Santo do Dia ─ 05/05/67 ─ 6ª feira . 4 de 4

Santo do Dia ─ 05/05/67 ─ 6ª feira

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O encontro de Santo ≥ngelo com São Francisco, o martírio de Santo ≥ngelo * O milagre de Trevilo mostra como Nossa Senhora é, de fato, a Rainha dos Corações * A devoção do primeiro sábado

Hoje é festa de São Pio V, Papa e Confessor ─ do qual lemos a ficha biográfica ontem ─ e também festa de Santo ≥ngelo, Mártir.

* O encontro de Santo ≥ngelo com São Francisco, o martírio de Santo ≥ngelo

Carmelita, filho de judeus convertidos, combateu tenazmente as heresias.

Em Roma, predisse a São Francisco os estigmas e foi por ele informado de seu próprio martírio, próximo martírio. Foi um lindo encontro que houve em Roma entre São Domingos, São Francisco e Santo ≥ngelo, carmelita. Os três quando se encontraram se ajoelharam e nessa ocasião, Santo ≥ngelo tomado de uma inspiração divina, predisse a São Francisco que ele ia ser objeto de estigmas e São Francisco predisse a ele que seria martirizado. Coisa que entre santos é gentiliza, dizer que vai ser martirizado.

Bem, em Leocadia ele foi assassinado pelo Conde Berengario, no próprio púlpito onde o censurava por viver amancebado com sua própria irmã. Ferido de morte, expirava dizendo, In manus tuas, Domine. Século XIII.

* O milagre de Trevilo mostra como Nossa Senhora é, de fato, a Rainha dos Corações

O fato marial que nós devemos comentar hoje é a invocação de Nossa Senhora das Lágrimas em Treville, no ano de 1522.

Durante as guerras da Itália, em 1522, o general francês Lautrec, avançando sobre a cidade de Trevilo, que havia favorecido o imperador Carlos V da Alemanha, a ameaçou de destruir pelo fogo se não lhe fossem entregues os culpados. Enquanto ele se mantinha inflexível diante das súplicas do povo, os soldados irromperam gritando: “Milagre, milagre!” A Santíssima Virgem estava chorando na Igreja de Santo Agostinho.

O general, trêmulo, se dirigiu para a igreja com seu Estado Maior.

A Santíssima Virgem estava pintada na parede, no interior da igreja. Sentada, as mãos juntas, Ela contemplava o Menino Jesus sobre seus joelhos. O general viu as lágrimas correrem sobre os joelhos da Virgem, e tomado de um terror santo, coloca-se de joelhos para venerar a Rainha do Céu, que se fazia suplicante em favor de seu povo.

Compreendendo o apelo à misericordia, deixa a cidade, oferecendo a Virgem sua espada e vários troféus.

É mais um lindo episódio que mostra a proteção materna de Nossa Senhora. Mas encanta aqui considerar a atitude do cavaleiro católico que, informado do caso, tem fé e vai à igreja. Presenciando o pranto da imagem, ele se ajoelha, perdoa a cidade e faz esse ato de um simbolismo maravilhoso: ele deixa sua espada com Nossa Senhora.

Quer dizer, a espada com a qual ele ia fazer a dizimação, a dizimação não desejada por Nossa Senhora, essa espada ele oferece a Nossa Senhora.

Esta justaposição dessas duas imagens ─ Nossa Senhora cheia de misericórdia, tendo o Menino ao colo e o guerreiro feroz abrandado por Ela, mas cioso e ufano de sua espada, a ponto de não encontrar nada de melhor para ofertar a Nossa Senhora. Essa espada domada que pende aos pés de Nossa Senhora, são lindas imagens do passado que nos devem dar a nostalgia das eras que foram a esperança do dia que virá. Apressar em nós, estimular em nós a pressa do Reino de Maria.

Me parece que o pensamento interessante que se deve ter aí é o seguinte: “Se Nossa Senhora por tal forma soube desarmar a sanha de um soldado inclemente, é porque Ela, de fato, domina os corações. Uma das bonitas invocações que fazem d’Ela é “Rainha dos Corações”. Mas a palavra coração não tem aí o sentido sentimental que se pensa, mas é o domínio das almas.

Ela faz com que a vontade do homem corra para onde Ela deseja. Se Ela é a Rainha cos Corações e sabe por essa forma desarmar os homens que Ela quer conter, Ela então pode ser também a Rainha nossa, das nossas almas, e nessa época de geral covardia, de geral medo, Ela pode dar-nos a coragem que Ela teve que abrandar em Lautrec. De maneira tal que Ela, pelo contrário, em vez de nos abrandar, nos dê aquela força indispensável para as lutas d’Ela.

É aquela jaculatória lindíssima que pede isso e que às vezes nós rezamos aqui! Dignare me laudare Te, Virgo Sacrata, da mihi virtutem contra hostes tuos: “Senhora, dignai-Vos de fazer com que eu Vos louve, dai-me força contra os vossos adversários”. Da mihi virtutem contra hostes tuos, poderia ser a súplica para o dia de amanhã, já que estamos no mês de maio.

* A devoção do primeiro sábado

Agora, temos uma ficha a respeito do primeiro sábado do mês.

