Santo do Dia – 12/1/1967 – p. 6 de 6

Santo do Dia — 12/1/1967 — 5ª-feira

Nome anterior do arquivo: 670112--Santo_do_Dia_5__a.doc

* Sentido de modéstia * Primeiro "flash" dos Reis Magos * Beijar o solo sacrossanto * Hierarquia inversa na Sagrada Família * Os Reis pedem licença para retirar-se * Cântico de Nossa Senhora e São José * Consultam a respeito do governo * Conversa interior de Nossa Senhora com o Menino Jesus * Os magos estupefatos não querem retirar-se…

por alguma estampa ordinária do beato Deodoro da Fonseca, não é?

Hoje é o aniversario do Capitão Jarbas… [faltam palavras] …Amanhã vai ser a festa do Batismo de Nosso Senhor Jesus Cristo, e também a oitava da Epifania. E a Seção de História me pôs à disposição, por se tratar da oitava da Epifania, uma ficha a respeito de Nossa Senhora e os Reis Magos, pedindo que eu fizesse, sobre isso, um comentário, hoje. Trata-se de um excerto da obra, intitulada

La Mística Ciudad de Dios, milagro de su omnipotencia y abismo de la gracia. Historia Divina y Vida de la Virgen Madre de Dios, Reina y Señora nuestra, Maria Santísima, restauradora de la culpa de Eva y Medianera de la gracia.”.

Isso é um título, hein! Isso é bem um título de obras do “Ancien Régime” etc. Então um livrão grande, com letras vermelhas bonitas, pontudas etc., ou bem arredondadas etc. e tal. Bem, agora vem o sub-título, porque isso que eu li era o título da obra. Agora vem o sub-título:

Manifestada nesses últimos séculos pela mesma Senhora à sua escrava Sóror Maria de Jesus, madre do Convento da Imaculada Conceição da Vila de Ágreda”.

É, portanto, Maria de Ágreda, a famosa Maria de Ágreda. Segunda parte, livro IV, etc., etc., edição de 1708.

Os senhores estão vendo, portanto, que nossa Seção de História está altamente erudita, porque nos vem trazendo, aqui, trechos diretamente transcritos da edição de 1708.

(Sr. –:…)

Não, estava desconfiado disso. Agora, é preciso dizer o seguinte. Que, às vezes […] Bom, isso eu comento depois…

Aguardava a Divina Mãe, com o Infante Deus nos seus braços, aos devotos e piedosos reis. Estava com incomparável modéstia e formosura,…

* Sentido de modéstia

Notem bem que modéstia não quer dizer, assim, encolhida, não. Modéstia quer dizer com modo digno, com modos incomparavelmente bons, porque isso é que a palavra “modéstia” quer dizer.

e formosura, descobrindo, entre a humilde pobreza, indícios de majestade…

Quer dizer, deixando ver, apesar de sua humilde pobreza.

indícios de uma majestade sobre-humana com algo de resplendor em seu próprio rosto. O Menino tinha essa majestade muito maior e derramava grande refulgência de luz, com que estava toda aquela caverna, transformada em Céu.

Entraram nela os três Reis do Oriente e, à vista primeira do Filho e da Mãe, quedaram muito tempo admirados e suspensos, prostrando-se depois em terra e, nessa postura, reverenciaram e adoraram o Menino, reconhecendo-O por verdadeiro Deus e Homem, e reparador do gênero humano. E, com poder divino, em vista e presença do dulcíssimo Jesus, foram de novo ilustrados interiormente.

* Primeiro "flash" dos Reis Magos

Quer dizer, o encontro é muito bonito. Eles chegam à gruta e a primeira coisa que eles têm — Nossa Senhora os estava esperando —, a primeira sensação que eles têm é de um tal estupor, que eles param. Depois deles terem se recobrado do estupor, diante daquela doçura e da majestade do Menino Jesus e de Nossa Senhora, então eles se inclinam até a terra e prestam as suas adorações. E, então, depois de terem prestado as suas adorações, eles sentem, ao considerar a face divina do Menino Jesus, movimentos interiores da graça; e souberam, e eles, então, reconheceram que se tratava do Menino Deus, Redentor do gênero humano.

