Santo
do Dia (Rua Pará) – 27/1/1967 – 6ª feira [SD
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Santo do Dia (Rua Pará) — 27/1/1967 — 6ª feira [SD 231]
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Biografia de São Pedro Nolasco, Fundador da Ordem de Nossa Senhora das Mercês * Na Idade Média havia uma íntima ligação entre o Céu e a terra — Em nossos dias o Céu está cada vez mais distante
Apenas a leitura da ficha do santo do dia.
Hoje é festa de São João Crisóstomo, a respeito do qual nós falamos da outra vez, ontem, e amanhã nós teremos a festa de São Pedro Nolasco, fundador, confessor. Fundador da Ordem de Nossa Senhora das Mercês, para redenção dos cativos. Foi enterrado com sua couraça e sua espada. Século XIII.
* Biografia de São Pedro Nolasco, Fundador da Ordem de Nossa Senhora das Mercês
A ficha, infelizmente, é muito longa, de maneira que vou me limitar a lê-la:
Pedro Nolasco, nascido em 1189, no Languedoc, pertencia a uma nobre família desta região.
É da França.
Serviu contra os albigenses no exército do Conde Montfort, que lhe confiou o filho do rei de Aragão. Pedro inspirou ao jovem príncipe uma fé profunda e fez dele um dos mais ilustres reis que a Espanha possuiu. Quando D. Tiago voltou ao seu reino, após a morte de seu pai na batalha de … [inaudível]… São Pedro Nolasco vende seu rico patrimônio e, abandonando seu país, rompido e devastado pelos albigenses, dirigiu-se à Catalunha para cumprir um voto que fizera a Nossa Senhora de Montserrat. Foi depois para Barcelona, onde o rei D. Tiago o acolheu com alegria.
A Espanha, então, estava em grande parte sob o jugo dos maometanos. Muitos cristãos caíam deles prisioneiros e eram cruelmente torturados para renegarem sua santa fé. Muitos sucumbiam, mas outros resistiam encerrados em calabouços e eram reduzidos à escravidão. Pedro preocupava-se muito com estes últimos e com o perigo que corria suas almas. Falava com freqüência com o rei sobre este problema. D. Tiago compartilhava sua opinião e combatia tenazmente para expulsar os mouros do país. São Pedro o encorajava nesta gloriosa e santa empresa e o ajudava com seus conselhos e orações. O rei reconhecia que lhe devia considerável parte de suas conquistas.
Entretanto, como a guerra poderia demorar largos anos, era forçoso encontrar-se um meio para libertar os escravos cristãos. D. Tiago e São Pedro rezavam com insistência a Deus e à Santíssima Virgem, buscando uma inspiração, no que eram secundados por seu confessor, São Raimundo de Penaforte, homem ilustre pelo saber e virtudes.
No dia 1 de agosto de 1218, sob o pontificado de Honório III, por volta de meia-noite, a Rainha dos Anjos desceu do céu, acompanhada por um grande número de espíritos celestes e de santos, entre os quais encontrava-se o Apóstolo São Pedro, São Tiago, patrono da Espanha, Santa Eulália e outros patronos de Barcelona. Ela apareceu a São Pedro Nolasco, que estava em oração. “Eu sou — disse — a Mãe do Filho de Deus, que para a salvação e liberdade do gênero humano morreu sobre a cruz. Eu venho procurar homens que a seu exemplo queiram dar a vida para a liberdade de seus irmãos cativos. É um sacrifício que Lhe será muito agradável. Desejo que se funde em minha honra uma ordem, cujo religiosos resgatem os escravos cristãos e se dêem mesmo como penhor, se for necessário, para aqueles que não possam ser libertados de outra forma. Tal é, meu filho, a minha vontade. Enquanto me imploravas, com lágrimas, para aliviar o teu sofrimento, eu apresentava teus votos a meu Filho, que me enviou do céu para ti, Pedro, que eu escolhi para ser a pedra fundamental sobre a qual repousará o edifício desta nova Ordem”.
São Pedro Nolasco respondeu humildemente: “Creio com viva fé, Senhora, que sois a Mãe do Filho de Deus vivo e que viestes a este mundo para aliviar os pobres cristãos. Mas quem sou eu para cumprir uma tão difícil obra em meio aos inimigos de Vosso Divino Filho, para tirar seus fiéis de suas mãos crudelíssimas?”. “Nada temas, Pedro — respondeu a Rainha dos Anjos. Eu te assistirei, e para que creias nas minhas palavras, verás logo a execução do que te anunciei. E meus filhos e filhas desta Ordem se glorificarão se usarem hábitos brancos como este que eu visto”. E dizendo isto, a Santíssima Virgem desapareceu.
