Santo
do Dia (Rua Pará) – 19/4/1967 – 4ª feira [SD
241] – p.
Santo do Dia (Rua Pará) — 19/4/1967 — 4ª feira [SD 241]
Nome
anterior do arquivo:
Primeira vitória contra os holandeses nos Montes Guararapes * Trechos biográficos de São Conrado de Parzano * Todos os valores naturais se eclipsam e desaparecem quando estão em jogo valores de caráter sobrenatural * Mero porteiro de convento, pela sua ação de presença e virtude, se transformou num grande missionário, num grande pregador * Dêem-me um homem inteiramente abnegado de si mesmo, e eu lhes darei um homem puro
… 20 de abril será festa de São Conrado de Parzano, da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos. Sua relíquia se venera em nossa capela.
* Primeira vitória contra os holandeses nos Montes Guararapes
Há também um acontecimento grato da História do Brasil para registrar hoje, 20 de abril, e que é o seguinte:
Neste dia, em 1648,…
Vem agora as palavras de Diogo Santana, um cronista da época:
… opondo contra a artilharia herege seus robustos e varonis peitos e animosos corações, e tendo como estandartes seus rosários de contas ao colo e bandeiras da Virgem que lhes deu a vitória, os insurretos pernambucanos obtiveram a primeira grande vitória dos Montes Guararapes contra os holandeses.
Os senhores sabem que houve duas vitórias dos Montes Guararapes e que a expulsão dos holandeses do Brasil importou na expulsão dos hereges protestantes.
São muito bonitas as palavras desse cronista quando ele fala da oposição dos peitos dos pernambucanos aos canhões dos holandeses, porque realmente parece que a artilharia nossa, ou era nenhuma, ou era muitíssimo pouca, e foi, portanto, com o peito que aquela artilharia foi enfrentada.
Agora, bonito também é dizer que eles levavam rosários ao colo e que eram estandartes. Infelizmente isso causa uma recordação pungente quando a gente se lembra da fotografia do miserável Fidel Castro, seminu, em Sierra Maestra, com um rosário pendente no peito. E depois então diz que Nossa Senhora é que deu a vitória aos pernambucanos contra os hereges e depois diz que essa foi a primeira grande vitória dos Montes Guararapes; a segunda já foi a vitória definitiva.
* Trechos biográficos de São Conrado de Parzano
Sobre São Conrado de Parzano, em Schamoni, “O verdadeiro Rosto dos Santos”, nós encontramos alguns trechos biográficos:
Conrado de Parzano, no século Johan .., nasceu no dia 22 de dezembro de 1818, em Parzano perto de Passau, na Alemanha, descendente de uma piedosa família de camponeses. Quando, menino ainda, seus colegas conversavam coisas menos dignas, ao vê-lo aproximar-se exclamavam: “Calemos, aí vem o João”. Sentiam já respeito pela majestade de Deus. E nas tarefas do campo, em pleno calor estival, recusava cobrir a cabeça, porque estando continuamente em oração, acreditava que somente com a cabeça descoberta podia rezar.
Aos 31 anos, tendo certeza de sua vocação religiosa, abandonou a casa e a herança e entrou como leigo na Ordem Capuchinha. Depois dos votos, o irmão Conrado foi destinado ao convento de … [inaudível]… junto ao qual há um santuário da Virgem, visitado anualmente por milhares de peregrinos. Em tal mosteiro, que no ambiente do campo não encontra um momento de repouso, o cargo de porteiro é sumamente difícil. O irmão Conrado cuidou da portaria do convento por quarenta e um anos e aplicando-se em sua missão com tato e atenção, teve inalterável paciência, sempre cheio de deferência, humilde, serviçal, piedoso, laborioso. Nunca foi visto mal humorado, nunca pronunciou uma palavra inútil. Assim converteu-se num pregador silencioso, que infundia respeito aos visitantes, convertia os pecadores, consolava os aflitos e ajudava os pobres.
