Santo
do Dia (Rua Pará) – 3/3/1967 – 6ª feira [SD
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Santo do Dia (Rua Pará) — 3/3/1967 — 6ª feira [SD 269]
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A castidade comunicativa de São Casimiro * Compenetração pela sua condição de nobre, zelo contra os hereges, preocupação com a legitimidade do governo * Breve relato sobre a lacrimação da imagem de Nossa Senhora de Rocca Corneta * “Representa o pranto de Nossa Senhora, que não tem outra coisa a fazer com um filho péssimo senão chorar” * Relíquia da imagem para nossa sede
A respeito de São Casimiro, há a seguinte ficha biográfica, tirada da “Vida dos Santos”, de Adrien Paillet:
* Ficha biográfica de São Casimiro
São Casimiro foi o terceiro dos treze filhos do rei da Polônia, Casimiro III, grão-duque da Lituânia, e de Elisabeth de Áustria, filha do imperador Alberto II, rei da Hungria e da Boêmia. Nasceu em 5 de outubro de 1458 e desde o berço foi formado na virtude e na piedade pelos cuidados de sua mãe, princesa muito católica. Teve por preceptor o célebre João … [inaudível]… cônego de Cracóvia, homem de grande habilidade para as ciências, mas dotado de uma seriedade ainda maior. Ninguém tirou mais proveito de suas lições que São Casimiro, o qual estudou antes seu espírito, que seus livros.
São Casimiro teve, entre outros, o dom da continência, que o tornou casto toda a vida, num celibato muito puro. Para corresponder com maior facilidade a tantas graças, cobriu seu corpo com rudes cilícios e o macerou com longos jejuns. Todas essas mortificações, praticava sem ferir qualquer das pompas que a dignidade de sua casa e a consideração das pessoas com as quais vivia pareciam exigir do seu estado.
Para satisfazer e entreter sua devoção à Santa Virgem, compôs em sua honra um longo hino no qual contou os mistérios da Encarnação, os gloriosos privilégios da Mãe de Deus. Não contente de o recitar todos os dias, quis ser enterrado com ele nas mãos.
Não era menos cioso em conservar a pureza de seu espírito de que de seu coração. Fez conhecer em diversas ocasiões a aversão que tinha pelos que corrompem a Fé da Igreja. Foi esta virtude que fez agir seu zelo ante o rei seu pai, a fim de tirar dos hereges … [inaudível]… as igrejas em que se reuniam.
A pureza de seu coração e de seu corpo brilhava em toda a sua conduta, de modo que todos os que o viam ou que com ele tratavam, sentiam-se movidos à castidade. Por tudo que foi dito, pode-se formar uma idéia da felicidade dos súditos de tão santo príncipe.
Os estados da Hungria não estando satisfeitos com seu rei, Matias Corvino, enviaram deputados ao rei Casimiro III, para que seu filho obtivesse a coroa da Hungria em detrimento de Matias. Prometeu-lhes Casimiro III seu filho e o enviou com um exército para apoiar seu direito à eleição, contra Matias, que não aceitava sua deposição. Foi então que o jovem príncipe percebeu a demasiada facilidade com que seu pai escutara os deputados húngaros, reconhecendo que todos eles eram descontentes e rebeldes. Entretanto, o Papa Sixto IV fez ver ao rei Casimiro a injustiça que cometia contra o legítimo Rei Matias. Vendo que seu filho não o apoiava, Casimiro desistiu da Hungria, embora a contragosto e fez voltar São Casimiro. Este retirou-se para o castelo de Grodno, onde expiou pela penitência a falta que acreditava ter cometido nesta questão.
Ali morreu santamente a 4 de março de 1484, aos 25 anos. Seu corpo foi encontrado incorrupto em 1604, bem como os mantos que o envolviam.
Estando São Casimiro enfermo, diziam os médicos e o importunavam seus domésticos, que lhe era necessário o casamento para conservar sua vida e saúde, tão importantes ao bem público. Respondeu-lhes ele uma sentença digna de seu espírito casto, generoso e celestial: “Não conheço outra vida e outra saúde mais que a Cristo, por estar em cuja companhia desejo desatar-me”.
