Reunião Normal– 29/4/1967 – p. 11 de 11


Reunião para o Grupo da Martim 1 — 29/4/1967 — sábado

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Antes de fazer o comentário da… enfim, um comentário… uma explanação sobre o problema do sofrimento e depois a “Carta Circular aos Amigos da Cruz”, eu julguei dever atender a umas consultas que me foram feitas, que me parecem que tem interesse geral sobretudo porque alguns pontos que eu devo explanar a propósito dessa consulta eu não tive ainda ocasião de explicitar um pouco mais a fundo, até sempre tenho dito que é uma coisa que eu não tenho conseguido explicitar e que tem ficado um pouco misterioso portanto.

Como me parece que talvez sem chegar até o fundo da explicitação, eu consegui caminhar mais um tanto nessa explicitação me parece que seria interessante tratar da matéria aqui.

As perguntas poderiam ser reunidas mais ou menos assim: o que é que são os últimos tempos? Se é certo que nós estamos nos últimos tempos? E em última análise como é que são, como é que devem ser os apóstolos dos últimos tempos?

As perguntas são essas mais ou menos, eu depois ainda veria o questionário para ver se escapa alguma coisa a essas perguntas, mas a matéria poderia ser contida na resposta a essas perguntas.

Eu gostaria de desfazer um equívoco que eu não sei se eu tive tempo de desfazer diante de todos a respeito da questão dos últimos tempos no modo de nós vermos os últimos tempos.

Houve tempo que me parecia que quando São Luiz Grignion falava dos últimos tempos, ele queria aludir ao tempo que representava o que estava nas imediações do fim do mundo. e seria portanto o período da história em que o mundo começasse a acabar, ou que o mundo estivesse tão próximo de seu fim que seria o processo histórico da liquidação da humanidade e do encerramento da História.

Era uma interpretação das palavras “últimos tempos”, uma interpretação literal e natural da expressão. Quer dizer, me parecia que os últimos tempos deveriam ser os tempos finais. Se a última etapa de uma viagem é a etapa final, não é, também os últimos tempos da História deveriam ser esses tempos finais.

E portanto eu interpretava os últimos tempos como alusivos a esse período da História.

Bem, então quando eu falava dos apóstolos dos últimos tempos eu entendia os apóstolos que deveriam atuar e lutar ou par preparar proximamente a reação católica nos últimos tempos, ou para fazer parte da reação católica no fim do mundo.

Nessa perspectiva, como eu sempre sustentei que nós deveríamos ter a “Bagarre”, o “Grand Retour” e o Reino de Maria, nós não seríamos os apóstolos dos últimos tempos, porque os últimos tempos estariam no ocaso do Reino de Maria e a bem dizer, no fim do ocaso do Reino de Maria. Nós então não seríamos os apóstolos dos últimos tempos.

Agora, acontece que depois, analisando melhor o Grignion eu compreendi que ele chama últimos tempos a última era da História que é o Reino de Maria.

Não é portanto o fim do Reino de Maria mas é a última era da História.

Ele divide a História no reino do Padre Eterno, no reino do Filho, e no reino do Espírito Santo. E faz uma interpretação do reino do Espírito Santo com o Reino de Maria. E quando a gente lê o livro dele percebe que ele chama isto dos últimos tempos na seguinte perspectiva histórica. Em que sendo a última era – embora era muito longa, compreendendo triunfos etc. – mas é a última porque é a do Espírito Santo, é a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, é de Maria que representa a plenitude da efusão de todas as graças do céu, que então sendo assim ele chama isto legitimamente de últimos tempos.

E então apóstolos dos últimos tempos seriam todos aqueles que trabalhariam pelo advento do Reino de Maria, que lutariam e que conheceriam a aurora, a plenitude e o declínio do Reino de Maria. Nesta concepção nós então somos apóstolos dos últimos tempos. Somos os primeiros apóstolos dos últimos tempos, somos os pioneiros do Reino de Maria, os precursores do Reino de Maria. O Reino de Maria nasce em nós.

Foi nesse sentido que eu tive ocasião de dizer outro dia aqui numa fita que o nascimento daquelas Vandées assim deverão surgir preparatoriamente a “Bagarre” etc., etc., etc.

