Reunião Normal (Sede do Reino de Maria) – 14/7/1967 – 6ª feira [SD 248] – p. 4 de 4

Reunião de Recortes1 (Sede do Reino de Maria) — 14/7/1967 — 6ª feira [SD 248]

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Leitura, com breves comentários, do início da entrevista referente à colaboração Kruschev-Kennedy * A um filho das trevas não se trata com afabilidade, mas com firmeza, impondo-lhe medo e respeito * Ao contrário de nossas relações com os filhos das trevas, entre nós deve reinar a afabilidade * Respeito e admiração que o Sr. Dr. Plinio incute em seus adversários

* Leitura, com breves comentários, do início da entrevista referente à colaboração Kruschev-Kennedy

Vale a pena, a título de ambientes e costumes, comentar apenas um recorte que me pareceu muito pitoresco. É o seguinte:

A cadeia de televisão da NBC transmitiu, ontem à noite, o vídeo-tape de uma entrevista concedida por Kruschev, a qual já fora divulgada há alguns dias. Esta entrevista tem o título: “Kruschev no exílio, suas opiniões e revelações”.

É algo de novo que, na Rússia, um exilado possa falar para o mundo inteiro. É um passo a mais que se dá naquela configuração de que a Rússia está se democratizando.

A NBC assinalou que as fitas magnéticas e os fios utilizados na entrevista foram conseguidos em fontes particulares da União Soviética e de outros países. O filme mostra Kruschev em sua casa de campo, próxima a Moscou, na companhia de seus netos, acendendo uma fogueira no jardim e depois batendo fotografias.

Observem o bem-estar. É um pouco como o Eisenhower na sua casa de Camp David.

Ele parecia bem disposto, com o chapéu virado para trás, sorrindo e conversando informalmente.

Bem, aquele animal é incapaz de conversar formalmente.

Kruschev em sua entrevista diz que…

Aqui vem o lado interessante.

elegeu Kennedy presidente dos Estados Unidos e impediu que Nixon fosse eleito em 1960.

Isso, como sintoma das afinidades Kennedy-comunistas, é curiosíssimo.

A este respeito, lembrou o diálogo que manteve com Kennedy em Viena, em 1961.

Agora palavras textuais de Kruschev:

Eu lhe disse: ‘Você foi eleito presidente graças a mim’. Expliquei-lhe que ele conseguira duzentos mil votos a mais que Nixon porque eu me negara a aceder a um pedido ex-presidente para libertar Gary Powers, piloto do avião U-12, abatido pela Rússia. ‘Se eu tivesse atendido a esse pedido, Nixon teria vencido por meio milhão de votos de vantagem, pois se teria demonstrado capaz de estabelecer melhores relações com a Rússia do que você. Nós, porém, adivinhamos suas intenções e decidimos não responder’”.

Por esta forma, então, Kennedy foi eleito

Kruschev perguntou então a Kennedy o que dizia do que ele acabava de ouvir, e o presidente dos Estados Unidos respondeu: “Estou plenamente de acordo consigo. Se não tivesse agido dessa maneira, certamente Nixon teria obtido esses duzentos mil votos”.

* A um filho das trevas não se trata com afabilidade, mas com firmeza, impondo-lhe medo e respeito

Aqui termina a parte da colaboração Kruschev-Kennedy.

Aliás, isso depois foi desmentido por um norte-americano. Teriam que desmentir, evidentemente.

Agora é que vem a parte mais interessante e que é a parte de ambientes e costumes.

A partir desse momento, Kruschev começa a atacar Nixon e a defender Kennedy. O o que ele ataca no Nixon é algo que corresponde à mentalidade mole demo-cristã. E o que ele elogia no Kennedy é algo que corresponde à consistência varonil ou ultramontana. E nesse sentido, a gente vê que o que ele admira é o homem com o estofo de espírito que tem o ultramontano e o homem que ele despreza é o homem que tem a mentalidade “pedecista”.

Ele fala pouco de Nixon, mas servia para qualificar o Montoro, por exemplo. Ele só diz umas cinco ou seis palavras:

Nixon é um inútil e um fantoche sem princípios”.

Isso ele despreza.

Ora, o demo-cristão é isso.

