Santo
do Dia ─ 03/05/67 ─ 4ª feira .
Santo do Dia ─ 03/05/67 ─ 4ª feira
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Nossa Senhora de “Aquiropita”, não pintada por mãos * A Revolução levou o mundo a tal endurecimento de alma que só mesmo com a “Bagarre” Nossa Senhora restabelecerá a aliança com os homens * “Devemos pedir a Nossa Senhora que na noite das nossas almas, Ela apareça radiosa e pinte em nós a sagrada imagem d’Ela” * Uma visão da Venerável Maria de Agreda sobre a Ascensão de Nosso Senhor * A glorificação de Nossa Senhora nos Ceús termina com um ato de renúncia para a maior glória de Deus e salvação das almas
…nós devemos ler agora um trecho a respeito da invocação de Nossa Senhora, cada dia se lê uma invocação.
A invocação focalizada hoje é de Nossa de Rossano, na Calábria, e se relaciona com um fato ocorrido no ano 500.
Trata-se de um quadro milagroso de Nossa Senhora que foi pintado, segundo a tradição, pela própria Virgem.
Santo Efrém…
Os senhores já ouviram falar, naturalmente, de Santo Efrém, chamado o “citarista do Espírito Santo”, que compunha canções a respeito de Nossa Senhora, que eram para circular no povinho da Ásia Menor e com que ele conseguia combater as heresias.
* Leitura da ficha sobre Nossa Senhora de Rossano
Santo Efrém recebera autorização do imperador de Constantinopla para transformar a gruta em que vivia em um templo dedicado à Nossa Senhora. O governador da ilha, Filípico, cunhado do imperador, determinou que uma imagem da Virgem fosse pintada no fundo da gruta e para isso trouxe os mais hábeis artistas de Bizâncio. Entretanto, o que era pintado de dia, desaparecia misteriosamente à noite.
Um vigia colocado no local vê surgir durante a noite uma Senhora de rara beleza, toda resplandecente, que lhe ordena que se retire. No dia seguinte, o governador, acompanhado de grande multidão, encontra o quadro magnificamente pintado. Aquiropita, quer dizer, “não pintado por mãos humanas”, no grego.
* Nossa Senhora de “Aquiropita”, não pintada por mãos
Então seria festa de Nossa Senhora Aquiropita, e o fato se teria dado então na Calábria, na cidade de Rossano no ano de 590.
Os senhores sabem que a Calábria fazia parte do sul da Itália que durante muitas ocasiões esteve sob o domínio bizantino, o que explica a interferência dos imperadores bizantinos, do governador bizantino nesse acontecimento.
Os senhores vêem aí, mais uma vez, essa nota delicadíssima das aparições e manifestações de Nossa Senhora. É sempre o contraste. Nossa Senhora para nos dar a entender que Ela é a razão fundamental de nossa alegria, é o que nos dá vida, é nossa esperança, Ela estabelece contrastes desses.
Trata-se de uma pintura de um quadro d’Ela no fundo de uma gruta, a pedido de um santo que é um cantor d’Ela, um doutor d’Ela, como Santo Efrém.
Gruta de um eremita, gruta de um asceta. É uma coisa magnífica a gente imaginar no fundo dessa gruta austera o quadro cheio de suavidade de Nossa Senhora.
Bem, tenta-se pintar e não se consegue. Um mistério se estabelece em torno do fato. A cada momento que se pinta, a imagem desaparece, a pintura é apagada.
Bem, agora vem então o contraste. No alto de uma noite em que apenas um guarda está lá para ver o que se passa, de repente aparece no meio dessa noite uma Senhora resplandecente. Os senhores precisam pensar que não se trata de nossas noites aqui, profanadas pela luz elétrica de todos os modos. Nós perdemos quase o conceito do que possa ser uma noite junto a uma gruta num lugar qualquer. Aquela noite escura, de repente uma Senhora lindíssima, majestosa, suavíssima, coroada por uma verdadeira auréola, e com aquela soberania que é própria à Nossa Senhora, Ela manda ao guarda que se retire e o guarda nem ousa resistir. Ele vai embora.
