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Reunião (Sede da Grão Mogol1) — 29/03/1967 – 4ª feira

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Eu tenho a impressão de que por ocasião da “Bagarre” o grosso do povo judaico se converta, mas que há duzentos anos não notamos mas que a hidra infernal esteja fazendo qualquer coisa de… [ilegível] …podemos viver em paz, agora, deita no regaço de Nossa Senhora e nos despreocupamos de tudo. Pega esse sujeito e traduz a Inquisição. Porque é essa gente assim que derruba tudo. Bem, essa gente serve de instrumento para judeu, porque judeu faz propaganda dessa gente. Começam a dizer: olhe fulano de tal, eu o admiro. Aquele é um católico verdadeiro, firme nos princípios, mas tão moderado na ação, bondoso, um homem calmo, vistas largas. Oh, se todos os católicos fossem assim, talvez não houvesse mais judeu. [Chama, chama?] porque não presta. Inquisição direta. Mesmo porque essa história de católico elogiado por não católico, desconfiem dele. Eu conheço um caso agora em São Paulo, de uma pessoa que tinha um advogado. Essa pessoa desconfiava muito que o advogado estava traindo a ela. De repente, chega-lhe aos ouvidos que no fim da causa, a parte contrária começa a fazer um elogio de advogado dela: fulano, um lutador. Que advogado extraordinário. Alguém disse para ela: olhe aqui, é traidor na certa. Porque se a outra parte elogia seu procurador, é porque ele te traiu. Também quando começar [alguém?] ouviu protestante, sei lá o que – [está compreendendo?] – fulano, um grande espírito, uma grande alma! Inquisição.

(Sr. –: Há uma observação sobre uma notícia na Estado de São Paulo, mas está confuso.)

[Pois é?]. Quando ouvirem, depois de eu ter morrido, e talvez depois de terem morrido os veteranos, tão mais moços do que eu, que se encontram aqui, e quando o leme estiver na mão dos senhores – hein! – quando virem … [ilegível] …alguma pessoa muito brilhante… [ilegível] …dentro do grupo e da qual se diga o seguinte: não, ele é muito bom para nós, porque é bem visto fora – está compreendendo? – nos prepara a possibilidade de ter mais sedes, mais gravadores, etc., etc., inquisição para o sujeito e Inquisição para quem está fazendo propaganda dele.

(Sr. –: Nas linhas gerais do grupo, tem diversas atividades. Já neste tempo agora de antecipação dos acontecimentos… [ilegível] …algumas atividades vão passar para segundo plano, e nós vamos nos preocupar mais com outras, não é? Na linha geral do grupo e na linha individual… [inaudível] …)

Eu tenho a impressão… [ilegível] …que de momento o verdadeiro… [faltam palavras] …os acontecimentos podem vir de modo tão inesperado que a gente quase não sabe para que lado se preparar. Então, o verdadeiro é, em vez de procurar fazer mil coisas, para depois levar um tiro do lado mil e um, é melhor conservar o grupo como um organismo sadio, pujante, dentro de sua vida normal. Portanto, desempenhando cada qual uma atividade normal, com toda a dedicação, para a sanidade e pujança do grupo. Se de repente as circunstâncias mudarem, então se indicará. Mas, de momento, é continuar…[faltam palavras] ….

(Sr. –:…[faltam palavras] …e no plano individual?)

No plano individual, é procurar no Evangelho, o seguinte: trabalhai enquanto tiverdes [luz?], porque depois vem a noite e ninguém pode trabalhar. Eu digo também: enquanto o grupo está reunido, enquanto há possibilidade de conhecer e de admirar o grupo como instituição; procurem embeber-se do espírito dele. Trabalhai enquanto tendes luz. Essa é a grande preocupação. O resto, depois se verá.

(Sr. –:Com esse novo catecismo, o senhor acha que a data da “Bagarre” por assim dizer se precipitou? Eu quero fazer a pergunta…[ilegível] …graça da Verdadeira Devoção, ou algum do grupo vai ficar sem ter essa graça?)

Quer dizer, eu acho que a graça da verdadeira devoção é oferecida para todo mundo que tem vocação. O ponto central da nossa vocação é a verdadeira devoção a Nossa Senhora. Agora, eu acho que o Novo Catecismo é um sintoma de que a “Bagarre” está próxima, mas não é propriamente uma causa de proximidade da ““Bagarre””. A não ser no sentido de que quando as coisas chegam a este ponto, naturalmente estão perto de um desenlace, mas não é que tenha apressado o ritmo da “Bagarre”…[ilegível] …chegada da “Bagarre” para vir mais cedo do que…[faltam palavras] ….É um sintoma de que ela não tarda.