Sabe-se que no dia seguinte, indo São Pedro relatar o sucedido a São Raimundo Penaforte, este também tivera visão semelhante. O mesmo acontecendo ao rei D. Tiago. A este último a Mãe de Deus recomendara que a nova Ordem recebesse o nome de Santa Maria das Mercês, ou da Misericórdia.
O dia 10 de agosto do mesmo ano foi escolhido para começar a grande empresa. O rei se dirigiu à catedral, onde uma enorme multidão se comprimia, pois a notícia do milagre já se espalhara por todo o reino. Estava acompanhado de São Pedro Nolasco e de São Raimundo Penaforte, dos conselheiros de Barcelona e de toda a nobreza. O bispo celebrou a missa, e após o Evangelho, São Raimundo subiu ao púlpito contando a visão que tivera, com uma eloqüência e fervor admiráveis. O povo, ouvindo, agradeceu publicamente a Santa Virgem a piedade que manifestava pelos escravos.
Terminado o sermão, o rei desceu de seu trono, seguido dos grandes do reino. O bispo, com a ajuda do soberano e de São Raimundo Penaforte, deu o hábito a São Pedro, ajoelhado. Todos os três choraram de alegria ao vestirem o traje branco que se assemelhava ao da Rainha do Céu. O rei colocou, em seguida, com suas próprias mãos, sobre o escapulário, o escudo de suas armas, no meio da qual havia uma cruz branca, insígnia da catedral de Barcelona, onde a Ordem se iniciava. Depois, por sua vez, São Pedro deu o hábito a seis sacerdotes e sete cavaleiros, que já faziam parte de uma espécie de congregação que se ocupava do resgate dos cativos. Após os três votos comuns de pobreza, castidade e obediência, todos fizeram um quarto voto, que era o de se empenharem a si próprios, se fosse preciso, para a liberdade dos cristãos.
Fundada assim esta Ordem, iniciou-se o trabalho. Muito trabalhou São Pedro em sua missão, especialmente na Argélia, de onde voltou por milagre. Foi nomeado Geral de sua Ordem, apesar de seus protestos. Todos os reis do seu tempo o tinham em grande estima, especialmente São Luís, que teve a consolação de vê-lo no Languedoc.
São Pedro Nolasco morreu no dia de Natal de 1256.
* Na Idade Média havia uma íntima ligação entre o Céu e a terra — Em nossos dias o Céu está cada vez mais distante
Eu acho que basta, a título de comentário, mostrar a beleza que se depreende da conjunção destes três personagens: do rei, de São Pedro Nolasco e de São Raimundo Penaforte. E depois como um milagre desta natureza repercutia no povo daquele tempo. Bastava alguém contar, uma pessoa idônea contar, uma pessoa razoável, digna de crédito contar, para que todo mundo acreditasse. Não se vinha com ceticismo tolos e míopes de nossos dias, mas pelo contrário todo mundo dava crédito àquilo. E, dando crédito, participava intensamente da cerimônia.
Os senhores vêem os grandes do reino, o conselho de Barcelona, a nobreza, o povo todo comovidíssimo, assistindo uma reunião que tinha como base, afinal de contas, uma visão, uma revelação de caráter particular. E os senhores vêem aparecer aí uma ordem religiosa admirável.
Os senhores vêem aí um outro teor, completamente diferente, das relações entre Deus e os homens. Hoje Nossa Senhora só aparece para chorar; Ela não fala mais. E, assim mesmo, parece que cada vez menos aparece para chorar. O Céu se torna cada vez mais distante da terra, e quando o Céu fala, os homens não dão crédito.
Pelo contrário, naquele tempo, como as relações entre o céu e a terra eram! Quando Nossa Senhora queria qualquer coisa, Ela aparecia, Ela falava, havia homens d’Ela, da destra d’Ela que ouviam, que recebiam as ordens d’Ela, que executavam. Todo mundo colaborava, o povo se entusiasmava com estas coisas, quando o povo de hoje só sabe se entusiasmar por coisas de futebol e de televisão.
Era uma época completamente diferente, mas que nos dá um antegozo do Reino de Maria. Porque o Reino de Maria será isto e será alguma coisa de muito mais admirável do que isto.
Os senhores que terão — e, se Deus quiser, todos nós — a graça e a glória de ver o Reino de Maria, então nós poderemos sentir o aroma dos dias de São Pedro Nolasco e muito mais do que isto. Porque ninguém pode dizer o que será a maravilha da situação da Igreja, quando ela tiver derrubado todos os seus adversários de hoje, e Nossa Senhora tiver implantado o seu reino na terra.
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