Santo
do Dia – 20/1/67 – 6ª feira .
Santo do Dia — 20/1/67 — 6ª feira
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Em meio a provações, preocupações e decepções do SDP durante sua estadia em Roma por ocasião do concílio, a grande esperança que o guiava e iluminava era o sorriso da Madonna del Miracolo * As graças obtidas da imagem da Madonna del Miracolo eram sempre no sentido de uma grande confiança e de fazer sentir o amor materno dela se fundir sobre nós * Devemos pedir a Nossa Senhora que faça, dessa efusão de Suas graças no grupo, um prenúncio de um outro grande milagre, e que é o Grand-Retour de todos aqueles que resistirem na Bagarre * Uma visão sobre o fim da Bagarre e o início do Reino de Maria * Quem freqüenta a igreja da Rue du Bac, sente um toque de sobrenatural que nos dá na alma uma verdadeira unção, uma verdadeira consolação, uma verdadeira confiança, uma verdadeira resignação * Quem freqüenta a capela da Madonna del Miracolo sente a mesma atmosfera, a mesma graça, a mesma unção que há na igreja da Rue du Bac * O ícone da Madonna del Miracolo deve ser olhado com uns olhos em que a gente vê mais o que os olhos não vêem do que o que os olhos vêem
[O SDP conta, em linhas gerais, a história da Madonna del Miracolo]
Bom, esse fato é muito bonito, é um fato muito tocante, naturalmente nos diz respeito como tudo quanto se relaciona com a piedade a Nossa Senhora, mas não se poderia compreender que relação especial existe entre nós e a Madonna del Miracolo, se nós não fizéssemos algumas observações prévias.
* Quem freqüenta a igreja da Rue du Bac, sente um toque de sobrenatural que nos dá na alma uma verdadeira unção, uma verdadeira consolação, uma verdadeira confiança, uma verdadeira resignação
Uma das observações é a seguinte: quem vai visitar a igreja da rue du Bac, em Paris, onde Nossa Senhora das Graças apareceu a Santa Catarina Labouré sente uma impressão de paz, de calma, de céus abertos e que Nossa Senhora, exorável, disposta a atender todos os nossos pedidos, uma sensação de que o céu não está cortado com a Terra e que a benignidade de Nossa Senhora transpõe distâncias incontáveis para se tornar acessível a nós, que faz da capela da rue du Bac um lugar de paz realmente privilegiado.
Mas não paz no sentido heresia branca da palavra, não paz no sentido laranja da palavra, mas a verdadeira paz, quer dizer, um toque de sobrenatural que nos dá na alma uma verdadeira unção, uma verdadeira consolação, uma verdadeira confiança, uma verdadeira resignação, uma certeza de que, em última análise tudo dará certo.
* Quem freqüenta a capela da Madonna del Miracolo sente a mesma atmosfera, a mesma graça, a mesma unção que há na igreja da Rue du Bac
Ora, é exatamente a mesma impressão que se tem quando se está na capela do Miracolo, em Roma.
Quando se chega lá, há uma série de bancos colocados em face dessa capela e ali se celebra diariamente a missa vespertina. O resto da igreja fica meio escura, igreja com mármores estupendos, com monumentos bonitos, com duas estátuas, a meu ver, gigantescamente horrendas, mas de Bramante, o que é uma coisa muito importante, uma imagem, se não me engano, de Sant’Ana moribunda, num altar lateral, que é uma verdadeira maravilha, tesouros de história de toda ordem, tudo isso fica na penumbra.
Iluminada fica só a parte onde há a imagem de Nossa Senhora do Miracolo e, por reflexo daquelas luzes, os bancos que estão em frente àquela imagem.
A gente chega lá e vê uma atmosfera que faz bem a gente. Porque as pessoas que estão rezando ali, na sua maior parte, rezam seriamente, são pessoas que rezam com recolhimento, com unção, mas olhando para a cara delas se percebe que elas estão sentindo o que sentem as pessoas que freqüentam a rue du Bac e que é a mesma atmosfera, a mesma graça, a mesma unção que as penetram.
* O ícone da Madonna del Miracolo deve ser olhado com uns olhos em que a gente vê mais o que os olhos não vêem do que o que os olhos vêem
A gente olha para a imagem, a imagem não corresponde nem um pouco aos nossos cânones de iconografia. É uma imagem romântica do século passado. Depois, Nossa Senhora muito carregada de jóias, muito enfeitada, o que eu acho legítimo, mas para certos espíritos simplificantes é uma coisa que dá nó. Eu acho a coisa mais legítima do mundo, que ele tenha pintado Nossa Senhora com uma cintura recoberta de jóias. Nem todos nós sentimos isso da mesma maneira, e num ou noutro essa cintura dá nó. Se a gente for olhar essa imagem com os olhos com que se olha essa esponja de água, bom, aí não diz nada, ela só pode determinar até um pouco…
Mas a questão é que essa imagem é diferente. Ela deve ser olhada com certo recuo. Ela deve ser olhada com uns olhos em que a gente vê [mais] o que os olhos não vêem do que o que os olhos vêem.
Há nela um sorriso, uma expressão de fisionomia, uma afabilidade no gesto, que transcendem a cor do vestido e outros pormenores dos adornos e tudo o mais. E algo do autêntico sorriso de Nossa Senhora certas almas sentem ao considerar aquela imagem.
