Santo
do Dia (––- Segunda datilografia, sem conferição
final ––-) – 04/04/67 – 3ª feira –
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Santo do Dia — 04/04/67 — 3ª feira
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O verdadeiro perfil moral de um santo em matéria de indulgência é o oposto per diametrum da Heresia Branca * Um santo decidida e santamente discriminatório * Um incêndio de cólera contra os escandalosos e um conselho bem anti-caneca: “Consultai mais a Deus que aos livros!” * O Senhor Doutor Plinio serve-se de São Vicente Ferrer para combater a “mentalidade politécnica”
“São Vicente Ferrer. Confessor, contribuiu para a extinção do grande cisma do Ocidente. Século XIV. De São Vicente, diz Rohrbacher: Em 1405, Bento XIII chamou São Vicente Ferrer a Gênova. Aí recebeu ele do doge grandes demonstrações de respeito e consideração. Mas como lhe pedissem que usassem do crédito que tinha ante este magistrado, para que salvasse a vida de um homem de Valência, condenado à morte por seus crimes, demonstrou São Vicente tanto zelo pela justiça, que embora o criminoso fosse de seu país, julgou que não devia interceder por um homem que não merecia. Tudo que fez foi pedir que mudassem o gênero de seu suplício”.
* O verdadeiro perfil moral de um santo em matéria de indulgência é o oposto per diametrum da Heresia Branca
Vejam bem a idéia contrária que a heresia branca quer inculcar que é necessariamente um santo: é própria a um santo pedir que seja indultado da pena de morte uma pessoa que está ameaçada. Mas isto, desde que haja propósito, desde que haja razão de ser. Não havendo isto, o santo não o faz.
Porque um santo faz tudo com conta, peso e medida e, sobretudo, um santo sabe que há circunstância em que apena de morte não só é indicada, mas não deve ser indultada.
E aqui está o contrário da idéia que muita gente faz de um santo. Para muita gente, a pena de morte é intrinsecamente má e um santo deve sempre pedir para que apena de morte não seja aplicada. Um santo que queira a execução da pena de morte, que seja solidário com isto, passa por ser um homem necessariamente de mau coração.
Não é um homem de boa vontade, para usar a expressão tão cara aos homens de nossos dias. Aqui temos uma colisão entre a heresia branca e as idéias de um grande santo, ou melhor, uma colisão entre o procedimento de um santo e as idéias da heresia branca a respeito de santidade, que circulam por aí.
* Um santo decidida e santamente discriminatório
“Ficou São Vicente doente, em Toledo, durante seis semanas. E logo que se restabeleceu obteve do rei, contra os judeus e os mouros, um edito pelo qual era-lhes proibido permanecer com cristãos; não poderiam habitar junto com eles e deveriam levar algum sinal exterior que os distinguisse de todos os habitantes do país”. Para que comentar isto? Ninguém tem combatido mais o nazismo do que nós; ninguém o execra mais do que nós.
Mas dizer que usar as pessoas inimigas da fé a usar um distintivo próprio, isto seria intrinsecamente contra a justiça não se pode dizer! Aqui os senhores tem um santo que quer um sinal próprio para judeus e para mouros e, mais ainda, não quer que os católicos habitem com eles.
É fazer gueto; porque o único jeito de evitar isto, é fazer gueto. É a canonização do gueto. Fizéssemos nós uma alta biografia de São Vicente Ferrer contando isto e publicaríamos uma das verdades esquecidas mais deliciosas que tem saído, sendo que é puxado dizer isto porque cada verdade esquecida é uma delícia.
* Um incêndio de cólera contra os escandalosos e um conselho bem anti-caneca: “Consultai mais a Deus que aos livros!”
“Repreendia São Vicente, com uma autoridade cheia de audácia, os vícios não só do povo, mas ainda dos príncipes e prelados”. “Um Santo não repreende prelados… porque um santo acha que todos os prelados são santos…” Isto é a teoria da heresia branca; e quem não acha que todos os prelados são santos, não é santo. Isto é a tese da heresia branca.
