Reuniao
Normal – 27/4/1967 – p.
Reuniao Normal — 27/4/1967 — 5ª-feira
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Anarquistas do século XIX, fruto da Revolução Francesa
Quando eu, às vezes, falo a respeito da revolução, eu noto entre os meus ouvintes da geração mais nova que eu, uma espécie de defasagem no seguinte sentido: que eu noto que os meus ouvintes não tiveram a noção da ferocidade da revolução até o ponto aonde ela verdadeiramente chegou. Ficam assim, com uma idéia vaga de que a revolução cometeu crimes, a Revolução de 1789 cometeu crimes, mas a seguinte tese pareceria exagerada: que a Revolução Francesa abriu uma onda de sangue no mundo, que ainda não parou de correr, e que o regime do Terror praticamente reaparece, de modo esporádico, de quando em vez, sob esta ou aquela forma. De maneira que, debaixo de algum ponto de vista, a Revolução, na sua ferocidade, continua.
O que é muito importante, em primeiro lugar, para se ver bem as coisas como são, e em segundo lugar, por causa do seguinte: diz o Evangelho que pelos frutos a gente conhece a árvore. E uma ideologia pode ser conhecida, antes de tudo, por uma análise intrínseca de seus princípios e pelo confronto desses princípios com a doutrina católica. Mas também pode ser conhecida pelos frutos que ela produz.
Assim, nós conhecemos, por exemplo, a santidade da religião católica, em grande parte, em boa parte, pode ser conhecida pela História da Civilização Cristã, que a Igreja engendrou, pela História da Igreja, por toda a santidade que Ela engendrou. Os fatos permitem aquilatar o valor ou a maldade de uma doutrina. E nós aqui podemos aquilatar a Revolução Francesa através de sua ferocidade. Dela e da Revolução Comunista russa, que é filha dela.
Agora, a ferocidade da Revolução apareceu, de algum modo, mais no século passado do que neste século, por causa das ondas de terrorismo e de anarquismo que depois cessaram, em razão das muitas cristalizações que iam produzindo.
A gente vê que houve um momento em que a Revolução esperou arrasar o adversário pelo terror. Então, deitou uma série de atentados terroristas, que eram feitos para ver se pela trepidação deles a Velha Europa caía. Quando eles sentiram que não adiantou nada, depois eles mudaram, tem tomado até uma face cada vez mais branda.
Mas a leitura de alguns crimes praticados pelos golpes anarquistas do século passado, e no começo desse século, eu creio que seria útil esta leitura para ter uma idéia da realidade dos fatos.
Esses atentados davam a impressão de loucos, e depois, loucos meio ineficazes. Estouravam bomba e ninguém morria. E tudo isto é uma impressão falsa, historicamente não é exata.
De maneira que valeria a pena aqui, uma vez que apareceu no “Hiroir de L’Histoire” uma crônica a esse respeito, ler trechos dessa crônica, que tem dados muito importantes.
Há 75 anos atrás, a anarquia passa para a ação.
Quer dizer, se doutrina começa a se transformar em ação.
Em Fourmi, em 1891, a manifestação do dia 1º de maio, degenerava numa fuzilaria. Um batalhão de infantaria, acusado diante do hospital da cidade, abria fogo sobre os manifestantes. Essa luta mortífera ia dar o sinal de uma série se atentados terroristas que desfecharam no dia 24 de junho de 1894, um assassinato em Lyon, do presidente Cadi Carnot, por um anarquista italiano escapado à justiça de seu país.
Quer dizer, os senhores estão vendo, de 1891 a 1894, durante três anos, em plena Belle Époque, um rastilho de atentados terroristas, que lê vai comentar.
No dia 11 de março de 1892, em Paris, no Boulevard Saint Germain, que é exatamente o bairro da nobreza, uma explosão criminosa prejudicava a habitação de dois magistrados, o conselheiro Burreau e o advogado geral Bailloit.
