Santo
do Dia – 28/3/67 – 3ª feira .
Santo do Dia — 28/3/67 — 3ª feira
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O modo pelo qual a graça trabalha nas almas não faculta uma uniformidade exclusiva no método de preparação para a comunhão * Servir-se das moções espirituais, dos estados de alma, dos pensamentos cotidianos, dos fatos que nos marcaram na preparação da comunhão * Aproveitar até as perspectivas angustiosas para estabelecer uma comunicação com Nosso Senhor na Sagrada Comunhão * Um modo vivo para se fazer a preparação à Sagrada Comunhão: desenvolvê-la em função de nossas necessidades diárias
… mas me compraz lembrar a figura — reconstituir pelo menos imaginativamente — a figura de São Bertoldo com todo o armamento de cruzado e participando de uma carga de cavalaria durante as Cruzadas. Essa figura de um santo cruzado participando de uma carga de cavalaria é uma coisa que não pode deixar de nos encher a alma.
Mas como não existe santo do dia, pediram-me para eu fazer — há um bilhete pedindo — um comentário a respeito do modo de fazer Ação de Graças após a Comunhão. Mas a pessoa que fez esse pedido presume, de minha memória, uma extensão que minha memória não tem.
* O modo pelo qual a graça trabalha nas almas não faculta uma uniformidade exclusiva no método de preparação para a comunhão
O pedido é assim: “Há vários meses o senhor comentou no Santo do Dia como fazer Ação de Graças na Comunhão, dizendo que renovaria as sugestões sobre esse assunto. Seria possível fazê-lo em breve?”
Acontece que eu não me lembro de quais foram as sugestões que eu dei, de maneira que é possível que as de hoje façam bis e idem com a primeira. Eu dei as de São Grignion de Montfort, eu vou dar agora uma outra sugestão, debaixo de um outro aspecto. E essa sugestão diz respeito tanto à preparação da Comunhão, quanto à Ação de Graças à Comunhão.
Para a gente compreender, antes de tudo, a variedade de métodos, sistemas que há para fazer Ação de Graças e para a preparação da Comunhão, é preciso compreender o modo pelo qual a graça trabalha nas almas.
São Paulo diz que stella difer stella, uma estrela é diferente da outra estrela. E assim não há dois santos iguais, não há duas almas virtuosas iguais. Cada alma tem sua vida espiritual própria, com caracteres inconfundíveis. E a graça guia a cada alma nesse caminho de acordo com os desígnios dela, dando atrativos, dando também aversões que modelam a alma e que indicam o itinerário que a alma deve seguir.
Eu estaria, portanto, não só longe, mas muito longe de dizer que um método de preparação para a Comunhão é igualmente válido para todo mundo.
Eu não digo isso do de São Luís Grignion de Montfort, porque o de São Luís Grignion de Montfort não é propriamente um método de preparação à Comunhão, mas é uma espécie de ponto de vista marial durante a Comunhão.
Esse ponto de vista marial que acompanha a comunhão inteira é evidentemente, para todos os católicos, em todos os lugares e em todos os tempos. Todos são chamados a isso. E, portanto, debaixo desse ponto de vista, eu não tenho nada que dizer. É para todos. Mas quanto a outras variedades de métodos, elas são tão [numerosas] que eu não faço senão descrever aqui o método que pode ser para algumas almas, para as quais esse método diz alguma coisa.