Mas enfim, aqui está a explicação como portanto eu antes sustentava que nós éramos apóstolos dos últimos… não éramos apóstolos dos últimos tempos e hoje sustento que somos.

Não é que tenha mudado a minha visão sobre o nosso papel na História, mudou a minha interpretação dessa expressão “últimos tempos”. Eu percebi que a expressão abrange uma era histórica que chega até nós. Eu pensei que não chegasse até nós. É uma questão de rótulo apenas, não há uma contradição neste modo de pensar as coisas.

Não se trata bem de dizer se há uma contradição, não há um conhecimento novo, um dado novo, uma mudança no modo de conceber as coisas. É apenas uma modificação de um rótulo a ser dado a era Histórica para a qual nós estamos entrando: ela também é os últimos tempos. É com isto que eu não tinha atinado e questão de rótulo na nomenclatura de São Luís Grignion de Montfort, mais nada.

Eu gostaria de saber se algum dos senhores teria alguma pergunta a respeito disto, se eu consegui esclarecer isto bem ou não.

Bem. Nós vamos agora fazer outra pergunta: se de fato nós estamos nos últimos tempos? Quer dizer, o que que nos leva a achar que a “Bagarre” não pode durar ainda cinqüenta anos para vir? Qual é a argumentação que leva a achar que ela não dura cinqüenta anos para vir e que ela está para vir logo? Se existe algum argumento a respeito desse assunto.

É verdade que algo sobre isso nós também já temos anunciado. Nós temos dito que quando o cálice estiver cheio até os bordos, quando a ignomínia estiver sido sorvida até seu último ponto, então a Justiça de Deus não pode esperar e um castigo se desencadeia sobre a terra e este castigo é a “Bagarre”. Bem. Esse seria o maior do raciocínio.

Ora, - vejam a menor – o cálice está prestes a ficar cheio, e o movimento, a velocidade com que ele está se enchendo é tal que não há razão para duvidar segundo as regras comuns de prudência de que ele esteja cheio logo.

Ora, como estando cheio é a própria taça da cólera de Deus que se enche, então é natural que a “Bagarre” comece a vir. Esse seria o raciocínio.

Mas me parece que existem algumas explicitações que se pode dar mais avante a respeito disto, que ainda haveria algum interesse em dar essas explicitações.

As explicitações que se poderiam dar decorrem mais ou menos da idéia da glória de Deus. E com a idéia da glória de Deus – é preciso especificar bem – um dos aspectos de que a glória de Deus significa para nós compreendermos então o valor do raciocínio que vai ser dito.

Nós podemos dizer a respeito da glória de Deus o seguinte: que eu não devo considerar apenas a glória de Deus como sendo a glória de que Deus goza no céu, na glória intrínseca que Ele tem por sua natureza e que é uma glória eterna, que não teve começo como Ele não teve, que não terá fim como Ele não terá;

Não posso dizer que seja também a glória eterna que Ele recebe das criaturas, a glória extrínseca que Ele recebe das criaturas que com Nossa Senhora a [testa?] estão prestando culto a Ele no céu.

Há uma outra glória de Deus e que é autenticamente glória de Deus e que é a glória de que desfrutam na terra aqueles que são de Deus.

Quer dizer, de acordo com a boa ordem normal das coisas apesar de nós estarmos num vale de lágrimas, apesar de nós estarmos cumulados de provações nesta terra e isto ser normal nesta terra e isto ser normal nesta vida, em princípio… em princípio a ordem normal da Terra é que os bons sejam glorificados e os maus sejam humilhados. A ordem normal na Terra em princípio, tomadas as coisas em princípio é de que isto afeta a glória de Deus. E afeta porque nós somos membros do corpo místico de Cristo, em nós vive a vida sobrenatural da graça, de algum modo nós somos outros Cristos. É Cristo que vive em nós e não somos nós que vivemos em nós. Ou pelo menos há homens que são tais que neles vive Jesus Cristo e não vivem eles mesmos em si mesmos.

E que esses homens ainda nesta terra recebam a glória que lhes é devida é uma coisa que diz respeito a glória de Deus pela relação que esses homens tem com essa glória.

Nós podemos apalpar com a mão a veracidade do que eu digo e que é uma formulação não muito grata a heresia branca, nós podemos apalpar com a mão a veracidade do que eu digo quando a gente considera o contrário.

