SAnto
do Dia (––- Segunda datilografia, sem conferição
final ––-) – 03/04/67 – sábado –
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SAnto do Dia — 03/04/67 — sábado
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Texto sobre a penitência Um tratado contra o espontaneismo * Distinguindo hipocrisia de compostura e recomendando um maintien para a prática da virtude e um rico vocabulário para bem exprimir-se * Alinhando Santo Isidoro de Sevilha com Saint-Simon para refutar a Heresia Branca * O discernimento dos espíritos de nosso Pai e Fundador é tal que ele discerne até pela nuca o puro do impuro * “Quem responde pela fuligem que entra na Casa de Nossa Senhora?” — A vigilância quanta as más companhias
Bispo, confessor e doutor da Igreja. O martirológico diz dele que foi insigne pela santidade e doutrina. Engrandeceu toda a Espanha pelo seu zelo pela fé católica e observância da disciplina eclesiástica. Considerado o homem mais douto de seu século, lutou tenazmente contra os arianos. Irmão de São Fulgência, Bispo de Cartagena, de Santa Florentina, religiosa e de São Leandro, a quem sucedeu no arcebispado de Sevilha. Século VII”.
Eu me deslumbro cada vez que encontro uma floração simultânea de santos assim.
* Texto sobre a penitência
Sobre Santo Isidoro de Sevilha, em suas Obras Escolhidas, encontramos o seguinte trecho das “Lamentações de uma alma pecadora”:
Em todos os teus atos, em todas as tuas obras, e em todo o seu trato, imita os bons, emula os santos, tem a teus olhos o exemplo dos mártires, considera os exemplos dos justos, imitando-os; que o exemplo dos santos e os ensinamentos dos padres sejam para ti incentivo de virtude. Tem bom espírito, guarda tua boa fama e não a diminuas com nenhuma ação e não a deixes cair em descrédito. Demonstra o que professas em teu porte, em teu andar. Seja a tua apresentação a simplicidade, em teu movimento a pureza, em teu gesto a gravidade, em teu passo a honestidade. Que não demonstres o vergonhoso, o lascivo, o petulante, o insolente, o superficial. O gesto no corpo é o sinal da mente. Teu andar, por conseguinte, não represente tua superficialidade, teu passo não ofenda a ti ou a teu próximo. Não te prestes a ser espetáculo dos outros, não permitas que te denigrem, não te unas a pessoas vãs. Evita os maus, rechaça os indolentes. Foge das reuniões excessivas dos homens, mormente dos que por sua idade são mais inclinados aos vícios. Acompanha-te dos bons, deseja sua companhia. Busca a reunião dos bons, junta-te aos santos. Se fores partícipe do seu trato, também o serás de sua virtude. O que caminha com os sábios, será sábio; o que caminha com os estultos, será estulto, pois os semelhantes gostam de reunir-se aos semelhantes. É perigoso viver entre os maus, é pernicioso acompanhar-se daqueles que têm vontade perversa. Tu te nutrirás de sua infâmia se te juntas com os indignos. É melhor sofrer o ódio dos maus que a sua companhia. Assim como muitos bens traz consigo a vida comum dos santos, assim muito mal traz a companhia dos maus, pois aquele que toca um imundo, é por ele contaminado”.
Um tratado contra o espontaneismo
Deste lindíssimo trecho de Santo Isidoro de Sevilha, há duas coisas que devemos destacar. Em primeiro lugar é o aspecto profundamente ambientes e costumes que tem o trecho, quando ele fala do modo de apresentação do homem, da forma pela qual ele deve se externar aos olhos dos outros. Todo homem deve compor para si um personagem.
Quer dizer, ninguém deve ser inteiramente espontâneo — como querem os homens hoje em dia — de maneira tal que ele tenha a presença externa que lhe é sugerida simplesmente pelos seus movimentos desalinhados, desataviados, espontâneos. Isto é norte-americanismo.
Todo homem deve procurar exprimir no seu modo de ser externo, pelo seu olhar, pelo seu porte, pelo seu passo, pela sua atitude geral, pelo seu procedimento, deve procurar espelhar aquilo que lhe está verdadeiramente na alma. Porque não é verdade que as virtudes transpareçam naturalmente sempre.
Muitas vezes a pessoa tem grandes virtudes e elas não transparecem no seu exterior se a pessoa não tiver cuidado em manifestar isto e reprimir coisas espontâneas que possam dar a impressão do contrário.
