Santo do Dia – 8/4/1967 – p. 3 de 3

Santo do Dia — 8/4/1967 — sábado

Nome anterior do arquivo: 670408--Santo_do_Dia_Sabado__a.doc

* Santo inquisidor * Heresia valdense, ancestral do protestantismo * Ódio dos hereges à Igreja * Prenúncio da própria morte * Pedir a graça da boa morte. Se vive na graça, terá alegria

No dia nove de Abril, amanhã, vai ser a festa do Bem-aventurado Antônio Pavoni, Mártir; a respeito do qual Rohrbacher, na “Vida dos Santos”, diz o seguinte:

Antonio Pavoni nasceu de uma nobre família do Piemonte, em 1326. Aos quinze anos ingressou no convento dos dominicanos de [Savigliano]. Ordenado sacerdote aos 39 anos, era nomeado Inquisidor Geral do Piemonte. Em 1368 tornava-se superior do convento.

Enviado para combater os erros dos hereges, em Turim, refutou com clareza e precisão as idéias valdenses. Por isso foi ameaçado, mas não se amedrontou. Pelo contrário, passou a desejar ardentemente o martírio. Deus deu-lhe a conhecer os desígnios dos heréticos, fazendo-o conhecedor do dia e da hora de sua morte.

Na véspera, cheio de alegria correu ao barbeiro que o servia e lhe disse:

Barbeie-me bem, porque vou a um casamento.

Replicou-lhe o barbeiro, duvidando: — Impossível! Se houvesse casamento, eu o saberia com certeza, uma vez que todas as novas chegam à barbearia.

Mas Antonio insistiu: — Creia-me, eu te digo a verdade.

No dia seguinte, depois de ter orado toda à noite, preparou-se para celebrar. Terminada a Missa, deixou a igreja e, então, sete homens, precipitando-se sobre ele, crivaram-no de punhaladas. Depois despedaçaram seu corpo. Enterrado no… [¼ de linha em branco] …, numerosos milagres sucederam por sua intercessão. Em 1856, Pio IX autorizou o seu culto.

Nessa vida, os senhores encontram vários dados dignos de nota.

* Santo inquisidor

Em primeiro lugar, nós encontramos aqui mais um santo, que é inquisidor. Fala-se tanto da Inquisição como uma instituição intrinsecamente nefanda; entretanto, a Igreja, Ela criou a Inquisição, legalizou, legislou quero dizer, a respeito da Inquisição e canonizou homens que exerceram o oficio de inquisidor. Isso prova que a Inquisição não poderia ser uma coisa intrinsecamente má.

Aqui, nós temos, não propriamente uma canonização, mas uma beatificação. Um santo, um beato que foi, ou melhor, um beato cujo culto foi autorizado por Pio IX e que foi, durante sua vida, inquisidor. Nós vemos, por outro lado, qual era a posição “contra-revolucionária” desse mártir.

* Heresia valdense, ancestral do protestantismo

Os valdenses eram hereges da Idade Média, que obedeciam às doutrinas de um tal Pedro Valdo. E essas doutrinas desse Pedro Valdo eram muito próximas das doutrinas de Lutero. Ele era considerado uma espécie de ancestral, ancestral infelizmente próximo, de Lutero. A tal ponto, que certa região do país de Vaux (?), de Pedro Valdo exatamente, que fica entre a França e a Itália, e que era toda ela maciçamente valdense, aderiu depois ao Protestantismo, mas numa só respiração e num só hiato, quando o Protestantismo se propagou pela Europa. Precisamente porque a doutrina dos valdenses era uma forma rudimentar, mas autêntica, da doutrina protestante. Esse santo lutou, portanto, contra os protestantes, ou contra os pré-protestantes. E lutou com tanto acerto, que resolveram matá-lo.

* Ódio dos hereges à Igreja

Aí os senhores vêem então o ódio dos protestantes, o ódio dos maus, que não se volta apenas contra abusos que existem na Igreja, — esses abusos são pretextos para os protestantes e os inimigos da Igreja agirem —, mas que se volta, de fato, para o que a Igreja tem de bom. Se fosse um inquisidor corrupto,…

(…)

os bons protestantes, não…

(…)

a indignação que lhes causava a corrupção desse inquisidor, como é natural, haveria de agir contra ele. Mas aqui, não. Era um beato, era um homem de uma virtude extraordinária. Atacaram-no porque odiavam precisamente sua virtude.

* Prenúncio da própria morte

Os senhores vêem, por outro lado, como Deus trata seus santos. Ele deixou prever a esse santo a hora de sua morte. E ele se preparou inteiramente para a morte. Estava alegre! Os senhores viram até a brincadeira que ele fez no barbeiro. Os senhores vêem…

(…)

como uma cidade pequena e a barbearia como sendo o clubezinho, o ponto de encontro da cidadezinha italiana, viva, estuante de…

(…)

etc., e todos iam repercutir no barbeiro.

Os senhores vêem a coisa curiosa: esse beato freqüenta barbeiros. Em vez de ter um irmão leigo para fazer a barba dele, ou fazer sua própria barba, freqüenta o barbeiro. E vai e conversa com o barbeiro, tem uma conversinha, e depois inventa um dito de espírito para contar para o barbeiro, para contar para o barbeiro a respeito de sua própria morte. O barbeiro, naturalmente, só depois é que compreendeu, quais eram essas bodas. Ele chega, portanto, a brincar a respeito de sua morte. Ele celebra a Missa, estava radiante. Ele sabia que ia para o Céu. Naturalmente, ele não sabia que era naquela ocasião que ele ia ser morto. Saiu, e foi morto naquela ocasião. Sua alma subiu ao Céu e está no mais alto do Céu, junto a Deus Nosso Senhor e a Nossa Senhora.

* Pedir a graça da boa morte. Se vive na graça, terá alegria

Os senhores vêem aí como a graça da boa morte deve por nós ser…

A morte causa horror a tantas pessoas, mas é a morte do ímpio, que não é assistida por Deus. A morte daquele que é assistido por Deus, desde que peça a graça de uma boa morte — confortado por Nosso Senhor, por Nossa Senhora —, pode ser um episódio do qual o homem se aproxima com delícia.

Isso me faz lembrar Santa Terezinha do Menino Jesus, que durante a noite teve uma hemoptise, hemoptise que prenunciava, naturalmente, a morte dela, que ela tanto esperava. Ela fez a mortificação de não verificar no pano que a cobria, se era sangue ou era outro material que ela tinha eliminado por via oral. Mas, na manhã, logo ela foi ver e ficou radiante vendo que era sangue; hemoptise! que causa tanto horror a tanta gente. Ficou radiante, vendo que era sangue, e era um precônio, era um sinal precursor do Rei que vinha, que vinha pegá-la, como esposa d’Ele.

Peçamos a Nossa Senhora — nós, que provavelmente tantas vezes teremos que expor a nossa vida e talvez dá-la — que nos dê essa graça de caminhar para a morte com a alegria com que, para ela, caminharam tantos e tantos…

*_*_*_*