Imaginem que alguém toma uma pessoa muito unida a Deus e que está num ambiente onde ele é objeto de uma certa consideração, então alguém intervém nesse ambiente e desconsidera esta pessoa unida a Deus: insulta, calunia, enxovalha de maneira tal que ela neste ambiente perde toda a consideração humana de que ela gozava.

Eu pergunto: este que fez isto não trabalhou contra a glória de Deus? Trabalhou.

Não é só porque ele cometeu uma ação pecaminosa, mas é porque tomar aquele filho de Deus, aquele que é uma expressão e um reflexo de Deus naquele ambiente, aquele que faz um só com Deus pela participação na vida sobrenatural da graça, e tirá-lo do lugar em que segundo a justiça ele deve estar, é atingir o próprio Deus.

Foi o que eu achei bonito naquela carta que Dona Julinha a respeito da polêmica com D. Delgado quando ela dizia que com quanta dor para nós o tapa, a bofetada que D. Delgado me deu, não atingia só a minha face, mas atingia a Sagrada Face. Não quiséramos isso nunca mas ela viu até o fundo o acontecimento: era uma bofetada dada na Sagrada Face por D. Delgado, por um arcebispo. E nesse ponto ela tinha toda a razão por causa da união de um homem que valha tão pouco quanto vale, no momento é considerado enquanto fiel a Nossa Senhora e que é esbofeteado pela sua fidelidade a Nossa Senhora.

Esta bofetada dada nele por esta razão por mais que nos doa, por mais que nós não quiséssemos, por mais que nós fizéssemos tudo para não ser, esta bofetada atinge a Face Soberana e Imaculada e Materna de Nossa Senhora. E isto foi o que ele fez.

Ora, se é verdade que uma bofetada dada num filho de Nossa Senhora por ser filho dEla atinge a Ela, um louvor, uma glória atribuída a um filho dEla por ser filho dEla, um louvor, uma glória atribuída a um filho dEla por ser filho dEla também a contrário senso honra a Ela.

É portanto a situação na terra daqueles que estão unidos por esse liame a Deus Nosso Senhor atinge, afeta, interessa, importa diretamente a glória de Deus.

Bem. Se nós estabelecermos nós então chegamos a seguinte consideração. Que normalmente falando quando as nações cristãs ou quando as populações cristãs de uma nação são opressas, são perseguidas, são enxovalhadas enquanto nações cristãs, são calcadas aos pés, isto é normalmente porque elas cometeram um pecado e é por causa de um castigo que elas estão sofrendo.

Se elas não tivessem pecado nós não podemos conceber que elas tivessem calcadas aos pés desta maneira. Porque as nações cristãs são temporais e recebem nesta vida o prêmio, a recompensa daquilo que elas fazem e o castigo daquilo que elas fazem. E enquanto entidades temporais normalmente Deus quereria que elas tivessem toda a glória que compete a uma nação cristã na Terra. E se elas não tem esta glória algum pecado elas cometeram. É esse aliás o pressuposto teológico do que São Pio X escreveu a respeito da França, naquele famoso trecho de Notre Charge Apostolique se não me engano, uma daquelas cartas escritas por ele a respeito da crise na França ele disse que o povo francês era o povo eleito do Novo Testamento que recebia de sua fidelidade a fé toda sorte de graças e de grandeza. E que quanto mais se afervorava na fé tanto maior era aos olhos das nações, e quanto mais se distanciava da fé tanto menor era aos olhos das nações.

Quer dizer portanto, esta glória cristã da França é uma glória que lhe vem do fato de exatamente de ela ser fiel a sua vocação.

Se ela portanto não tem essa glória é um sinal de que houve uma infidelidade. É a aplicação: a glória cristã das nações cristãs do princípio já várias vezes evocadas por nós e mencionado por Santo Agostinho mas que se aplica então as nações cristãs de um modo especial, há uma glória cristã na nação cristã.

Se esse princípio é verdadeiro então nós compreendemos o seguinte: que há uma espécie de interesse da glória de Deus mesmo quando Ele pune as nações cristãs, de levar a sua punição tão longe quanto necessário, mas por outro lado não ir além do indispensável, não além do justo mas além do indispensável segundo as medidas da pedagogia e de algum modo da justiça dEle.