(Sr. –: Como é que o senhor supõe, que conjecturas?]

Nas revelações particulares, nas boas…[ilegível] …, a “Bagarre” começa por uma guerra ou uma revolução. Elas não empregam o termo de hoje de guerra revolucionária, mas, enfim, uma coisa mais ou menos na ordem de guerra e revolucionária, que, como uma erisipela, vais se generalizando pelo mundo inteiro. No meio disso, começam então bombardeios atômicos e coisas desse tipo. Quando a coisa estiver a essa altura…[faltam palavras] …[Anotação manuscrita que estava no verso da folha.] que fazem a consumação da profecia de Fátima.

[faltam palavras] …. Mas, de momento, é continuar…[faltam palavras] ….

Eu imagino que comecem então as hecatombes de caráter cósmico e o misterioso castigo da “Bagarre” vindo em determinado momento. Quando esse castigo vier, a luta cessa, o castigo toma conta do mundo e entrega o mundo purificado de “fassures”. Bem, eu tenho a impressão de que quando esse castigo vier, nós estaremos a pique de ser derrotados, e que exatamente esse castigo aniquila nosso adversário e nos dá a vitória.

(Sr. –: O senhor estaria presente neste momento?)

A Deus pertence julgar. Eu gostaria muito [de estar?].

(Sr. –: Em que consiste obter o espírito do senhor, em união com o grupo?)

Para ter meu espírito, é preciso compreender no que ele consiste. Para compreender no que ele consiste, é melhor me olhar através dos olhos dos nossos inimigos. Os nossos inimigos têm um verdadeiro ódio de mim, de tal maneira que se eles puderem fazer o maior esforço para meu nome deixar de sair uma vez no jornal, eles fazem. Se eu entrar num restaurante, eles detestam; se eu entrar numa casa onde tem uma recepção, eles abominam; se eu passar na frente de automóvel, eles já não gostam;… [ilegível] …sabendo que eu estou vivo e respirando, eles choram; sabendo que eu morro, eles exultam. Quer dizer, é uma oposição total, onde o menor rumor de minha pessoa causa neles ódio fanático. Isto ainda recentemente tivemos ocasião de ver, recentemente no enterro de D. Dulce, mãe dos Xavier. Era eu entrar numa sala, que a gente via – naturalmente são pessoas educadas, não diziam nada – mas a gente via a eletricidade de ódio percorrer a sala inteira. Depois, discretamente, uma ou outra pessoa se levantava, de não conseguir me olhar, de tanto ódio. Agora, por que esse ódio? É porque vêem em mim a simbolização de uma ordem de pensamento e de uma ordem de ação que eles execram, não é verdade[?] [Bem?], então se os senhores procurarem ver o que eles execram em mim, os senhores compreenderão bem o que é que eu sou, porque aí tem bem uma imagem fiel de mim mesmo. E os senhores vendo o que é que eu sou através disto, podem ter o meu espírito.

Eu digo isto, porque é uma coisa curiosa, dentro do movimento, é difícil encontrar gente dentro do movimento que perceba, com afeto e com respeito, tão bem o que eu sou, quanto o menor dos nossos inimigos percebe com ódio. O Evangelho diz que os filhos das trevas são mais astutos que os filhos da luz. Então, para ter um jeito de perceber o que eu sou, me olhem através deles. Quer dizer, o que eles dizem de mim? [Eles?] dizem de mim que sou um homem de uma exigência, em primeiro lugar, insuportável, porque eu exijo precisamente as coisas que eles não querem dar. Quer dizer, eu exijo ordem, hierarquia, disciplina, fé, pureza, combatividade: numa palavra, eu exijo sacralidade. Ora, eles querem o deboche, a dúvida, a corrupção, a moleza, o estar inteiramente à vontade, o igualitarismo, a mais suja democracia. Não é verdade? Bem, por outro lado, eles acham que essa minha atitude de espírito, se marca no meu modo, no meu porte, no meu olhar, no meu timbre de voz, no meu passo, nos meus gestos. De maneira que a minha pessoa, vista de costas, lhes insinua a idéia de que eu estou afirmando esses valores que eles abominam. Bem, eles não podem estar enganados. Tanta gente que não se conhece, ter ódio de mim, a causa tem que estar em mim; não pode estar neles. E a causa é que eu tenho uma coisa que dá ódio neles, diria o conselheiro Acácio. Essa coisa o que é? É só perguntar para eles. Eles dizem o que acabo de dizer. Então, esse sou eu. ;… [ilegível] …Para ter meu espírito, é preciso procurar pensar assim, ser assim, desejar assim, rezar assim. E aqui está como é que;… [ilegível] … através de um espelho no ódio que os outros nos tem, os senhores podem me conhecer. Não sei se minha resposta está clara.