Burreau tinha presidido à sessão da Corte - Cour d’Assis, é uma espécie de Tribunal de Justiça - onde Bailloit tinha requerido contra um indivíduo culpado de ter atirado, tinha feito uma acusação contra um indivíduo culpado de ter atirado na Força Pública por ocasião das manifestações de 1º de maio, aquelas manifestações de Fourmi, em 1891. A pena infligida, entretanto, tinha sido ligeira.
Os dois magistrados escaparam ilesos, mas dez pessoas pegaram, com a sua vida, a infelicidade de habitar nas suas vizinhanças.
No dia 27 de março, um novo atentado” – portanto, 11 de março um atentado, 27 de março outro atentado, no mesmo ano de 1892 – “um novo atentado teve lugar na rua de Clichy. O homem que tinha organizado os dois atentados era um criminoso de direito comum, que se tinha transformado em anarquista. Ele se chamava Ravassol.
Bavassol, julgado com seus cúmplices, foi condenado a trabalhos forçados perpétuos. Seu passado criminoso, entretanto, não era conhecido pela Justiça.”
Quer dizer, sabiam que ele era autor desses atentados terroristas, mas não sabia que ele era autor de crimes comuns, não se tinha feito a identificação dele como criminoso.
Mas os jornais publicaram a sua fotografia, o que permitiu de reconhecer nele o assassino de um velho eremita da região de Saint Etiens.
É muito característico isso do criminoso, do assassino de eremita, que passa a ser anarquista, para dar à Revolução esse caráter de crime ufano e organizado.
Nessa época ele tinha sido preso, mas tinha conseguido fugir, enquanto era conduzido na prisão. O juiz que tinha instruído o processo dos atentados em Paris não teve nenhuma dificuldade de obter de Ravassol a confissão de seu crime, e mesmo de dois outros que ele contou de um modo ufano. Tratava-se de dois comerciantes que ele tinha morto a golpes de martela, e de um velho negociante de bric-à brac, assassinado à machado, no mesmo tempo que sua criada. Ele tinha aterrorizado durante alguns meses o Departamento da Loire, donde ele era originário. Era preciso acrescentar a esses crimes uma violação de sepultura.
Os senhores estão vendo que corresponde à figura clássica do anarquista, barbudo, peludo, de olhos fulgurantes, sobrancelhas em beiral, cabelama solta, punhal na mão, mas a questão é que não é uma opereta. Se há uma coisa que não é opereta e que é tragédia autêntica, é isso.
Morte a machado, coisa horrível. Depois, um velho negociante de bric-à brac e sua criada, gente, ao menos do ponto de vista do assassinato, inofensiva. Quer dizer, é inexplicável uma coisa dessas.
Concebe-se facilmente a agitação que reinou na cidade de Monbrisson quando o prisioneiro, que é o Ravassol, lá foi levado para responder pelos crimes que ele tinha cometido naquele distrito judicial. Ele compareceu vestido muito corretamente com uma sobrecasaca preta. Não fosse a maldade de seu olhar e as mandíbulas de animal carnívoro, sob seu bigode afinado à la Napoleão III, ter-se-ia tomado a ele, de bom grado, por um honesto pequeno burguês. Bem entendido, o nome dele era Keuniktung, chamado Ravassol que era apenas o nome de sua mãe que ele tinha tomado para se ocultar. Procurou imediatamente justificar seus crimes, cobrindo-os com o nobre rótulo da ideologia. Ele se colocou aos olhos da sala dos jurados como o apóstolo da justiça, glorificou-se de estar ao serviço da causa da humanidade.
Os senhores vêem, portanto, até onde chega a insolência do anarquismo: um homem comete esses crimes horrorosos, comparece bem vestido para ser julgado e se glorifica do que fez: “Eu fiz e deveria ter feito.”
Quer dizer, os senhores compreendem a audácia que isso significa e como tudo isso era calculado para fazer estremecer a Velha Europa. Era um estampido. Um pouco disso os senhores podem calcular com o efeito que produziria hoje. Se um homem, para ser julgado aí no nosso salão do júri no Fórum, comparecesse e dissesse diante de um povo estarrecido: “Eu fiz e fiz bem em fazer. Eram burgueses e eu matei porque eram burgueses, porque os burgueses devem ser mortos.” Os senhores sabem que isto produziria muita “cristalização”…
É evidente, é um exemplo contagiante e perigoso.