Escreveu uma vez a um amigo: “Minha regra de vida consiste em amar, sofrer e maravilhar-me em êxtases e orações, do amor de Deus para conosco, pobres criaturas. Nunca termina esse divino amor. Nada há que me impeça, em minhas ocupações, de me afastar de minha união com Deus. Meu livro é a cruz, basta-me um olhar para ela para saber em cada ocasião qual há de ser minha conduta”. Três dias antes de morrer, renunciou a seu cargo de porteiro, falecendo a 20 de abril de 1894.
* Todos os valores naturais se eclipsam e desaparecem quando estão em jogo valores de caráter sobrenatural
De 1894, os senhores vejam que ele morreu, portanto, bastante idoso.
É muito interessante a figura desse santo. Eu já vi gravuras de santos reproduzindo a figura dele, porque está no oposto de São Leão IX, que nós falamos ontem. São Leão IX era um aristocrata, era um homem de uma grande formosura, de um grande talento. Um homem superior, debaixo do ponto de vista de suas qualidades naturais, no qual se inseriu como um facho de luz maravilhoso a vida sobrenatural e a sua própria santidade.
Esse São Conrado de Parzano é o contrário. Um humilde irmão franciscano, que já parece muito branco, de barbas brancas, com cabelo branco, com um maço de chaves na sua cintura indicando a sua função de porteiro. Mas com toda essa inferioridade humana em relação a um São Leão IX, entretanto, uma figura esplêndida, de tal maneira que poderia ser colocada ao par do santo cuja vida nós comentamos ontem, de tal maneira que todos os valores naturais se eclipsam e desaparecem quando estão em jogo os valores do caráter sobrenatural.
Nós temos aqui vários dados da vida desse santo a considerar.
Em primeiro lugar, como ele afugentava — ele, simples camponês — os colegas que diziam palavras imorais. Os senhores vêem aí uma preservação daquela época, ao menos no lugar em que ele vivia. Porque hoje eu duvido que até um santo consiga afugentar os meninos de colégio que dizem palavras imorais. A gente vê aí como a Revolução vai progredindo como um câncer, como ela vai invadindo tudo. Naquele tempo ainda havia gente amedrontável; hoje não há mais. O mal se mostra completamente desatado e inteiramente triunfante. É exatamente um dos elementos que torna necessária a Bagarre.
É também digno de nota a intensidade da piedade dele, rezando de tal maneira, de um modo contínuo, que durante o período de trabalho no campo ele rezava também. E por isso não queria cobrir a cabeça, porque como estava falando com Deus, ele preferia receber todo o calor, mas poder ficar com a cabeça descoberta numa atitude de respeito diante de Deus Nosso Senhor.
Os senhores vêem aí uma falta de respeito humano. Os senhores vêem, de outro lado, uma piedade ininterrupta e acendrada, um grande espírito de mortificação. Porque o trabalho manual já é de si penoso; realizá-lo com o sol batendo na cabeça o torna mais penoso ainda. Pois bem, no meio disso ele conseguia concentrar.
Os senhores vêem aí uma capacidade de concentração, de atenção, uma capacidade de oração que é uma coisa digna de nota. Sobretudo para os homens de nossa época tão fáceis de se dissiparem.
* Mero porteiro de convento, pela sua ação de presença e virtude, se transformou num grande missionário, num grande pregador
Por outro lado, os senhores vêem que aos 31 anos ele entra como irmão leigo na Ordem Capuchinha. E foi destinado como porteiro do convento, junto a um santuário de Nossa Senhora. E foi aí o contrário dos porteiros de convento que a gente habitualmente conhece. Se há grei agressiva, arrevesada e zupeira, são habitualmente os porteiros de convento. A menor das coisas: a gente manda telefonar, chamar um frade, eles levam meia hora para o frade voltar, vir ao telefone, em que parte é a lentidão do porteiro que vai falar com o frade, e parte é a lentidão do frade que vem falar ao telefone. São as duas coisas que se conjugam: displicência e desinteresse.
