Santo do Dia (––- Segunda datilografia, sem conferição final ––-) – 19/5/67 – 6ª feira – p. 2 de 2

Santo do Dia — 19/5/67 — 6ª feira

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Leitura da história de Nossa Senhora de Almuneda * No milagre de Nossa Senhora de Almuneda está a afirmação: “para quem confia, nada é impossível”Nossa Senhora de Almuneda

Madrid, século XI.

* Leitura da história de Nossa Senhora de Almuneda

Conta a tradição que quando D. Afonso VI reconquistou Madrid aos mouros, procedeu imediatamente à purificação da igreja de Santa Maria, profanada por eles. Era uma igreja que naturalmente era católica antes das invasões mouras, e na qual provavelmente [puseram?] uma mesquita.

Como lá não se achava a imagem da Virgem, que ele sabia existir antes do domínio mouro, que fora trazida por São Tiago, organizou, de acordo com as autoridades eclesiásticas, uma procissão rogativa para impetrar ao Senhor o encontro da imagem.

O piedoso cortejo foi circundando as muralhas da cidade, entoando cânticos e recitando com fervor preces para obter da Misericórdia Divina que lhe mostrasse onde estava oculta a imagem. Chegando o cortejo ao local que dá para… [inaudível] …aconteceu o esperado milagre: desmoronando-se parte da muralha, aí encontraram a imagem da Virgem, ali oculta há mais de trezentos anos, iluminada por duas lâmpadas e que ali haviam colocado os cristãos antes de taparem o nicho onde ficou encerrada.

O nome Almuneda quer dizer mercado ou celeiro, por ficar perto do local das muralhas o mercado ou depósito de cereais dos mouros.

* No milagre de Nossa Senhora de Almuneda está a afirmação: “para quem confia, nada é impossível”

O fato é claríssimo e lindíssimo e dispensa uma renarração. É bonito ver aqui como Nossa Senhora premiou duas coisas: primeiro a fé desses cruzados, desses guerreiros que, não encontrando a imagem, fizeram muito empenho em tê-la e fizeram a volta da cidade numa procissão, certos do valor da oração. Compreenderam quanto era importante que ela fosse colocada naquele nicho, para uma reparação adequada à própria imagem que de lá fora retirada. Segundo, fazendo uma procissão para obter esta graça para, desfazendo a obra dos mouros, reparar a obra que os mouros tinham realizado, o pecado que tinham cometido.

Também é bonito notar como Nossa Senhora premiou — isto é uma reflexão um pouco menos evidente — a fé daqueles que tinham ocultado a sua imagem: eram os visigodos católicos que, vendo que os mouros se aproximavam e não tendo mais esperança de poderem levar a imagem consigo, muraram a imagem, com a certeza de que, pelo menos, a imagem não seria profanada. Também — observem, vejam a idéia — colocaram ali lâmpadas e as acenderam antes de murar o local. E aqui está verdadeiramente a beleza, não quiseram que a imagem ficassem sem uma homenagem. E suspeita-se da esperança deles com essas lâmpadas, de que a imagem viesse a ter novo culto. Muraram daquele jeito, como se fosse uma pequena capela.

Para justificar suas esperanças, foi feito um milagre, que é um dos mais lindos milagres da confiança. Durante 300 anos essas lâmpadas continuaram a arder; quando foi derrubada a muralha, foram encontradas ali ardendo. É um milagre tão grande quanto a multiplicação dos pães no Evangelho. Uma verdadeira maravilha, como quem diz: as coisas de Nossa Senhora são assim, embora muito derrotadas, embora muito esmagadas, algo nelas de irreversivelmente vitorioso, fica.

Essas lâmpadas são as lâmpadas da confiança: onde está a confiança, aí arde a possibilidade de uma ressurreição, de uma restauração e de uma nova vitória. Mesmo nas circunstâncias mais hostis, Nossa Senhora faz milagres. Para quem confia, nada é impossível.

Isto é muito importante para nossa vida espiritual. Nada é impossível, se confiarmos contra toda e qualquer esperança. Ainda que as piores razões de abatimento se acumulem em torno de nós, [é preciso] confiar, pois Nossa Senhora premiará. Se verá no fundo que essa confiança que nunca se quebrantou, também nunca é desiludida por Nossa Senhora, que mantém a chama viva até chegar a hora de suas graças extraordinárias.

Confiança também no que diz respeito aos empreendimentos de apostolado e à causa da Contra-Revolução. Os senhores sabem que em nosso pupitre está esta frase da Escritura: “O resto voltará”. Depois de muito derrotado, muito esmagado, ele voltará. Esta é nossa confiança, junto à qual devem arder, em nossa alma, duas lâmpadas, continuamente. São as lâmpadas da convicção da irreversibilidade do Reino do Coração Imaculado de Maria e de que Ela virá. A promessa de Fátima está aí: “No fim o meu Imaculado Coração triunfará”.

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