Reunião
de Recortes – 7/7/67 – 6ª feira .
Reunião de Recortes — 7/7/67 — 6ª feira
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Em Montreal, um casal faz-se crucificar. Esse é o indício de que está nascendo a era da parapsicologia * Toda a doutrina panteísta caminha para uma pseudo-redenção do gênero humano por uma alma coletiva * O nascimento de um mundo novo: “São os clarins do demônio que já se fazem ouvir” * Importância dada pela Estrutura ao Grupo de “Catolicismo”. Episódio ocorrido com o Fundador num aeroporto
* Em Montreal, um casal faz-se crucificar. Esse é o indício de que está nascendo a era da parapsicologia
[Três recortes:]
Crucificam-se marido e mulher. Montreal.
Para demonstrar o domínio que a prática de Ioga proporciona sobre os sentidos, um francês de 28 anos, filho de pai indiano, fez se crucificar em Montreal numa cruz de madeira juntamente com sua esposa, uma dançarina de 24 anos.”
Os senhores estão compreendendo a blasfêmia, não é? E a insinuação de que Nosso Senhor era Ioga, que Ele não morreu e que sua Ressurreição foi uma pseudo-Ressurreição.
Durante 30 horas o jovem francês permaneceu impassível enquanto os cravos para ferrar cavalos, de 10 cm, provocavam hemorragia em suas mãos e pés.
Sua esposa permaneceu crucificada por 24 horas.
Ao fim da demonstração assistida por mais de 300 pessoas, o casal declarou estar com perfeito controle de suas faculdades.
Agora os senhores vêem também, que isto é feito para dar a prova da importância da Ioga, do poder da Ioga, e para habituar a opinião pública a essa idéia: de que está nascendo uma outra era para a humanidade, que é a era trans-psicológica. É a era das forças supra-mentais que dirigem o mundo, e perto da qual a nossa pobre humanidade, com a psique-individual e não a psique-coletiva panteísta, não é senão uma coisa completamente superada.
Quer dizer, este episódio é o indício mais agudo de algo que se faz no mundo inteiro e que é a luta pelo Ioga, para criação de uma psicologia coletivista que ficará mais distante do mundo atual do que o mundo atual está distante de Ramsés II.
É isto que está superando no atual estágio da Revolução.
Não sei se querem algum pormenor sobre isso, ou se isso está bastante claro, isso é muito importante.
[Um argentino (talvez Cosme Beccar Varella) faz uma pergunta.]
* Toda a doutrina panteísta caminha para uma pseudo-redenção do gênero humano por uma alma coletiva
Quer dizer o seguinte: Algum tempo atrás os espíritas eram tidos como gente meio detraqué, maluca. Havia, aliás, ótimos livros católicos provando que o espiritismo leva à loucura e que, por outro lado, o espiritismo é ou diabólico, ou charlatão. Mas que ele não vale nada.
Bem, de uns dez anos para cá, esta posição da ciência oficial, e até certo ponto de elementos qualificados do clero, a respeito do espiritismo mudou. Eles começaram a aceitar a idéia de que há uma ciência nova, que é a psicologia nova, e que esta psicologia mostra que a alma tem um império sobre a matéria muito maior do que a gente supõe e, portanto, também um império sobre o corpo muito maior do que a gente supõe.
Mas quando a gente vai perceber o que é que é esta alma, não é mais a alma individual de cada homem, mas é o espírito que seria uma força que está para cada homem — para a alma de cada homem — como a idéia de o mar está para cada uma das milhões de gotas que dentro do mar existem.
Quer dizer, é uma coisa panteísta e pan-psiquista. E se esta doutrina é admitida como verdadeira, a gente chega à conclusão de que a existência do indivíduo é uma ilusão; que a grande realidade é a existência de uma grande alma coletiva; que cada indivíduo pode acentuar o império desta alma coletiva dentro de si mesmo, e que esta alma-coletiva é algo que dirige a História da humanidade e propriamente é o autor da História da humanidade; e que o conhecimento deste fato dá a cada homem uma força e um domínio da natureza parecido com o que tinha Adão antes do pecado. E que há, portanto, uma verdadeira regeneração — redenção do gênero humano — nesta alma coletiva. Isso é para onde caminha toda a parapsicologia — meta-psicologia moderna — ora veladamente, ora ocultamente, mas caminha para isto.