Os senhores estão vendo o contrário: ele era um mero porteiro de convento, mas tão edificante, tão solícito, tão digno, tão respeitoso, que todo mundo se edificava com ele. E então a ficha diz muito bem que ele sendo um mero porteiro de convento, pela sua ação de presença, pela sua virtude, ele pregou uma grande lição de quarenta e um anos, ele se transformou num grande missionário, num grande pregador.
Isso nos faz ver que os homens eficientes para o apostolado de nenhum modo são apenas aqueles que têm capacidade de falar, que têm capacidades intelectuais. Esses também podem ser eficientes, mas que nesse caso a chave da eficiência deles não está no talento, a chave da eficiência está na vida sobrenatural que habita neles e se comunica aos outros.
Por causa disso, os senhores vêem um simples porteiro, irmão leigo, ter feito pela causa católica um apostolado enorme no mais obscuro dos cargos, um homem com uma ciência muito pequena. Apostolado de portaria.
Os senhores já pensaram numa coisa dessas? Como isso indica qualquer coisa de restrito, de circunscrito em matéria de apostolado? Entretanto, o êxito do brilho desse apostolado por causa da vida interior.
* Dêem-me um homem inteiramente abnegado de si mesmo, e eu lhes darei um homem puro
É uma ilustração da tese de D. Chautard da “A Alma de Todo Apostolado”: se nós queremos que nosso apostolado seja fecundo, tratemos de fazê-lo exclusivamente por amor, tratemos de fazê-lo por amor de Deus e não por nosso amor, não para aparecermos, nem para sermos importantes, mas considerando a causa de Nossa Senhora e mais nada. Se fizermos isso, nosso apostolado será um canal de graças. Tentar qualquer forma do desejo de nos mostrar, de desejo de recebermos aplausos, nosso apostolado será como um canal obstruído por onde as águas não passam, e as almas terão fome de graça e não serão nutridas por causa de nossa falta de correspondência.
Essa é a abnegação inteira, é a renúncia completa que o apostolado seriamente conduzido exige. É muito duro isso.
Eu compreendo que para a natureza humana, a vontade de se mostrar é uma coisa primeira, elementar e veemente, como a vontade de respirar, mas é preciso a todo custo vencer isso. Aquele que quer ser um verdadeiro apóstolo, esse precisa ser abnegado, precisa ser uma pessoa cheia de renúncia, uma pessoa que se for tirada de qualquer cargo, não geme, não sofre, não protesta. Uma pessoa que se for desconhecida pelo seu chefe dá graças a Deus, porque assim ela está imitando a Nosso Senhor que também sofreu o desprezo dos outros. Uma pessoa, enfim, inteiramente abnegada de si mesma.
Dêem-me um homem inteiramente abnegado de si mesmo e eu lhes darei um homem puro. No fundo, as tentações contra a pureza provêm de orgulho, de falta de abnegação, de vaidade, de apego do homem a si mesmo.
Se os senhores consideram um homem abnegado, ele não só será puro, mas ele será um apóstolo perfeito, seu apostolado produzirá resultados por vezes surpreendentes. Mas se ele tiver um apego, o seu apostolado não dá nada. E é uma tristeza um apego desses.
Pessoas como nós, largarmos tudo quanto nós largamos, entrar para cá para aqui nossa vida não ter fecundidade, há uma frustração pior e uma coisa mais triste do que isso?
Meus caros, não tenhamos ilusão: essa será a nossa vida, estéril, infecunda, será nosso apostolado inútil, serão os anos que se passam sem conquistar nada. Tudo isso decorrente de um apego a nós mesmos.
O inteiro desapego a nós mesmos, de que São Conrado de Parzano foi um exemplo, esse inteiro desapego é condição de nossa perseverança e da fecundidade de nosso apostolado.
Os senhores têm aqui o pensamento dele a respeito da oração contínua. Diz ele: “Minha regra de vida consiste em amar, sofrer e maravilhar-me em êxtases e orações, do amor de Deus para conosco, pobres criaturas”.
E ele diz que ele estava continuamente nesse êxtase. A minha muito cara geração nova…
*_*_*_*_*