Santo do Dia – 27/2/1967 – p. 5 de 5

Santo do Dia — 27/2/1967 — 2ª-feira

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* Família de santos. Sopro do Espírito Santo * Plêiades de santos para inaugurar o Reino de Maria * Segredos mariais no Apocalipse * Dominação dos bárbaros arianos * Cento e setenta anos de domínio ariano * No apostolado o homem é apenas instrumento de Deus * Um grande santo e o apoio de um grande rei

Hoje, dia vinte e sete, segunda-feira, é festa de São Leandro, bispo e confessor.

Bispo e confessor. Bispo de Sevilha, pela sua pregação e prudência, converteu, com o auxílio do rei Ricardo, os visigodos, da impiedade ariana para a fé católica. São palavras do martirológio. Século VI. Comemora-se no dia 28, nos anos bissextos.

A ficha biográfica desse santo nos é tirada de Godoscard, La Vie des Saints”, e diz o seguinte:

São Leandro, grande amigo de São Gregório Magno, nasceu em Cartagena, de pais de alta nobreza. Era o filho mais velho de uma família de santos. Seu irmão, Santo Isidoro, sucedeu-o no trono episcopal de Sevilha. Outro irmão, São Fulgêncio, foi bispo de Cartagena, e sua irmã, Santa Florentina, era religiosa. Jovem ainda, São Leandro retirou-se para um mosteiro onde se tornou perfeito exemplo, ou melhor, perfeito modelo de ciência e piedade. Seu mérito o levou à Sé episcopal de Sevilha onde, apesar de sua posição, não diminuiu em nada as austeridades que praticava. A Espanha tinha, então, parte de seu território dominado pelos visigodos. Esses bárbaros eram arianos e haviam difundido seus erros nas cidades que invadiram. A península estava infectada há cento e setenta anos quando Leandro foi nomeado bispo, entregando-se imediatamente a combater a heresia. Começou por rezar e chorar diante de Deus, implorando seu auxílio. O sucesso coroou seu zelo, pois em breve a heresia contava menos adeptos. Entretanto, Leovigildo, então rei dos visigodos, e também ariano, irritado com a atividade de São Leandro, e principalmente com a conversão de seu filho, condenou o santo bispo ao exílio e o filho à morte. Depois, cheio de remorso, chamou novamente São Leandro e o encarregou de educar seu outro filho e sucessor, Recaredo, que vindo a ser um fervoroso católico, consegui de forma admirável a conversão dos restantes de seus súditos.

São Leandro dedicou-se a manter o fervor dos fiéis e foi a alma de dois grandes concílios: o concilio de Sevilha e o de Toledo, que condenaram o arianismo por todas as formas. Homem de ação, Leandro a todos inspirava o amor à prece, especialmente aos religiosos. Escreveu instruções admiráveis à sua irmã sobre o exercício da oração e desprezo do mundo. Reformou a liturgia na Espanha, inclusive com o acréscimo do símbolo de Nicéia durante a missa, para se fazer uma declaração expressa de que se detestava o arianismo, passando esse costume mais tarde para as igrejas do ocidente. Afligido por numerosas enfermidades, o apóstolo dos visigodos faleceu em 596.

* Família de santos. Sopro do Espírito Santo

Essa ficha é riquíssima em aspectos passíveis de comentário. O primeiro deles é essa floração de Santos. Os senhores vêem numa família de alta nobreza quantos santos nascem juntos. Em primeiro lugar, Santo Isidoro. Santo Isidoro, um dos maiores santos da história da Espanha. Santo Isidoro de Sevilha. Depois, São Fulgêncio, bispo de Cartagena, Santa Florentina e São Leandro. Quer dizer, santos que florescem na mesma casa, no mesmo lar da alta nobreza da Espanha daquele tempo. Os senhores vêem que beleza há nisso na conjunção de tantos santos da mesma estirpe e como com isso Deus quer fazer sentir a importância do fenômeno estirpe, na formação dos Santos e na realização dos planos da Providência. E, por outro lado, nós vemos a pujança de santidade que havia nessa época; pujança de santidade que não era atribuível a nenhum homem, a nenhuma ordem religiosa, mas era diretamente oriundo da ação do Espírito Santo. Porque ninguém podia fazer com que florescesse ao mesmo tempo um São Gregório Magno na Itália e tantos santos na Gália, e tantos santos na Espanha, e tantos santos na Alemanha e na Irlanda, e na Inglaterra, que nem se conheciam, ninguém podia fazer isso senão um verdadeiro sopro geral e universal do Divino Espírito Santo.

