Santo do Dia (––- Segunda datilografia, sem conferição final ––-) – 21/03/67 – 3ª feira – p. 7 de 7

Santo do Dia — 21/03/67 — 3ª feira

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Nas três fases da vida pública de Nosso Senhor, o confronto absoluto entre a lógica cristalina do Homem-Deus e o ódio bestial e satânico dos judeus * “Emmerveillement”, boicote e ódio: três estados de espírito que resumem a impostação da Opinião Pública diante do Messias * A causa mais profunda do sofrimento do Homem-Deus está na rejeição odiosa e gratuita da própria Ordem que Ele personifica * As frases inspiradas dos profetas prefiguraram a tristeza do Redentor * Na conaturalidade entre a inocência do Profeta da Altíssima com o Homem-Deus, estupenda interpretação das palavras da música “Tanquam ad Latronem” * A mesma arma empregada contra o Homem-Deus, a campanha do silêncio, é aplicada sistematicamente contra nosso Pai e Fundador * Na veemência profética da lamentação de nosso Pai e Fundador — perfeito reflexo da lamentação do Homem-Deus — a pérola da bem-aventuraça dos Apóstolos dos Últimos Tempos

* Nas três fases da vida pública de Nosso Senhor, o confronto absoluto entre a lógica cristalina do Homem-Deus e o ódio bestial e satânico dos judeus

Uma das coisas mais impressionantes, um dos aspectos mais bonitos da Paixão de Nossa Senhora é o absoluto confronto entre a lógica, a força, a elevação da atitude dela e o caráter incongruente, torpe e infame de toda a atitude de seus adversários.

Passo a passo na Paixão, isso se faz notar. Já nos antecedentes da Paixão, isso se faz notar. Já nos antecedentes da Paixão, quer dizer, naquela tempestade de ódio que envolveu a Nosso Senhor e que foi a causa de sua morte, foi a causa pela qual eles quiseram matá-lo, já nos antecedentes da Paixão isso se nota.

A atitude de Nosso Senhor, sempre clara, sempre digna, sempre coerente, sempre forte, sempre documentada pelos milagres mais estupendos, pela santidade de uma doutrina altíssima e, ao mesmo tempo, compreensível por todos, e, de outro lado, o ódio que se foi constituindo em torno d’Ele; o ódio torpe, que não tem razões confessáveis nem para si próprio, e que por coisa disso, procura pretextos, ou se desfaz em silêncios, e não conseguindo argumentar, pensa em exterminar.

Quer dizer, de um lado é o Céu, e do outro lado o inferno. Os senhores sabem que o Phillion, que é um magnifico comentador da Bíblia e, mais especialmente do Evangelho, e no qual o dr. Paulo é “doutor”, o Phillion divide a vida de Nosso Senhor Jesus Cristo exatamente nesses três períodos: no primeiro período foi a glorificação d’Ele, a vida pública.

* “Emmerveillement”, boicote e ódio: três estados de espírito que resumem a impostação da Opinião Pública diante do Messias

No primeiro período foi uma vida de glorificação. Ele se apresentou em público e todo o mundo se entusiasmou com Ele. Depois, no segundo período, quando os impios começaram a ver quem Ele era e começaram a ver que Ele espalhava não só verdades, mas a Verdade; que Ele não tinha apenas virtudes, mas que Ele tinha a Virtude e mais ainda, que Ele era a Verdade, que Ele era a Virtude, começou a nascer o ódio contra Ele.

Então, no segundo período, o ódio vai crescendo. Ele vai ficando isolado, mas um grupo de fiéis vai procurando ouvir a voz d’Ele. E Ele então forma o grupo dos apóstolos, dos discípulos, a semente daquilo que iria ser a Igreja Católica, explora, no sentido nobre da palavra, a popularidade de que Ele conservava em certos filões do povo de Israel.

No terceiro período, o ódio!. Os que O odiavam verificam que a obra d’Ele está tomando consistência, e que apesar de toda a campanha de ódio que se move contra Ele, entretanto há um ponto por onde Ele atinge as almas e por onde Ele ameaça, ou vai ameaçar arrastar atrás de si todo o país. E não tendo argumentos para dar contra Ele, resolvem então matá-lo.

Os senhores estão vendo que a coisa é infame. Quer dizer, mata-se o justo porque justo; mata-se aquEle que nos esmaga com suas respostas triunfais porque as suas respostas são triunfais.

Quer dizer, é a má fé, é a maldade, é a iniqüidade, é o ódio ao bem em seu aspecto mais agudo e mais repelente, posto em presença daquEle que É, não apenas a expressão mais perfeita, mas a expressão substancial perfeita, acabada e substancial de toda a verdade e de todo o bem.

