Santo
do dia – 26/4/67 – 4ª feira .
Santo do dia — 26/4/67 — 4ª feira
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Leitura de um trecho de uma carta do Rei Fernando da Áustria a São Pedro Canísio e de um sermão do mesmo santo * Apesar de traços de “regalismo”, a atitude do Rei Fernando da Áustria é um exemplo do zelo que um monarca deve ter pela Religião Católica * Não há maior interesse para o Estado do que a difusão da Fé Católica * O sermão de São Pedro Canísio nos ajuda a expungirmos de nós a heresia branca
… é festa de Nossa Senhora do Bom Conselho e nós vamos ter um cerimonial especial, quer dizer, terminado o Santo do Dia nós devemos nos dirigir ao jardim onde vai ser cantado pelo coro uma Ave Maria do século XI, e depois eu pronuncio as orações do Grupo, de encerramento.
Depois vamos todos em silêncio para o hall e vai ser dado o toque de alardo e ato contínuo vai realizar-se, então, o alardo, que vai ser, portanto, imediatamente depois… na noite de hoje.
Nós estamos, como os senhores já viram ontem na festa de Nossa Senhora do Bom Conselho, eu soube que alguns do Grupo foram até visitar a imagem de Nossa Senhora do Bom Conselho, lá no São Luís, coisa que me agradou muito, que eu louvo muito, e nós devemos voltar as nossas vistas para a festa de amanhã, que é a festa de São Pedro Canísio.
São Pedro Canísio, Confessor e Doutor da Igreja, foi apóstolo da Alemanha, chamado o “martelo dos hereges”, lutou contra o protestantismo. Ele pertenceu à Companhia de Jesus e era do século XVI.
O imperador Fernando da Áustria escreveu a São Pedro Canísio a seguinte carta que foi tirada da “Vozes de Petrópolis”, página 76. É uma edição de vidas de Santos da “Vozes de Petrópolis”.
Em 1553, escrevia o Rei Fernando a respeito de seu catecismo:
* Leitura de um trecho de uma carta do Rei Fernando da Áustria a São Pedro Canísio e de um sermão do mesmo santo
Digno religioso, devoto e caro amigo — escreveu o imperador a ele — vimos e examinamos a primeira parte de vosso catecismo. Julgamos que, com o auxílio de Deus, esta publicação servirá grandemente à salvação de nossos fiéis súditos.
Pedimos, portanto, que o termineis sem demora e nos envieis o catecismo completo o mais depressa possível, porque faremos traduzir o vosso catecismo em Língua alemã, e quando estiver impresso nas duas Línguas, Latim e Alemão, será explicado publicamente à juventude de todas as nossas escolas latinas e alemãs, com exclusão de qualquer outro catecismo sob as penas mais severas e ameaça de nossa indignação.
Ordenamos que anoteis à margem os livros e os capítulos onde se encontraram os trechos das Escrituras, dos Padres e Doutores da Igreja e do Direito Canônico, citados por vós com tanta erudição e a cada passo nesse catecismo. Isto é para permitir aos mestres menos instruídos e a gente de pouco conhecimento encontrar essas citações.
Temos grande esperança que, por esse meio, aqueles que caíram na ignorância sejam reconduzidos ao seio de nossa mãe, a Santa Igreja Católica, e que muitos se curvarão à doutrina desses escritos quando virem as fontes originais de onde extraístes.
Ajudareis a milhares de almas e recebereis de Deus todo poderoso o cêntuplo em recompensa.
De nossa parte, nós, como rei cristão, sinceramente desejoso da salvação eterna de nossos fiéis súditos, trataremos de vos indenizar com toda a nossa real benevolência a vós e a vossa religiosíssima Companhia.
Dado em nossa cidade de Presbo a 16 de março do ano de Nosso Senhor de 1553.
