Santo
do dia – 12/5/67 – 6ª feira .
Santo do dia — 12/5/67 — 6ª feira
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A história da imagem de Nossa Senhora da Humildade * A humildade de Nossa Senhora consistia em considerar sua grandeza e dar graças a Deus * Leitura da biografia de São Roberto Belarmino * Toda a grandeza e todo o heroísmo de São Roberto Belarmino vinham de sua santidade
A imagem que vai ser venerada hoje no alardo é de Nossa Senhora de Guadalupe, sendo venerada no primeiro Congresso Latino Americano de “Catolicismo” e atualmente se venera na sala do MNF da Aureliano.
Hoje é festa de Santo Inácio de Lacut, Confessor da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos. Sua relíquia se venera em nossa capela.
É festa também do Bem-Aventurado Francisco Patrizi, Confessor da Ordem dos Servos de Maria. Sua relíquia se venera em nossa capela.
Amanhã vai ser a festa da aparição de Nossa Senhora do Rosário em Fátima. Festa também de São Roberto Belarmino, bispo, confessor e doutor da Igreja.
* A história da imagem de Nossa Senhora da Humildade
A invocação de Nossa Senhora que nós devemos lembrar hoje é uma invocação de Nossa Senhora na Etrúria. É um lindíssimo título, Nossa Senhora da Humildade, quando nós nos lembramos da definição que Santa Tereza de Jesus dá da humildade, não é? Humildade é a verdade.
Quando uma guerra intestina convulsionava a cidade de Pistóia, os habitantes da cidade são surpreendidos por um milagre estrondoso. Uma pintura da Virgem no Exterior da igreja começa a suar abundantemente, deixando correr um suor límpido como a água.
Ao anúncio desse prodígio, os habitantes locais acorrem ao Santuário e vêem o suor correr da fronte da Virgem em tal quantidade que as suas vestimentas ficam úmidas, assim como a face do Menino Jesus.
Uma grande emoção sucedeu ao pasmo, espalhou-se por toda a região onde começaram a fazer penitência implorando à Santíssima Virgem o perdão pelos seus pecados.
A piedade dos habitantes tocados de humildade intensificou-se, tornando-se o oratório tão pequeno que o bispo fez construir uma magnífica igreja em honra desta imagem milagrosa.
É bonito nós vermos aqui o quanto Nossa Senhora sofria com esta guerra entre cristãos. Eram guerras civis que, por volta do século XV, quando se deu este fato, punham em desordem todas as cidades do norte, do centro e até do sul da Itália, numa época em que essas guerras civis eram tão cruéis e tão freqüentes que grande número de residências particulares eram fortificadas, tinham torres e tinham dispositivos para a luta.
Eram guerras provocadas pela cobiça, pela inveja, pelas dissenções, provocadas por toda a espécie de paixões ignóbeis e que pressagiavam a decadência da Idade Média e o começo da Revolução.
Este derramar de um sangue fratricída era evidentemente uma coisa muito triste, mas, por outro lado, era triste também ver como as paixões desordenadas punham em polvorosa uma península feita para a ordem, para a paz, para a meditação, contemplação e para a arte.
E assim a gente compreende que Nossa Senhora tenha querido operar um grande milagre, fazendo transpirar esta imagem de Nossa Senhora da Humildade. Porque Nossa Senhora da Humildade?
Pela narração parece que era assim que se conhecia já esta imagem anteriormente e que, portanto, esta linda invocação não se deve ao fato, o fato é posterior a esta invocação.
Nós podemos pensar algo a respeito de Nossa Senhora da Humildade? Certamente.
* A humildade de Nossa Senhora consistia em considerar sua grandeza e dar graças a Deus
Ninguém poderia ser mais humilde do que Nossa Senhora. Porque se a humildade é uma virtude, Nossa Senhora a teve em grau super excelente e insondável, inconcebível por nós.
Por outro lado, Ela na sua vida deu várias provas de humildade, mas essa humildade não consitia somente em colocar-se abaixo de todos, mas consistia também em ver a sua grandeza excelsa de Mãe de Deus e agradecer a Deus os dons incomparáveis que lhe tinha feito e conhecer toda a extensão de sua própria santidade.