Adágio antigo era: “res sacra consultor”. O conselheiro se havia de estimar como coisa sagrada, mas deste conselheiro de São Casimiro dissera eu o mesmo, em contrário sentido, em que “res sacra”, quer dizer, “coisa maldita”. Porque, que coisa pode ser tão maldita que um conselho que, se dado e seguido, incorre na maldição de Deus?
Uma das virtudes em que mais se esmerou o grande São Casimiro, foi a cordial devoção a Nossa Senhora, e daqui veio a conservar os virgíneos candores desse arminho, apesar do real estado, de viçosa idade … [inaudível]. Quem duvida logo que sendo o glorioso santo tão adido à devoção e ao culto da Soberana, ele se tinha espiritualmente cingido, refrigerado e seguro? Cingido, digo, com a cândida zona de seus castos influxos; refrigerado com o fresco orvalho de seus favores e seguro dentro da arca do seu refúgio, mediante o qual se livrou de tomar conselho tão doloso que debaixo de promessa de vida trazia execuções de morte.
* A castidade comunicativa de São Casimiro
Esta ficha biográfica de São Casimiro, infelizmente tão longa que não é possível comentá-la toda, traz uma série de observações. A primeira delas, a respeito da qual a gente não deve se fartar de insistir, é o grande número de nobres e de pessoas pertencentes até a dinastias reinantes que foram elevadas, durante a Idade Média, à honra dos altares, esfarrapando a lenda revolucionária de que os nobres, os príncipes, etc., não eram senão uns imorais, corruptos, sanguessugas, etc.
É interessante notar a castidade enorme desse santo, e uma nota curiosa dessa castidade, que é a sua comunicatividade. Ele era tão puro, que comunicava aos outros o desejo de serem puros.
É bonito este fato, porque muitas vezes encontramos gente pura, mas gente pura a quem Nossa Senhora não deu esse dom de tornar comunicativa a pureza. Sabe-se que são puros, admira-se, presta-se homenagem, mas aquilo não é comunicativo.
Ora, uma das melhores formas de fazer apostolado é ter essa virtude comunicativa que faz com que a virtude como que passe de osmose de uma pessoa para outra. Às vezes isto acontece, e virtude da castidade comunicativa é uma coisa enormemente preciosa para fazer apostolado.
Mas como Deus está irado com o mundo — e veremos daqui a pouco uma preciosa manifestação da cólera divina — esses dons se tornam raríssimos. Então temos que recorrer a um São Casimiro no século XV para compreender o que é essa pureza convidativa e irradiante, que atrai a pessoa para a virtude da pureza; que é o contrário da impureza, da voluptuosidade também conquistadora, que arrasta a pessoa para o mal. A virtude arrastando para o bem, é uma coisa que pouco se vê em nossos dias e que, no entanto, é tão da glória de Nossa Senhora!
* Compenetração pela sua condição de nobre, zelo contra os hereges, preocupação com a legitimidade do governo
É interessante notar também a preocupação dele.
Era um príncipe, muito penitente, muito mortificado, mas fazia questão de se vestir e se adornar para conservar a sua classe social, para se manter de acordo com que um príncipe deve ser.
Qual o valor disso? É vermos que este santo considera nobre e justo que um príncipe e que as pessoas de categoria social maior se trajem e tenham um estado de vida maior. Tão nobre e justo, que ele, que fazia penitências de todos os modos, encobria sua penitência, para ostentar a sua condição de nobre aos olhos de todos, considerando que era um verdadeiro dever de estado que cumpria por esta forma.
Muito bonito também é o seu zelo contra os hereges, que sempre acompanha a alma da pessoa verdadeiramente pura. Os senhores viram que havia certas igrejas, no reino do pai dele, entregues aos hereges e que ele fez questão que os hereges de lá fossem expulsos.
Muito bonito também é o último episódio de sua vida. Foi mandado pelo pai para tomar conta da coroa da Hungria. E só quando ele chegou à Hungria é que percebeu que não estava depondo um usurpador, mas estava depondo um rei legítimo. A partir desse momento, ele se recusou a combater. Voltou para o lado de seu pai e ali começou a fazer, num convento, penitência até o fim de seus dias.
Vejam a preocupação com a legitimidade do governo; a preocupação em não derrubar um governo legítimo. Ao contrário desta nossa época em que os governos são tão mais perecíveis quanto mais são legítimos, e são tanto mais estáveis quanto mais são ilegítimos.