Não ir além do indispensável porque além disso que vá atinge a glória dessas nações mais do que necessário, e atingindo a gloria dessas nações mais do que necessária atinge a própria glória dEle.

Ora, como Ele ama infinitamente a sua própria glória, Ele não pode estar de acordo em pô-la na sombra, nas trevas, mais do que o indispensável.

Bom, agora acontece que no mundo de hoje a situação é tal que é uma situação muito difícil de a gente aquilatar devidamente por causa de uma aspecto pluri-morfo que ela tem e que torna difícil um juízo a respeito dela.

Para os senhores terem idéia disso os senhores vejam a campanha do divórcio.

Nós não podemos mandar um rapaz qualquer mais fraco um pouco, da Aureliano ou do Alcacer passar pela Rua Barão de Itapetininga em certas horas do dia sem recear pela fidelidade dele. quer dizer, ali é um antro de pecados, um receptáculo de pecados.

Bom. Ali se manda fazer uma campanha contra o divórcio e ali se obtém daquela gente uma adesão bem considerável contra o divórcio.

Quer dizer, o que é que há ali: há uma coexistência enigmática que só numa época de trabalho muito intenso de Deus e do demônio se compreende que possa haver, de fatores bons e fatores maus. Certamente os fatores maus preponderando senão a Rua Barão de Itapetininga não era o que ela é. Mas um certo vigor dos fatores bons subjacentes que faz com que uma campanha ali consiga o que conseguiu.

Não, por mais que o quadro seja incongruente, esse é o quadro. Essas coisas de psicologia coletiva não se deixam cartenianizar, elas não são quadradas.

A psicologia humana é toda – e a brasileira então toda feita de refolhos, de sinuosidades, de conformes, de contradições cheias de bem estar, em vez de se tornarem contraditórias etc., etc.

De maneira que isto é assim.

Bom, de outro lado foi-nos possível – é verdade que com auxílios extraordinários da graça, mas enfim foi possível – foi possível mobilizar uma campanha contra o divórcio vitoriosa no Brasil.

Mas quer dizer, o país ainda não está tão podre – ou eu preferiria até usar a seguinte expressão – o país não é tão podre que se possa fazer vencer uma campanha do divórcio contra um movimento de opinião que mobilize as forças vivas que existe.

Mas de outro lado o país é tão podre que se nós não nos levantássemos o divórcio passava e passava mesmo! E esta mesma gente que nos acompanhou não teria feito nada, talvez nem tivesse chorado muito.

Vejam portanto a complexidade deste estado de espírito. Mas é uma complexidade dentro do qual há um fator positivo e um fator positivo que eu creio que está em ascensão – que não é um fator positivo antigo que ainda perdura, que é o último vagido de uma grandiosa ordem de coisa, mas é algo que já superou o último vagido. É naturalmente ainda a substância sacrossanta que nós herdamos de Portugal e da Espanha, mas já posta numa linha ascendente e não na linha descendente. Com algo de novo que já não é algo de antigo, não é isso. E que representa um dado especial para a avaliação da situação que eu agora passo a considerar, para os efeitos da pergunta que me foi feita.

Uma vez que tenha sido uma graça de “Gran Retour” a esse país, uma vez que essa graça tenha começado a luzir para esse país – por exemplo, por ocasião do surto das Congregações Marianas – uma vez que nem tudo disso se perdeu, alguém… algo recolheu algo e este algo floresce, uma vez que neste país pecador mas atingido pela graça um começo de melhora se delineou, nós temos uma situação que é uma situação diferente do da degringolada. Há qualquer coisa de novo que começa a florescer ali e é algo de bom. É qualquer coisa de ascendente… algo de sim que foi dito a uma oferta de perdão está de pé. E que coloca Deus não mais na posição de que está punindo um pecador relapso que vai de degringolada em degringolada, mas de quem está punindo esse pecador relapso de degringolada em degringolada é verdade, mas que recebeu uma graça nova, que de algum modo disse sim a essa graça nova e que portanto já não está no que na Comissão B nós chamamos “situações de ocaso” mas está numa situação onde o ocaso e a aurora se misturam. E em que portanto a ação de Deus é uma ação de mais perdão, é uma ação de mais proteção, é uma ação de mais esperança se fosse a pura degringolada, degingolada.

