São
do Dia (Auditório da Santa Sabedoria – Rua Pará)
– 26/12/1966 – segunda-feira – p.
São do Dia (Auditório da Santa Sabedoria – Rua Pará) — 26/12/1966 — segunda-feira
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“Estevâo, cheio de graça e força, fazia grandes milagres e prodígios entre o povo” * O ódio dos adversários de Santo Estevâo vai aumentando segundo a manifestação de suas excelências: Espírito revolucionário * Santo Estêvão não foi imprudente no desdobramento de suas maravilhas, visto que só podia estimular o ódio dos judeus? * E tendo-o lapidado entregou seu espírito. A morte plácida dos justos
Hoje, dia 26 de dezembro, é festa de Santo Estevão, mártir. A igreja quis colocar logo no primeiro dia depois do Natal, a festa do primeiro mártir que ela teve.
Os Atos dos Apóstolos nos contam o seguinte:
Naqueles dias Estevão, cheio de graça e de força, fazia prodígios e grandes milagres entre o povo. Ora, alguns da sinagoga que é chamada dos Libertos, e da dos Cireneus, e da dos Alexamdrinos, e gente da Cilícia e da Ásia...
A gente tem impressão que são urubus provenientes de vários lados, e esvoaçando sobre ele. Bem...
...levantaram-se contra Estevão e disputaram com ele.
Mas não puderam resistir à sabedoria e ao espírito com os quais ele falava. Tendo ouvido seu discurso, seus corações foram feridos pelo ódio e eles rangiam os dentes contra ele.
Mas Estevão, que estava repleto do Espírito Santo, tendo elevado os olhos ao Céu, viu a glória de Deus e Jesus, de pé, à direita de Deus, disse: Vejo os Céus abertos e o Filho do Homem à direita de Deus.
Eles lançaram então grandes gritos tapando as orelhas, e lançaram-se todos contra ele. E arrastando-o para fora da cidade, lapidaram-no. E as testemunhas depuseram seus vestidos aos pés de um homem chamado Saulo. E lapidaram Estevão que rezava e dizia: Senhor Jesus, recebei meu espírito.
Depois, tendo ajoelhado gritou com voz forte: Senhor, não lhes imputeis esse pecado. E dizendo isso, adormeceu no senhor.
* “Estevâo, cheio de graça e força, fazia grandes milagres e prodígios entre o povo”
É um trecho tão bonito, que quase cada frase mereceria um comentário próprio. Porque a cena se desenvolve em lances sucessivos. E cada lance tem um significado que lhe é característico.
Primeiro lance é o seguinte: Estevão está obrando maravilhas. Como é que ele define as maravilhas de Estevão? Com a linguagem tão cheia de imponderáveis que a gente não sabe nem o que dizer.
Naqueles dias, Estevão, cheio de graça e de força, fazia prodígios e grandes milagres entre o povo.«USN»
Essa é a entrada do caso. Estevão virginal, cheio de graça e de força. Querem uma expressão mais bonita para indicar um homem cheio de graça, como Nossa Senhora, cheio de força, não é verdade?
Ele operava, então, prodígios no meio do todos. Quer dizer, os senhores tomam um homem que está na flor de sua virtude, que está na plenitude de sua força, que é fortaleza de ânimo, mas é também a força da graça que atua diante dele, e então esse homem no meio de todos os judeus apóstatas, infiéis, esse homem fazia prodígios e grandes milagres entre o povo.
* O ódio dos adversários de Santo Estevâo vai aumentando segundo a manifestação de suas excelências: Espírito revolucionário
Bem, agora vem então a maldade dos judeus:
Ora, alguns da sinagoga que é chamada dos Libertos, e a dos Cireneus, e a dos Alexandrinos, e gente da Cilícia e da Ácia…«USN»
Jerusalém era um ponto de confluência de judeus de toda parte; então eram judeus de Cilícia e da Ásia.
… Levantaram-se contra Estevão e disputaram com ele.
Quer dizer, à vista dos milagres que Santo Estevão fazia, dos prodígios que ele operava, esta gente teve ódio e levantou-se para fazer chicanas, para discutir sofisticamente com ele.
É o segundo lance. Agora vem o terceiro lance.
Mas não puderam resistir à sabedoria e ao espírito com os quais ele falava.
Quer dizer, depois de ter operado prodígios, ele também argumentou de uma modo maravilhoso. Ele, pelos seus argumentos, confundiu completamente essa gente. E essa gente, então, não tinha o que dizer. E a gente que odiava os prodígios, odiou ainda mais os argumentos.
