Santo
do Dia (Auditorio Santa Sabedoria) – 21/2/1967 – 3ª
feira [SD 232] – p.
Santo do Dia (Auditorio Santa Sabedoria) — 21/2/1967 — 3ª feira [SD 232]
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Resumo da vida da Bem-Aventurada Isabel, irmã de São Luís * Em vez dos prazeres e do orgulho, apregoados como componentes da vida de corte, a Bem-Aventurada Isabel dedicou-se a fazer o bem aos pobres, abandonando tudo para dedicar-se à oração * Depois de algum tempo Santa Isabel recolheu-se ao Convento da Humildade de Nossa Senhora * Deus sempre glorifica seus santos, ainda que seja no último minuto da existência, e a Bem-Aventurada Isabel foi avisada do momento da morte, recebendo a notícia como um prêmio de Deus
* Resumo da vida da Bem-Aventurada Isabel, irmã de São Luís
A comissão de história nos brinda hoje com uma verdadeira pequena revelação . Eu pelo menos não sabia que São Luís, rei da França, tinha uma irmã beatificada também. Não sei se algum dos senhores sabia disso.
Os senhores outros que sabiam levantem o braço para eu ter idéia disso.
Dr. Fernando, Dr. Luizinho, Dr. Castillo: dos senhores, alguém sabia?
Quer dizer, numa sala numerosa como esta, duas salas, só duas pessoas sabiam.
Os traços biográficos dela são tirados de Rohrbacher, “Vida dos Santos”. A festa dela é hoje, dia 22.
Filha de Luís VIII e Branca de Castela, Isabel de França nasceu em 1225. Com menos de 2 anos de idade perdeu o pai, mas a mãe deu-lhe uma educação completa, auxiliada pela senhora de Buisemont, mulher culta e virtuosa.
Desde criança, Isabel mostrou aversão por tudo quanto pudesse afastá-la de Deus, decidindo mais tarde consagrar-se a seu serviço. Assim, quando Luís IX e Branca de Castela insistiram para que se casasse com Conrado, filho de Frederico II, pois essa união era vantajosa para a França, Isabel recusou-se terminantemente. Uma carta de Inocêncio IV, então no trono pontifício, veio pôr fim a qualquer dúvida sobre o problema: felicitou a jovem por sua resolução e aconselhou-a a perseverar.
Desde então, no próprio palácio, Isabel passou a levar uma vida em tudo semelhante à do claustro, dedicando-se principalmente aos pobres e doentes. Deus enviou à sua serva muitas provas: doenças longas e graves, a morte da rainha-mãe, que muito a abalou, o insucesso do irmão na Terra Santa. Quando este voltou, liberto, Isabel deixou o castelo real, fundando em Longchamp uma casa para jovens, da Ordem de São Francisco, depois Convento da Humildade de Nossa Senhora, do qual mais tarde foi superiora.
Enquanto abadessa, sempre doente, foi favorecida por graças e extases, chegando, antes de falecer, a saber a hora e o dia exatos em que deixaria o mundo.
A Bem-Aventurada Isabel de França, faleceu em 1270. Revestida com o hábito de Santa Clara, foi sepultada no converto mesmo que fundou, conforme seu desejo. A 3 de janeiro de 1521, foi beatificada pelo Papa Leão X.
* Em vez dos prazeres e do orgulho, apregoados como componentes da vida de corte, a Bem-Aventurada Isabel dedicou-se a fazer o bem aos pobres, abandonando tudo para dedicar-se à oração
Os senhores vêem aqui, antes de tudo, mais um dado para desmentir esta lenda constantemente contrária às cortes, que apresentam tudo quanto é corte como lugar de prazeres, de sensualidade, de exaltação do orgulho, onde a virtude não medra.
Os senhores estão vendo aqui dois santos, um no trono e uma outra, que é irmã dele, nos degraus do trono, e ambos dando a Deus a maior glória. Não muito distante dele figura a pessoa de Branca de Castela, que se bem que não fosse uma santa, era entretanto uma pessoa insigne por sua austeridade e por vários dotes morais que a distinguiram.
Quanto a essa vida aqui, os senhores estão vendo também uma coisa curiosa, que é o modo pelo qual a Providência trata os seus santos. É sempre um modo diverso do famoso happy end, do modo de correr tudo direitinho que as pessoas consagradas, dedicadas a gozar essa vida entendem que é o modo normal.
Os senhores estão vendo aqui uma princesa. Essa princesa abandona tudo para se consagrar a fazer bem aos pobres, ela abandona para se consagrara à oração. Ela até carrega — é o que a gente percebe aqui do modo mais ou menos claro — uma parte do fardo de São Luís: ela sofre, ela geme, ela reza para que o reino do Rei Cristianíssimo dê certo, as suas Cruzadas, os seus empreendimentos dêem certo, etc., ela sofre agudamente com o insucesso da Cruzada dele, e sofre também com o fato de ele ser preso.
Ela mora no palácio real e no próprio palácio real leva vida de monja. Mas quando o rei volta, ela sai do palácio real. Ela funda um convento e sua formação religiosa está completa.