Agora, a gente pode imaginar os burgueses de 1892, naquela vida tranqüila, reportem-se um pouco aos burgueses brasileiros dos primeiros anos da República. Aquela vida tranqüila, pachorrenta, aquilo tudo, pode imaginar o efeito que isso produziria. Não nos ruídos das babéis de hoje, mas cidades calmas de outrora. Quer dizer, o efeito psicológico é um efeito colossal, e eu tenho impressão de que talvez nem todos os senhores tivessem idéia de que concretamente as coisas tivessem chagado a esse ponto e que esse fosse o exemplo entre cem outros. Talvez, não sei bem, mas talvez não soubessem.
Ele ouviu sem emoção no dia 22 de junho de 1892, o julgamento que o condenava à pena de morte, e respondeu a esse julgamento com um retumbante viva à anarquia.”
Mas tudo isso numa sala de júri de hoje… [faltam palavras]…mas imaginem naqueles tempos o efeito que isto produzia.
No dia 11 de julho” – portanto nesse mesmo ano – “no meio de uma multidão silenciosa, a camionete celular, na madrugada, depositou Ravassol a alguns metros da guilhotina. Ele sorria e entoou uma canção imunda, que tinha como refrão blasfêmias, e onde ele diz que se sentiu feliz porque era preciso matar os proprietários e picar os vigários em dois.
Quer dizer, o homem morria assim.
Enquanto o capelão da prisão, cuja assistência ele tinha recusado, se forçava inutilmente de obter dele um arrependimento final.
O condenado tentou fazer um discurso à multidão, mas Deblait, que era o carrasco, e seus auxiliares, o arrastaram rumo à guilhotina. A cabeça foi posta na luneta” – eles chamam de luneta aquele círculo formado na guilhotina – “e ele começou a gritar: ‘Viva a Revolução!’, enquanto a lâmina cortou a cabeça dele, quando ele pronunciava a última sílaba.
Quer dizer, um sinal de impenitência, uma coisa tremenda.
Todavia, a prisão de Ravassol não tornou mais lenta a onda dos atentados anarquistas. No dia 25 de abril, na véspera mesmo da abertura de seu processo, uma bomba explodiu no restaurante de Vércy, matando o patrão. Esta vingança devia ser seguida de novos atentados. Uma bomba foi posta no dia 18 de novembro de 1882 na Avenida da Ópera, nos locais das sociedades das Minas de Carnot.
Naturalmente, uma expressão de ódio ao capitalismo.
Ela foi descoberta e levada ao comissário de polícia da Rue des Bons Enfants. Ela explodiu lá, matando seis agentes. Os anarquistas ficaram particularmente satisfeitos com essa proeza, porque o Manual do Revolucionário, em que os anarquistas neófitos podiam aprender a fabricar engenhos explosivos, assinala o fato. Ali está escrito: Se queres que a explosão ocorra enquanto agentes que tiverem descoberto a bomba a examinarem, deixem-a ereta para fazer explodir imediatamente, deixe-a em pé porque se alguém mexer na bomba, ela explode. Então a gente deixa em pé e sai correndo. Porque na manipulação, eles fatalmente derramarão o conteúdo interno, o que produz a explosão. E foi o que produziu a explosão do comissariado da Rue des Bons Enfants.
Um mês mais tarde, houve uma outra bomba” – isto só na França heim, porque havia ondas anarquistas em vários países. Na Rússia nem se fala.
Um mês mais tarde explodiu uma outra bomba jogada no dia 9 de dezembro no Palais Bourbon, que é o palácio da Câmara dos Deputados, por Valliant. Ele feriu ligeiramente alguns deputados e espectadores. Mas, sem perder o sangue frio, o presidente Carlos Dupuis continuou, dizendo: Monsieurs, a reunião continua, a sessão continua.