* Distinguindo hipocrisia de compostura e recomendando um maintien para a prática da virtude e um rico vocabulário para bem exprimir-se
Também, muitas vezes, o mal transparece no exterior. Mas nós temos obrigação, infelizmente quando o mal transparece no nosso exterior, temos obrigação de evitar que ele transpareça (o mal que de fato temos). Não por hipocrisia e vaidade, mas por compostura, por respeito aos outros, por respeito a Deus, entendendo que o mal não tem direito de se extasiar à luz do sol.
Assim, portanto, há uma necessidade da gente compor para si uma linha de conduta externa, um conjunto de gestos, de frases, de vocabulário, de modo de olhar, de modo de ser da pessoa, que é uma expressão sincera autêntica, mas composta intencionalmente sob muitos aspectos do modo de ser interno.
Isto não seria assim se o homem não tivesse sido concebido em pecado original. Mas uma vez que isto acontece, isto tem que ser assim. E é por causa disso, que nas civilizações que chegam a um certo grau de perfeição, se ensina às pessoas a ter porte, a ter maneiras, ensina-se às pessoas a comporem para si o seu próprio personagem. Eu me lembro bem deste trecho do inimitável e incomparável Saint Simon, ele dizia: fulano transpõe os umbrais de uma porta com uma total inconseqüência.
A expressão é muito interessante, porque os umbrais de uma porta tem conseqüência a gente transpor. Todo umbral de porta que a gente transpõe em si tem conseqüência.
O umbral é o marco. E ele diz: também é um homem a quem nem se ensinou a dançar… Naturalmente não era o ié-ié-ié nem essas imundícies de hoje. Eram danças de uma alta compostura, de uma suprema finura de porte e apresentação e que davam ao indivíduo a arte de ter maneiras para tudo. Os senhores estão vendo o pensamento que estava atrás dessa frase de Saint Simon, a doutrina que estava atrás dessa frase.
* Alinhando Santo Isidoro de Sevilha com Saint-Simon para refutar a Heresia Branca
Eu estou ouvindo os ecos da voz de um boborio, porque a voz de um boborio sempre repercute mais do que a voz de um homem sábio. Tal é a tristeza do homem concebido em pecado original que o boborio é o grande orador e o grande homem influente do comum dos homens: sê bobo e serás influente e arrastarás os homens.
Estou ouvindo os ecos da voz de um boborio nos ouvidos de alguém do grupo dizendo: mas isto é mundanismo. Imagine falar de Saint Simon! Imagine falar de um homem mundano como aquele; vivia naquelas pompas de Versailles. Depois, um homem sem caridade: escalpelava os outros. Dr. Plinio devia arranjar um texto de santo, aí sim eu aderiria. Mas, Saint Simon não, esquisito. Assim não gosto.
Bem, aqui está um texto de santo, mas eu não espero abafar a voz do boborio, porque tem tal valor a voz do boborio, que Saint Simon, mais Santo Isidoro de Sevilha não abafam. É preciso um ato de generosidade, é preciso não querer ser heresia branca. Aqui estão as frases do Saint Simon, inteiramente na linha, ou melhor, as frases de Santo Isidoro de Sevilha na linha de Saint Simon.
“Demonstra o que professas”, quer dizer, o que pensas, ou aquilo que és, “demonstra isto em teu porte e em teu andar”. Como se pode fazer isto sem estudar um porte e um andar adequados? ….. desta recomendação indica um controle do porte e do andar e indica que há andar e porte que significam algo de bom e andar e porte que significam coisa que não é boa. Então, não venha me dizer que é mundanismo, porque não é.
Continua: “Seja a tua apresentação a simplicidade”. Isto também é dito com vistas ao boborio. Simplicidade não é simploriedade. Simplicidade é o fato do indivíduo não ser complicado, não ser afetado, não ter ademanes e requebros inúteis, mas estar no útil, no normal; fazer uma coisa que seja ao mesmo tempo intencional, educada, produto da educação, mas autêntica.
* O discernimento dos espíritos de nosso Pai e Fundador é tal que ele discerne até pela nuca o puro do impuro
“Em teu movimento, a pureza”. Como é bonita esta idéia! Os movimentos da alma pura são diferentes dos da alma impura. Até no gesticular, até no voltar-se para atender alguém, uma é a posição da alma pura, outra é a posição da alma impura. E ás vezes, na pessoa voltar a cabeça e dizer: o que é? a gente percebe a alma impura. (ilegível) um flash a gente vê o impuro.