* A causa mais profunda do sofrimento do Homem-Deus está na rejeição odiosa e gratuita da própria Ordem que Ele personifica

AquEle que disse de Si mesmo, com que superabundância de razão: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”.

Bem, Nosso Senhor, durante a Paixão sofreu enormemente por causa disso. Ele sofreu dessas contradições: porque, sendo Ele a Verdade, todo esse tecido de contradições não podia deixar de O fazer sofrer cruelmente.

Sendo Ele o caminho, todo esse descaminho asqueroso, não podia deixar de afligi-Lo. E sendo Ele a Vida, ver como as almas se entregavam a morte pelo pecado e depois ainda queriam matá-lo, não podia deixar de ser para Ele uma causa enorme de sofrimento.

E ao longo da Paixão, nós vemos Nosso Senhor dizer algumas palavras que representam uma censura ou aos apóstolos, ou a Judas Iscariotes, ou em outras circunstâncias, a Poncio Pilatos, etc, , àquele servidor de um dos príncipes dos sacerdotes que o esbofeteou, repôs respostas ou perguntas que colocam exatamente de um modo pungente, essa contradição e essa iniqüidade em que se punham seus adversários. E indicam o sofrimento que isso lhe causava.

Nós temos, às vezes, uma tendência para conceber as penas de Nosso Senhor como penas consistentes apenas no seguinte: eles estão Me ferindo de um modo muito cruel; esses ferimentos estão Me causando uma dor muito atroz.

Eles tem contra Mim muito ódio: esse ódio, esses ferimentos causam em Mim sofrimentos de alma e de corpo, que Me arrancam lágrimas amargas. Sem dúvida, isso é santíssimo, e sem dúvida isso é verdade.

Mas é preciso notar que Nosso Senhor sendo Deus, e amando-Se, portanto, a Si mesmo acima de todas as outras coisas - porque Deus Se ama Si próprio, de um amor perfeito, completo, essencial - então, por causa disso, o que mais fazia sofrer a Ele, era a violação dos princípios morais, a violação da ordem posta por Ele a negação de toda a verdade, de todo bem que aquelas almas praticavam quando recusavam a Ele.

Isso era para Ele uma dor a mais sensível. Dor varonil, dor de homem, que nasce de um mal verificado pela inteligência, e de um mal execrado pela vontade.

essa a dor de Nosso Senhor, antes de tudo. Depois acrescenta-se a isso as lágrimas d’Ele inefavelmente santas, as lágrimas d’Ele misturadas com sangue e que tem aqui um lindo símbolo no nosso jardim.

Nós temos aqui uma trepadeira que tem flores pequenas brancas e tem algumas pétalas vermelhas. É o que a piedade popular deu o titulo lindo de lacrima Christi, porque exatamente é a lágrima de Cristo, puríssima e branquíssima, mas tinta de sangue, por causa do excesso de sofrimento que a fez verter.

Mas nós temos que ter uma visão de tudo. Não excluir as lágrimas nem a dor no seu aspecto sensível, mas também não excluir esse outro aspecto, que é um aspecto até mais alto e que nos dá toda a dimensão da dor de Nosso Senhor Jesus Cristo.

* As frases inspiradas dos profetas prefiguraram a tristeza do Redentor

Aqui os senhores encontram também entre os profetas que profetizaram a Paixão de Cristo, e que portanto pensaram as coisas que Nosso Senhor Jesus Cristo pensou durante a Sua Paixão, os senhores encontram também entre os profetas frases magnificas, que representam a tristeza de Cristo, de Nosso Senhor Jesus Cristo diante daquilo que Ele… [inaudível] contra Ele, da rejeição e da execração.

Então, nós temos aqui palavras que são cantadas, que vão ser cantadas agora, que é o Tam quam ad Latrones, que são palavras de Nosso Senhor quando Ele veio, quando Ele foi preso. Ele disse o seguinte:

Como a um ladrão viestes prender-Me com espadas e varapaus. Todos os dias Eu estive convosco ensinando no templo e não estendestes as mão contra Mim. E eis que flagelado, Me conduzis para ser crucificado”.

E enquanto lançavam as mãos sobre Jesus e O seguravam Ele lhes disse: “todos os dias…” — e repete — “ …Eu estive convosco ensinando no templo e não estendestes as mãos contra Mim. E eis que flagelado, Me conduzistes para ser crucificado”.

E expressão em latim tem muito mais concisão e fica muito mais bonita do que em português.

Tanquam ad Latronem…

Quer dizer, essa frase foi pronunciada em um momento dramático em que Nosso Senhor passa da condição de um homem livre de se movimentar por si, Ele passa passa a condição de um prisioneiro. Agarram-No.