São alguns preciosos exemplos de virtudes que São Casimiro nos dá e que temos que aproveitar para nossa santificação.
* Breve relato sobre a lacrimação da imagem de Nossa Senhora de Rocca Corneta
Creio que todos já ouviram falar da imagem de Nossa Senhora de Rocca Corneta, que chora na Itália.
Em duas palavras, é uma imagem que se encontra numa pequena aldeia na proximidade de Bolonha, uma aldeia que é para estação de esquis. É uma imagem que há um bom número de anos, de 57 para cá, de vez em quando chora. É uma imagem de madeira, de tamanho avantajado, que se encontra no altar lateral da matriz de Rocca Corneta, imagem colorida, e nas vésperas de certos acontecimentos, esta imagem chora.
Os peritos fizeram exame dessas lágrimas e chegaram à conclusão de que se trata de lágrimas com todo o conteúdo da lágrima humana.
Muitos críticos consideram que essas lágrimas não são autênticas porque, por exemplo, a imagem chorou por ocasião da coroação do Papa João XXIII. Ora, um acontecimento tão festivo, a imagem não poderia ter chorado quando deste acontecimento. Os senhores vêem que é um argumento realmente decisivo…
O Cardeal de Bolonha, em cuja dependência está a imagem, não simpatiza com a imagem. Ele não proíbe que o povo chegue lá, mas procura evitar a propaganda da imagem. E desconfiado de alguma fraude, com certeza, ele mandou colocar a imagem numa redoma de vidro e lacrou a imagem com o selo dele, de maneira a não poder ser aberta.
Por esta forma, então, não deveria haver fraude. A imagem continuou a chorar dentro da redoma de vidro, prova ainda mais eloqüente de que essa fraude não existe.
* “Representa o pranto de Nossa Senhora, que não tem outra coisa a fazer com um filho péssimo senão chorar”
Os senhores vêem que essa imagem que chora de um modo autêntico, tão indiscutível, está na longa série de imagens que choram de que se ouve falar de cá e de lá, desde a famosa imagem de Siracusa, fato miraculoso atestado por um decreto do episcopado de Siracusa. Representa o pranto de Nossa Senhora, como a mãe desanimada, que não tem outra coisa a fazer com um filho péssimo, senão chorar. O filho é tão ruim, tão ordinário, tão insensível a todas as palavras e rogos dela, que a única coisa que ela tem a fazer é chorar.
Nós todos ouvimos falar de cenas assim. Filhos que começam a fazer desatinos, a mãe primeiro convida, procura orientar, procura agradar, depois zanga, depois, enfim, não faz nada. O filho fará o que quiser; ela se limita a chorar.
É um prognóstico, portanto, de Bagarre que essas imagens representam. Onde a Mãe não faz senão chorar, onde há o desânimo dAquela que sozinha esmagou todas as heresias em toda a terra, está provado que a coisa chegou a um grau de gravidade e de tensão, como maior verdadeiramente não podia ser.
* Relíquia da imagem para nossa sede
Pois bem, o Dr. Aloísio Gomide voltando da Itália nos trouxe duas magníficas fotografias dessa imagem, com as lágrimas pendendo. Aqui as lágrimas estão pendentes dos olhos e aqui as lágrimas estão pendentes do queixo; escorreram e caíram no queixo.
O Menino Jesus também chora de vez em quando. E o Dr. Aloísio disse que a imagem, quando chora, fica mais pálida e quando deixa de chorar torna-se mais rosada.
Aqui está uma fotografia de Rocca Corneta, que é o local onde esta imagem está; e aqui está uma fotografia colorida da imagem, mas na qual não se notam as lágrimas.
Agora, isto tudo não é nada. Neste papel, o próprio vigário do local deu ao Dr. Aloísio um pedaço de algodão embebido numa das lágrimas de Nossa Senhora. Os senhores estão vendo que é uma coisa absolutamente magnífica, e para as comemorações de Semana Santa que se aproximam, uma lágrima de Nossa Senhora não tem nada de melhor para nós concentrarmos nesse ponto a nossa devoção e a nossa atenção. É uma relíquia de Nossa Senhora que Ela houve por bem por esta forma dar à nossa sede, e que naturalmente vai ser posta dentro da esfera da coroa do Reino de Maria; ou talvez conservada fora para poder ser osculada nos momentos de aflição.
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