* Servir-se das moções espirituais, dos estados de alma, dos pensamentos cotidianos, dos fatos que nos marcaram na preparação da comunhão
O método é o seguinte: a gente atender um pouco ao dia que teve e às perspectivas do dia que vai ter diante de si. Mas eu quando falo do dia não é a questão de automóvel que consultou, que quebrou, ou então o imposto que ficou atrasado, ou a tia que quebrou a perna. Eu falo do dia, quer dizer, a vida espiritual. Eu vou comungar à noite — e eu estou supondo uma comunhão vespertina —, eu devo me perguntar como é que foi o meu dia em matéria de vida espiritual, do que é que eu estou precisando, o que é que eu estou querendo. Naquele momento, quando eu penso em Nosso Senhor e Nossa Senhora, o que é que fala mas à minha alma, o que é que me atrai mais, o que me leva mais a um ato de amor, a um ato de louvor, a um ato de reparação. Se há um pensamento dominante que eu considere mais fecundo para minha alma, para aquele ato que eu vou praticar, esse pensamento dominante, muitas vezes corresponde a um atrativo da alma, da graça; corresponde a um chamado da graça que como que ilumina por dentro um tema para que sobre ele nós concentremos nossa piedade.
Então, há mil modos de eu ter uma variedade de escolha. Eu ter, por exemplo, a Ladainha do Sagrado Coração de Jesus e ver se uma daquelas invocações, naquele dia me diz mais; eu ter a Ladainha do Santíssimo Nome de Jesus. Então, perguntar-me se alguma daquelas invocações me diz mais. Ou então a Ladainha de Nossa Senhora, me perguntar alguma invocação. Ali há uma série de invocações; pode facilitar um pouco.
Mas muitas vezes não é preciso isso: é alguma coisa que a gente ouviu, leu numa oração litúrgica ou extra-litúrgica; é alguma coisa que a gente leu num livro de piedade e que marcou profundamente; é alguma graça que a gente recebeu durante o dia. Isso a gente leva para a hora da Comunhão. Nesse momento a gente procura ter isso presente para efeito da Comunhão.
Então, como é que a gente faz? Vamos dizer, por exemplo, que eu tenha tido durante o dia uma grande alegria e que essa alegria tenha sido um sinal um fato e tenha sido um sinal manifesto da bondade de Nossa Senhora, de Deus, Nosso Senhor, para comigo. Eu posso fazer a minha Comunhão assim: eu tomo em consideração que eu recebi essa manifestação de bondade — quem recebe uma manifestação de bondade deve tomar em consideração Deus como Ele se mostra nessa manifestação —, quer dizer, sorrindo, com o semblante atraente, afável, manifestando em relação a mim afeto, manifestando em relação a mim o desejo de me proteger, de me aproximar dele.
Então, esse pensamento que é muito legítimo, eu me preparo para a Comunhão por esse pensamento. Como é que eu me preparo? Eu me preparo pensando nisso: eu vou receber Nosso Senhor Jesus Cristo, eu vou receber como uma graça que vem a mim. Ele é a fonte de todas as graças — vem por meio de Nossa Senhora, a pedido de Nossa Senhora. Bem, mas Ele vem particularmente afável, Ele vem particularmente bondoso, porque Ele quis me mostrar essa bondade em tais graças assim. Então eu vou receber e vou adorar nEle a bondade d’Ele; dou adorar nEle o amor especial que Ele me tem; vou adorar nEle o encorajamento que Ele quis me dar no, meu apostolado ou na minha vida interior; vou adorar nEle o Deus inspirador de minha vocação, o Deus que inspirou a fundação do Grupo e me trouxe para o Grupo e por essa forma me abençoou com essa graça nas veredas do Grupo.
* Aproveitar até as perspectivas angustiosas para estabelecer uma comunicação com Nosso Senhor na Sagrada Comunhão
Bem, e na Ação de Graças, a mesma coisa: Deus está presente em mim, é Nosso Senhor Jesus Cristo que está em mim naquele momento; está presente em mim enquanto as Espécies Eucarísticas não são corrompidas pelos líquidos da digestão. Durante esse período eu agradeço a Ele e como que me uno a Ele naquela carícia, naquele ato de bondade que Ele quis praticar comigo.