Está bem, durante este tempo todo, essa pessoa é atormentada por grandes doenças, por graves doenças, que constituem, evidentemente, contratempos às suas obras de caridade, constituem contratempo até à sua vida de oração. Muitas e muitas vezes ela terá tido dificuldade em estar rezando por causa das grandes doenças que ela tem que padecer. Foi doente a vida inteira. Até morrer ela foi doente. Entretanto, ela teve uma longa vida e durante essa longa vida cheia de méritos ela acabou de se santificar.
Quer dizer, Deus lhe deu um grande obstáculo. E esse obstáculo que é na aparência um obstáculo, na realidade foi um meio de santificação. Tornando-se doente, ela na doença se santificou mais rapidamente e melhor do que se não fora doente. Esse é o fato concreto.
* Depois de algum tempo Santa Isabel recolheu-se ao Convento da Humildade de Nossa Senhora
Através disso, os senhores vêem como é errado pensar que as coisas de apostolado têm que correr todas direitinho, dando sempre bom resultado, que a gente não deve ter dificuldades, nem dentro nem fora do Grupo. Isso é falso e é espírito naturalista. E mania de happy end de cinema.
Aqui os senhores estão vendo a vida de uma verdadeira santa como foi, na aparência, semeada de escolhos postos pela própria Providência, mas na realidade, no fundo, a Providência se servia disso para santificá-la.
Isso nós devemos compreender quanto nós vemos às vezes empreendimentos nossos de apostolado que não dão tão certo quanto a gente quereria. Ou que às vezes até fracassam. Isso é normal. E quando numa obra não existem contratempos desses, é prova de que não é uma obra de Deus. Isso é que o pão nosso de cada dia e o modo normal e correto, comum, de operar da Providência.
É bonito ver o nome do convento para o qual ela se recolheu. É um convento da Ordem dos Franciscanos, mas vejam que bonito nome: o convento da Humildade de Nossa Senhora. Um convento de religiosas chamado da Humildade de Nossa Senhora, nos dá impressão de que paira a humildade de Nossa Senhora por tudo aquilo, por todos os corredores, pelos claustros, pelas celas, mais do que em qualquer outro lugar na capela, há como que o manto da humildade de Nossa Senhora cobrindo tudo, e amortalhando as religiosas na aniquilação de todas as suas vaidades, na aniquilação de todo o seu orgulho, mas ao mesmo tempo cobrindo-as com um manto protetor, com uma coisa que já é um antegozo do Céu.
É bonito ver como Deus glorifica sempre os seus santos.
* Deus sempre glorifica seus santos, ainda que seja no último minuto da existência, e a Bem-Aventurada Isabel foi avisada do momento da morte, recebendo a notícia como um prêmio de Deus
Há uma oração na vida de Nosso Senhor, impressionante, em que Ele pede ao Pai Celeste que O glorifique, a Ele, porque Ele já tinha dado glória ao Pai Celeste.
Todos os santos são glorificados, ainda que seja no último minuto de existência … [inaudível]… querem saber cada um exatamente em que dia vai morrer, de que ano? Eu tenho impressão que muita gente ficaria com medo. Uma torcida: “Que bom se vierem me dizer que eu vou morrer com 93 anos. Bem, se chegar lá, quando no fim eu vou ficar meio aborrecido porque saberei que vou morrer mesmo e não vou até os cem, mas os menos eu passo noventa anos sossegados. Nos últimos três anos eu começo a ter uma certa torcida. Ainda vale a pena. Mas os outros terão medo”.
E se de repente me diz que eu vou morrer daqui quinze dias? Como é que eu vou me arranjar nesses quinze dias de vida, não é verdade?
A maior parte das pessoas, infelizmente, tem medo de saber quando vai morrer. Os senhores estão vendo que ela não. A morte para ela era uma libertação. Ela soube quando ia morrer como um prêmio de Deus, preparando-se para ir para o Céu como uma esposa se prepara para encontrar com seu esposo. Os senhores vêem a beleza de uma forma de morte dessas.
Diz a Escritura que a morte de justo é precisa junto a Deus. Realmente aqui está uma morte tranqüila, uma morte serena, de uma pessoa que sabe quando vai morrer e que sabe quando vai morrer porque sabe quando Deus vai chegar.
Realmente, quando a gente pensa no que passa no quarto de um moribundo, naquele momento em que o moribundo exala o último suspiro — simbolicamente, porque dizem que de fato não morre nessa ocasião, tese que eu acho um pouco peregrina, mas, enfim, digamos —, naquele momento que se passa, a alma entra para toda a eternidade, é julgado por Deus e naquele dia mesmo pode ver Deus face-a-face, liberando-se de tanta miséria, de tanto infortúnio, de tanta tristeza, de tanto risco de salvação eterna, para ver Deus face-a-face.
Os senhores compreendem o que isso significa.
Então, com isso os senhores têm algumas reflexões a respeito dessa festa dessa bem-aventurada.
Seria preciso acrescentar que eu indiquei mal a data: hoje é dia 21, de maneira que a festa dela é amanhã. Hoje é festa dos dois santos, dos santos que enumeramos ontem, e dos quais comentamos a biografia de um.
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