No dia seguinte corre a notícia: apareceu um quadro maravilhoso, percebe-se que foi Nossa Senhora. Então, o governador com a cidade inteira vai verificar o acontecimento. Então se extasiam, corre a notícia de que aquela imagem foi pintada pela própria Nossa Senhora, ou foi pintada por Anjos por ordem de Nossa Senhora. Então, vem a imagem de Nossa Senhora, a designação de Nossa Senhora Aquiropita, não pintada por mãos, quer dizer, não pintada por pessoa alguma.
* A Revolução levou o mundo a tal endurecimento de alma que só mesmo com a “Bagarre” Nossa Senhora restabelecerá a aliança com os homens
Os senhores vêem como isso é bonito, como isso é delicado, como isso é poético, mas os senhores vêem através disso também, o prodigioso endurecimento de alma a que a Revolução conduziu os homens de nossos dias. Hoje, se houvesse um fato desse, não era possível haver a ressonância desse tipo.
Em primeiro lugar, negariam. Em segundo lugar, a Cúria do lugar mandaria fazer objeções dizendo que não é garantido, que desaconselha o culto etc., etc. Em terceiro lugar, governador nenhum iria ver uma coisa dessas. No máximo o Ademar de Barros, na mais vil das propagandas eleitorais, iria ver isso. Mais ninguém! Não é verdade?
E a população mesmo não se impressionaria assim. Pelo contrário, ali foi construído magnífico santuário para abrigar uma gruta, para abrigar essa imagem.
Resultado: nós estamos em 1967, há 1467 anos que o fato se deu e ainda aí está lembrado pelos fiéis com edificação.
Os senhores apresentam uma aliança de Nossa Senhora com os homens, de que desapareceu a memória em nossos dias. E os senhores vêem, através disso, como as condições do mundo de hoje estão mudadas e como é preciso vir a Bagarre e o Grand-Retour, para essa aliança com Nossa Senhora, ou de Nossa Senhora conosco se restabelecer.
* “Devemos pedir a Nossa Senhora que na noite das nossas almas, Ela apareça radiosa e pinte em nós a sagrada imagem d’Ela”
Haveria um pensamento que nós poderíamos adotar, para o dia de amanhã, relacionado com essa invocação?
A mim me parece que a coisa é cheia de simbolismo. As almas que têm em si a noite, senão do pecado, pelo menos de mil trevas e de mil problemas espirituais. Essas almas queriam ter a imagem de Nossa Senhora pintada no mais profundo delas. Mas, quantas vezes, infelizmente, elas começam a pintar essa imagem e essa imagem some por causa das ingratidões, das faltas de correspondência.
Então, é preciso pedir a Nossa Senhora que na noite das nossas almas, apareça radiosa, e que Ela mesma pinte em nós, que somos como grutas ou cavernas tenebrosas, que Ela mesma pinte em nós a sagrada imagem d’Ela, para que nós sejamos verdadeiros devotos d’Ela.
Essa é uma súplica tão relacionada com a aparição, que me parece oportuno deixá-la recomendada aos senhores como um pensamento de amanhã.
* Uma visão da Venerável Maria de Agreda sobre a Ascensão de Nosso Senhor
E se não sobrecarregar demais o horário, eu serei muito rápido a respeito da ficha que é dada sobre a Ascensão de Nosso Senhor.