Eu dou tanta importância a esse ponto que se alguém sobre esse ponto, quiser me fazer mais alguma pergunta, eu estou inteiramente à disposição.

(Sr. –: … [inaudível] …)

A questão é a seguinte: que as pessoas que chegam a uma grande união de espírito comigo, como são, por exemplo, os mais velhos do grupo de Belo Horizonte, graças a Deus, como são tantos lá de São Paulo, veteranos, uma pessoa que chega a essa reunião, acaba, sem ter a menor intenção de me copiar, inspirando-se em mim e tomando qualquer coisa de mim que faz com que ela seja objeto de um ódio análogo, ao ódio de que eu sou objeto. Isto é o sintoma de que nossos adversários sentiram a nossa influência de minha presença neles. Se sentiram, os bons também podem sentir e amar neles aquilo que os maus odeiam. Por esta forma, na contemplação deles, ter um elemento de união comigo. Isto naturalmente não exclui, antes sugere, que eles vão a São Paulo também, para me conhecer um pouco, estarmos juntos lá, etc. Infelizmente, temos muito pouco ocasião de estar junto em São Paulo. Quantos dos senhores eu conheço pela fisionomia, e não se exatamente o nome. Mas mesmo assim: essas coisas são cheias de imponderáveis – um Salve Maria, um olhar que se cruze, um santo do dia que se ouve, uma inflexão de voz que se apanha, tudo isto é carregado de significado simbólico…. [inaudível] …

Sim, eu não notei o menino [lá?], mas por tudo quanto ele dizia a meu respeito, etc., via-se que ele se inspirou muito disso. Caso frisante, os juniores do Rio de Janeiro. Um deles esteve recentemente em Buenos Aires. E lá um dos argentinos declarou: Ai, que lástima, no puedo hablar con Dr. Plinio… um pouco choradeira do Rio da Prata. O rapaz do jornal do Rio, que estava lá, perguntou: Mas por quê? Porque não posso ter uma boa formação, sem ter uma boa conversa com Dr. Plinio. Diz o rapaz: Ele não pode ter uma boa conversa com cada membro do movimento. Como é que é possível isto? Mas eu nunca tive uma conversa com Dr. Plinio em minha vida. Ora, ele estava espantando aqueles rapazes pela identificação entre o ponto de vista dele, o modo de ser dele e o meu. [Já?] os senhores vêem aí como a graça ajuda essa osmose. Não sei, meus caros, se respondi bem.

(Sr. –: Dr. Plinio, no que consiste, propriamente, a vida interior no grupo?)

Do grupo ou de uma pessoa dentro do grupo?

(Sr. –: De uma pessoa dentro do grupo.)

A vida interior é aquela parte da vida da gente em que a gente vive com seus próprios botões. Não está pensando nos outros, nem o que deve fazer com os outros nem o que os outros estão pensando a respeito da gente, mas a gente pensa a respeito de si mesmo. Naturalmente, pensa em função de Deus, Nosso Senhor e Nossa Senhora. Quer dizer, o que é que eu acho de mim – um fenômeno inteiramente interior, o que se passa comigo, o que é que eu acho de mim, que juízo eu emito a respeito de mim, o que é que eu acho que Nossa Senhora e Nosso Senhor estão pensando a meu respeito. Essa é a vida interior de todo mundo. É o cerne de minha vida, o que ela tem de mais [interna?], minhas relações para comigo e para com Deus, Nosso Senhor.

