Santo
do Dia – 1/5/1967 – 2ª feira [SD 165] .
Santo do Dia — 1/5/1967 — 2ª feira [SD 165]
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A comemoração do mês dedicado a Nossa Senhora deve ser feita com algo na linha da reparação, solidarizando-se com a dor pela qual Ela passa * Nossa Senhora é a causa da nossa alegria, mesmo na mais triste das situações: a morte de Nosso Senhor Jesus Cristo * Estaremos amando a Deus na medida em que odiarmos esse crime: a tentativa de matar o Corpo Místico de Cristo, ou seja, a tentativa de destruir a Santa Igreja * O ódio que manifestamos aos inimigos da Igreja é o termômetro do nosso amor a Ela * Pedir as graças que os outros membros do Grupo não aproveitam, reparando assim a tristeza de Nossa Senhora por tais graças não serem aceitas * Fazer em cada dia de maio uma reflexão sobre Nossa Senhora, mudando-a ao longo do mês, enquanto se alternam diariamente as imagens expostas por ocasião do alardo * Através do milagre realizado com São Jacinto, Nossa Senhora deixa claro como Ela quer nos acompanhar nas dificuldades
* A comemoração do mês dedicado a Nossa Senhora deve ser feita com algo na linha da reparação, solidarizando-se com a dor pela qual Ela passa
Aqui está um aviso de que como não há ficha para hoje de santo do dia, a comissão pede para eu dizer algo de como se aproveitar esse mês, todo ele dedicado a Nossa Senhora, principalmente na linha da reparação como eu tenho insistido.
É realmente uma muito boa idéia, e eu poderia indicar o modo seguinte:
Este mês é dedicado a Nossa Senhora e é um mês de festas. E naturalmente, pelo hábito e pela propriedade da coisa, nosso espírito se volta para festejar Nossa Senhora durante este mês.
Agora, acontece que há um princípio de bom senso, pelo qual não se festeja uma pessoa que está passando por um pesar muito grande. Por exemplo, a uma mãe que está com seu filho muito doente, não se vai, durante a doença do filho, fazer para ela uma festa de aniversário, porque o ânimo dela não dá para isso.
Então é a ocasião de se testemunhar a ela veneração, carinho, etc., mas testemunhar por outra forma, quer dizer, solidarizando-se com a dor dela. Dizer duas coisas: “Eu me lembro que é o seu aniversário, compreende que boas disposições essa data evoca em mim, mas considerando seu estado, sua situação, eu queria lhe dizer também quanto me pesa vê-la passar por essa provação, e fazer meus votos para a melhora de seu filho”. É o que qualquer pessoa sensata diria.
Bem, é o que nós também devemos dizer a Nossa Senhora. Nós devemos dizer que nos lembramos de todas as razões perenes de alegria, que Ela é para todos os católicos, em todas as circunstâncias.
* Nossa Senhora é a causa da nossa alegria, mesmo na mais triste das situações: a morte de Nosso Senhor Jesus Cristo
Nossa Senhora é de tal maneira causa nostrae laetitiae, como se diz na Ladainha Lauretana, que Ela foi razão de alegria para nós, até mesmo na mais triste das situações, que foi quando Nosso Senhor Jesus Cristo morreu.
Até nessa ocasião, a presença d’Ela era um elemento de alegria e de satisfação para nós
Agora, de outro lado, nós devemos então, por causa disso, compreender que uma atitude de mera comemoração de toda alegria que Ela nos dá, juntar a consideração de toda a tristeza que Ela tem nas circunstâncias próprias e pesar … [inaudível]… nessa tristeza. Ter essa tristeza em vista.
* Estaremos amando a Deus na medida em que odiarmos esse crime: a tentativa de matar o Corpo Místico de Cristo, ou seja, a tentativa de destruir a Santa Igreja
Ter essa tristeza em vista não é apenas comparecer ao santo do dia, ou a uma cerimônia de alardo e compungir-se com aquilo naquele momento. Mas é saber na ponta da língua as razões da tristeza d’Ela e a qualquer momento podemos rememorar isso.
E a coisa é tão fácil de lembrar: uma conjuração partida, ou ao menos tendo encontrado seu foco mais ativo logo onde, tenta perpetrar o pior dos crimes, depois do deicídio, que é de fazer cair em erro e, portanto, aniquilar a Igreja Católica Apostólica Romana.
Isso é o que se tem.
Isso é um crime nigérrimo, porque contra a glória de Deus nada se pode planejar de mais nefando, contra a salvação das almas não se pode fazer nada de mais eficaz, para realizar o tentame do demônio não se pode fazer nada que mais lhe convenha, porque essa é a substância do tentame do demônio.