Trata-se da narrativa dessa Ascensão feita na “Vida Divina da Santíssima Virgem Maria”, da Venerável Maria de Agreda. Edições São Miguel. Então, ela vai narrar a Ascensão:
Chegou em fim a hora onde devia coroar sua vida pela Ascensão. Ele saiu do cenáculo com cento e vinte privilegiados que aí se encontravam. Sua Mãe estava ao lado d’Ele e Ele os conduzia através das ruas de Jerusalém. Os santos que Ele tinha tirado do limbo os seguiam cantando com os Anjos, cânticos novos. Mas eles não eram visíveis a não ser para Nossa Senhora. Por causa de sua infidelidade, os judeus não perceberam essa soberba procissão. Ela passou por Betânia e chegou em pouco tempo ao Monte das Oliveiras.
Quantas coisas se passam assim numa grande cidade moderna! Maravilhas que se passam e que essa cidade não nota por causa de sua infidelidade. Quantas vezes a cidade fecha os olhos. Por exemplo, há alguma coisa no movimento do “Catolicismo”, da TFP, aqui ou em qualquer outro dos locais onde existimos: fecha os olhos, porque a impiedade impede de ver as coisas como são.
No Monte das Oliveiras o cortejo santo se divide em três coros formados pelos Anjos, os santos e os fiéis.
Que coros, hein? Isso é que é coros, todos os Anjos, depois as almas santas que acompanhavam e depois os fiéis.
* No momento da Ascensão, Nosso Senhor abre as portas dos Céus e sobem, num cortejo, todas as almas justas do Limbo
A Santíssima Virgem prosternou-se aos pés de Nosso Senhor, adorou-O e lhe pediu a sua última bênção. Todos os outros lhe prestaram a mesma homenagem. Depois daquelas palavras, Ele juntou suas mãos com ar majestoso e começou a se elevar da terra, deixando ali a marca de seus pés sagrados. Ele subiu insensivelmente, extasiando os olhos e os corações dos primeiros filhos da Igreja, e Ele atraiu atrás de si os Anjos e santos que o acompanhavam, uns em corpo e alma, outros em alma somente, de sorte que se elevavam eles também, na mais bela ordem seguida pelo seu Chefe.
É que nenhuma alma humana tinha penetrado no Céu antes da Ascensão de Nosso Senhor. Foi Ele que, subindo ao Céu, abriu as portas do Céu para as generosas almas que estavam no limbo e que estavam à espera exatamente da Ascensão para entrar nos Céus.
Então, ao mesmo tempo que há a Ascensão d’Ele, é a ascensão de incontáveis almas de justos, de Adão, de Eva, de Abel, de todos os Patriarcas e Justos do Antigo Testamento, de São João Batista, de São José, de Santa Ana, de São Joaquim, é a ascensão de todos eles ao céu. Dos Santos Inocentes. É, portanto, uma gloriosíssima assunção, porque só Nosso Senhor ascendia, os outros eram levados pelos Anjos. Mas, enfim, era um subir magnífico, de um cortejo de todas as almas que ele tinha resgatado até então com seu Sangue infinitamente precioso e que tinham correspondido a esse resgate.
Teria o triunfo de Jesus Cristo sido completo, se houvesse nEle uma lacuna lamentável se sua Santíssima Mãe estivesse ausente?
Seria possível que Ela fosse excluída enquanto os Anjos e os santos, da qual era Rainha, deveriam gozar desse espetáculo? E enfim, não tinha Ela, mais do que ninguém, merecido de participar dessa cena, Ela que tão perfeitamente tinha participado da Paixão?
Por todos esses motivos, o Divino Filho triunfador tinha prometido a Ela, depois da Ressurreição, de a levar com Ele e realizou sua promessa de um modo admirável. Ele fez subir a sua Bem-aventurada Mãe com Ele, a pôs à sua Destra no céu e a revestiu do esplendor da sua glória, como Ele tinha anunciado, como tinha anunciado David no Salmo.