Num membro do grupo, esta vida interior consiste… [ilegível] …alegraremos a Nossa Senhora na medida em que tivermos o espírito do grupo, em que nós estivermos unidos ao grupo e servindo ao grupo. Por causa disso, a vida interior entre nós toma como matiz, mas matiz dominante, ponto essencial, a preocupação de fazer a vontade de Nossa Senhora e de Deus, em possuindo o espírito do grupo. O que traz como conseqüência que nós devemos, então, na nossa vida interior, de nós para conosco, perguntar: eu estou satisfeito comigo como membro do grupo? Vamos deixar o que os outros pensam, as impressões favoráveis ou injustas que os outros tenham a meu respeito. Aqui estou eu, perante Deus e perante meus próprios olhos. E até certo ponto meus olhos são os olhos do próprio Deus, que me olha com os olhos da minha consciência, para me perguntar se estou satisfeito comigo, se eu tenho direito de estar satisfeito comigo, se ele está satisfeito comigo. Depois, [pergunta-se se está satisfeito?]… [ilegível] …O que eu devo fazer para aumentar o meu progresso? Se não estou [satisfeito comigo], o que devo fazer para sair do atoleiro onde fui parar. Isto é a vida interior de um membro do grupo.

(Sr. –: Agora, um critério para sempre progredir na vida [interior e do grupo?])

O critério é sempre esse: eu estou cada vez mais o… [ilegível] …com que os inimigos o vêem? Eu estou [olhando?] cada vez mais com o ódio com que os inimigos o odeiam? Se os membros do grupo amassem o grupo, tanto quanto os inimigos o odeiam nós [tomávamos?] conta do Brasil. Não precisava mais nada. O grupo como é agora. Seria irresistível.

(Sr. –: E a verdadeira devoção? O mesmo caminho, não é?)

O mesmo caminho. A verdadeira devoção a Nossa Senhora é o modo de nos… [ilegível] …lucidez e força para ter essa união de alma comigo. Mas é muito mais do que um modo: é um fim. Porque a lucidez e a união de alma comigo, se não servissem para aproximar de Nossa Senhora, não servia para nada. Nossa finalidade é Nossa Senhora.

(Sr. –:… [ilegível] … a santidade [do senhor?]… [ilegível] …para o grupo, de virtude… [ilegível] …dentro do grupo?)

A virtude característica do grupo é a virtude da sabedoria. A virtude da sabedoria é a rainha de todas as… [ilegível] ….

(Sr. –:… [faltam palavras] …na verdadeira devoção e no espírito do Grupo, tem algum critério assim, um exemplo?)

[faltam palavras] …é o conjunto de todas as virtudes, é a arquitetura de todas as virtudes, que nos faz amar as coisas na sua ordem e, portanto, sobretudo as mais altas, e nos faz querer as coisas também na sua ordem; portanto, sobretudo, as mais altas. Portanto, amor ao sublime, às verdades eternas, e, em última análise, a Deus, Nosso Senhor, que é personificação de tudo isto.

(Sr. –: Dr. Plinio, estando a “Bagarre” tão próxima e não tendo nós a correspondência a Nossa Senhora como o senhor deseja, como que nós poderemos ser instrumentos de Nossa Senhora no Reino de Maria?)

Se eu ousasse dizer, eu diria que Deus tem suas misérias. Quer dizer, Deus, que é onipotente, pode deixar que as coisas corram de tal maneira que Ele que é Ele, que é a plenitude fulgurante, irradiante, [subsistente?] de todas as perfeições possíveis, que ele, entretanto, precise de nós, no sentido de dizer que há tão pouca gente fiel, que Ele, que quer agir por meio de homens, acaba tendo que ter, por assim dizer, a misericórdia de agir por meio de homens como nós. Então, nós devemos admitir que ele nos dará, antes da “Bagarre”, as graças necessárias para, por meio de uma grande misericórdia d’Ele, nos tornarmos à altura de nossa missão. É o que nós costumamos chamar o “Grand Retour”, a grande volta.

(Sr. –: Dr. Plinio, de modo geral, as almas têm dificuldade de adquirir o espírito do senhor pelo apego, ou cada alma [tem um?] obstáculo particular?)

Cada alma tem um obstáculo particular, mas cujo fundo é a solidariedade, pelo menos velada, discreta, passiva, que as almas têm com essa monstruosidade que se chama revolução. O espírito da democracia… [ilegível] …, o “terra a terra”, o gosto da trivialidade, da chacuniere, etc., que é uma infiltração do espírito revolucionário dentro das almas. Isto é a maior dificuldade de me sentir, de me compreender.

(Sr. –: Dr. Plinio, o senhor poderia fazer um paralelo entre Enoc e Elias, as virtudes características de cada um, as diferenças[?])