Em dez de dezembro de 1925, aparecendo à irmã Lucia, última sobrevivente dos pastorinhos de Fátima, Nossa Senhora lhe disse: “Olha, minha filha, o meu Coração cercado de espinhos que os homens ingratos a todo momento cravam com blasfêmias e ingratidões. Tu ao menos [há?] de me consolar.

Como essas palavras devem calar fundo para nossas almas. “Tu ao menos [há?] de me consolar”. Isso é o que Nossa Senhora diz a cada um de nós quando começa a cerimônia da statio, ou quando começa a statio preparatória da nossa cerimônia. “Tu ao menos [há?] de me consolar. Pensa um pouco e consola-Me de tudo quanto ouviste de horrível na reunião passada, de tudo quanto ouvirás de horrível nessa reunião. Sê um filho consolador”. E a melhor consolação que podemos oferecer a Nossa Senhora é o desejo de, por nossa luta, fazer cessar os ultrajes que os adversários proferem contra Ela.

Pediu, então, Nossa Senhora a Comunhão reparadora dos primeiros sábados dos cinco meses.

Quer dizer, a Comunhão feita para reparar os pecados que Ela sofre, que são lançados contra Ela e o Divino Filho d’Ela, prometendo a quem os fizesse nas condições indicadas a assistência na hora da morte com as graças necessárias para a salvação.

É preciosíssimo. Porque a graça, os senhores sabem que a graça da perseverança final é uma graça autônoma. A gente não podia dizer: “Eu a vida inteira perseverei, portanto, na hora da morte eu estou garantido que me salvareiE. Não, é preciso uma graça própria da hora da morte para nós passarmos para a eternidade. E então nós também aqui devemos considerar o valor dessa promessa. Nossa Senhora já fez análoga promessa em Paray-le-Monial, Nosso Senhor, para quem fizesse as nove [primeiras] sextas-feiras do mês.

Agora Ela faz uma promessa desse gênero para as pessoas que fazem os cinco primeiros sábados do mês.

Bem, então aqui, no primeiro sábado, são as seguintes as condições indicadas à irmã Lucia, conforme os textos mais autorizados:

1º ─ no primeiro sábado de cinco meses seguidos, confessar, comungar, rezar um terço e, meditando nos mistérios, ou melhor, nos quinze mistérios do Rosário, fazer quinze minutos de companhia a Nossa Senhora.

Quer dizer, de preferência numa igreja, naturalmente, mas não está dito aqui que tem que ser igreja. Fazer quinze minutos de companhia a Nossa Senhora e rezar o Rosário meditando nesses mistérios. Depois de ter confessado, enfim, no mesmo dia confessar e comungar.

2º ─ Todos esses quatro atos devem ser realizados com a intenção de desagravar o Imaculado Coração de Maria e reparar os ultrajes, sacrilégios e indiferenças cometidas contra ele.

Os senhores vêem que Nossa Senhora não falou apenas à irmã Lucia dos ultrajes e dos sacrilégios. Ela falou das indiferenças, como um gênero de ofensas que são da mesma envergadura do ultraje e do sacrilégio.

Os senhores vêem, portanto, a indiferença, sobretudo dos muito chamados, como pode ofender a Nossa Senhora, e quanto é razoável que a gente faça uma reparação específica, ou melhor, especial pelas indiferenças de que Nossa Senhora possa ser objeto dentro do Grupo.

3º ─ Todavia, é a terceira condição, quem tiver dificuldade de se confessar no primeiro sábado, pode fazê-lo em qualquer outro dia, ainda que fora da oitava, contanto que ao confessar tenha a intenção aludida.

Quer dizer, a pessoa não pode confessar no dia, desde que se confesse com a intenção de cumprir essa exigência do primeiro sábado, lucra a indulgência.

4º ─ Por fim, quarta exigência, mais ainda: se essa for esquecida na primeira confissão, poder-se-ia formulá-la na seguinte, aproveitando a primeira ocasião para se confessar.

Quer dizer, se a pessoa esqueceu, ainda vale uma segunda confissão, um como que exame de segunda época.

Então, a irmã Lucia escreveu a esse respeito uma carta, uma carta a sua mãe, ensinando-lhe essa devoção. A carta diz o seguinte:

Por isso eu queria que a mãe, com generosidade, oferecesse à Santíssima Virgem um ato de reparação pelas ofensas que Ela recebe de seus filhos ingratos, a minha ausência. Queria também que a mãe me desse a consolação de abraçar uma devoção que sei que é do agrado de Deus e que foi nossa querida Mãe do Céu quem a pediu. Logo que tive conhecimento dela desejei abraçá-la e fazer com que todos mais abraçassem.

Espero, portanto, que a mãe me responderá a dizer que o faz e vai procurar com que todas essas pessoas que aí vão o abracem também. Nunca poderá dar-me consolação maior do que essa. Consta só em fazer o que vai escrito nesse santinho: a confissão pode ser noutro dia e os quinze minutos é o que parece que lhe vai fazer mais confusão, mas é muito fácil. Quem não pode pensar nos mistérios do Rosário, na Anunciação do Anjo, na humildade de nossa querida Mãe, que ao ver-se tão exaltada chama-se escrava? Na Paixão de Jesus no Calvário? Quem não pode assim, nesses santos pensamentos passar quinze minutos junto da mais terna das Mães?

Essa é a reflexão, enfim, o comentário que a irmã Lucia, ela mesma faz num documento autógrafo, a respeito dessa devoção.

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