A pessoa do Pai vinha, assim, ao encontro de seu Filho encarnado e de sua digna Mãe. Aproximando-se de si, Ele os recebeu num amplexo próprio a seu amor infinito. E, esse espetáculo causou uma nova alegria às incontáveis legiões de Anjos que os acompanhavam. Essa incomparável assembléia, teve em pouco tempo, atingido as alturas do Céu Empíreo. À sua entrada, os Anjos do cortejo disseram àqueles que tinham ficado no Céu: “Abri, ó portas eternas, para deixar entrar o Rei da glória, o Restaurador da humanidade”.
Os senhores estão vendo dois coros de Anjos, uns que tinham descido à Terra, outros que estavam no Céu. Então, os que sobem com Nosso Senhor declaram: “Abri…”, com uma glória única.
* A glorificação de Nossa Senhora nos Ceús termina com um ato de renúncia para a maior glória de Deus e salvação das almas
Afim de pôr um cúmulo à nossa alegria, Ele leva sua Mãe à seu lado, ou melhor, Ele leva a seu lado sua Mãe de Bondade, que lhe deu forma humana e que é adornada de tanta graça e de tanta beleza que encanta todos os olhares.
Esta procissão toda nova, entrou no empíreo em meio a transportes de uma alegria que sobrepuja tudo quanto se possa imaginar. Os Anjos e os santos se puseram em duas fileiras. Nosso Senhor e sua Mãe Santíssima passaram no meio deles e todos cantando cânticos, prestaram a Ele o culto de adoração e a Ela a homenagem devida à sua alta dignidade.
O Padre Eterno colocou à sua direita o Verbo Encarnado, que parecia sobre um trono de divindade, com tanta glória e majestade, que Ele inspirou temor respeitoso a todos os habitantes do Céu. Então, em execução de um decreto, a Santíssima Virgem, de um decreto da Santíssima Trindade que foi comunicado à corte celeste, a Santíssima Virgem foi colocada sobre o trono mesmo da divindade, à direita de seu Filho.
Foi-lhe dada a segurança de que esse lugar lhe seria destinado depois de sua morte, mas que era livre a Ela de não deixar mais esse excelso lugar. Ao mesmo tempo o Altíssimo lhe descobriu as necessidades da Igreja militante na Terra, a fim de lhe dar ocasião de fazer um ato sublime de caridade para com os homens, e acrescer a seus méritos, já tão grandes.
Ela se prosternou diante das Três Pessoas Divinas e disse:
“Meu Deus, se Eu fico perto de Vós eu estarei no repouso e na alegria. Mas se eu voltar para a Terra, meu trabalho redundará em glória Vossa e em proveito dos homens segundo Vosso bel prazer. Escolhi, portanto, o trabalho, pedindo-Vos de me assistir na empresa que Vós me tendes confiado”.
Os senhores estão vendo que termina essa glorificação de Nossa Senhora, por um ato de renúncia. Um ato de renúncia que tem algo parecido com o ato de renúncia que Ela fez no alto da Cruz. No alto da Cruz Ela concordou mais uma vez em que seu Divino Filho fosse morto para a glória de Deus e para a salvação das almas. E aceitava, além da dor da morte, a dor da separação. Aí Ela aceita a dor da separação. Ela estava com o Divino Filho, mas separava-se e voltava para a Terra. E os senhores percebem que isso era uma ocasião de muito sofrimento para Ela.
Os senhores podem imaginar que baixa de nível, depois de ter assistido uma festa dessas, baixar em Jerusalém?
Os senhores dirão: “Ah, Dr. Plinio, Jerusalém com tanta gente boa…”
É, com aqueles fariseus, aqueles saduceus, aqueles deicidas todos passando de um lado para outro, os senhores podem imaginar o que é que seria aquilo? O Templo profanado, toda aquela desolação e depois a luta interna dentro da Igreja, que sempre teve problemas internos a vencer, sempre teve dificuldades internas muitíssimo penosas para resolver, e assim terá até o fim do mundo.
Pois bem, Ela preferiu isto para o bem das almas e voltou para a Terra. E assim com esse ato de singularíssima abnegação, termina o comentário da festa da Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo.
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