Para minha confusão, devo dizer que conheço muito pouco Enoc, ouviu, de maneira que o paralelo me seria muito difícil de fazer. Eu poderia talvez dizer alguma coisa sobre Elias, se lhe interessa. No que diz respeito a Elias, a gente vê o seguinte, a gente tomando aquela oração abrasada de São Luís Grignion de Montfort, pedindo missionários para sua Companhia, a gente tem o perfil moral do perfeito devoto de Nossa Senhora. A gente, lendo a vida de Elias, percebe que toda a vida dele correspondeu àquele perfil moral. Quer dizer, o homem que [seria?] inaugurador, por assim dizer, da devoção a Nossa Senhora, com aquela visão dele da pequena nuvem, que depois deu origem a uma imensa chuva que cobriu a terra inteira; fundador da primeira família religiosa existente no mundo, e desde logo consagrada ao culto de Nossa Senhora, que foram os Carmelitas; homem de fogo, numa luta tremenda contra Baal e contra os falsos ídolos e contra os defeitos do povo de Israel; profeta que profetizou a vinda do Messias e a sua morte; profeta que ainda vai lutar até o fim do mundo como verdadeiro calcanhar de Nossa Senhora, para esmagar a cabeça da serpente. É portanto, uma alma de fogo. Esta alma de fogo está em inteira correspondência com os apóstolos dos últimos tempos, previstos por São Luís Grignion de Montfort. De um lado, o modelo desses apóstolos é São Luís Grignion de Montfort. A gente vê que Elias foi um São Luis Grignion de Montfort do Antigo Testamento, e que São Luís Grignion de Montfort é um Elias do Novo Testamento. [É que?] ao longo da história, há assim almas marcadas por essa graça de Elias e de Eliseu, e que são, no fundo, as almas muito devotas de Nossa Senhora, são as almas ultramontanas.

(Sr. –: Dr. Plinio, o senhor acha que, no fim do muno, os apóstolos dos últimos tempos vão lutar junto com Elias, ou eles não vão saber da existência de um e do outro? Vão viver separados, achando que eles são os únicos fiéis no mundo? Cada um particularmente?)

A questão é a seguinte, antes de tudo… [ilegível] …, os apóstolos dos últimos tempos não são os apóstolos do fim do mundo, não é? Os últimos tempo não são o fim do mundo somente, mas é a última fase da vida da Igreja, que pode durar séculos, última era, não é?… [ilegível] …. Bem, mas sua pergunta refere-se mais especialmente àqueles que viverem nos últimos tempos, viverem no fim do mundo, não é isto? Tudo leva a crer que eles vão conhecer Elias e que eles vão se por ao serviço de Elias. Porque se eles corresponderam à graça, forem verdadeiros apóstolos dos últimos tempos, eles, com a Bíblia em mãos, não podem deixar de reconhecer que o homem que está fazendo tais e tais maravilhas é um homem que corresponde a Elias, e, portanto, não podem deixar de se aproximar dele e servi-lo, porque assim como foi claro, quando Jesus Cristo veio, que Ele era o Messias, será claro quando Elias vier, que é Elias, e todas as almas que tiverem boa fé, vão reconhecer Elias. Eles, sendo apóstolos dos últimos tempos, vão reconhecê-lo também.

(Sr. –: Voltando àquela questão do espírito do senhor, o senhor disse que o maior obstáculo era a solidariedade maior ou menor com a revolução. Agora, a disposição de acabar com isso, a gente pode pretender fazer assim como um foguete ou;… [faltam palavras] …)

Pode. Sobretudo, rezar para que Nossa Senhora nos ponha o foguete na mão.

(Sr. –: Na linha de grande desejo.)

Sim, o desejo é uma oração. Quem vive de desejos, vive de oração.

(Sr. –: Como se aplica a Pequena Via nessa grande [ disposição assim?]?)

A Pequena Via consiste no desejar ardentemente. Santa Teresinha era, por excelência, uma alma de desejo. Desejar ardentemente ser um verdadeiro apóstolo dos últimos tempos; desejar isto o dia inteiro. E pedir a Nossa Senhora que nos dê as graças para isso. Sobretudo, naturalmente, muita união a Ela, muita devoção para com ela. Isto é o centro do centro, o centríssimo.