Vamos dizer, por exemplo como seria com a Espanha no momento em que Covadonga começou a se articular. Aquela podridão visigótica toda, mas dentro o começo da chama da reconquista brilhando. No velho pavio, já não apenas a brasa da tradição latina católica quase morta mas também já uma chama nova no velho pavio, e algo que começa, que vai nascendo. E a respeito da qual Deus toma uma atitude que Ele não toma em relação ao mero ocaso e mera decadência.

Agora vamos sobre essa situação fazer incidir uma análise especial no seguinte ponto. É que se numa Cristandade que está como o filho pródigo quando ele revolvendo as bolotas dos porcos está voltando os olhos e uma oração para a casa paterna, se a glória de Deus permitirá que este filho fique retardado na sua marcha, se a glória de Deus permitirá que ele seja objeto de uma punição completa, total, exterminadora. Se a glória de Deus não consiste em preservar esta marcha e em evitar os últimos castigos e as últimas habilitações para aquele que afinal de contas um pouco disse sim, e um pouco começou a se mover.

Evidentemente que pelo princípio que eu dei anteriormente, que Deus é zeloso da glória dEle habitando nos seus filhos, que Ele é zeloso da glória dEle habitando neste tipo de humanidade, neste tipo de estado de bom senso.

E que portanto o castigo dEle não se descarrega de um modo tão completo dos completos em virtude da razão que eu acabo de dar.

Alguém diria: “Mas Dr. Plínio, então o resultado é que a “Bagarre” não vem!”, ou então o resultado é que a “Bagarre” se adia.”

Eu digo não, o resultado é precisamente o contrário.

Se essa marcha é assim, é verdade também que a impiedade está chegando ao seu auge, é verdade que ela está levando a cabo as suas devastações supremas tendo audácias como até agora ela nunca teve.

Esta história de bispo de pijama, de bispo de bermuda, de relíquias que vão afluindo para os hereges e cismáticos, e essas mil profanações de todo lado indicam que ao lado dos bons que em número pequeno, ou em parcelas pequenas de alma da maioria se vão extremando para o bem, há também o extremar-se do mal do qual se pode dizer o que diz Joseph de Maistre de Voltaire, Joseph de Maistre diz que Sodoma e Gomorra teriam tido horror a Voltaire. Eu digo que Sodoma e Gomorra teriam tido horror a Voltaier. Eu digo que Sodoma e Gomorra teriam tido horror as profanações que se faz em nossos dias.

(…)

Hoje se pratica em escala sem precedentes na História da humanidade, não só pelo número como pela audácia, pela jactância, etc., etc. e que se essa situação continuar seguramente se configura uma situação de tanto atrevimento contra Deus e de tanta insolência de crises fica esgotado. Não se pode imaginar crimes maiores do que aqueles que vão acarretar o fim do mundo, de fim direto e imediato do fim do mundo.

Quer dizer, única coisa pior é aparecer alguém que os diga Jesus Cristo e acreditem nele que é Jesus Cristo. Outra coisa pior não pode aparecer.

Então os senhores compreendem a coisa. A Providência em relação a este fermento nascente não pode permitir que ele seja esmagado triturado e completamente humilhado por essa onde enorme avassaladora que existe.

Ela não pode permitir que estes sejam dizimados, que estes sejam objetos de um domínio prolongado, estável, de uma iniqüidade desse tipo. Por amor a essa graça nova em parte correspondida a Providência não pode permitir que dure muito a dominação da impiedade antiga, e a Providência tem que agir no sentido de libertar o quanto antes deste domínio esta graça nova, os fiéis desta graça nova que não merecem esse domínio, que não merecem ser humilhados até o último dos pontos porque eles não estão no último dos males. Eles estão começando a melhorar, eles estão começando a dizer algo que não estava dito anteriormente. Neles há um fermento melhor até do que nos católicos do século XIX, e não seria de acordo com a glória de Deus que durante muitos anos estes fossem dominados, humilhados, envergonhados pela dominação, pela tirania estável e infecta destes que representam o auge da impiedade.

De outro lado, estes representam o auge da impiedade representam um auge tal que Deus não pode permitir a duração desse espetáculo diante de si e por amor a sua própria glória.