“E não perdoava ninguém cuja conduta escandalosa era digna de reprovação. Entretanto, tinha uma certa moderação e cuidado para com os eclesiásticos, para salvar a honra de seu caráter, fazendo a reprimenda em particular. Fazia o mesmo com as religiosas que tinham dado margem para que falassem pouco lisonjeiramente de suas condutas”. É claro. Podendo ser em particular, é muito melhor.
“Conselhos de São Vicente aos que estudam: quereis estudar de uma maneira que vos seja útil? Que a devoção vos acompanhe em todos os vossos estudos e que vosso fito seja alcançar a santificação e não a simples habilidade”. Isto é uma coisa muito importante. Quer estudar bem, não deve estudar simplesmente por estudar, porque este não encontra nada e não aprende nada verdadeiramente. É o espírito superficial. Quem quer estudar deve fazê-lo para conhecer, em última análise Deus, Nosso Senhor, para dar glória a Deus e santificar sua própria alma.
“Consultai mais a Deus do que aos livros e pedi-lhe com humildade a graça de compreenderdes o que
ler”. Sabem o que quer dizer “consultai mais a Deus do que aos livros”? É o pensar mais. É rezar e considerar as coisas em função de Deus. Pedir o auxílio de Deus e considerar as coisas em função d’Ele.
Isto é o pensar, é o remoer, é o remexer as coisas internamente. Isto é mais importante do que ler. É fazer oração. Porque é elevar sua mente a Deus e é uma das formas de oração.
Então, fazer esta oração é mais importante do que ler livros. Isto faz parte da escola espiritual do Catolicismo, a mais não poder.
“O estudo fatiga o espírito e seca o coração: ide de quando em quando reanimá-lo um tanto …. aos pés de Jesus Cristo. Alguns momentos de repouso em suas chagas sacrossantas vos dão renovado vigor e novas luzes. Interrompei vosso trabalho com jaculatórias. Que a oração, enfim, preceda e termine vosso estudo. A ciência é um dom do pai das luzes. Não olheis, pois, como obra de vosso espírito, vossos talentos”.
* O Senhor Doutor Plinio serve-se de São Vicente Ferrer para combater a “mentalidade politécnica”
O que ele diz a respeito de jaculatórias de vez em quando, suspender o estudo para meditar nas chagas de Nosso Senhor é tão verdade que pode ser considerado com mais amplitude. Ao fazer o estudo, se é um estudo puramente técnico, nós devemos de vez em quando interrompê-lo para pensar em alguma coisa alta, uma coisa que nos eleve a Nossa Senhora, ainda que seja uma coisa terrena: algum belo lance da história da Igreja, da história da civilização cristã; algum belo aspecto da arte católica etc. para distender o espírito.
Isto é contrário ao que se chama mentalidade politécnica. Há aqui também o inculcar jaculatórias. Mas há um modo politécnico de fazer jaculatórias. É o seguinte: vou fazer de dez em dez minutos uma jaculatória. Então, de dez em dez minutos eu paro e faço a jaculatória. É incomparavelmente melhor do que não fazer. Mas não é o modo ideal, porque a jaculatória deve corresponder a uma necessidade de alma.
A gente faz de dez em dez minutos quando não tem necessidade de alma e então emprega a fórmula “quem não tem cão, caça com gato”. Ainda é muito bom. Mas o verdadeiro é sentir necessidade de alma, de vez em quando, de fazer jaculatória.
“Que a oração, enfim, preceda e termine vosso trabalho. A ciência é um dom do pai das luzes. Não a olheis, pois, como obra de vosso espírito e de vosso talento”.
A maior parte das pessoas considera que o enriquecimento cultural que tem é fruto do próprio espírito e do próprio talento. Engana-se, precisamente, de um modo cabal.
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