Quer dizer, havia uma humildade sumamente equilibrada, uma humildade serena, uma humildade virginal, uma humildade de um espírito que por ser a Sede de Sabedoria era todo voltado a ver a verdade.
Então, nós nos perguntamos qual seria uma intenção, um pensamento ou uma intenção para o dia de amanhã.
O pensamento é Nossa Senhora nos dar a graça de nós vermos a nosso respeito toda a verdade. Ela nos dar a graça de conhecermos os nossos defeitos objetivamente com probidade e realmente a fundo, olhando para esses defeitos de frente, assim como no momento eu olho para aquela imagem de Nossa Senhora de Fátima, para aquela parede.
Mas, de outro lado também, Nossa Senhora expungir de nossa alma todo resíduo do conceito de humildade à la heresia branca, toda espécie de humildade falsa de pescoço torto, que é a caricatura da humildade e que expulsa das almas a humildade. É uma forma requintada de orgulho, esta falsa humildade.
* Leitura da biografia de São Roberto Belarmino
Isto posto, vamos ver a biografia de São Roberto Belarmino. São dados tirados de Scanon, “Verdadeiro rosto dos santos”.
Nascido a 4 de outubro de 1542 em Montepulciano, Toscana, de uma fina família de alta nobreza, Roberto Belarmino ingressou em 1560 na Companhia de Jesus. Foi decisiva para a sua atividade científica posterior que a ordem o enviasse a Louvain em 1569 para que realizasse estudos na famosa Universidade, então, um dos principais bastiões contra o protestantismo.
Entre 1570 e 76, Belarmino aí pregou com grande êxito como professor de Controvérsia Teológica.
Gregório XIII o chamou, então, para Roma, quando já se havida convertido numa grande figura européia, para que tomasse a seu cargo os alunos que freqüentavam os colégios alemães e ingleses, preparando-os para as batalhas espirituais que deveriam enfrentar em seus respectivos países.
Suas conferências se condensaram em sua famosa obra [“Disputatione et controversiae Christiano fidei adversus hereticus”?].
Possuía uma grande inteligência, graças a qual lhe era possível ordenar e dominar o imponente número de matérias que cultivava. Uma memória tal que lhe permitia reter tudo quanto havia lido numa só vez. Um conhecimento dos padres da Igreja e dos teólogos mais famosos que despertava um verdadeiro assombro. Um domínio dos vários idiomas e um estilo ameno e fluído. Tudo isto, capacitando o santo de empreender as obras mais brilhantes.
O Geral da sua Ordem, que viu em Belarmino o seu sucessor, colocou-o à frente das tarefas administrativas com a finalidade de dar algum descanso ao santo que sentia terríveis dores de cabeça.
Clemente VII o nomeou cardeal. Disse o Papa na ocasião: “Nós o nomeamos cardeal porque ninguém na Igreja de Deus iguala em saber e por ser sobrinho de Marcelo II”.
Em 1602, entretanto, o mesmo Papa o designou Arcebispo de Cápua, com que o afastou de Roma, talvez porque havia sustentado numa controvérsia entre o tomismo e o… [inaudível], a opinião geral que o Papa não era infalível para decidir naquela matéria.
Em 1605, Paulo V voltou a chamá-lo para Roma.
Entre as obras do Santo destaca-se seu catecismo que ainda hoje se utiliza na Itália e que foi traduzido em 60 idiomas.
Ao chegar ao fim de sua vida, retirou-se São Belarmino ao noviciado que sua Ordem tinha em Roma com a idéia de preparar-se para bem morrer.
Pouco depois de seu falecimento, em 1621, deram-se os primeiros passos para a sua canonização que, entretanto, só foi conseguida em 1923.
* Toda a grandeza e todo o heroísmo de São Roberto Belarmino vinham de sua santidade
A vida de São Roberto Belarmino nos oferece um espetáculo diferente dos espetáculos de hoje, mas também dos espetáculos dos tempos que o antecederam.