Os senhores estão vendo que é um ódio que vai crescendo à medida que Santo Estevão vai manifestando as maravilhas que vão dentro dele. Ele, por primeira manifestação de maravilha: Ele opera milagres. Resultado: Levantam-se com ódio para discutir.
Segundo: Ele discute maravilhosamente, lhes cala a boca. Resultado: Cresce o ódio.
Eles começam a ranger os dentes. Odio do quê? Odio do bem porque o bem é bem.
Aqui que está a questão. Não pensem que é porque Santo Estevão não foi hábil, porque ele teve um equívoco, porque essa gente não entendeu qualquer coisa de Santo Estevão, não.
Eles entenderam perfeitamente. Eles viram que eram maravilhas e eles receberam argumentos contra os quais eles não tinham provas. Eles odiaram porque isso era assim.
Quer dizer, é preciso, a natureza do mal, a perfídia do mal… o mal ataca o bem porque odeia o bem, o mal ataca a verdade porque odeia a verdade, isto está na essência da iniqüidade, está na essência do espírito da Revolução, está na essência da mentalidades dos filhos das trevas.
Eles odeiam o bem, eles odeiam a verdade. E quanto mais o bem a verdade vão se manifestando, tanto mais eles odeiam. Era a mesma gente que tinha exatamente decidido a morte de Nosso Senhor.
Era a gente que preferiu Barrabás a Nosso Senhor porque achou Barrabás, com sua cara de facínora, mais simpático, atraente e agradável que Nosso Senhor. E por quê? Porque odeiam o bem, e porque amam o mal.
Quer dizer, aqui se patenteia a iniqüidade e a malícia do pecado bem como ela é, e bem como nós a devemos ver naqueles que são filhos das trevas; naquele que comente o pecado doutrinário, naquele que não é apenas uma pessoa que comete um pecado, mas é uma pessoa que acaba odiando o bem que já não observa e amando o mal que pratica, para esta pessoa assim a posição é a que eu acabo de dizer.
E todo mundo que tem má doutrina, que tem ódio ao ultramontanismo, que é filho da Revolução, odeia a boa causa porque é boa, e no fundo sabendo que é boa. Não entra equívoco. Sabe perfeitamente que essa causa é a causa boa, e odeia essa causa. Aqui está a questão.
* Santo Estêvão não foi imprudente no desdobramento de suas maravilhas, visto que só podia estimular o ódio dos judeus?
Bem, então continua outro lance. Então:
Tendo ouvido seu discurso seus corações foram feridos pelo ódio e rangiam os dentes contra ele.
Então, outro lance: Santos estevão mostra outra maravilha:
Mas estevão, que estava repleto do Espírito Santo, tendo elevado os olhos aos céus, viu a glória de Deus e Jesus, de pé, à direita de Deus e disse: Vejo os céus abertos e o Filho do Homem, de pé, à direita de Deus.
Naturalmente os senhores podem imaginar como é que ele disse isso. Ele disse isso de tal maneira que se via que era verdade, que se via que ele tinha razão.
Havia nele um tal reflexo daquilo que ele dizia, havia nele uma tal evidência de que ele estava dizendo a verdade que era uma coisa irrecusável.
Se no século passado, como conta D. Chautard, um advogado esteve em Ars, viu São João Batista Vianney, depois lhe perguntaram o que ele tinha visto em Ars e ele disse: Vi Deus num homem.
Os senhores imaginem no momento de um êxtase, ── porque evidentemente Santo Estevão teve, nesse momento, um êxtase ── nesse momento de êxtase como estaria transbordando de sobrenatural este homem, este santo.
Sabe-se que em todo os fenômenos da vida mística, a pessoa que está recebendo o fenômeno transborda de sobrenatural. Santo Estevão estava num ato da vida mística, num fenômeno da vida mística, ele devia estar transbordando de sobrenatural. Está bem.
Quando eles viram isso, eles cresceram de ódio. Então resolveram matá-lo. Agora, pergunta-se: Santo Estevão não foi imprudente?
Santo Estevão não teria agido melhor indo embora? Santo Estevão não teria feito melhor não forçando, por assim dizer, essa gente ao assassinato? E ao assassinado sacrílego? Porque ele cada vez foi se afirmando mais, e as pessoas cada vez odiando mais. Chegaram, ao assassinato. Esse assassinato não se teria dado, e ele não teria perdido sua vida de apóstolo, se ele tivesse sabido fugir. Ele podia ter ficado quieto, e escapado. Ele não teria andado melhor fazendo assim?
