Santo do Dia – 10/3/1967 – p. 3 de 3

Santo do Dia — 10/3/1967 — 6ª-feira

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Santo Eulógio

Diz dele o Martirológio.

Santo Eulógio foi presbítero e mártir e na perseguição dos sarracenos foi açoitado, esbofeteado e degolado à espada em conseqüência de sua intrépida e gloriosa confissão de Cristo. Foi quem descreveu o martírio de vários santos de Córdova durante esta cruel perseguição”.

Século IX.

No Rohrbasher encontram-se os seguintes dados biográficos sobre Santo Eulógio:

No ano de 850 desencadeou-se em Córdova violenta perseguição mulçumana contra os cristãos. Dentre as várias vítimas destaca-se o sacerdote Eulógio, pertencente a uma das famílias mais consideradas da cidade e que escreveu os combates gloriosos daqueles que morreram pela fé. Será o defensor de vários cristãos que se apresentaram voluntariamente ao martírio e por isto foram criticados como temerários.

Os mulçumanos, espantados de ver tantos cristãos correr ao martírio, temeram uma revolta e o fim de seu domínio. O califa Abdel Aman reuniu os conselheiros e ficou resolvido que prenderiam ou matariam quem quer que falasse contra o profeta.

Os cristãos então esconderam-se e vários fugiram à noite disfarçados, mudando de esconderijo. Outros, não querendo fugir nem esconder-se, renunciaram a Jesus Cristo e perverteram os outros.

Vários, tanto sacerdotes como leigos, que antes louvavam a constância dos mártires, mudaram de opinião e passaram a tratá-los de indiscretos, alegando mesmo a autoridade da escritura para sustentar suas opiniões.

Estes que desde o começo [desapraram?] o comportamento dos mártires, queixavam-se amargamente de Santo Eulógio e outros sacerdotes, os quais, encorajando-os, haviam atraído a perseguição.

O califa fez reunir em Córdova os metropolitanos de diversas províncias e formaram um concílio para acharem um meio de apaziguarem os infiéis. Na presença dos Bispos, um escrivão riquíssimo, cristão, mas que tinha medo de perder o que possuía, atacou ríjamente o sacerdote Eulógio. Ele havia sempre censurado tais mártires e pressionava os Bispos a pronunciar um anátema contra os que quisessem imitá-los. Por fim, o concílio proibia daí em diante que alguém se oferecesse ao martírio. Mas em termos alegóricos e ambíguos, segundo o estilo da época, de sorte que havia como contentar o califa e o povo mulçumano, sem todavia censurar os mártires, quando se penetrava o sentido das palavras.

Santo Eulógio não aprovava tal dissimulação. Lutou contra ela durante muito tempo, duramente perseguido pelos mulçumanos, mas também pelos cristãos acomodados”.

(ou seja, pela 5ª coluna; os senhores sabem muito bem o que é um cristão acomodado.)

Finalmente, firme na defesa dos mártires voluntários — no que teria um fiel aliado, séculos mais tarde, na figura de São Francisco de Sales — foi decapitado no ano de 856”.

Havia aí dois problemas: o problema moral e o problema político. O problema moral é o seguinte: (antes de tudo, uma situação psicológica antes de estudar o problema moral): para muitas pessoas é um tormento insuportável passar uma vida de corre-corre e de foge-foge. É-lhes muito duro estar de um lado para outro, de morte, correndo, a morte que os espreitava, etc., é-lhes mais suave ao apresentarem quando tem maior dificuldade, quando tem coragem, ou até se apresentarem às autoridades e disserem que são mesmo cristãos e vamos acabar com isto.

Esta situação psicológica, que em última análise é compreensível, trás consigo um problema moral: ou a pessoa não se defender com todas as possibilidades que tem, ou a pessoa até se apresentar à autoridade que vai matá-la não constitui um suicídio. É uma questão moral que se compreende. Santo Eulógio era de opinião — assim como depois São Francisco de Sales — que isto não constitui suicídio, e que o modo de proceder dos católicos que estavam neste caso era correto.

Por causa disso, vários católicos se apresentaram ao martírio e foram mortos. E isto induziu o sultão de Córdova a perceber que o número de católicos ainda era muito grande e a desejar, portanto, fazer o extermínio dos católicos que residiam em Córdova.

Esta atitude feroz do sultão teria então, em parte, sido desencadeada por causa da atitude de Santo Eulógio e dos católicos radicais.

Agora, aparece o problema político. A Espanha fora, no tempo dos visigodos, uma não católica e a massa da população espanhola continuava católica. Havia uma grande quantidade de mouros ali residentes, mas também um número enorme de católicos e era até tolerada a religião católica. Tolerada, naturalmente, com a condição tácita que todas as tolerâncias impõem, e que é a seguinte: a não autorização, a não permissão de que os católicos empreenderam uma ação muito vivaz; a ação de bispos acomodados, de bispos tolerantes dispostos a aceitar tudo, de maneira tal que guiassem os católicos numa política de submissão e da capitulação que ao longo dos decênios haveria de produzir uma debilitação da fé e quem sabe até um eventual desaparecimento da fé em terras de Córdova.

À vista da multiplicação dos católicos que se apresentavam para o martírio, as autoridades maometanas resolveram convocar um concílio, para que este concílio de bispos acomodados condenassem esses católicos vigorosos, e pela voz dos bispos, os bons ficassem desmoralizados.

Santo Eulógio certamente tinha muito maior facilidade em pregar contra Maomé do que contra os bispos; os bispos acomodados o desmoralizariam. Realizou-se o concílio, este escrivão, que era muito rico — em geral os homens muito ricos não querem ouvir falar em morrer e não gostam de ouvir falar em martírio — fez um discurso em que acusava Santo Eulógio e seus companheiros. Este discurso feito, o concílio condenou Santo Eulógio e os companheiros. Mas esta condenação evidentemente era falsa, não tinha fundamento, e Santo Eulógio continuou valentemente a sustentar seu ponto de vista. Tal foi sua intrepidez, que acabou ele sendo decapitado, acabou mártir.

Qual a lição que devemos tirar daí? Que em todas as épocas da Igreja, e em todas as perseguições da Igreja, existem duas correntes: a corrente que quer ser fiel, e existe a corrente dois, a corrente acomodatícia, daqueles que preferem um negócio qualquer com o qual a fé sofra prejuízos, ms que eles possam morrer tranqüilamente nas suas camas, levando uma vida tanto quanto possível e razoável.

Existe a corrente de heroísmo e a corrente da acomodação, do pacto, da traição. Existem os católicos, por exemplo, os democratas cristãos, que, dentro do mundo revolucionário de hoje e que o que querem precisamente é uma acomodação em vez da luta contra o mundo de hoje. Santo Eulógio lutou como um leão e passou pela dura provação de ser condenado pelo episcopado. A gente pode imaginar na alma de um santo quanto isto deve fazer doer. Entretanto, ele soube resistir também a isto, e nos deu um exemplo por aí, de que devemos amar tanto a Igreja, devemos amar tanto as instituições eclesiásticas, que estejamos dispostos a sofrer, por amor a elas e por fidelidade a elas, até a pior das coisas, que é a oposição e eventualmente até a condenação de autoridades eclesiásticas acomodadas e que combatem, dentro da Igreja, o filão áureo do heroísmo e da dedicação total.

Nesse sentido, Santo Eulógio é nosso patrono, e devemos pedir-lhe esta forma especial de coragem, muito mais meritório do que a própria coragem do martírio.

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