A condenação à morte e a execução do dia 7 de fevereiro de 1894, de Augusto Valliant, que tinha querido ser o vingador de Ravassol, suscitou o atentado contra Émile Henry, aliás, de Emile Henry. E esta jogou uma bomba do restaurante “Terminus”, da cidade de Saint Lazaire.”
Eu não sei se os senhores percebem a estupidez das coisas. Porque é matar a esmo. Por exemplo, jogar uma bomba num restaurante, onde não tem ninguém que eles queriam especialmente matar. É matar, para matar gente, porque são burgueses.
Matando uma pessoa e ferindo vinte. Isto se passava no dia 13 de fevereiro. Uma semana mais tarde, novo atentado na rua Saint Jacques. E no dia 4 de abril, uma bomba estourou, ainda em face ao Senado, no restaurante “Fayot”. Nos feridos se encontrava L. Tallard, que no dia seguinte ao do atentado de Valliant tinha declarado: Que importa a morte de várias humanidades se por ela se afirma o indivíduo?
Quer dizer, matar multidões não tem importância, a questão é o indivíduo se afirmar.
Enfim, no dia 24 de junho seguinte, Sadi Carnot, que era o presidente da República, em visita oficial a Lyon, caía sob um punhal de anarquista italiano, chamado santo Caseli, que censurava o presidente da República de ter usado de seu direito de anistia em favor de anarquistas condenados à morte.
Quer dizer, como ele anistiou, e a anistia é contrária aos princípios anarquistas, então matava o presidente Sadi Carnot. Os senhores vêem portanto, a ferocidade de que isto se revestia.
Agora, isto não era visto assim. Havia um número excepcional pequeno, de anarquistas, e depois, ninguém mais era anarquista. Mas as greves eram manifestações de violência. O partido comunista era um partido cheio de violência, os socialistas, que havia mais no tempo, mas enfim, alguns comunistas já, e que pregavam a violência. De maneira que o mundo inteiro se sentia ameaçado por coisas dessas.
Isto foi tão longe que na Alemanha, depois da Primeira Guerra Mundial, havia atentados, havia uma forma alemã de comunistas, chamados “os partakistas”,que realizavam assim pela rua, por toda a parte. E quando eles encontravam algum indivíduo que era, [que] usava condecorações de guerra, mesmo quando era mutilado, eles paravam, esbofeteavam e obrigavam o sujeito a pisar em cima das condecorações que tinha recebido. Senão, ficava morto.
Aí os senhores compreendem também o entusiasmo que a reação fascista e a reação nazista ocasionaram. Coisas todas muito remotas, e que eu não sei se essas noções não refrescam um pouco.
(Sr. –: Qual a relação disso com o que o senhor citou da reação fascista e nazista?)
É que eles nasceram como uma reação de defesa pública contra as violências dessa natureza. No início não se supunha que eles fossem ser violentos como foram, não se supunha, o público não supunha. E mesmo umas violências iniciais, pareciam indispensáveis, porque com uma coisa dessas, se a polícia não pune, aí entra a “vendita” particular.
Como é se vai fazer com um homem que chega num restaurante de estação – os senhores podem ter idéia de qual é o público de uma estação, naquele tempo, todo mundo tomava trem, era a burguesia com todas as suas camadas, mas sempre mais pequena burguesia do que grande, porque é mais numerosa – e joga uma bomba, porque são burgueses que estão lá dentro.
Depois vai à polícia, onde é punido insuficientemente, mesmo quando punido de morte. Compreende-se que vão organizar pancadaria. Depois, essa coisa estúpida: a lei assegurava a existência de um partido anarquista em nome da liberdade de opinião. Quando o sujeito vai e mata alguém em nome da doutrina livremente difundida, esse é um criminoso.
(Sr. –: Parece que um padre que era capelão de umas freiras só ia da igreja para o convento das freiras, só fazia aquele trajeto, isso por volta de 1901. Porque havia um anarquista que tinha feito um voto de matar o primeiro padre que encontrasse na rua. Encontrou esse padre que só fazia esse trajeto e matou-o.)
