Santo
do Dia ─ 04/05/67 ─ 5ª feira .
Santo do Dia ─ 04/05/67 ─ 5ª feira
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Nossa época não sabe o que é a verdadeira bondade, a verdadeira misericórdia e a verdadeira ternura de alma * Ao ler a biografia de São Pio V, o Senhor Doutor Plinio sente saudades de alguém que ele não conheceu: um verdadeiro pastor que dá a vida por suas ovelhas * São Pio V: modelo de inquisidor, de firmeza e de severidade para consigo mesmo
…e amanhã nós teremos a festa de São Pio V, Papa e Confessor e a notícia biográfica é sobre ele.
A invocação de Nossa Senhora que se toma em consideração hoje é “Nossa Senhora da ameixeira em flor.
* Nossa época não sabe o que é a verdadeira bondade, a verdadeira misericórdia e a verdadeira ternura de alma
Vejam sempre a delicadeza dos símbolos referentes a Nossa Senhora, não é? Uma árvore toda florida.
O fato que se prende a essa invocação ocorreu em Vichiago, ou Viquiago, talvez, Novara, ano de 1543.
Na Ilha de São Julio, uma pequena pastora, muda de nascença, costumava honrar a Santíssima Virgem em uma capela a Ela dedicada no campo. Em março de 1543, junto a essa capela, sobre uma ameixeira silvestre, aparece-lhe a Virgem tendo ao colo o Menino Jesus.
“Vem a mim, que sou tua Mãe”, disse-lhe sorrindo a Virgem. “Em recompensa de tua devoção a mim, Meu Filho e Eu te levaremos para o Céu, mas antes vá dizer aos habitantes da vila que santifiquem o sábado em minha honra”.
A pequena muda, adquirindo a voz, anuncia ao povo atônito com o milagre, o pedido da Virgem.
A Santíssima Virgem acumula abundantemente o povo de dons pelo cumprimento de seu pedido e leva a pastora para o Céu.
Os senhores estão vendo uma coisa linda. Nossa Senhora que fala a uma pastorinha ─ e é tão freqüente isso, Nossa Senhora que fala, ou melhor, Nossa Senhora aparecer a pequenos pastores, pequenas pastoras, crianças inocentes ─ e então opera um milagre em favor dela. Ela era muda e ela sara, quer dizer, um benefício, uma manifestação da bondade materna de Nossa Senhora.
De outro lado, ela recebe de Nossa Senhora uma incumbência. Era uma mensagem que Ela tinha e que era para santificarem o sábado em honra d’Ela. A menina cumpre a mensagem e a promessa de Nossa Senhora é feita: a menina, como recompensa de ter sido essa mensageira, é levada para o Céu e vai gozar de Nossa Senhora, da presença de Nossa Senhora, da visão de Deus, por toda a eternidade.
Os senhores estão vendo aqui quanto de maternal, de risonho, de afável existe na devoção a Nossa Senhora, a respeito do que jamais é suficiente insistir, mas é particularmente necessário insistir em nossa época.
Porque nossa época, apesar de seu sorriso glacial como a luz neon, do ecumenismo, e o irenismo, e rotarianismo, é uma época que não tem, que não sabe o que é verdadeira bondade, verdadeira misericórdia, a verdadeira ternura de alma; é uma época fria.
E para fazer compreender o que é a bondade, o melhor meio é produzir um degelo de alma ocasionado pela verificação desses mil atos de bondade de Nossa Senhora.
De maneira que me parece realmente interessante este pensamento para o dia de amanhã: se eu conheço realmente o que é bondade, se eu amo o que é bondade, simpatizo com a bondade e se eu me enlevo com a bondade de Nossa Senhora, se eu peço essa bondade para mim. Bondade sem a qual eu, Plinio Corrêa de Oliveira, e ninguém, pode salvar-se. Sem a bondade de Nossa Senhora não vai. Nós precisamos de misericórdia para nós. Se não for a misericórdia não nos salvamos.
De maneira que então ter isso em mente eu acho realmente útil para a vida espiritual.
* Ao ler a biografia de São Pio V, o Senhor Doutor Plinio sente saudades de alguém que ele não conheceu: um verdadeiro pastor que dá a vida por suas ovelhas
A ficha a respeito de São Pio V, que eu comentarei resumidamente à vista do fato de já ter havido alguma coisa, algum comentário, é a seguinte, tirada do Cardeal [Grand??]: “São Pio V, o Papa dos grandes combates”.
No físico, São Pio V era um homem de atitude e de fisionomia muito pronunciadas. O rosto longo e magro, austero, a fronte calva, a bata copiosa e branca; o nariz forte e muito arqueado, os olhos vivos e sua semifeiúra desaparece na chama do olhar que ele dardejava reto, profundo e irresistível. Sua palavra soava clara e imperativa; simplesmente em ouvi-lo e vê-lo, se pressentia o chefe.
A gente tem vontade de dizer: Quanta saudade! A gente, às vezes tem saudade do que não conheceu. A delícia, a volúpia de alma ─ quase eu diria ─ de ter um chefe que manda, que é chefe, que dirige, que é pastor, que protege, que toma a dianteira. Ah, meu Deus do Céu! No supremo degrau da Igreja Católica ter uma sublimidade dessa! Um verdadeiro pastor que dá a vida pelas suas ovelhas. Que dilatação de alma!
