Santo do Dia (Rua Pará) – 15/4/1967 – Sábado [SD 206 e 310] – p. 4 de 4

Santo do Dia (Rua Pará) — 15/4/1967 — Sábado [SD 206 e 310]

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Aspectos da vida interior de Santa Bernadette, descritos em uma obra de D. Guéranger * Uma pequena camponesa que foi escolhida por Nossa Senhora para uma grande missão: difundir a devoção a Ela, e sofrer pelos pecadores * Oferecer os sofrimentos pelos que cometem o pecado de Revolução * Após entrar para o convento, descreveu para as irmãs as aparições de Nossa Senhora, e depois, pela Santa Obediência, nunca mais falou sobre o assunto durante toda uma vida de sofrimentos, até que foi vitimada por uma dolorosa enfermidade * Não há apostolado melhor do que o sofrimento — Devemos aproveitar avidamente todos os sofrimentos para oferecê-los a Deus: tentações, provações, aridezes, incompreensões e demais dificuldades * Pedir a Santa Bernadette que coloque essas verdades em nossas almas, para que possamos aproveitar cada sofrimento em nossas vidas

Hoje, dia 15 de abril, amanhã dia 16 de abril, é festa de Santa Bernardette, virgem. D. Guéranger, no livro “L’Année Liturgique”, diz a respeito dela o seguinte:

* Aspectos da vida interior de Santa Bernadette, descritos em uma obra de D. Guéranger

Mais tarde, no silêncio do claustro…

Os senhores estão vendo que se trata de Bernadette a quem Nossa Senhora apareceu.

Mais tarde, no silêncio do claustro, Bernadette continuou seu testemunho, menos com suas palavras que com sua vida, toda feita de sacrifícios, de prece e de amor por Nossa Senhora. “Ó Jesus, Maria — dizia ela — fazei que toda minha consolação nesse mundo seja de amar-vos e sofrer pelos pecadores. Que eu seja mesmo crucificada em vida; é preciso que eu seja vítima. Carregarei a cruz escondida em meu coração com coragem e generosidade. Meu ofício é sofrer”. Humilhações, incompreensões, doenças, foram então acolhidas como o meio mais eficaz para obter a conversão dos pecadores. Sua prece constante e fervorosa, as inumeráveis Ave que ela recitava imploravam o mesmo favor. “Ao menos se eu não sei nada — dizia ela humildemente —, posso recitar meu rosário e amar o bom Deus de todo o meu coração”. E ainda: “A Santa Virgem tanto recomendou que se rezasse pelos pecadores”.

Durante a última Semana Santa que passou sobre a terra, uniu suas preces e seus sofrimentos aos do Salvador do mundo. “Jesus, dai-me, eu vos peço, o pão da paciência para suportar as penas que meu coração sofre. Quereis crucificar-me? Fiat”.

Os sinos soaram a ressurreição. E na quarta-feira da páscoa à tarde, Bernadette fazia sua última prece: “Meu Deus, eu vos amo de todo meu coração, com toda minha alma, com todas as minhas forças”. Alguns instantes depois era a última saudação à imagem: “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por mim pobre pecadora, pobre pecadora”. E Santa Bernadette foi terminar no céu a sua Ave-Maria.

* Uma pequena camponesa que foi escolhida por Nossa Senhora para uma grande missão: difundir a devoção a Ela, e sofrer pelos pecadores

Os senhores vêem que se trata aqui da ficha biográfica empolgante, dessa santa que era uma mera pequena camponesa, de um lugar perdido do interior da França, e que foi chamada por Nossa Senhora para a mais inesperada e mais alta das missões.

Ela recebeu, quando ela menos esperava, a visão de Nossa Senhora. Foram várias visões que se repetiram. Essas visões foram prenúncio da série de milagres de Lourdes, que não estancaram até agora e que deixaram a impiedade embasbacada, confundida e calada, muda. E por outro lado, serviram de ocasião para uma expansão enorme da devoção a Nossa Senhora pelo mundo inteiro. A festa de Lourdes, os milagres de Lourdes ocasionaram a multiplicação de imagens de Nossa Senhora de Lourdes, de grutas de Nossa Senhora de Lourdes; outros que não na França, onde os milagres de Lourdes se repetiam e eram um cântico de glória à Imaculada Conceição promulgada pelo Papa Pio IX.

Ela recebeu ao mesmo tempo essa missão de difundir a devoção a Nossa Senhora, ela recebeu uma missão misteriosa, e a missão consistia antes de tudo num segredo. E o segredo era de Nossa Senhora, consistia que Nossa Senhora dissera algo que só o papa deveria saber, e que ela até o fim de seus dias conservou consigo. Mas vinha conjugando com tudo isso a incumbência de sofrer pelos pecadores, e de acabar oferecendo a sua vida pelos pecadores.

Aí os senhores têm o mistério da cruz, os senhores tem o mistério magnífico da comunhão dos santos, que atua da seguinte maneira: é preciso que alguém se sacrifique pelos pecadores.

O pecador pelo fato de que peca, ele rouba algo da glória de Deus, ele faz uma ofensa à justiça Divina, e embora a misericórdia de Deus seja … [inaudível]… muito grande e perdoe em grande parte essa ofensa, alguém tem que carregar o peso do pecado cometido. E como o pecador é fraco, muitas vezes como o pecador é mau, ele não quer ou não pode carregar o peso do pecado que ele cometeu, é preciso então que uma alma inocente, que uma alma que não pecou, ou pelo menos que uma alma que se penitenciou dos pecados que cometeu, que uma alma nessas condições aceite e sobre ela se descarregue o peso da justiça de Deus, de maneira a Deus poder perdoar o pecador e leve o pecador para o Céu.