Liquidar a Igreja Católica é claro que ele não poderá, porque a Igreja é infalível. Mas pode, pelo menos, levar as coisas tão longe quanto nessa linha ir possam. E é preciso dizer que elas são susceptíveis de ir mais longe do que nós imaginávamos.
Ora, esse crime enunciado por essa forma deve nos causar uma indignação sem nome, deve nos causar um protesto de todo nosso ser. Porque nós amaremos a Deus na medida em que odiarmos esse crime.
Nós podemos fazer o teste de nosso amor de Deus através da atitude da reação de nossa alma diante desse crime. Se na hora em que tentam matar o Corpo Místico de Cristo minha indignação é pequena, não tem dúvida que o meu amor é pequeno.
* O ódio que manifestamos aos inimigos da Igreja é o termômetro do nosso amor a Ela
Imaginem que uma pessoa vem me matar e eu tenho um amigo que olha: “Ahm, coitado do Dr. Plinio, mau bocado que está passando agora. Enfim, vamos ver como é que ele se sairá disso. Eu agora preciso fazer minha barba. Eu saro, vem ele de encontro a mim”.
— Oh, amigo, como eu estimo!
— Tenha a santa paciência! Eu há pouco estive no pior dos apuros, você foi fazer sua barba. Você teve uma babugem de comiseração a meu respeito e você vem dizer que é meu amigo? Essa sua amizade que você ostenta a mim, essa amizade è uma caçoada, é um escárnio. Saia como essa sua amizade, não a quero para mim. Amizade de fariseu.
Então o ódio que nós temos aos inimigos da Igreja é o termômetro de nosso amor à Igreja. E o ódio que nós temos ao crime que se está praticando, é o termômetro do amor nosso a Nossa Senhora.
Então, nós já passamos da idéia da reparação para uma outra idéia.
Essa consideração certamente mostra quanto a reparação é necessária. Mas ela também pode ser que nos mostre que nosso amor é débil, que nosso amor é fraco.
* Pedir as graças que os outros membros do Grupo não aproveitam, reparando assim a tristeza de Nossa Senhora por tais graças não serem aceitas
Então nós deveríamos fazer o seguinte pedido a Nossa Senhora — alguém no Grupo fez esse pedido e eu achei muito bonito; eu não vou dar o pedido exatamente como foi formulado, mas eu vou dar em linhas gerais, e o pedido é esse, nas linhas que eu quero apresentar:
Nossa Senhora está continuamente fazendo chover sobre o Grupo graças de amor a Ela, mas também de ódio e combatividade à obra que as forças das trevas fazem contra Ela. Essas graças não são recolhidas tão amplamente como deveriam ser, muitas delas caem no chão. Nós não somos combativos como nós deveríamos ser; deveríamos ser mais combativos. Então, nós devemos — nós que sejamos sensíveis ao apelo que eu estou aqui fazendo — dirigir a Nossa Senhora a seguinte súplica:
Que Ela nos dê a nós todas as graças que os outros não aproveitam. Que Ela encha nossas almas com todas as graças dadas aos outros e que os outros não aceitam, para reparar assim a tristeza que há nesse caudal de graças que fica sem aproveitamento, e que para que ao menos em nós resplandeça o dom feito ao Grupo.
E essa é uma linda súplica que eu recomendo aos que se sentirem movidos interiormente a isso, que façam todos os dias do mês de maio.
Por exemplo, por ocasião da comunhão dizer a Nosso Senhor, por meio de Nossa Senhora, que essas graças se ponham em nossa alma, que nós sejamos o receptáculo de toda combatividade, de todo espírito de intransigência, de toda incompatibilidade com o mal que deve caracterizar o verdadeiro membro do Grupo de “Catolicismo”.
Os senhores vêem que essa é uma súplica esplêndida e que nós poderíamos, portanto, tomar para nós, fazer nossa.
* Fazer em cada dia de maio uma reflexão sobre Nossa Senhora, mudando-a ao longo do mês, enquanto se alternam diariamente as imagens expostas por ocasião do alardo
Me parece também que seria interessante mudar essa devoção ao longo dos dias. Quer dizer, conservar essa intenção, mas em cada dia do mês de maio consagrar esse dia a alguma reflexão sobre Nossa Senhora.
Como exatamente aqui nós vamos dar, como no ano anterior, em cada dia uma reflexão sobre Nossa Senhora, uma notícia sobre uma devoção a Nossa Senhora, podia se tirar daí, se me lembrarem, diariamente uma reflexão válida para o dia seguinte, e que alimente nosso Rosário, nossa piedade, ou nesse resto de dia, ou no dia seguinte. Seria um modo de nós aproveitarmos utilmente o mês de maio, numa visão verdadeiramente ultramontana.