* Plêiades de santos para inaugurar o Reino de Maria

Nessas condições, nós estamos em face de um dos mais belos fenômenos de história, que foi essa floração de santos que inauguraram o Reino de Nosso Senhor Jesus Cristo durante a Idade Média, e que nos faz pensar nos santos que inauguração do Reino de Maria, que é a era que há de vir. Eu hoje li na Maria de Ágreda, sobre o Reino de Maria, uma coisa tão bonita que não posso me retardar em dar disso ciência aos que estão aqui.

* Segredos mariais no Apocalipse

Diz Maria de Ágreda que São João, na intimidade que teve com Nossa Senhora, depois que ele se tornou filho adotivo d’Ela, nessa intimidade que evidentemente foi uma intimidade enorme, muito filial e muito próxima, ele recebeu por via celeste a comunicação de um número incontável de privilégios de Nossa Senhora, mantido em segredo no Apocalipse: que o Apocalipse está cheio de segredos mariais que não se conhecem ainda, mas que haverá um dia em que virão as luzes do Espírito Santo para uma interpretação nova do Apocalipse; ele vai revelar então todas as maravilhas secretas a respeito de Nossa Senhora, que São João, nessa intimidade, teve conhecimento.

Os senhores vêem aí um dado novo para o conhecimento do Reino de Maria; e que é exatamente essa floração de uma teologia marial extraída do Apocalipse por luzes especiais do Espírito Santo, que vão dar à humanidade conhecimentos inefáveis sobre Nossa Senhora, que a humanidade ainda não possui. Bem, isso é para falar da segunda Idade Média que vem, e que é a Idade Média de Nossa Senhora depois da Idade Média de Nosso Senhor.

* Dominação dos bárbaros arianos

Bem, o problema diante do qual se encontrou São Leandro é o seguinte: há cento e setenta anos, bárbaros hereges tinham invadido a Espanha. Os bárbaros não eram em geral pagãos, como todo mundo pensa. Houve um precito chamado Ulsilas[?] bispo, que antes dos bárbaros invadirem o império do ocidente, os visitou nas suas respectivas regiões, e os levou ao arianismo. De maneira que quando eles invadiram o império, na sua maior parte pelo menos eles eram arianos. E há cento e setenta anos que esses bárbaros estavam na Espanha, exercendo uma função dominadora. Os católicos eram os descendentes dos antigos latinos, dos antigos cidadãos do Império Romano. Eram os vencidos, eram os pobres, estavam por baixo. Os arianos eram os vencedores, era o povo novo, era o povo forte, o povo dominador; e os católicos gemiam sob o jugo dos arianos.

* Cento e setenta anos de domínio ariano

Cento e setenta anos nos parece à primeira vista muito pouco quando nós estamos em presença de apóstolos e de acontecimentos que se registraram no século VI. Mas quando nós queremos aplicar a escala dos cento e setenta anos na nossa época, nós podemos imaginar o que isso é. Há cem anos atrás, cento e setenta anos atrás — digamos que nós estivéssemos em 1970 — seria 1800. Seria três anos menos, seria 1797. Quer dizer, há cento e setenta anos atrás, se minha matemática não está falha, o mundo estava em plena revolução francesa ainda. E todo o tempo que decorreu de lá para cá, aos senhores parecerá um tempo enorme. São perto de dois séculos. E á bem verdade. Está bem. Esse domínio ariano estava consolidado há duzentos anos. E São Leandro recebeu a missão de ele derrubar esse domínio ariano.

* No apostolado o homem é apenas instrumento de Deus

Então, de que maneira ele desenvolveu essa missão? Ele a desenvolveu de um modo admirável. Primeiro, chorando diante de Deus e lhe pedindo, por meio de Nossa Senhora, os auxílios necessários para a tarefa que ele deveria realizar, bem cônscio de que nenhum homem leva a cabo nenhum tarefa de apostolado. A tarefa de apostolado é de Deus e o homem é um pequeno instrumento de Deus e de Nossa Senhora. Eles é que fazem. Nós prestamos pequenos serviços colaterais. Mas eles são os verdadeiros realizadores. E então deu-se exatamente esse fato de que ele tendo pedido as graças ele começou a pregar e as conversões se deram em número colossal. E o poder do arianismo foi caindo. Então um rei ariano se levantou contra ele, exilou-o, matou seu próprio filho, esse filho foi mártir. Mas depois São Leandro foi o educador do outro filho desse rei, tocado por remorsos. E então esse rapaz sobe ao trono e consolida a obra de São Leandro.

* Um grande santo e o apoio de um grande rei

Aí os senhores têm um admirável exemplo de colaboração constantiniana. A Igreja, pela voz de um santo preparou as circunstâncias; o Estado acaba de resolver o problema pela cooperação de um grande rei. E o arianismo desaparece da Espanha para todo e sempre. Os senhores vêem quantos aperçus, quantos aspectos fugazes, mas importantes, se desvendam nessa grande vida, que fez de São Leandro uma das maiores figuras da hagiografia e da história espanhola.

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