No momento de agarrar, Ele faz essa reflexão: Eu estive convosco no templo todos os dias, e vós não estendestes as mãos contra Mim. E eis que agora vós vindes a Mim para Me conduzir para crucificar, como se Eu fosse um ladrão, levando-Me com gládios e fustes.

* Na conaturalidade entre a inocência do Profeta da Altíssima com o Homem-Deus, estupenda interpretação das palavras da música “Tanquam ad Latronem”

O que que quer dizer isso? Nosso Senhor queria dizer a coisa seguinte: quando eu estava no templo, quando eu pregava, quando ensinava minha doutrina, quando o povo estava em volta de mim e podia dar testemunho de mim, quando isso se dava, eu falava e vós estáveis quietos, porque vós não tínheis o que me responder. Vós não me atacáveis porque estava junto de mim quem poderia me defender.

Mas agora, por causa da traição do discípulo maldito que me vendeu e que me entregou com um ósculo, vós me apanhastes só. E neste momento vós, covardes, que quando eu estava na plena majestade de minha argumentação e no pleno apoio dos que me seguiam, vós não tivestes coragem, não tínheis coragem de dizer nada, ou de fazer nada, vós agora vindes a mim e vós me prendeis agora como um ladrão.

Eu não sou um ladrão e a prova que eu não sou é que vós diante dos outros não tivestes coragem de dizer nada. Eu não mereço o tratamento que vós tendes para comigo, a prova de que eu não mereço é exatamente a atitude que vós tínheis comigo até há pouco. Mas vós me pegais só.

Vós me pegais na solidão em que eu quis me deixar surpreender. Vós me pegais no isolamento que eu escolhi para morrer pelo gênero humano e vós então fazeis agora contra mim, praticais contra mim esse ato sumamente incoerente. Eu sou a inocência e vós me prendeis.

Quer dizer, eu não mereço isso. Vós não tínheis o direito de fazer o que vós fazeis. Porque vós não tínheis o que objetar contra mim e por isso aproveitais a calada da noite, aproveitais o isolamento, aproveitais a falta de quem me defenda, a falta de quem vos julgue, aproveitais isso para me prender. Essa é a contradição, e eu aponto essa contradição, eu a detesto, eu execro no momento em que ela exerce sobre mim essa violência.

Aí os senhores tem a lamentação varonil de Nosso Senhor Jesus Cristo. Mas ao mesmo tempo uma lamentação dulcíssima e cheia de amor. Porque no momento em que Ele dizia isso, nesse momento mesmo Ele estava dando a vida por aqueles que O prendiam. Quer dizer, havia, portanto, um sumo ato de amor dentro dessa suma execração.

Nós podemos dizer a mesma coisa da Igreja Católica nos dias de hoje? Não é verdade que também o martírio da Igreja Católica nos dias de hoje repete isso? A resposta é a seguinte:

É preciso entender o que se diz Igreja Católica. Se da Igreja Católica se diz a Santa Igreja Católica presente nos seus verdadeiros filhos, que adotam a sua verdadeira Fé, que seguem a verdadeira Fé tradicional católica e procuram, de acordo com essa Fé, viver, que a esse título se sentem em comunhão com seus legítimos pastores, se por isso se entende a Igreja Católica, se por Igreja Católica, se por Igreja Católica se entende os ultramontanos é tal qual a mais não poder ser de tal e qual, de tal maneira é parecido.

* A mesma arma empregada contra o Homem-Deus, a campanha do silêncio, é aplicada sistematicamente contra nosso Pai e Fundador

Com efeito, é o que caracteriza continuamente a nossa ação em público. Diariamente estamos aos olhos de todos falando. Nós nos apresentamos nas igrejas. Nós nos apresentamos nas escolas, nas universidades, nos locais de trabalho, nos ambientes sociais, nas famílias a que nós pertencemos, nós nos apresentamos inteiramente como somos, com toda clareza e com toda coerência.

Nós sustentamos que a verdadeira doutrina da Igreja Católica é essa, nós sustentamos que a verdadeira missão da Igreja Católica é essa; nós sustentamos que o verdadeiro modo de viver do verdadeiro católico é esse.

Nós, de outro lado, dizemos que os verdadeiros inimigos são aqueles. E arrancamos as máscaras, não só aos comunistas blandiciosos, mas aos comuno-progressistas e demo-cristãos. O que é que acontece?

É que argumento contra nós ninguém dá. Eles tem contra nós o silêncio que tinham contra [Nosso Senhor]. Quem é que argumenta contra nós?

Os senhores já viram alguém — a não ser D.Delgado na medida em que aquilo possa ser chamado argumento — bem, os senhores viram alguém sair a campo para dar um argumento contra nós? Dizer desaforo sim. Mas dizer desaforo não é dar argumento.