Quanto maior o crime mais efêmera tem que ser a sua dominação, é uma regra de História que não falha.

Porque uma dominação muito prolongada do pior dos péssimos é uma coisa que Deus não pode permitir por amor para com a sua própria glória. Porque por Ele ser o Senhor do universo Ele não pode permitir os triunfos muito duráveis e universais da iniqüidade, isso Ele não pode permitir.

Se Ele por exemplo dispersou o povo hebraico por toda a face da Terra e humilhou por esta forma o povo hebraico, é porque era contra a glória dEle ter o povo hebraico organizado, constituído e blasfemando naquele lugar. Depois do deicídio o mínimo que podia acontecer era a dispersão universal.

Nós temos então duas razões: uma tirada da glória de Deus inabitando nos seus servos; e outra tirada da glória de Deus considerada pela extrema perfídia do crime que está sendo cometido, pela extrema insolência do crime que está sendo cometido. Essas duas razões concorrem para tornar necessariamente breve a duração do crime. E esta coisa tem que desfechar necessariamente então num castigo universal.

Num castigo que poupe os que estão se convertendo – exatamente sobre eles não se descarrega por inteiro a cólera de Deus – poupe os que estão se convertendo, em dois sentidos: num sentido porque aqueles que forem ultramontanáveis serão poupados; mas num outro sentido porque os que não são ultramontanáveis, mas são os antidivorcistas de Rua Barão de Itapetininga poderão salvar-se diante do temor do castigo. Como se salvaram muitos – diz São Pedro – por causa do terror do dilúvio.

Por que? Porque havia exatamente neles uma graça que preparava a sua salvação.

E assim, na “Bagarre” Deus evita – cumpre a primeira das leis de sua própria Sabedoria, evitando a humilhação excessivamente prolongada e a dizimação dos seus. E por outro lado Ele ainda cumpre excelentemente porque há muito antidivorcista na Rua Barão de Itapetininga que iria para o inferno se não fosse a “Bagarre”, então Ele supre isso excelentemente.

Por outro lado Ele cumpre a segunda lei por onde o pecado não pode ser durável, é tanto mais efêmero quanto mais é extremo, Ele cumpre então esta lei não permitindo que atual iniqüidade chegue a uma grande duração.

Então, as duas coisas conjugadas nos leva a achar que a “Bagarre” é uma coisa muito próxima.

Os senhores estão vendo que nesta esquematização eu repeti um bom número de coisas já ditas, acrescentei alguns pontinhos de coisas ainda não ditas, e fica aí uma nova apresentação da temática.

(…)

Bem, eu gostaria de acentuar bem este ponto não é: é que a Igreja é o fundamento único e eterno, inalienavelmente isto é assim de toda ordem, de todo bem e de toda a verdade, e que a medida que Ela esteja cheia de iniqüidade tanto quanto a natureza dEle estiver, quando isso for feito haverá uma perturbação na ordem mental, na ordem política, na ordem social parecida com a que houve no universo com a morte de Nosso Senhor Jesus Cristo: tenebrae facte sunt, quer dizer, aí é nada mais de nada e os homens se matarão, serão uns para com os outros como feras, haverá de tudo. Esta é a “Bagarre”! É a convulsão de toda ordem humana por causa deste como que deicídio cometido pela segunda vez, desta vez contra a Igreja Católica, contra o Corpo Místico de Cristo não é. Isto sempre ressalvada a indefectibilidade da Igreja, a infalibilidade da Igreja, etc.

(…)

Bom, uma pergunta é: os apóstolos dos últimos tempos não deveriam vir nos últimos tempos propriamente ditos ou seja no fim do mundo? Nós já falamos disso não é? Os últimos tempos propriamente ditos na nomeclatura de São Luís Grignion de Montfort que é que nós usamos ele entendia a última fase, o último reino da História que é o reinado do Espírito Santo e de Nossa Senhora. Então os apóstolos dos últimos tempos seriam desta fase.

Como resolver a dúvida que fica nas palavras de São Luís Grignion que diz que os Apóstolos dos Últimos Tempos seriam sacerdotes?

Realmente esta dúvida esbarra… era preciso ver agora com esse texto manuscrito que nós encontramos se há algum esclarecimento no texto continua inteira.