A primeira resposta que se dá é a que está aqui: Santo Estevão estava cheio do Espírito Santo é porque ele estava andando bem. Mas é que havia aqui um luta e o assassinato não era certo.
Havia uma luta porque ele tentava, cada vez mais, arrombar aquelas almas com uma maravilha mais.
Ele para comover aquelas almas e para às conquistar, ele foi cada vez mais afirmando um coisa mais alta.
Quando chegou no ápice, eles livremente, de cada vez, foram recusando. Quando chegou no último ponto, eles chegaram ao assassinato.
Mas quer dizer, o modo apostólico que ele empregou foi o modo perfeito. Ele tentou comover aqueles corações, ele tentou impressionar aquelas almas, ele tentou iluminar aquelas inteligências e a cada recusa ele ia com um misericórdia maior, ele ia com uma graça maior; um argumento mais fulgurante, um prodígio mais admirável, até o ponto em que eles recusaram tudo.
Quer dizer, a atitude dele foi altamente sábia e altamente apostólica. Ele poderia ter convertido aquela gente se aquela gente tivesse querido abrir as suas almas.
Mas como não quiseram abrir, eles chegaram precisamente até a ignomínia do assassinato.
* E tendo-o lapidado entregou seu espírito. A morte plácida dos justos
Vem então agora o assassinato.
Eles lançaram então grandes gritos, tapando as orelhas, e lançaram-se todos contra ele.
Tapando as orelhas, que era o que se fazia quando uma pessoa dizia uma blasfêmia. Então, todos juntos, era um ódio que movia a todos e que levou todos a se atirarem, a uma, contra ele.
E arrastando-o para fora da cidade, lapidaram-no.
Quer dizer, levaram-no fora da cidade e com pedras o mataram.
Lapidação é isso, é matar a pedradas. Os senhores estão vendo, cada pedrada, um ato de ódio. E naturalmente o ódio que ia crescendo à medida que ele ia se manifestando mais sublime à medida que era apedrejado.
Bem:
E as testemunhas…
Quer dizer, as pessoas que testemunharam o ato.
Depuseram seus vestidos aos pés de um homem chamado Saulo.
E muitos querem ver nesse Saulo o futuro São Paulo, que nesse tempo era fariseu.
E lapidaram Estevão, que rezava e dizia: Senhor Jesus, recebei o meu espírito.
Os Senhor podem imaginar a cena maravilhosa. Ele, como um segundo Cordeiro de Deus, com os olhos voltados para o céu. Todo ferido, deitando sangue de todos os lados, com contusões horrorosas, e apenas essa oração. Senhor Jesus, recebei o meu espírito, Senhor Jesus, recebei o meu espírito.
Os senhores podem imaginar a impressão que uma coisa dessas haveria de causar. Bem, o resultado:
Depois, tendo ajoelhado, gritou com voz forte: Senhor, não lhes imputeis esse pecado.
Quer dizer, que esse “Senhor Jesus, recebei meu espírito” ele dizia de pé. Mas, naturalmente, dobrado, vergado pelas pedradas, ele não pode mais se manter de pé.
Então, ele se ajoelhou num primeiro momento, até cair. E nessa postura tão supremamente conveniente para a oração, ele disse isso: “Senhor não lhes imputeis esse pecado”. Mas ainda com voz forte, pedindo perdão para os seus próprios agressores.
No auge dessa tragédia, vem uma frase de uma simplicidade e de uma serenidade sublimes. É isso.
E dizendo isso, adormeceu no Senhor.
Acabou tudo e veio a morte plácida dos justos. Um suspiro e aquele homem toda ensangüentado com certeza teve um expressão de fisionomia tranquilíssima. Tinha tudo acabado e ele estava dormindo em Deus.
A tormenta se tinha transformado num sono, o martírio o martírio estava consumado e sua alma subia para o Céu.
Os senhores vêm que é digno de ser o primeiro martírio de uma tal série de martírios.
Como essa linguagem, para transcrever qualquer coisa, não há. É um linguagem inspirada. Nós deixamos, então, para amanhã, a ficha sobre São João Evangelistas, que é muito bonita também e merece um comentário.
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Auditório da Santa Sabedoria – Rua Pará