Ao lado disto a seguinte ficha: trecho de um sermão de São Pedro Canísio contra a corrupção do clero na Alemanha:
Temos desonrado o altar de Deus com mãos impuras e lábios polutos, com nossos corações incircuncisos, nossas vidas escandalosas e nossos graves abusos.
Nosso pecado é tanto maior quanto abusamos da dignidade que nos foi conferida. Assim, por nossa causa, o nome de Deus é blasfemado. Com tais homens, nada de honestidade em casa, de sobriedade à mesa, de continência no leito, nem de estudos nos livros, nem de devoção no coração.
Ambos os trechos merecem comentários.
* Apesar de traços de “regalismo”, a atitude do Rei Fernando da Áustria é um exemplo do zelo que um monarca deve ter pela Religião Católica
O primeiro é a atitude do Rei Fernando da Áustria, a respeito da difusão da religião no seu Império.
Os senhores notarão nesta ficha algumas atitudes do rei que dizem bem respeito ao erro do regalismo. Ele toma decisões a respeito da difusão do catecismo como se ele fosse um senhor espiritual.
Ele afirma que vai proibir a difusão do catecismo em toda a Áustria, de outros catecismos, para a única manutenção deste catecismo, que é o bom e que é escrito por São Pedro Canísio. Depois ele dá uma ordem a São Pedro Canísio, como se fosse um funcionário dele para que complete as citações que estavam ainda incompletas no original mandado a ele. E dá depois as explicações pelas quais ele quer estas citações.
Mas, se é verdade que esta nota desagradável existe nesta carta, para as nossas almas habituadas a um laicismo tremendo dos dias de hoje, a carta contém também um aspecto muito digno de louvor. É um exemplo de uma virtude, em outro sentido, que nós devemos registrar.
É o extremo empenho que deve ter um rei católico, mesmo quando ele não seja regalista e não enquadre as atribuições da Igreja, o extremo empenho, que deve ter um rei católico, da difusão da verdadeira doutrina no seu reino.
Os senhores vejam que ele recebeu o catecismo, que ele examinou, que ele formou o mais alto conceito do catecismo, que ele tinha em alto conceito São Pedro Canísio e que ele desejava ardentemente a difusão deste catecismo.
Ele deita um empenho em todas as partes da carta em que o serviço seja completo, em que o serviço saia logo, promete a tradução do serviço, explica as vantagens que ele espera desse serviço e os senhores precisam ver que esta é a uma obra de alta Contra-Revolução e ultramontanidade que ele fazia.
Com efeito, a importância da questão do catecismo está em que havia infiltrados nos meios católicos muitos autores que faziam catecismos com sabor protestante, e já era difícil naquele tempo encontrar um catecismo explicado à maneira dos homens do tempo, mas, que, simultaneamente, fosse um catecismo bem ortodoxo.
De maneira que ele se agarra ao catecismo de São Pedro Canísio como uma tábua de salvação, e os senhores vêem o zelo, o ardor com que ele quer fazer isto, porque é bom católico, mas também porque é bom imperador.
Ele era rei dos romanos, era rei do Império Romano do Ocidente.
* Não há maior interesse para o Estado do que a difusão da Fé Católica
Bem, ele quer aclamar, ele quer estabelecer este catecismo porque é dever do rei velar pela Fé e é primeiro porque é católico, mas em segundo lugar porque é sumo interesse do poder público, não há maior interesse para o poder público do que a difusão da Fé Católica.
Se a Fé Católica estiver bem difundida no reino, tudo se pode esperar de bom, mas se ela estiver mal difundida nada se pode esperar de bom, porque todo bem vem da Santa Fé Católica, Apostólica e Romana.
Esta idéia fundamental está no centro da carta e é agradável ver um dos maiores ou talvez o maior potentado do tempo, com este empenho pela difusão da doutrina católica.
Os senhores comparem esta atitude com a dos potentados de nosso tempo e os senhores compreendem como decaiu toda a situação do Universo, como a influência religiosa se vai esvaindo no mundo contemporâneo, para não dizer que se esvaiu completamente, cedendo lugar a uma influência anti-religiosa. E neste sentido a carta é edificante.