Conheceram a multidão dos espíritos angélicos que, como servos e ministros do grande Rei dos reis e Senhor dos senhores, assistiam com temor e reverência.

Quer dizer, eles devem ter visto, provavelmente, um número incontável de anjos que estavam em torno do presépio.

Levantaram-se de pé e logo deram os parabéns à sua Rainha e Senhora, pelo fato de ser Mãe do Filho do Padre-Eterno, e chegaram a dar-Lhe reverência, postos de joelhos.

Os senhores estão vendo que a comunhão de pé já estava proibida nesse tempo… Bem:

Pediram-Lhe a mão para beijá-la, como em seus reinos se costumava [fazer] com as rainhas. A prudentíssima Senhora lhes retirou sua mão e ofereceu a do Redentor do mundo, e disse: “Meu espírito se alegra no Senhor e minha alma O abençoa e louva, porque, entre todas as nações, vos chamou e elegeu para que vós outros chegueis, com vossos olhos, a vê-Lo e conhecer o que muitos reis e profetas desejaram e não conseguiram, que é o Eterno Verbo encarnado e humanado. Engrandeçamos e louvemos seu Nome, pelos sacramentos e misericórdia com seu povo. Beijemos a terra que santifica com sua real presença”.

* Beijar o solo sacrossanto

Essas foram as palavras de Nossa Senhora para os Reis Magos. Quer dizer, é muito bonita a declaração e termina nisso: beijar o chão, considerando que, uma vez que o Menino Jesus está na terra, a terra toda está transformada num altar sagrado, e que os homens, então, devem oscular a terra como quem oscula um altar, por causa, precisamente, da sacratíssima presença de Nosso Senhor Jesus Cristo. Basta Ele estar aqui, para tudo ser santificado e sagrado. É uma coisa muito bonita.

Algum desses conferencistas que passaram por aqui, contou isso: que em certos ritos católicos do Oriente, no rito copta da Abissínia, por exemplo, mas que é rito católico, apostólico, romano, existe esse costume. Sempre que o fiel entra na igreja, ele se ajoelha e beija o solo sagrado da igreja, para indicar a sua reverência e a sua convicção de que, na Igreja tudo é tão sagrado, que nós não somos dignos, por nós, de pisar naquele solo, nem entrar naquele recinto sagrado, e que nós devemos, portanto, oscular aquele solo antes de entrar.

Aqui, há uma certa relação, não é? Os Reis Magos beijam o solo, beijam a terra porque é o chão da gruta, mas é porque é o chão em que Nosso Senhor Jesus Cristo pisou; uma vez que os seus pés divinos pisaram lá, ou uma vez que Ele está nessa terra onde Nossa Senhora o mantém no seu colo e Ela pisa nessa terra, a terra toda se torna sacrossanta. Isso é uma coisa que é muito de se louvar, por causa do sentido sacral que há dentro disso. E esse senso do sacral é a compreensão de como todas as coisas são sagradas pelo efeito da Religião, pelo contato com a Religião, e o espírito de veneração que nós devemos ter para com tudo aquilo que, de perto ou de longe, toque a Religião ou toque a Deus Nosso Senhor. Quer dizer, [é] uma admirável lição que está inculcada aqui.

Com essas razões de Maria Santíssima, se humilharam de novo os três Reis…

Humilhar”, aqui, em espanhol arcaico, quer dizer, inclinaram-se de novo.

adorando o Menino Jesus e reconheceram o benefício grande de ter nascido tão cedo o Sol da Justiça, para iluminar as trevas em que eles estavam.