* Em meio a provações, preocupações e decepções do SDP durante sua estadia em Roma por ocasião do concílio, a grande esperança que o guiava e iluminava era o sorriso da Madonna del Miracolo
Ora, nós freqüentamos aquela imagem em dias de muita amargura e de muita angústia, que foram exatamente os dias de nossa presença em Roma, quando, pela liberalidade do Dr. Luizinho e pelos meios pessoais de alguns, foi possível levar um verdadeiro secretariado para acolitar os bispos na primeira fase do concílio.
Foram dias em que houve provações numerosas, algumas delas acabrunhadoras, preocupações, decepções, esperanças — houve de tudo — e nesses dias, o sorriso de Nossa Senhora do Miracolo era a grande esperança que nos iluminava e nos guiava. E todos nós nos beneficiamos dessa unção, sentimos essa impressão interior. A tal ponto que nosso ato de despedida foi o reunirem-se D.Sigaud e D.Mayer, junto com frei Jerônimo, padre Benigno, creio que havia mais algum sacerdote, não me lembro quem, todos os de Catolicismo que estavam lá, se reunirem para rezarem lá, tirarem uma fotografia na porta da Igreja, almoçarem no Ranieri, um pitoresquíssimo restaurante não muito distante de lá e depois se dispersarem para os vários cantos da Europa.
Depois disso outros ainda estiveram lá por Roma e experimentaram a mesma impressão, a mesma sensação, receberam as mesmas graças, por exemplo, o […], nós não estivemos juntos lá, mas pela expressão de fisionomia com que ele está ouvindo o que digo, vejo que explicitei o que ele sentia a respeito do caso, inteiramente, e sem que nunca tivéssemos permutado impressões tão minuciosas a respeito do fato.
* As graças obtidas da imagem da Madonna del Miracolo eram sempre no sentido de uma grande confiança e de fazer sentir o amor materno dela se fundir sobre nós
Quer dizer, a imagem do Miracolo foi uma contínua efusão de graças para os que freqüentaram lá. Graças sempre no mesmo sentido: graças de confiança, graças no sentido de fazer com que Nossa Senhora se tornasse próxima de nós e nós sentíssemos o amor materno dela para conosco se fundir sobre nós.
E as imagens de Nossa Senhora do Miracolo trazidas para ca fizeram seu próprio caminho dentro do grupo. Nós tivemos várias imagens, todas elas, muito bem recebidas, vários se tornaram devotos de Nossa Senhora do Miracolo e eu creio que foi o Humberto que trouxe até relíquias da toalha onde Nossa Senhora pousou os seus pés santíssimos, no momento da aparição e que figuram em várias tecas, eu, no momento em que estou falando, tenho no meu bolso uma teca com um pedaço da toalha de Nossa Senhora do Miracolo.
Os srs. compreendem, portanto, que houve uma efusão de graças, que se estendeu e que chegou a vários outros do grupo. E se bem que se possa dizer que haja uma atitude especial do grupo em face dessa devoção, há entretanto uma tal corrente de afeto para com Ela, de ternura, de confiança, tal gratidão pelos benefícios recebidos junto a essa imagem, que é razoável que a data seja comemorada por nós de modo muito assinalado, de modo muito especial.
* Devemos pedir a Nossa Senhora que faça, dessa efusão de Suas graças no grupo, um prenúncio de um outro grande milagre, e que é o Grand-Retour de todos aqueles que resistirem na Bagarre
Nossa Senhora do Miracolo é Nossa Senhora que praticou um grande milagre: Ela converteu, de um momento para outro, um judeu dos mais empedernidos. Nossa Senhora do Milagre, mas os srs. estão vendo, do milagre moral, do milagre que transmuda uma pessoa de um momento para outro. Nós devemos pedir a Nossa Senhora algum milagre nessa data? Eu creio que sim.
Nós devemos pedir a Nossa Senhora o milagre moral da completa regeneração, da completa transformação daqueles, dentro do grupo, que tenham razões para não estarem contentes, não estarem satisfeitos consigo mesmos.
Nós devemos pedir a Nossa Senhora que faça, dessa efusão de Suas graças no grupo, um prenúncio de um outro grande milagre, e que é o Grand-Retour de todos aqueles que resistirem na Bagarre.
Como os srs. sabem muito bem, a humanidade, durante a Bagarre, vai ser em grande parte dizimada. Mas ainda que reste apenas uns cinqüenta avos da humanidade, vai ser preciso converter um número prodigioso de filhos das Trevas para que a humanidade possa continuar. E por isso se deve esperar uma conversão miraculosa, provavelmente decorrente de uma aparição de Nossa Senhora, uma conversão miraculosa que transmude o mundo inteiro.
* Uma visão sobre o fim da Bagarre e o início do Reino de Maria
Catarina Emmerich, numa de suas visões, vê o fim da Bagarre representado por esse fato: Nossa Senhora entra no Vaticano — quem entra, não está dentro. Bem, Nossa Senhora entra no Vaticano e sobe à cúpula da torre de São Pedro, coloca-se lá no alto e, com uma misericórdia enorme, cobre o mundo inteiro com seu manto. Operam-se conversões enormes, os maus fogem espavoridos e são aniquilados e o Reino de Maria começa.
Quem sabe se é Nossa Senhora do Miracolo? Nossa Senhora do Grande Milagre, do milagre enorme, que vai produzir isso. É uma esperança que nos é legítima acalentar e que eu acho que é particularmente indicado mencionar na noite de hoje.
Nós vamos, eu vou pedir a Sua Excelência o favor de rezar as orações de encerramento.
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