Como às vezes também no modo de voltar a cabeça e dizer “o que é” a gente percebe o homem casto, percebe-se o homem fiel a seus deveres de estado no que diz respeito aos 6º e 9º mandamentos. Veja, portanto como é profundo o pensamento de Santo Isidoro.
Ele continua: “E em teu passo haja honestidade”. Honestidade não quer dizer o que se diz hoje “não roubar”. Honesto, no latim, era o composto, o composto com uma certa beleza, o composto com uma certa distinção, com uma certa elegância. O passo deve ter uma certa distinção, uma certa elegância. Notem uma coisa curiosa: se os senhores tiverem a desventura de encontrar um pastor protestante, notem que há coisa mais ridícula que há é o passo do pastor protestante.
Não vi ainda passo mais medroso, mais indeciso, modo mais baixo de pôr os pés no chão do que pastor protestante. Aquilo é o de lo último. Porque está na função(?). Sei que o que estou dizendo é muito pouco irenístico. Não me perguntem outras coisas, mas que o passo do pastor protestante não vale nada, não vale.
“Que não demonstres o vergonhoso, o lascivo, o petulante, o insolente, o superficial”. Essa cantilena caberia contra o play-boy perfeitamente. O play-boy é isto. Ele ostenta tudo quanto é vergonhoso, a começar por ostentar sujeira.
É lascivo, quer dizer, entregue à impureza, é petulante é insolente, é superficial. Está perfeitamente descrito o play-boy. O gesto do corpo é o sinal da mente. Vejam que magnífico princípio para exprimir exatamente a dignidade cristã. Teu andar, por conseguinte, não represente tua superficialidade, teu passo não ofenda teu próximo, não te prestes a ser espetáculo dos outros, não permitas que te denigrem etc., etc.”
* “Quem responde pela fuligem que entra na Casa de Nossa Senhora?” — A vigilância quanta as más companhias
Depois ele fala das boas e más companhias. Isto serve muito para combater um certo erro moderno de que se deve fazer apostolado metendo-se no meio dos maus. Quando a gente se mete no meio dos maus para fazer apostolado, a gente fica mau com eles; como quando se mete no meio dos bons, fica bom com eles.
Daí uma pergunta: eu ouço a voz de um boborio que repercute aqui dentro assim: por que vocês se fecham tanto assim? Por que vocês não se abrem mais e admitem muita gente aqui dentro? Por que vocês não saem muito e não freqüentam muita gente lá fora? Eu pergunto: está bem, depois quem é que responde pela fuligem que entra na casa de Nossa Senhora? que deve ser completamente sem fuligem?
É muito bonito dizer: umas idéias que qualquer conselheiro Acácio entende: se vocês freqüentassem mais poderiam ter mais relações e fazer maior bem. Eu tenho vontade de dizer que todo mundo sabe disto; que isto é bom em tese, se não houvesse inconvenientes; isto é descobrir a quadratura do círculo ou o ovo de Colombo.
* Comentando as Lamentações
“Pequena defesa da fé católica contra os judeus”. Os judeus condenaram sua descendência. Além de terem pecado contra Cristo, condenaram os judeus sua descendência ao dizer: caia seu sangue sobre nós e sobre nossos filhos. Em outro tempo Isaias, repreendendo-os, havia predito: raça de malfeitores, preparai-vos para dar a morte a vossos filhos pela iniqüidade de vossos pais. Invadida a Judéia pelos gentios pelo crime dos pais também os filhos foram mortos cruelmente.
Jeremias assim chora a morte desses dizendo: pecaram nossos pais e já não existem e o castigo de sua iniqüidade nós o levamos. E também: os sacerdotes disseram, ou melhor, tampouco disseram: onde está o Senhor? Os depositários da lei me desconheceram e prevaricaram contra meus preceitos. Os pastores ou a cabeça do povo prevaricaram, portanto eu entrarei em juízo contra vós disse (?) o Senhor e sustentarei a justiça de minha causa contra vossos filhos. E ao mesmo tempo, porque foi entregue como presa aos inimigos, rugiram contra eles os reis e deram bramidos; seus pais o reduziram a um páramo; queimadas foram suas cidades e não há uma só pessoa que nele habite” (Jeremias).
É uma coisa tão pouco Bea, que nem vale a pena comentar.
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