* Oferecer os sofrimentos pelos que cometem o pecado de Revolução

Não há apostolado mais magnífico, não há coisa mais fecunda para a Igreja Católica do que alguém, nessas condições, se apresente à justiça de Deus e diga: “Meu Deus, eu ao menos ofereço a minha vida pelos pecadores, uma longa vida de sofrimento, ou o holocausto de minha existência, mas eu ofereço isso pelos pecadores. Eu ofereço para que vós possais perdoar os pecadores e possais atrai-los e salvá-los”.

Em termos de “RCR”: “Meu Deus, eu vos ofereço minha vida por causa dos que cometem pecado de Revolução; por causa da fraqueza, da tibieza, da maldade de tantos que deveriam lutar contra a Revolução e não lutam; por causa da maldade de tantos que deveriam servir a Igreja e estão até do lado da Revolução. Pois bem, eu vos ofereço minha vida, todos os sofrimentos que quiserdes mandar-me, todas as provações que quiserdes mandar-me, eu aceito tudo isso contanto que a vossa misericórdia intervenha, e em vez de deixar o mundo abandonado às ondas da Revolução, em vez de deixar o mundo entregue à maré montante que não acaba mais do veneno revolucionário, vós afinal, ó Senhor, intervenhais, contenhais essa onda, repilais esses inimigos e inicieis quanto antes o Reino de Maria”.

Santa Bernedette Soubirous teve essa vocação. Ela se ofereceu como vítima expiatória e de fato ela foi uma vítima de holocausto agradável a Deus.

* Após entrar para o convento, descreveu para as irmãs as aparições de Nossa Senhora, e depois, pela Santa Obediência, nunca mais falou sobre o assunto durante toda uma vida de sofrimentos, até que foi vitimada por uma dolorosa enfermidade

Ela entrou no convento e logo no primeiro dia, ou no segundo, depois da entrada dela no convento, apresentou-se, a superiora reuniu todas as freiras e disse: “Bem, aqui está a irmã Bernadette. Ela vai contar as aparições de Lourdes para as senhoras, e depois eu proíbo, em nome da obediência, que alguma vez se toque a respeito disso com ela. Não se fala mais. Sacie-se a curiosidade uma vez por todas e depois não se fala mais no assunto”.

Então ela contou, numa sala repleta de religiosas, ela contou o que tinha se passado. Depois, silêncio e ponto final. E como ela era muito insignificante fisicamente, até mesmo muito miúda, como ela era uma pessoa de poucos dotes pessoais, ela afundou no completo olvido dentro do convento e ninguém mais se lembra dela. Ela era desprezada, espezinhada, era vista com pouco caso, etc., e era a última no convento. Até o momento em que uma enfermidade muito dolorosa se abateu sobre ela, e ela foi para o Céu.

Então aí ela expiou tremendamente, e ela expiou pelos pecadores, e quando sua alma se destacou dos vínculos da terra, subiu para o Céu como tantas almas de vítimas expiatórias, como Santa Teresinha do Menino Jesus. Subiu para o Céu e levando, naturalmente, atrás de si as portas da misericórdia que tinham sido abertas, ela levava atrás de si milhares, milhões de almas que iam para o Céu por causa do sacrifício dela.

* Não há apostolado melhor do que o sofrimento — Devemos aproveitar avidamente todos os sofrimentos para oferecê-los a Deus: tentações, provações, aridezes, incompreensões e demais dificuldades

Ninguém deve, sem licença do confessor, fazer-se de vítima do Amor Misericordioso ou de vítima da justiça de Deus. Mas todo mundo pode, ao menos, compreender que não há apostolado melhor que o sofrimento, e aproveitar avidamente os sofrimentos que nós temos em nossa vida quotidiana para oferecer nessa mesma intenção. Tentações, provações, aridezes, incompreensões dos amigos, dificuldades nos negócios, tudo isso pegar avidamente, pegar com sofreguidão. E por essa forma oferecer o sacrifício para que Nossa Senhora, de acordo com a consagração de São Luís Grignion, aplique do melhor modo que Ela queira por intenção dos pecadores.

Então, por essa forma, os nossos sacrifícios são idealmente bem colocados e nós temos certeza de que nós faremos um grande bem à Santa Igreja de Deus e à causa da Contra-Revolução.

Um contra-revolucionário que sofre é um contra-revolucionário arquilutador, desde que ele ame seu sofrimento, aceite seu sofrimento com resignação e compreenda que nada, absolutamente nada ele pode fazer de melhor para a causa da Contra-Revolução do que aceitar bem os seus sofrimentos.

* Pedir a Santa Bernadette que coloque essas verdades em nossas almas, para que possamos aproveitar cada sofrimento em nossas vidas

O que nós devemos pedir a Santa Bernadette é que ela embrenhe a nossa alma nessas verdades, que ela coloque essas verdades firme em nossas almas, de maneira tal que nós possamos aproveitar cada grande, ou cada pequeno sofrimento de nossa vida. Os pequenos sofrimentos na escola de Santa Teresinha valem tanto. Aproveitar os grandes e os pequenos sofrimentos para esse tesouro incomparável que é a bolsa do sofrimento, para completar o que falta à Paixão de Cristo e para que a obra de Redenção e a vitória da Contra-Revolução sejam feitas quanto antes, e para a implantação do Reino de Maria.

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