos domingos comparecia à Igreja, para comungar. O anacoreta começou logo a chamar a atenção do povo, que o tomou por mau elemento, ainda mais depois que declinou o convite feito por um dominicano, de entrar em sua Ordem. “Deus não me chamou para os pregadores”, disse, voltando para seu isolamento. Por duas vezes o arcebispo do México ordenou sindicâncias para elucidar o caso de Gregório. Em ambas as vezes o resultado foi mais do que favorável ao solitário. O jesuíta que se desincumbiu da segunda missão chegou a declarar que comparado àquele homem, ele não conhecia nem mesmo o “abc” da vida espiritual. Desde então, passou Gregório a ser procurado para dar conselhos.
Era Gregório alto, de belo aspecto, de barbas e cabelos cor de avelã, olhos vivos e negros. Seu corpo era macerado pelas mortificações, jejuns e longas vigílias. Tudo o que possuía era a Bíblia, um mapa mundi e um globo. O mapa e o globo eram obras suas. Era hábil cosmógrafo, calígrafo e conhecedor de anatomia e medicina; herborista, deixou livros onde descreveu as virtudes de um cem números de plantas. Foi também alfaiate e sapateiro.
O beato Gregório, primeiro anacoreta em terras americanas, faleceu após dois meses de penosa enfermidade, a vinte de julho de 1596. Suas relíquias foram disputadas e numerosíssimos milagres ocorreram em seu túmulo. Seu corpo ficou com os carmelitas do México, sendo sua cabeça transportada para a Espanha. Como houvesse deixado alguns escritos, Felipe IV ordenou ao vice-rei Henrique Pacheco e Osório, marquês [de]… [falta palavra]…, que os reunisse e deles cuidasse. Entre suas obras há uma explicação do Apocalipse.
* Feitios de contemplativos
Os senhores estão vendo aí o espírito contemplativo que dá fundamento a alguma coisa que nos interessa. Ele era um contemplativo, é verdade, mas seu feitio de espírito não correspondia muito exatamente à idéia — aliás, fundada na realidade — de que o comum das pessoas fazem a respeito dos contemplativos. As pessoas têm idéia de que a contemplação é um puro meditar direto sobre o conteúdo da Revelação e da Tradição, sobre os documentos do magistério da Igreja e sobre temas de caráter estritamente religioso. É-lhes difícil conceber que, conforme o feitio do espírito, a pessoa pode entremear essa meditação religiosa com a meditação igualmente religiosa, não sobre os temas diretamente religiosos, mas sobre os aspectos religiosos dos temas profanos; e que é possível elevar-se a Deus e fazer altas meditações, por exemplo, a respeito da natureza vegetal e que, portanto, organizando um mostruário, uma coleção, ou fazendo um estudo da natureza vegetal, o homem verdadeiramente contemplativo pode subir aos píncaros da contemplação. E essa forma de contemplação, evidentemente, é uma forma secundária, menos nobre, mas perfeita e é indispensável que também seja levada a cabo pela humanidade ao longo dos séculos, e que é muito justo que espíritos contemplativos se destinem a isto.
* Contemplação na esfera temporal
Como também há um certo modo contemplativo de operar. Eu compreendo, por exemplo, que um artesão possa contemplativamente fazer um bonito móvel, que ele possa não só ter uma idéia contemplativa de um bonito móvel, mas que no fazer ele tenha uma visão contemplativa da beleza do operar e da justeza do operar e que com isso ele possa fazer uma verdadeira contemplação. Os senhores estão [aí] vendo um autêntico contemplativo, que talvez tenha sido um muito grande contemplativo — certamente foi um grande contemplativo, porque, afinal, é um bem-aventurado, como tal reconhecido pela Igreja — e cuja contemplação, em tão larga medida, se exerceu, se dirigiu a Deus Nosso Senhor e a Nossa Senhora, através das coisas temporais. O que é muito da escola de vida espiritual do nosso grupo. Tomar as coisas temporais também e por elas subir até Deus. Reconhecendo, proclamando, afirmando com amor que o tema principal da meditação são as coisas diretamente religiosas e espirituais. Isto é evidente.
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Rua Pará