Em cada dia desse mês eu autorizei que por ocasião do alardo se colocasse, se expusesse à veneração especial de todos uma imagem ou um quadro de Nossa Senhora, dos existentes em nossas sedes.
Hoje vai começar pela mais venerável das nossas imagens, que é a imagem de Nossa Senhora Auxiliadora que vem acompanhando o grupo de algum modo desde os seus nascentes. É uma imagem de minha propriedade particular, mas que eu pus na sala da Junta Arquidiocesana da Ação Católica, quando tínhamos a direção da Ação Católica. Quando nós nos retiramos, retirei a imagem que era de nossa propriedade e que passou para nosso altar, e de lá para cá nós a vimos acompanhando até o dia de hoje.
Então, essa vai ser a primeira imagem a ser venerada especialmente durante o mês de Maria.
* Através do milagre realizado com São Jacinto, Nossa Senhora deixa claro como Ela quer nos acompanhar nas dificuldades
Restar-me-ia, antes de passar aos avisos, fazer um comentário a respeito de uma manifestação de Nossa Senhora, na cidade de … [inaudível]… na Polônia.
Estando a cidade assaltada pelo inimigo e não podendo mais resistir, todos fugiam abandonando tudo. São Jacinto, digno filho de São Domingos, ardentíssimo devoto de Nossa Senhora, foi despedir-se da imagem antes de ele mesmo fugir. Quando se recomendava a ela, ouviu distintamente a imagem de alabastro murmurar: “E eu? Tu me abandonas? Leva-me”.
O santo não sabia o que fazer por ser a imagem pesadíssima e ele não poder carregá-la sozinho. Mas apenas a tomou em seus braços, a sente leve como uma pena. A imagem perde todo o seu peso, por um milagre da poderosíssima Mãe de Deus. E naturalmente ele fugiu com ela.
Os senhores vêem aqui neste fato como Nossa Senhora preza suas imagens, como Ela se sente representada dignamente por suas imagens, e como Ela não deseja que se façam suas imagens o que não é nem digno nem correto fazer-se a Ela. Ela obrou um prodígio para que sua imagem fosse levada embora de um local onde provavelmente seria profanada, etc., por hereges ou outros quaisquer que estariam ameaçando o lugar.
De outro lado, entretanto, os senhores vejam como Nossa Senhora gosta de nos acompanhar presente nas suas imagens, e quer que as imagens d’Ela nos acompanhem.
E assim operou uma verdadeiro milagre para que essa imagem acompanhasse seus filhos ao longo do êxodo que iam fazer.
Uma imagem de alabastro pesadíssima fala e é possível facilmente carregá-la. É um modo de dar a entender como Nossa Senhora que estar presente no meio de seus filhos.
Há alguma aplicação para isso em nossa vida?
Se as imagens de Nossa Senhora, se Nossa Senhora de tal maneira quer que suas imagens sejam de seus filhos, é para fazer notar quanto Ela nos acompanha, em todas as vicissitudes, em todas as circunstâncias.
A imagem d’Ela não nos abandona, muito mais Ela não nos abandona.
Quer dizer, em todas as situações em que nós estejamos, em todas as latitudes, em todas as longitudes, nas maiores elevações da vida espiritual, como nas situações também mais tristes da vida espiritual, há um olhar de Nossa Senhora que nos acompanha, há uma proteção, há uma providência de Nossa Senhora que nos acompanha e que nunca nos abandona. E isso nos deve dar exatamente uma sensação de tranqüilidade em relação às vicissitudes dessa vida.
O pensamento ao longo de todo o dia de amanhã: “Nossa Senhora é minha Mãe e não me abandonará. E não me abandona inclusive na situação atual em que eu tanto preciso das graças d’Ela ou para progredir, ou para não regredir, ou para qualquer outro fato. Ela não me abandona porque se uma imagem de alabastro, que afinal de contas não é senão alabastro, vai ao encalço dos filhos d’Ela, quanto mais a Providência vai ao encalço dos filhos d’Ela. Nossa Senhora irá ao meu encalço como um bom pastor. E eu posso ter, portanto, essa tranqüilidade ao longo de minha vida: eu tenho a proteção e o olhar de minha Mãe”.
Está aí um pensamento para o dia de amanhã, sugerido por essa devoção de Nossa Senhora de … [inaudível].
Eu gostaria agora de dar aos senhores dois ou três pequenos avisos e comunicações.
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