Agora vem o elogio do Kennedy. Não, ainda é outro demo-cristão:

Julgou com severidade o presidente Eisenhower, afirmando: “Os que o conheceram como chefe militar e como estadista não tinham opinião muito elevada a seu respeito, e sob qualquer desses aspectos. Era, em geral, considerado um general medíocre e um presidente débil, devido precisamente ao seu caráter afável. Deve-se, porém, reconhecer que era uma boa pessoa.

Um bobo!

Eu sustento a tese de que com gente infectada de espírito de Revolução, a afabilidade é o maior dos erros, inclusive com o intuito de convertê-los. Porque Esaú não gosta de afabilidade. Ele gosta ali no duro: revólver ou prato de lentilha. E chicote nele! Ele pode até matar quem o chicoteou, mas ele fica com admiração.

É o único jeito de conseguir admiração em filho das trevas. O filho das trevas pode fazer um elogio do bobo quando lhe é útil. É afável, é bom tratar com ele. No fundo da cabeça, ele está tachando o homem de cretino.

O que há de cretino no Eisenhower está perfeitamente indicado aqui.

A afabilidade é conexo com moleza e com bobeira no espírito do filho das trevas. Pelo contrário, os senhores vão ver como ele aprecia um homem. Vai falar agora do Kennedy.

Por seu lado, Kennedy impressionou-me profundamente como homem e como estadista. Ao contrário de Eisenhower, tinha sua própria opinião sobre todas as questões que discutíamos e era isso o que nele mais me agradava.

Aliás, é preciso dizer que o Kennedy tinha opinião, tinha. Era uma opinião errada, era uma opinião terceira-força miserável, mas ele tinha um sistema. Esse sistema fazia sentido a tal ponto que o mataram.

Ninguém tem interesse em matar Eisenhower. Não vale a bala que se meta nele, o esforço e o risco de matá-lo. Ele é afável, bobo, que horror! Manda embora o afável. Com revolucionário é isso.

O que ele gostava mais no Kennedy era o sistema. Um homem de sistema.

Formulava respostas precisas a todas as perguntas.

A gente vê que o Eisenhower não tem resposta precisa.

Parecia que já as havia meditado antes e todas correspondiam, no fundo, à sua linha de ação e ao seu ponto de vista pessoal.

É ou não é a imagem de um homem coerente, de um homem que tem a verdadeira sabedoria e que entende que é político ser franco e dizer as coisas?

* Ao contrário de nossas relações com os filhos das trevas, entre nós deve reinar a afabilidade

Entre nós, não! De filho da luz para filho da luz, toda afabilidade é pouca. Aqui deve ser o reino da afabilidade. Mas lá fora não. Lá fora, é revólver e prato de lentilhas, e o que não dá certo de um lado, dá de outro. E não esperar nada da afabilidade.

Eles admiram quem os enfrenta e passa chicote.

* Respeito e admiração que o Sr. Dr. Plinio incute em seus adversários

Às vezes, me acontece — se me é lícito referir uma impressão pessoal a respeito de mim mesmo — entrar num ambiente que está cheio de revolucionários e eu noto o ódio de todos. Pouco caso eu nunca notei, e eu tenho certeza de que, no fundo, eles respeitam. Respeitam com um respeito cheio de ódio: “Vamos acabar com ele”.

E se eles podem ter admiração por dois tipos de católicos, do qual um seria um de nós e outro um demo-cristão, eles vão conviver com o demo-cristão, vão elogiar o demo-cristão, mas nunca vão admirar.

Eles fogem de nós, nos detestam, mas quem eles tomam a sério, somos nós. E tomar a sério e admirar é a mesma coisa. A gente não pode admirar aquilo que a gente não toma a sério.

Pergunto também aos senhores, em que tomar a sério um demo-cristão? É possível isto?…

Kennedy era um verdadeiro estadista.

Kruschev também afirmou que a União Soviética foi vencedora da crise de Cuba, etc. Isso é menos interessante.

Do lado ambientes e costumes, acho muito curiosa essa coisa. Talvez, não sei bem, servisse para algum comentário na nossa circular boletim.

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1 Estava como Reunião Normal. Neste dia da semana, até a diabetes do Sr. Dr. Plinio, se realizava a Reunião de Recortes