Porque que ele fala positivamente de sacerdotes fala. Agora que nada leva a crer que nós sejamos sacerdotes… venhamos a ser sacerdotes nada leva a crer.

Nós devemos portanto ou admitir a possibilidade de aparecerem sacerdotes, mas parece que antes do Reino de Maria é muito pouco provável que novos sacerdotes apareçam na nossa Causa. Bem, ou nós devemos de admitir que ele – e isso eu acho uma coisa francamente plausível – ele tenha tido uma comunicação de Nossa Senhora a esse respeito, e ele tenha interpretado como sendo sacerdotes por coisas… a graça do Espírito Santo, por coisas que foram ditas a respeito desses homens. E que de fato entretanto não sejam sacerdotes.

Porque é uma coisa que não causa surpresa nenhuma em revelações particulares haver lapsos dessa natureza que vem da parte de quem recebeu a revelação.

Há por exemplo uma coisa curiosa com a Irmã Lúcia não é. A Irmã Lúcia teve uma referência – ou foram os três pequenos de Fátima, eu não me lembro, Dr. Castilho talvez se lembre que disseram que a guerra começaria no pontificado de Pio XI, e entretanto começou no Pontificado de Pio XII.

Esse particular ela confirmou através de uma interpretação que começava no tempo de Pio XI não é. Quer dizer, perguntada ela reafirmou: foi no tempo de Pio XI. De fato não foi, foi no começo de Pio XII… Ela considera a anexação da Áustria foi no começo não é isto, o começo da guerra. O que é uma interpretação não é que afinal de contas será ou não será… eu acho até razoável dizer isto, mas é uma coisa assim… E em revelações particulares – eu tenho má memória – mas mais de uma coisa assim existe e eu não acho impossível que exista sobretudo neste ponto… que não é impossível que exista. A explicação seria esta.

Nos dois últimos relatórios… não se diz quando seria a Segunda Guerra, nos de 1942 e 1945 se não me engano declararam que seria no reinado de Pio XII. Quer dizer, isto está lá…

E no entanto ela declara que era no reinado de Pio XI, e depois ela deu uma confirmação. Agora, e depois sobretudo o que interessa é que isso é possível. Esse é que é o lado da coisa que interessa não é. De maneira que sendo possível aí sairia a explicação. Não sei se quereriam dizer mais alguma coisa a esse respeito? Excelência quereria não? Sobre a possibilidade disso, eu acho que é possível. A possibilidade geral é

É isso que eu digo, a possibilidade geral há… Parece que Santa Joana D’Arc também teve uma coisa assim não teve? Tenho idéia que ela teve qualquer coisa assim também.

Mais ainda, o próprio São Luiz Grignion alguma coisa parece que tinha nesse ponto, porque em certos momentos – nós comentamos isso – ele parecia esperar de assistir ainda o Reino de Maria.

De São Luiz Grignion falando dos apóstolos dos últimos tempos nos tinha pessoalmente em vista?

Eu acho que não há nada que permita afirmar isto. Eu não conheço mesmo nada que permita suspeitar disto. Eu acho que pode ser que ele tenha tido alguma comunicação até de que num Continente novo haveria coisas assim, etc., etc., isso é possível.

Mas em alguma coisa que faça ver que ele tenha pensado em nosso Grupo como historicamente ele se configurou eu não vejo nada, não me lembro de nada que dê fundamento a isto. Se algum dos senhores se lembrar, seria o caso de dizer, mas eu não me lembro de nada que dê fundamento a isto… nem sequer a suspeitar disto.

Sobre isso o senhor gostaria de dizer alguma coisa D. Mayer?

Bem, nesse caso eu gostaria de dizer uma outra coisa: quais são os que estão presentes aqui que assistiram a exposição que eu fiz a respeito de [Adenauer?] Os que não estão presentes tenham a bondade de levantar o braço. Deixa eu ver um pouquinho: Mendonça por certo não é… Arnaldo… só.

Se o que eu devo falar a respeito da Carta Circular aos Amigos da Cruz na próxima reunião, prende-se muito ao que eu expus ali. Mas eu vou dar em duas palavras a doutrina do que eu expus.

(Sr. –: Apenas um resumo para acompanharmos o que o senhor quer dizer é o suficiente.)