É, e Dom Mayer falou-me que ele até tinha o propósito de oferecer a vida em martírio, porque havia muitos atentados contra os padres nesse tempo. De maneira que ele é um mártir, por causa desse voto.
(Sr. –: Como a opinião pública aceitava isso, uma coisa dessas com, aparentemente, o mínimo de reação por uma coisa que iria durar tanto tempo?)
É uma coisa que entra um pouquinho nas reuniões da Comissão “B”, mas é fácil explicar. É que se tratava de um mundo que, apesar dessas manifestações assim, é um mundo muito estável. Ao menos na aparência, muito estável, que se julgava muito estável. E que tendo todas as ilusões da estabilidade, tinha também aquela tolerância para com o melodrama que tem as sociedades muito estáveis. Os senhores já vêem que uma das formas de teatro mais ou menos nessa época – não é bem nessa época, mas enfim, ainda na Belle Époque – em Paris, era o chamado Grand Guignol, que era um teatro de horrores, que se davam no palco cenas como essa: Uma sala de operação e um cirurgião que enlouqueceu, arrancando com colherinha os olhos do doente, diante de uma mãe que, de susto, ficou muda e não pode protestar. Eram coisas desse gênero. Com ambulância parada na porta, várias ambulâncias para as senhoras que desmaiavam, mas que iam para ter o frisson da tragédia do Grand Guignol.
Outra cena, vamos dizer, a cena de um amputado que, de rente, tomado de horror, de indignação, pega e joga o seu próprio braço mecânico sobre uma heroína que o tinha desprezado porque ele era amputado. Mas o braço mecânico era feito para cair em público. Então, grande cena. Ou uma paralítica vendo a nora matar o filho. Cenas desse tipo, que hoje ninguém ia ver, porque não há nervos, com a vida de hoje não há nervos que agüentem.
Isso de um lado. Agora de outro lado… [faltam palavras] …mas mais cristalizável contra essas coisas. Com toda forma de comunismo, de socialismo que havia nesse tempo.
E por fim, é preciso tomar em consideração um outro lado. É que isso corresponde ao auge da era da polêmica. E é o contrário do unanimismo. No clima de uma propaganda inanimista, isto não podia existir.
(Sr. –: A Revolução pretendia realmente ocupar todo o Ocidente por meio do anarquismo ou somente usá-lo como um meio para pressionar as direitas e com isso ganhar com o terror que ia se impondo?)
Não pretendiam conquistar o poder. Ela pretendia era aterrorizar os burgueses, de maneira que eles soubessem que a causa deles estava perdida, porque encontrava diante de si um tal ódio popular que eles não podiam subsistir. É preciso ver bem o clima todo como isso se dava. Hoje uma pessoa, por exemplo como nós, indo passear num bairro popular, não acontece nada. Naquele tempo, se um homem fosse passear num bairro popular, ele muitas vezes se expunha a ser vaiado, a caçoarem dele, etc..E isso durou, até muito recentemente, em várias cidades. Em Paris, por exemplo, havia aquele bairro dos apaches, que eram uns bandidos parisienses, mas todos com anarquistas e comunistas pelo meio. Se uma pessoa limpa fosse passar no meio dos apaches, ah, roubavam, arrancavam a roupa, maltratavam, podiam acabar matando. Quer dizer, os grandes do tempo não tinham a sensação que esses eram uns maníacos que faziam isso por doidice, mas eles viam nisso um sintoma agudo de uma indignação geral difusa, e contra a qual lhes parecia então inútil resistir.
É um clima que, enquanto tal, em grande parte por causa do unanimismo, hoje não é mais assim. E que é difícil as pessoas reconstituírem, por isso que eu quis trazer esta matéria para algo do dia.
(Sr. –: Já era de alguma forma o binômio medo-simpatia?)
Já era, mas aqui um binômio medo, um binômio de simpatia sim, no qual a simpatia era representada pela difusão das idéias da Revolução Francesa que conduzia ao comunismo, como ontem eu li o texto daquele Gaxotte. Mas ao lado disso havia o medo que era inculcado por esses atentados.
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