Se o dia não foi assim, mas foi, pelo contrário, um dia de luta, ou se o dia deixa prever um dia seguinte angustioso, eu posso também fazer girar a minha Comunhão em torno disso. Eu, na minha preparação digo isso: “Senhor, vós na vossa agonia de sangue, Vós tivestes essa oração, quando prevíeis a vossa dor, vossa paixão. Vós dissestes: AESe for possível, afaste-se de mim esse cálice, mas faça-se a vossa vontade e não a minha. AF Eu Vos venho pedir: AEEu temo o que me vai suceder, eu estremeço de terror diante de uma hipótese que me gela até os ossos. Eu Vos peço por vossa Mãe Santíssima que afasteis de mim essa provação. Mas se for impossível afastar — e eu Vos lembro que o impossível é muito raro para Vós —, se for impossível afastar, faça-se a vossa vontade. Mas fazei-me lucrar na minha vida espiritual, etc., etc. AF
Fazer várias orações nesse sentido, para eu aproveitar o sofrimento que vem. Quer dizer, na hora em que eu estou recebendo a Nosso Senhor, eu repito isso: “Senhor, Vós estais aqui presente, na maior intimidade com a minha alma. — Não pode haver maior intimidade do que a intimidade de Nosso Senhor Jesus Cristo quando Ele está em mim; não há intimidade maior do que essa. — Bem, Vós quisestes estabelecer comigo essa intimidade; condescendestes nisso, me chamastes pela graça para esse momento de intimidade. Eu vos peço, nessa hora de intimidade, que ouçais o brado de angústia que vem de minha alma. Quantos e quantos Salmos inspirados por Vós são brados de angústia. Aqui está este. Então, tende pena de mim, etc., etc.”
* Um modo vivo para se fazer a preparação à Sagrada Comunhão: desenvolvê-la em função de nossas necessidades diárias
Quer dizer, tomar a necessidade do dia e em torno da necessidade do dia nós desenvolvermos nossa Comunhão. Às vezes é uma coisa completamente diferente: nós vemos algo de Deus que nos empolgou, ou então nós lemos algo de Nossa Senhora que nos empolgou. Então, nossa preparação é assim: “Nossa Senhora é Mãe de Nosso Senhor, Ele deu a Ela tal privilégio, deu a Ela tal graça excelsa, vamos pedir a Ela que por isso nos obtenha na Sagrada Eucaristia tal favor que nós queremos, ou que diga a Deus tal coisa que nós queremos dizer.” Quer dizer, a propósito de qualquer movimento de piedade durante o dia, articular a comunhão e articular depois a Ação de Graças.
É um modo muito vivo e que para muitas etapas da vida espiritual é um modo excelente. E que não exclui São Luís Maria Grignion de Montfort, porque isso pode ser feito continuamente, por meio de Nossa Senhora, dirigindo-nos a Nosso Senhor.
Uma das invocações muito bonitas nesse sentido é a do Coração Eucarístico de Jesus. “O Coração Eucarístico de Jesus” adora Nosso Senhor enquanto tendo querido instituir essa Eucaristia, e enquanto estando movido por aquele amor especial que ele mostrou na Eucaristia; e enquanto estando na Eucaristia atraindo todos os fiéis a Ele. Então o Coração Eucarístico de Jesus, transbordante de misericórdia é recebido por mim. Eu peço ao Coração Imaculado de Maria que me prepare para isso; ao recebê-lo eu peço a Ele que me dê todas as graças da Sagrada Eucaristia, especialmente as graças que dizem respeito à minha vocação de ultramontano. E com isso eu faço adoração, ação de graças, reparação especialmente ao Coração Eucarístico de Jesus. Então, é um modo bonito de variar as minhas Ações de Graças e as minhas preparações à Comunhão, mais ou menos ao infinito, de acordo com o sabor de minha alma, as aspirações de minha alma.
Porque aí se deve bem dizer: ubi Spiritus, ibi libertas, onde está o Espírito Santo, aí sopra a liberdade. E há uma tal e imensa variedade de movimentações, que quase não se pode, ou é impossível, descrever todos os métodos que cabem para alguém fazer a Sagrada Comunhão.
Aqui ficam, entretanto, algumas sugestões.
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