Feito isso, falaram ao santo esposo José, engrandecendo sua felicidade de ser esposo da esposa do mesmo Deus.

* Hierarquia inversa na Sagrada Família

Os senhores notem o senso da hierarquia. São José que era, aliás, o chefe da Família — porque naquela Família havia uma hierarquia em ordem inversa: quem era mais, era sempre menos. São José, que era o menos de todos, era o chefe da Família; Nossa Senhora, que era mais do que ele, estava sujeita a ele; e o Menino Jesus, que era o Menino Jesus, estava sujeito aos dois. Quer dizer, havia uma espécie de ordem inversa naquela Família. Bem, então eles, primeiro, olham para o Menino Jesus e para Nossa Senhora; e o Menino Jesus e Nossa Senhora eles discernem com o mesmo olhar e veneram com atos de culto simultâneo. Depois de tudo terminado e ditas as primeiras palavras de Nossa Senhora, aí eles se dirigem a São Jose. Então vem depois da latria a Deus, da hiperdulia a Nossa Senhora, vem a dulia a São José. Quer dizer, é perfeitamente razoável e hierárquico, perfeitamente anti-igualitário. Então eles falam com São José, louvando-o pela felicidade de ser esposo da Mãe do Filho de Deus e, por isso, lhe deram parabéns.

Admirados e compadecidos com tanta pobreza, e que nela se encerrassem os maiores Mistérios do Céu e da terra1.

Ao chefe da Família eles deram parabéns por aquilo que podia envergonhá-lo: felicitaram pela pobreza. Os senhores estão vendo a profundidade que tudo isso tem.

Passaram, nessas coisas, três horas…

Os senhores estão vendo quanta outra coisa houve aqui, além do que aqui está contado, não é isto?

Passaram três horas nessas coisas; e os Reis pediram licença a Maria Santíssima para irem à cidade, a tomar pousada, por não ter lugar para deter-se na gruta e a Sagrada Família estar nela.

* Os Reis pedem licença para retirar-se

É muito bonito que quando Nossa Senhora está presente, Ela é a Rainha, e eles, reis, não ousam sair do lugar, a não ser pedindo licença a Nossa Senhora. Porque Ela está ali presente, Ela manda.

Seguiam-nos algumas pessoas, mas só os Magos participavam dos efeitos da luz e da graça. Os demais, que só aparavam e atendiam ao exterior e olhavam o estado pobre e desprezível da Mãe e do seu esposo, ainda que tenham tido alguma admiração pela novidade, não conheceram o Mistério.

Quer dizer, tudo isso só foi visível para os Magos. Uma porção de outras pessoas não viram.

Despediram-se e foram embora os Reis. Ficaram Nossa Senhora e José, com o Menino, sós, dando glória à sua Majestade, com novos cânticos de louvor, porque seu Nome começava a ser conhecido e adorado pelas gentes.

O que mais fizeram os Reis, eu direi em próximo capítulo.

* Cântico de Nossa Senhora e São José

Os senhores imaginam que cena bonita se pode conjecturar que tenha havido. Os Reis que saem da gruta, e quando os Reis estão, assim, um pouco mais longe, elevam-se as vozes puríssimas e harmoniosíssimas de Nossa Senhora e de São José, cantando, como diz aqui, para agradecer a Deus, para agradecer essa primeira glória do Menino Jesus: os Magos, os Reis vieram do Oriente e adoraram o Menino; o gênero humano inteiro, representado por esses Reis, prostrou-se perante o Menino. Então, uma grande alegria e um grande cântico dos anjos. O cântico estava nos costumes do Oriente. Os senhores viram, por ocasião da visita de Nossa Senhora a Santa Isabel, que ambas cantaram; Santa Isabel cantou a Nossa Senhora e Nossa Senhora cantou a Santa Isabel. Quer dizer, era costume e era inteiramente natural que Nossa Senhora e São José tenham composto um lindíssimo hino. E a gente poderia até imaginar esse canto, quer dizer, os dois timbres de voz como [se] alternavam; se é que não era algum Salmo do Antigo Testamento, adequado às circunstâncias, escolhido para o momento. Mas que coisa inefável, e como os anjos, que viam isso, deviam ficar absolutamente enlevados com a cena, sobretudo vendo o Menino Jesus ali, [sendo] objeto de… [faltam palavras] …e dessa adoração.