Essa experiência virá dar crédito a essa exposição, que a verdadeira “religião do futuro” da UNESCO é esta.
* O nascimento de um mundo novo: “São os clarins do demônio que já se fazem ouvir”
(D. Luiz: Isso não viria como último passo então, da adoração do mundo inteiro ao demônio?)
Ah, sim! Porque esta alma coletiva é, afinal de contas, o demônio, não é?
Quer dizer, são os clarins do demônio que já se fazem ouvir. Agora, é claro que este mundo assim seria um mundo completamente diferente do nosso, não é?
Dirigido pela psicologia e não mais pela matéria, não é?
Certamente nasceria um mundo completamente novo.
Está claro isso ou não?
Aliás, no “Le matin de Magicien” exatamente entra nessa onda, não é?
[O seguinte texto, localizado em lugar diferente nos microfilmes, com a mesma data, parece ser da mesma reunião]
* Importância dada pela Estrutura ao Grupo de “Catolicismo”. Episódio ocorrido com o Fundador num aeroporto
Nessas nomeações de Cardeais e, depois de cargos da Cúria Romana, quantos dignatários do Vaticano pertencentes ao Sacro Colégio ou ocupando eventualmente altos cargos na Cúria passaram pela Nunciatura do Rio de Janeiro! Quanto, portanto, para essa gente, estão presentes os problemas do Brasil, e portanto o Grupo! Porque ninguém passa pela Nunciatura do Rio de Janeiro sem ficar com D. Mayer, D. Sigaud e o Grupo de “Catolicismo” muitíssimo em vista, muitíssimo.
Eu não posso me esquecer: anos atrás, fui convidado para Recife, para uma conferência. Tomo o avião para Recife, e no mesmo avião entra o Cardeal Dom Jaime Câmara.
Eu fui e cumprimentei D. Jaime no aeroporto; mas cumprimentei respeitoso, mas ultra-rápido. Ele estava até conversando com D. Cintra que ficou um pouco atrapalhado quando se viu em tão boa companhia na minha presença.
Eu cumprimentei os dois ultra-rápido e saí. E depois, na fila, me coloquei bem atrás deles, de maneira que, entrando, fiquei sentado bem no fundo do avião e eles estavam na frente.
E tinha alhures um padrezinho, seco, moreno, alto, magro, com olhar vivo, se bem que não muito inteligente, que olhava.
Eu pensei: “Quem será esse padrezinho?”.
De vez enquando ele me olhava com cara de quem quer me abordar.
O avião era dos tais “pinga-pinga”, que pára aqui, lá acolá… Na primeira estação que o avião parou, eu desci e D. Jaime e D. Cintra começaram a andar de um lado para outro, e eu do outro.
O padrezinho chegou-se para mim e me disse:
— Dr. Plinio — em Português muito mal falado — eu sou Mons. Ferrofino da Nunciatura Apostólica, como vai passando o senhor?
Eu disse:
— Bem. O sr. está passando bem?
Ele disse:
— Olhe, eu quero lhe pedir um favor: vá falar com o Sr. Cardeal e dar uma conversa com ele. Assim não fica bem, aqui diante de toda esta gente do aeroporto, o senhor estar de um lado e o Cardeal de outro.
Quase que eu disse a ele:
— Padre, para mim não fica mal, eu pelo menos não estou me sentindo mal. Se fica mal para o Cardeal, ele que mande um secretário dele me convidar.
Mas naturalmente eu não disse isto, não é?
Eu me aproximei, dei uns dedos de prosa com o Cardeal, logo nos chamaram para o avião e está acabado.
Mas, um padre que eu nunca tinha visto — Ferrofino — sentadinho lá, na cadeirinha dele, filosofou a respeito do erro, e achou que num aeroporto de passagem o Grupo do “Catolicismo” era bastante conhecido para se saber quem estava lá. E que ficava mal para o Cardeal — porque não era para o Grupo que ia ficar mal — ficava mal para o Cardeal o Grupo não dar — segundo a linguagem freqüente entre alguns do senhores — não dar bola para o Cardeal. Vai e fala.
Isso é para dizer aos senhores até que ponto um funcionário da Nunciatura tem em vista o problema do Grupo, não é? E como, portanto, isto vai nos trazendo para o centro da cena no Vaticano.
É uma observação de passagem, mas que tem uma importância real.
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