(Sr. –: Essas almas que, através da história, são as que têm mais devoção a Nossa Senhora, elas usam as outras como modelo? Por exemplo: o senhor tem a São Luís Grignion como modelo?)

Quer dizer, eu acho que São Luís Grignion é um modelo tão alto que, para usar a expressão de São João Batista, “eu não sou digno de desatar as sandálias dos pés dele”. Mas quando eu conheci a vida de São Luís Grignion, eu já tinha o espírito inteiramente formado e exultei em ver que o que eu tinha feito podia se apoiar sobre um modelo excelso e transcendental como aquele. Mas eu não tive a intenção de copiar. Se eu o tivesse conhecido, teria tido. Mas não tive. Eu li a biografia de São Luís Grignion, pela primeira vez, quando tinha uns quarenta e tantos anos, eu acho que… [ilegível] …. Já estava todo formado.

(Sr. –: O mesmo se pode dizer com relação a outras almas assim na história também e daqui para a frente também?)

Se, de fato, o grupo – como eu espero e peço a Nossa Senhora – for abençoado por Ela e dê numa família de almas pujante e que se estenda muito, é muito difícil que as almas piedosas não o conheçam e que ele não sirva de modelo para as almas piedosas que devem ter a mentalidade dele. De maneira que essas almas devotas de Nossa Senhora, que estavam esparsas, hoje em dia, naturalmente já estão… [ilegível] …quando o grupo estiver aglomerado e conhecido, elas já não estarão esparsas, mas terão um ponto de interesse.

(Sr. –: Dr. Plinio, o senhor disse a respeito de como os inimigos, os revolucionários encaram o senhor e encaram o grupo. Agora, eu perguntaria como é que nós devemos encarar os revolucionários considerando que eles… [ilegível] …Com que disposição de alma nós devemos viver, [portanto?], na presença desse povo, em contacto com eles, na sociedade, na vida comum?

É uma atitude de rejeição total. Uma atitude de incompatibilidade completa. Mas esta atitude não pode consistir num mero sentimento de furor. Porque o furor passa. A gente não pode passar a vida inteira enfurecido, sob pena de ficar doente dos nervos, não é verdade? Ora, a gente tem que ser a vida inteira contra eles, como é que a gente então, como é que se realiza então a perfeição dessa incompatibilidade com eles? A resposta é essa: muito para cima do furor, existe a oposição dos princípios. Pelos princípios da fé, [nós?] sabemos que eles são filhos das trevas e que eles estão inteiros postos no mal, e entregues ao pior mal; não a um mal qualquer, mas ao pior mal. Ora, isto deve ser objeto, da parte de nossa inteligência, de uma convicção firme; e da parte de nossa vontade, de uma censura de nossa inteligência ainda, de uma censura, de uma crítica completa, uma rejeição completa. Da parte da vontade, um desejo fundamental de acabar com toda a obra deles, com a revolução. Se a gente tem isto de modo estável, está conseguida a coisa.

Eu vi um historiador francês falar a respeito de Felipe II, e ele atacava em Felipe II exatamente aquilo que nele era qualidade. Então, ele falava da luta de Felipe II em favor da fé, etc., e depois ele dizia: que Felipe II trazia, em favor da fé, uma fria e terrível cólera. Realmente, os quadros que representam Felipe II dão muito essa idéia: uma cólera fria e temível. Por cima dos furores ocasionais, nós devemos ter uma cólera estável, fria, definitiva, invencível e implacável, meticulosa, de todos os minutos, em relação à revolução e os seus sequazes.

(Sr. –: Uma pessoa que for inteiramente fiel à sua vocação, ela será apóstolo dos últimos tempos?)

Tudo leva a crer que sim. Porque os últimos tempos devem começar com o Reino de Maria. Nossa vocação é para implantar o Reino de Maria e para viver nele. Logo, normalmente, devemos ser apóstolos dos últimos tempos, não é? … [ilegível] ….

(Sr. –: Dr. Plinio, tendo em vista o ódio que os revolucionários tem do senhor, porque que os membros do grupo não vêem no senhor aquilo que os revolucionários vêem com facilidade? Por exemplo, tinha uma ocasião quando o senhor veio aqui, naquela época da conferência pública, quando… [ilegível] … o senhor entrou na exposição, tinha dois fulanos discutindo conosco. Na hora que o senhor entrou, eles murcharam, pediram licença… [ilegível] …e foram embora. Agora, o que é que eles percebem no senhor que a gente não tem essa facilidade de perceber e que, enfim… [ilegível] ….)

