Santo do Dia (Rua Pará) – 19/7/67 – 4ª feira [SD 262] – p. 2 de 2

Santo do Dia (Rua Pará) — 19/7/67 — 4ª feira [SD 262]

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O homem pode encontrar graça diante de Deus, e também do demônio * “Cair em graça junto ao demônio, é quando o demônio percebe que a pessoa tem uma psicologia por onde os bens desta terra podem induzi-la ao pecado e fazer-lhe mal” * Somente uma graça da Rainha dos Anjos pode libertar dessa ação do demônio

* O homem pode encontrar graça diante de Deus, e também do demônio

Aqui está no livro “Glórias de Maria” um pensamento de São Boaventura. Ele faz uma pergunta interessante, uma pergunta arguta. Ele diz que o anjo disse a Nossa Senhora que Ela encontrou graça diante de Deus, então ele faz a seguinte pergunta: “Mas como encontrou graça diante de Deus? Não é só diante de Deus que se encontra graça? Então não era o caso de dizer simplesmente que achou graça? Por que esta expressão ‘diante de Deus’?”.

E São Boaventura, que é um grande doutor, diz então que é claro que era preciso dizer diante de Deus, porque também a gente pode encontrar graça diante do demônio, e que há pessoas que caem nas boas graças do demônio. O cair nas boas graças do demônio não significa que o demônio possa ter amor a alguém, porque pelo estado em que está, ele é insuscetível de ter amor a ninguém. Ele só tem amor a si, e tem ódio a Deus, a tudo, e inclusive aos outros demônios. E os demônios que estão no Inferno se odeiam profundamente uns aos outros e têm profunda antipatia uns contra os outros, no que, aliás, eles têm muita razão.

* “Cair em graça junto ao demônio, é quando o demônio percebe que a pessoa tem uma psicologia por onde os bens desta terra podem induzi-la ao pecado e fazer-lhe mal”

Então, ele diz: “Como é que a pessoa cai em graça junto ao demônio? Cair em graça junto ao demônio, é quando o demônio percebe que a pessoa tem uma psicologia por onde os bens desta terra podem induzi-la ao pecado e fazer-lhe mal. Então o demônio oferece às pessoas esses bens da terra, e a pessoa, acumulada com esses bens, perde sua alma. De maneira que muitas vezes a posse dos grandes bens da terra é proporcionada pelo demônio e é feita para que o homem se encharque completamente naquele apego, naquela vaidade, naquela ganância, naquela boa vida e fique como que insuscetível de santificar-se. É, portanto, um modo que o demônio consegue de perder a alma”.

Ele explica, a respeito desse assunto, que o homem que encontra graça diante do demônio, tem o seu modelo em Holofernes, que é aquele general que Judite decapitou.

Holofernes, na Escritura, é o tipo do homem mau, e que todas as prosperidades do Holofernes eram prosperidades do homem mau, eram prosperidades sugeridas, dadas pelo demônio.

Às vezes quando a gente vê certos filhos da Revolução se alçarem, fazerem fortunas rapidíssimas, ou ao menos subirem de uma fortuna comum a um estado de fortuna vertiginoso, granjearem fama, reputação, serem cercados de simpatia da parte de todo mundo, vai-se ver e existe, não raras vezes, formas de ação diabólica desenvolvidas em favor dessa pessoa.

E o que é curioso é que em minha vida eu tenho observado muito isso, certas pessoas que são dotadas de um dom de simpatia mais ou menos inexplicável. Elas não são inteligentes, nem isto ou aquilo. São perfeitamente comuns. Mas elas têm certo jeito de sorrir, um certo jeito de tratar com os outros, uma certa coisa, que é um imponderável que está nelas. Neste imponderável elas captam a boa vontade de todo mundo, sem terem que fazer esforço nenhum, e todo mundo tem vontade de ajudá-las e de servi-las. Isto pode ser um dom natural e um dom até vindo de Deus. Mas quando a gente vê que pessoas dotadas disto se servem disto constantemente para o mal e que toda sua influência nos ambientes onde exercem é voltada para fazer progredir o mal, deve-se ver nisto, com muita probabilidade, se não com certeza absoluta, uma graça do demônio, um favor do demônio, que capacita aquele seu instrumento a exercer uma ação especial no ambiente em que está.

* Somente uma graça da Rainha dos Anjos pode libertar dessa ação do demônio

Isto me faz pensar numa coisa.

Tenho conhecido em minha vida gente que percebe mais ou menos que o demônio faz esses favores, e por esta forma toma o hábito de fazer certas superstições, de aderir a certas coisas meio esquisitas, com figa e outras coisas desse gênero, percebendo, não por uma superstição vaga, mas percebendo qualquer lampejo de favor do demônio quando fazem aquilo. Até para jogo eu tenho notado isto. E formam uma espécie de pacto com o demônio, um pacto que é feito de um hábito, e não é um pacto explícito. É um hábito que se cristaliza. Faz-se certas coisinhas e o demônio faz certos favores. Através disso entra uma espécie de ligação do indivíduo com o demônio, que fica uma coisa mais ou menos invencível.

É preciso uma graça singular de Nossa Senhora para a pessoa se libertar disso. E aqui entra o papel de Nossa Senhora. Exatamente a libertação dessa ação do demônio só pode ser dada por uma especial ação de Nossa Senhora, que é a Rainha dos anjos, que neles manda portanto, e pode mandar seus anjos expulsarem ou fazerem cessar a ação do demônio.

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