Eu não posso chamar argumento ou argumentação aquele “comunicadozinho” da comissão central da CNBB. Aquilo não é argumentação.

Aquilo é uma acusação, mas não é uma argumentação. Argumentação, quem é que dá contra nós? Ninguém dá argumentação. Eles não são capazes de negar a nossa doutrina, eles não são capazes de negar nenhuma de nossas afirmações.

Mais ainda: eles não são capazes de negar nossa competência, eles não são capazes de negar nossa capacidade; eles não são capazes de dizer que nossos trabalhos intelectuais não são trabalhos de primeira ordem.

O que é que eles fazem? Eles guardam silêncio. Eles fingem que não sabem quem redige os trabalhos. Eles fingem que não leram esses trabalhos. Nós podemos publicar, fazer uma publicação numa pagina inteira do “Estado”, nas nossas famílias não se comentará o fato, embora se leia.

E isso indica bem o ódio desleal, ódio profundo que não tem o que dizer e sabe que não tem o que dizer, e que, entretanto, procura uma acusação de qualquer forma contra nós. Essa acusação o que é? Antes de tudo a campanha do silêncio.

A grande arma contra nós é a campanha do silêncio. Depois, a máfia: boatos, boatos torpes interpretando de modo torpe realidades sublimes, espalhados nunca diante de nós — porque nenhum mafioso fala em nossa presença; tem medo de nós como o morcego tem medo do sol — mas é pelo cochicho por detrás que ele fala, e nessa posição a contradição é a mesma.

Nós estamos em público, nós falamos, nós agimos. Eles não dizem nada. Mas depois, às nossas costas, eles procuram nos [inaudível] maltratar e nos difamar, como se nós fossemos ladrões, como se nós fossemos sem vergonhas, como se nós fossemos celerados.

Quer dizer, mudadas as circunstâncias acidentais, é a mesma fidelidade nossa ao exemplo divino de Nosso Senhor Jesus Cristo, nessa mesma fidelidade a atitude imunda daqueles que perseguiram a Nosso Senhor Jesus Cristo.

* Na veemência profética da lamentação de nosso Pai e Fundador — perfeito reflexo da lamentação do Homem-Deus — a pérola da bem-aventuraça dos Apóstolos dos Últimos Tempos

E então isso que eu estou dizendo aqui e em que eu exaro uma lamentação, eu exaro uma lamentação quer dizer, eu lamento que isso seja assim, mas eu lamento com uma lamentação feroz, eu protesto, eu execro, eu desprezo isso pelo que tem de vil e de contraditório — essa lamentação nossa repete a lamentação de Nosso Senhor Jesus Cristo.

De tal maneira chistianus alter Christus. Nós temos a honra, porque filho de Maria e nos nutrindo do seio d’Ela e contidos inteiramente nEla, nós temos a honra de pode dizer que em algum sentido, apesar de nossa miséria, nós somos outros Cristos.

Então, por causa disso nós podemos dizer também essa lamentação em nossos dias. Assim é a coisa, e assim ela se faz. Quer dizer, nos seus verdadeiros filhos, a lamentação se aplica inteiramente. E é a seguinte:

Como se aproximassem de Jesus e O prendessem, disse Ele - e nós podemos dizer: como fazem o vazio contra nós e nos difamam, nós dizemos: o estilo de perseguição é diverso, mas a perseguição é a mesma.

E nós podemos dizer: todos os dias eu estou convosco ensinando — nesse sentido da palavra de que nós repetimos o ensinamento da Igreja — e não estendestes a mão contra mim. Quer dizer, não levantastes a voz contra mim.

E entretanto, eis que flagelando-nos pelas costas, vós nos conduzis pela via da amargura e da infâmia. E essa a programação, é essa coisa que vai ser cantada agora pelo coro no alardo.

Eu gostaria que os senhores tivessem em mente o seguinte: que isso é uma bem-aventurança. Passar por um sofrimento tão parecido com o de Nosso Senhor é exatamente ser perseguido por amor a justiça, e é uma das bem-aventuranças que mais a gente deve prezar.

Nós não podemos fechar os olhos a essa realidade. Nós devemos, pelo contrário, tomar essa pérola dessa provação e a recolher preciosamente, como uma pérola máxima para nosso diadema no Céu!

Nós, na época em que Nosso Senhor era perseguido, na época em que a Santa Igreja Católica era perseguida, os grandes perseguidos éramos nós. Aqueles que eram objeto do grande cerco universal e do grande ódio universal éramos nós.

Bem aventurado o dia que nos viu nascer, bem aventuradas as estrelas que nos viram pequeninos porque nós tivemos a ventura de estar unidos com Cristo na Cruz, por sermos odiados como Ele foi odiado, como Maria Santíssima foi odiada.

É assim que nós devemos considerar isso.

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