No dia seguinte, em amanhecendo, volveram à cova do Nascimento os Reis, para oferecer ao Rei Celeste presentes que tinham trazido. Chegaram e, prostrados em terra, O adoraram com nova e profundíssima humildade, e abrindo seus tesouros, como diz o Evangelho, Lhe ofereceram ouro, incenso e mirra.

Falaram com a divina Mãe, e Lhe consultaram a respeito de muitas dúvidas e assuntos que tocavam os mistérios da Fé e coisas pertencentes às suas consciências e governos dos seus Estados.

* Consultam a respeito do governo

Os senhores vejam que beleza. Eles consultando a respeito do governo dos seus Estados e Nossa Senhora, como Rainha dos reis, dando orientação: “Façam assim, façam assado”. Primeiro como Rainha das almas ilustrando essas almas; depois, como Rainha dos reis, ensinando a governar.

Porque desejavam volver instruídos a respeito de tudo, informados de tudo e capazes de governar, santa e perfeitamente, suas obras.

A grande Senhora os ouviu com sumo agrado e, quando informava, conferia com o Infante, em seu interior, tudo o que havia de responder e ensinar àqueles novos filhos de sua Lei Santa.

* Conversa interior de Nossa Senhora com o Menino Jesus

Quer dizer, Ela rezava, Ela falava internamente com o Menino Jesus. Então, os senhores imaginam o Menino Jesus deitado, como uma criança que não tem consciência definida do mundo externo. Era Deus e, no entanto, estava como uma criança que não tem consciência do mundo externo. Mas Nossa Senhora misticamente conversava com Ele. Então perguntava a Ele o que responder, e Ele falava a Ela. E Ele que era, na aparência, sem inteligência e sem voz, sabia e conversava com Ela internamente. Os senhores imaginem a sublimidade dessa conversa.

Depois continua:

E como mestra e instrumento da Divina Sabedoria, respondeu a todas as dúvidas que lhe propuseram, tão altamente, santificando-os e ensinando-os de tal maneira, que, admirados e atraídos pela sabedoria e ciência da suave Rainha, não conseguiam apartar-se d’Ela.

É evidente.

E foi necessário que um dos anjos do Senhor lhes dissesse que era sua vontade e forçoso volverem a suas pátrias.

* Os magos estupefatos não querem retirar-se…

Curioso é o seguinte. Nossa Senhora não disse — Ela era Rainha, Ela podia dizer —: “Meus caros, agora chegou a hora de voltar. Meus filhos, voltem”. Mas a delicadeza d’Ela era tão grande, que, para não tomar Ela essa iniciativa, mandou um anjo falar. Os senhores vêem aí o requinte de polidez, o requinte de delicadeza de alma e de atitude de Nossa Senhora.

Não é maravilha que isso sucedesse, porque as palavras de Maria Santíssima foram ilustradas pelo Espírito Santo e cheias de ciência infusa a respeito de tudo quanto perguntaram e ainda em muitas outras matérias.

E, com isso, acabou-se. A gente fica, também, com um pouco de tristeza de sair de junto dessas coisas grandiosas e pensar nas coisas de todos os dias, dessa era de Revolução em que nós nos encontramos.

E, com isso, está encerrado o comentário do Santo do Dia.

*_*_*_*_*

1 No original do microfilme este trecho está duvidoso, por isso o datilógrafo não diferenciou corretamente o que eram palavras do Senhor Doutor Plinio e o que era leitura.