Sua inteligência possante e lúcida, inimiga dos verbalismos, das nuvens e das quimeras…
Isso é dito por quem estava na época da Renascença, em que o verbalismo tinha atingido o auge, as nuvens, as quimeras, a mitologia, bem…
…perscrutava sem esforço as questões mais variadas, e sua memória prodigiosa facilitava a sua aplicação.
* São Pio V: modelo de inquisidor, de firmeza e de severidade para consigo mesmo
Os senhores precisam compreender o seguinte: São Pio V, antes se ser Papa, foi inquisidor. Esses todos são os predicados próprios à alma de um santo inquisidor:
Conhecimentos vastos. Esse físico já é o físico de um inquisidor. Aquele olhar dardejante, profundo, irresistível, perscrutando os refolhos de uma alma herege de um [Marranum ??], por exemplo, e vendo ali a fedentina da heresia, e qualificando, e já pensando na fogueirinha.
Bem, isso tudo já é alto porte de santidade, não é verdade?
Aqui continua: é a inteligência de um inquisidor. Bem…
Bastava-lhe falar com alguém, estudar, ou tratar de negócios para se lembrar exatamente do fato, a longo tempo. O conde de la Trinitá tinha, há muito tempo, esquecido seus tratos descorteses para com o Pe. Alexandrino, quando a corte de Savóia o delegou como embaixador a Roma. Pio V…
Pe. Alexandrino tinha sido Pio V.
Pio V o reconheceu imediatamente e acolheu as suas homenagens, por esta expressão semi-irônica: “Conde, eu sou aquele pobre dominicano que o senhor quis, outrora, jogar num poço. Vede, Deus protege o inocente”.
Como isso é diferente de uma bondade adiposa, roliça, um sorriso contínuo e continuamente insincero, escachoando dos lábios de gente falsa. Aqui tem espírito, tem panache, tem fogo. Bem.
Mas observando a extrema confusão que aterrorizava o embaixador…
Também, não dava para menos
…ele o reconfortou, chegou até a osculá-lo e lhe prometeu atenções especiais no curso de sua missão.
Mas ele quis primeiro dar uma… e fez muito bem.
Nenhum caráter foi mais alto nem mais respeitável. Ele possuía eminentemente essa varonil sinceridade que é a virtude dos fortes, e toda a sua vida ele levou o amor da verdade até a paixão, e a coragem de dizer até a audácia.
Entenderam a frase, não é? Ele tinha um amor à verdade, durante toda a vida, que chegava até a audácia. Durante toda a vida. Isso é o bom pastor que dá a vida pelas suas ovelhas. Não se incomoda de brigar, não tem atrapalhações, vence tudo, enfrenta todo mundo, não recua diante de nada. Bem.
Daí seu horror do ceticismo e da indiferença, que Pascal chama, como um estigma, a falta de coração.
Para que citar Pascal num tema tão alto? É o latido do cachorro no meio do canto chão.
(Sr. –:[Inaudível].)
É uma das chagas deles.
Daí sua antipatia declarada contra toda tolerância com qualquer opinião malsã e sua indignação igualmente reavivada por cada hipocrisia.
Tudo isso a gente pode dizer apenas: “que beleza!” Não pode dizer outra coisa.
Agora o trecho de uma carta de São Pio V a um bispo regalista, de… [inaudível] …na Polônia. É um bispo que queria por demais se sujeitar à autoridade do rei, com detrimento da autonomia da Igreja.
O rei Segismundo queria divorciar-se e ameaçava com cisma se o Papa não concedesse a anulação de seu casamento. “Poderia ser, exclama o Papa, que bispos mostrassem menos energia em defender a Igreja, do que os protestantes mostram zelo para oprimi-La? Vossos pais na fé, esses santos mártires dos quais vós ocupais as sedes, estimaram mais glorioso morrer para a honra de Deus do que assistir a servidão da Igreja. Vós não tereis a fraqueza de degenerar e, sob pena de expor vossa vida, vós vos lembrareis, sem medo de expor vossa vida, vós vos lembrareis de que morrer por uma causa santa é uma honra e um dever”.
Que bonito trecho de uma carta para bispos de além cortina de ferro. Podia mandar assim mesmo. Não precisava mais nada.
Vinte dias depois de sua coroação, Pio V escrevia ao bispo de Cracóvia: “Pois que consta que os maus padres perdem os povos e que a detestável heresia que se estabelece pelo ferro e pelo fogo não tem outro pretexto senão a perversidade dos maus padres, nós vos imploramos trabalhar com uma aplicação pastoral a reformar vosso clero, porque tal é o meio mais próximo…
Mas já que os meus pecados me tornaram indigno desse admirável triunfo, eu adoro os julgamentos de Deus e aceito a sua vontade. Agora eu vos recomendo a Santa Igreja que tanto amei. Empregai-vos em eleger para mim um sucessor zeloso, que não procure senão a glória do Salvador e que não tenha outro interesse aqui em baixo senão a honra da Santa Sé Apostólica e o bem da cristandade”.
Depois ele expirou.
São as palavras supremas que são, em tudo, a glorificação da vida dele. Inclusive essa severidade para consigo mesmo que faz os santos. Olhar bem para ver se tem alguma culpa no fato de seu apostolado não dar tudo quanto se esperava. Até esse exemplo magnífico ele nos deu ao morrer.
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