* O sermão de São Pedro Canísio nos ajuda a expungirmos de nós a heresia branca
É edificante também esse trecho de São Pedro Canísio em que ele fala a respeito das condições do clero na Alemanha no tempo dele.
Os senhores sabem que ele fala aqui num plural “nós”, não porque ele se julgasse culpado, mas porque era uma das regras da antiga cortesia. Tendo que dizer a alguém uma coisa desagradável, não dizer a ele: “Você tem este defeito”, mas dizermos dum modo mais amável: “Nós temos este defeito”, um “nós” que o interessado entenda bem que não é… como é que é, desde que ele não seja bobo.
Mas, os senhores dirão: “Mas o que é que adianta dizer isto se o interessado sabe que se trata dele?”
É que o modo de dizer revela um empenho de não ferir, o empenho de não machucar e esse empenho faz parte da caridade, faz parte da polidez, faz parte do respeito, que é um modo quintessenciado de caridade e de justiça, e o respeito que a gente deve ter mesmo àqueles que repreende.
De maneira que ele não se inclui nesse caso aqui, mas ele fala esse “nós”, evidentemente é um modo assim, e com certeza num trecho de um sermão pregado para padres, ou qualquer coisa, em que ele diz de um modo plural, não é isso? Mas, num modo plural ele aponta claramente e rudemente os defeitos do clero de seu tempo.
É sempre bom lembrar isto, porque por um instinto que na sua origem radicalmente é até sadio na alma católica, o verdadeiro católico tem para com o clérigo todas as complacências e todas as simpatias, e esta é uma posição de alma que volta continuamente ao espírito, mas com a tendência natural que já não é louvável, de nem sequer abrir os olhos para a verdade e não reconhecer a verdade como ela é, ainda quando ela entra pelos olhos adentro, e aqui nesta última parte entra a heresia branca.
E então para nós nos expungirmos da heresia branca é interessante nós vermos como falava um santo, um grande santo, um Doutor da Igreja, um homem célebre pelos múltiplos e enormes serviços que ele tinha prestado à Igreja Católica.
Os senhores viram a pouco ele… [inaudível].
…ia à resenha, que ele irá… [inaudível]
…do quadro moral nesse tipo de sacerdote. E a resenha é essa, diz:
Com estes homens, nada de honestidade em casa, de sobriedade à mesa, de continência no leito, nem de estudos nos livros, nem de devoção no coração”
É o que se chama uma… [inaudível] completa, porque não resta nada.
Eu pergunto um pouco aos senhores: “Se um homem em casa não é honesto, na mesa não é sóbrio, no leito não é puro, no estudo não usa livros e no coração não tem devoção, o que é que resta?”
Os senhores estão vendo o olhar límpido, forte, objetivo, e a boca vigorosa com que ele sabia estigmatizar os erros do tempo.
Vale sempre a pena nós colhermos um exemplo assim de um grande santo para nós termos o destemor de alma e de língua que as circunstâncias de hoje exigem. Destemor no que diz respeito à língua sobretudo, deve ser acompanhado de prudência, não é?
Os senhores vão presenciar agora um ato de prudência e não um ato de destemor: um daqueles padres do Coração de Jesus que fica lá pelo fundo da Igreja, um que fez uma vez um elogio dos senhores: “Tantos jovens que estão ali presentes, impressionam bem etc., etc.,”, me pediu para falar outro dia, dizendo… Ele estava afobado de alegria diante do bom resultado que ele tinha obtido.
Aqueles dos senhores que não tiveram ainda a notícia, vão ficar um tanto surpresos, mas enfim vamos lá, que ele tinha falado com o vigário e tinha dado a seguinte sugestão: durante o mês de maio cada dia um dos senhores fazia um pequeno sermão de 5 minutos.
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