É, então para o Mendonça uma palavra apenas, porque em si a coisa é muito conhecida. Quer dizer, o Adenauer serviu apenas como ocasião para lembrar uma coisa muito conhecida.

Foi dada uma biografia do Adenauer que mostra todo o trajeto dele, desde rapaz de condição muito modesta através de toda espécie de sacrifícios etc., etc. até a culminância que ele chegou… Vamos dizer, humanamente falando, a glória que ele atingiu não é.

E foi mostrado que ele realizou esforços enormes para atingir isto.

Foi mostrado que esta vida, portanto, que foi uma vida toda ela de sacrifícios. Esta vida entretanto, é uma vida que ele considerou suportável e que ele conduziu até o fim.

O que por sua vez mostra que nessa vida de sacrifícios alguma coisa havia, mesmo no plano perfeitamente humano, que tornava esta vida respirável.

Porque uma vida que seja de tal maneira de sacrifícios que não ofereça nenhuma respiração para o homem, é alguma coisa inumana. O homem não agüentaria. Foi citado até um trecho de São Tomás de Aquino a respeito disso.

De onde se chega então a conclusão de que a vida toda ela feita de sacrifícios, de esforços, ao contrário do que supõe os… de uma moral sensual, esta vida é suportável pelo homem, e é até francamente suportável pelo homem.

E que portanto nesta vida se pode encontrar felicidade. E que portanto a equação que caracteriza a mentalidade… utilitária, etc., sensualista que é a felicidade de igual ao prazer, de maneira que infelicidade igual a esforço, infelicidade igual a coisa séria e infelicidade igual ao trabalho, isto é uma coisa que se deve rejeitar como falsa.

Mas mais ainda se deve dizer que é o ponto de partida de toda decadência. Uma classe social ou uma sociedade que se deixa dominar por essa equação, ela se precipita no vácuo, ela rola, ela degringola.

Enquanto uma outra sociedade baseada no primeiro princípio ela é uma sociedade que num plano puramente terreno, professa uma verdade indispensável para que se compreenda o que é a fidelidade a cruz. Quer dizer, a fidelidade a cruz ainda mais por razões sobrenaturais, mas mesmo no plano natural apresenta uma via muitas vezes difícil mas suportável, sobretudo com a graça de Deus, suportável não é verdade. E portanto não é o caminho da infelicidade.

Enquanto a moral… pelo contrário, dá uma vida que mais bem estudada, é uma vida insuportável apesar de parecer suportável.

Então foi feito uma comparação entre as duas Alemanhas: A Alemanha da alta sociedade, da nobreza, da alta burguesia enfim daquelas classes… do clero do tempo de Adenauer iniciou a sua trajetória era a Alemanha bismarckiana, ainda bismarckiana… em todo caso Kaiseriana. Bem, eram as classes do prazer e que se precipitavam na destruição. A que subiu foi a Alemanha do esforço, e que subiu pela Fidelidade ao esforço e pelo trabalho não é verdade.

Isto era um fundo do quadro necessário para se compreender a problemática do que é a cruz na virtude, o amor a cruz e depois os aspectos sobrenaturais do problema. Acho que isto condensado, toda a conferencia do Adenauer girou depois em torno dos aspectos pitorescos da vida dele, enfim, são coisas colaterais que não importa saber para acompanhar o resto. Mas que se condene nesta verdade muito sabida, muito comum, se condena o aspecto experiência de vida que torna compreensível depois a carta circular aos “Amigos da Cruz”. De maneira que isto fica dito e na semana que vem se Deus quiser nós examinamos a carta circular aos “Amigos da Cruz”. Então na segunda parte da reunião nós veríamos comentários de semana sobre fatos diversos etc. Alguém mais queria me perguntar algo? Fábio?

(Sr. –: Na semana que vem não seria um comentário sobre o Tratado da Sabedoria.)

Não, eu tinha idéia de que tinha ficado combinado os “Amigos da Cruz” ou não. Os que se lembram os “Amigos da Cruz” queiram levantar o braço, eu acho mais oportuno, então nós podemos encerrar.

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1 Estava como “Reunião Normal”. Nos Sábados à tarde eram realizadas reuniões para os membros do Grupo da Rua Martim Francisco, na Sala dos fundos da mesma sede; e, no domingo, para os membros da Pará, na Sede do Reino de Maria, da rua Pará.