A coisa tem uma séria de explicações psicológicas muito importantes. Mas, em parte, é porque a gente percebe mais o que é diferente de nós, do que o que é parecido conosco. Veja, por exemplo, numa família onde todos são muito parecidos. Digo de outra maneira: você toma uma família, onde todos se consideram muito diferentes uns dos outros. As pessoas de fora notam… [ilegível] …não notam… [ilegível] …eles percebem, não é? Assim também, quem não tem nossas idéias, mais facilmente sente o contraste com essas idéias, do que quem tem, sente a afinidade.

(Sr. –: … [faltam palavras] … por que é que se dá isso?)

São duas perguntas que você fez: Primeira: Por que é que ele percebeu? Segunda: Por que é que nós não temos facilidade de perceber? Mas isto é apenas em parte uma resposta. Porque nós encontramos, às vezes, novatos no grupo que logo no primeiro relance percebem tão bem quanto nossos piores adversários. Bem, isso é uma graça particular, perceber tão bem, é também uma correspondência grande. Porque, como eu volto a dizer, no começo da vocação de cada um, a pessoa começa a perceber. Mas é depois que “microliza” e decai. É um fenômeno curioso. Os veteranos que estão aqui talvez me dêem razão, talvez também não me dêem, não sei. Mas é como eu vejo o caso. Em geral, no começo da vida de grupo, a pessoa nota uma porção de coisas. De repente, começa aquilo a mudar, amarfanhar-se e decair…. [ilegível] …há uma observação: nunca devemos perder de vista o ideal do grandioso, a graça primaveril que se tem no início do grupo. Sim, nunca perder de vista. Mas por que ela decai? Em geral, é porque é um pouco parecido com a história de Adão e Eva no Paraíso. Adão e Eva estavam no Paraíso, ia tudo correndo muito bem; de repente, encontram uma serpente. Assim também dentro do grupo. Vai tudo correndo muito bem, etc., de repente, aparece uma serpente. E a serpente é sempre alguma coisa desse gênero: a família começa a falar mal do grupo, e o sujeito é “familhoso” e fica meio na dúvida. Então, dentro do grupo, a pessoa acha que não está sendo bem tratada, e começa com suscetibilidades e em vez de começar a ver o ideal grande, começa a ver como é que fulano olha para ele. Começam as suscetibilidades. Há sempre uma coisa dessas, que baixa o ponto de vista. Então, baixa a vocação, até que a Providência tenha pena e recupere a custa de rezar, etc., etc.,… [ilegível] …o que foi perdido.

(Sr. –: É a doutrina da serpente.)

É a doutrina da serpente, há sempre uma serpente.,… [ilegível] …. Às vezes, a serpente da microlice: o sujeito se cansa do ideal, está compreendendo? A transição é essa: ele entra para o grupo, é uma beleza, etc. Ao cabo de.,… [ilegível] …um ano, ele começa a pensar: [olhe?], eu que achava o grupo uma coisa tão formidável, agora vou percebendo que ele também é bem gostosinho. Olhe como é agradavelzinho viver dentro dele. … [ilegível] …ele encontrou serpente. Porque se é para gostosinho, não vale nada. Não contem comigo, gostosinho de nenhuma espécie. A vida não foi feita para ser gostosinha, mas para levar a cruz até o alto do Calvário. Bem, essas coisas trincam as almas. Não tem remédio.

(Sr. –: Agora, o melhor meio de combater isto seria a união com o senhor?)

É, mas aqui é preciso,… [ilegível] …, hein! O melhor meio de combater isto é tomar consciência disto, perceber quando está se passando e reagir. E para isso ter um controlador que vá avisando a gente. Porque a gente não nota. Se há uma coisa que a gente não nota é isto. Bem, meus caros, muito obrigado por tanto tempo passado de pé.

[Anotações que não sabemos onde encaixar e aparecem como estão abaixo, no verso das respectivas páginas]

[Anotação verso página 10: … [faltam palavras] …na verdadeira devoção, e no espírito do grupo, tem algum critério assim, um exemplo?]

[Anotação do verso da página 19:… [faltam palavras] …isto está claro, eu não sei, me olham tão pensativos. Querem que eu explique qualquer coisa melhor? Isto não está bem explicado?]

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1 Grão Mogol era o nome da rua na qual ficava uma das sedes em Belo Horizonte.