O modo desse santo atuar é um modo que se diz, vamos dizer, que se desenvolve em uma escala diversa dos santos de 200 anos antes dele, por exemplo, porque ele é o tipo do santo que é ao mesmo tempo um misto de pastor de almas, de homem de ação e de teólogo, que consagra toda a sua vida a uma luta contra um adversário que tomou uma consistência e um porte que nenhuma das heresias anteriores havia tomado.
De maneira que se os santos anteriores lutaram contra heresias, mas poucos foram os que consagraram toda a sua vida à luta exclusiva contra uma heresia, os santos do tempo de São Roberto Belarmino, foram numerosos, suscitados para combater a heresia do protestantismo e consagrar toda a sua vida na luta contra essa heresia.
São Roberto Belarmino fez outras coisas que não a luta contra o protestantismo. Mas, fundamentalmente, o sentido de sua vida, a nota fundamental de sua vida foi de que ele foi um grande herói na luta contra o protestantismo.
Herói em dois sentidos da palavra: em primeiro lugar porque, como os senhores vêem, a Providência lhe deu qualidades intelectuais extraordinárias para pôr a serviço de sua função de polemista, sua missão de polemista.
Todas as qualidades intelectuais que eu li aqui não só lhe facilitavam a polêmica, mas lhe davam muito prestígio, numa época em que para ter prestígio valia-se a pena ser inteligente, coisa que hoje deixou inteiramente de ser.
Hoje para ter prestígio é preciso ser demagogo, ser vulgar, precisa ser por exemplo como o Adhemar de Barros. Mas ter cultura, ter inteligência não é necessário mais.
Bem, por outro lado, ele tinha esses dons todos para que sua obra fosse profunda, para que fosse uma obra certeira. Realmente as devastações que ele fez contra o protestantismo foram tremendas, especialmente as devastações nos países já protestantes.
A Santa Sé deu-lhe apoio para a obra de ele formar em Roma os seminaristas dos países protestantes, muitas vezes fugidos para Roma e que em Roma iam estudar para serem sacerdotes, iam voltar para o local do protestantimo para ali desenvolverem seu apostolado.
Ele formou esta gente, deu a esta gente livros da autoria dele para refutar o protestantismo, e ele é um dos santos aos quais se deve essa coisa importantíssima que é a preservação da Áustria da gangrena protestante e a recuperação de mais ou menos um terço da Alemanha perdida para a Religião Católica.
O que isto representou para o futuro da Igreja foi uma coisa fabulosa, porque todo o curso da História teria mudado se São Roberto Belarmino e outros santos não tivessem obtido essa recuperação da Alemanha.
Ao par disto, ele foi um grande diretor de consciências, que aqui não está mencionado, e lhe coube a glória de ser o confessor de São Luís de Gonzaga, a alma virginal, delicadíssima que deveria servir de modelo às cortes e às várias classes sociais da Europa que mais do que nunca estava afundada na impureza.
Os senhores vêem, portanto, que ele foi um santo onímodo, porque por outro lado, arcebispo. Homem que trabalhou na direção da Companhia de Jesus num alto cargo. Ele foi, então, pensador, polemista, homem de ação, ele foi um diretor espiritual exímio, ele foi uma fortaleza que combateu pela Santa Igreja Católica em todas as direções. Mas por que é que ele foi tudo isto?
Porque ele foi santo.
Se ele não tivesse sido santo, esses dons não lhe teriam servido de nada e talvez ele tivesse acabado até protestante. Ninguém sabe no que poderia ter acabado um santo deste se ele não tivesse correspondido à graça.
Os senhores têm aí, então, uma grande figura que nos mostra como a Igreja conseguiu pôr diques ao protestantismo e até fazê-lo recuar em uma parte, porque infelizmente as correntes protestantes ainda vivem.
Os senhores vêem aí, portanto, uma grande figura de contra-revolucionário, porque o protestantismo era a forma mais ativa e mais dinâmica da Revolução no seu tempo.
E os senhores tem um modelo, então, para que reze por nós e nos ensine a praticar a sua virtude que era de ser um grande contra-revolucionário inteiramente ajustado à forma de Revolução de seu tempo.
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