Santo do Dia – 15/11/1966 – 6ª feira [SD - IIA D139] . 6 de 6

Santo do Dia — 15/11/1966 — 6ª feira [SD - IIA D139]

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Apesar das tropelias dos superiores da Ordem do Carmo, podemos tranqüilamente nos considerar membros da Ordem Terceira do Carmo * Frei Jerônimo, coloca apenas acima da graça da pertencença ao Grupo, a graça do batismo * Por que, então, a importância de pertencer à Ordem Terceira do Carmo? * Uma Ordem religiosa é como que uma faceta do espírito da Igreja Católica, por isso a Providência vai suscitando Ordens que vão revelando as várias facetas da Igreja * Agiria com leviandade quem podendo prender-se a uma boa associação ou Ordem religiosa, não o fizesse * O Grupo a não ser uma Congregação Mariana, seria qualquer coisa que vai muito além * Devemos prezar a condição de membros da Ordem Terceira, sem desmerecer em nada a pertencença ao Grupo

Hoje, dia 15, é festa da comemoração de todos os finados da Ordem do Carmo, como já lembrei ontem. São Leopoldo confessor e Santo Alberto Magno, bispo, confessor e doutor da Igreja, cuja biografia foi lida ontem.

Amanhã é festa de Santa Gertrudes, virgem, que recebeu a revelação da devoção ao Sagrado Coração de Jesus, padroeira das Índias Ocidentais, século XIII.

Santa Gertrudes é uma grande santa. De tal maneira, que eu pretendo dar a biografia dela amanhã. Mas eu gostaria de tratar de um outro assunto hoje, que é um assunto que é assim para situar bem certas perspectivas de nossa vida e de nosso grupo, e para o qual dá ensejo o fato de nós estarmos no dia seguinte ao de todos os santos da Ordem do Carmo e no dia próprio da festa de todos os mortos da Ordem do Carmo.

Esse assunto é a Ordem do Carmo.

* Apesar das tropelias dos superiores da Ordem do Carmo, podemos tranqüilamente nos considerar membros da Ordem Terceira do Carmo

Eu creio já ter dito aos senhores recentemente que, de acordo com a opinião do Frei Jerônimo, os nossos pedidos da Ordem do Carmo se deram de tal maneira e tal foi a reação da Ordem Primeira em relação a esses pedidos, que nós podemos tranqüilamente nos considerar membros da Ordem Terceira, efetivos, com todos os privilégios, com todas as regalias, com todas as indulgências e com todas as vantagens, se bem que, por uma tropelia dos nossos superiores, nós sejamos impedidos, sem culpa de nossa parte, de nos reunir e de praticar os atos comuns inerentes à Ordem.

Frei Jerônimo, nesse sentido, além de ser, como os senhores sabem, um padre muito inteligente, ele tem um feitio de inteligência muito astuto e, portanto, muito capaz de aprender os matizes dessa problemática toda, prestou muita atenção na questão. Ele é religioso muito velho, já há muitos anos religioso e, portanto, com muito hábito de analisar todas as coisas da Ordem. E a opinião dele a esse respeito é uma excelente opinião que nós não podemos relegar de lado. É‑nos dada, portanto, a alegria de dizer que nós somos membros da Ordem Terceira do Carmo.

* Frei Jerônimo, coloca apenas acima da graça da pertencença ao Grupo, a graça do batismo

Agora, nós podemos perguntar o seguinte:

Nós temos aqui uma dicotomia, porque temos de um lado a Ordem Terceira do Carmo e de outro lado o Grupo.

Ora, o Frei Jerônimo, que não é da Ordem Terceira, mas é da Ordem Primeira, fazendo uma vez — os senhores devem lembrar‑se disso — um discurso, uma alocução aqui na sede, por ocasião do recebimento de hábito de vários dos senhores que professavam na Ordem Terceira, teve essa afirmação que me impressionou, porque é uma afirmação que tem fundamento e porque ele a dizia num movimento partido de fato do fundo da alma dele: ele dizia que ele dava tal importância à pertencença dele ao Grupo que, depois da graça do batismo, ele que é sacerdote e ele que é religioso carmelita, não colocava como a maior graça a graça da vocação sacerdotal, nem a graça da vocação religiosa, mas ele colocava a graça da pertencença ao Grupo. Ele colocava, portanto, apenas acima da graça da pertencença ao Grupo, apenas a graça do batismo.

É natural que ele colocasse a graça do batismo acima de tudo, porque os senhores sabem que o sacramento do batismo é o que nos introduz na Santa Igreja Católica. E se nós estamos no Grupo, é porque pertencemos à Santa Igreja Católica.

Portanto, a graça das graças para todo homem, em qualquer condição ou circunstância, é, antes de tudo e acima de tudo, haver sido batizado e pertencer ao corpo sagrado e ao espírito sacrossanto da Santa Igreja Católica Apostólica Romana.

* Por que, então, a importância de pertencer à Ordem Terceira do Carmo?

Agora, depois de uma afirmação tão radical como essa de Frei Jerônimo que todos os senhores ouviram, nós poderíamos nos perguntar o seguinte:

Por que é que o Dr. Plinio dá tanta importância assim a pertencermos à Ordem Terceira do Carmo? Por que Dr. Plinio chega a tratar disso em público, a estudar tão detidamente se pertence ou não pertence, etc.? Será por causa dos primeiros, do privilégio sabatino?

Os senhores sabem que pelo privilégio sabatino da Ordem do Carmo, os Terceiros que morrem em qualquer dia da semana, na sexta-feira, no sábado são libertados do Purgatório por Nossa Senhora. Os senhores compreendem a vantagem incomparável que isso representa.

Será que Dr. Plinio deseja para si e para os membros do Grupo uma espécie de resseguro contra o Purgatório, e por causa disso ele timbra tanto em afirmar este ponto?

Certamente esta vantagem é enorme, é inapreciável. Mas quem usa o escapulário do Carmo e não pertence à Ordem Terceira, este também tem esse privilégio. De maneira que por isso não seria.

Por que é que é então? Qual é a graça que há em pertencer à Ordem do Carmo?

Esta pergunta poderia ser ampliada para a seguinte outra pergunta: qual é a graça que há em ser congregado mariano? Ou uma pergunta mais genérica: que graça há em nós pertencermos a uma associação religiosa?

* Uma Ordem religiosa é como que uma faceta do espírito da Igreja Católica, por isso a Providência vai suscitando Ordens que vão revelando as várias facetas da Igreja

Para nós compreendermos bem isso, para nós nos persuadirmos de que é uma graça imensa, nós devemos ver bem o que é que é, por exemplo, a Ordem Terceira do Carmo.

A Ordem do Carmo, a Ordem Primeira, é uma Ordem religiosa. Além de ela representar a continuação do espírito de Elias e dos justos do Antigo Testamento; além de ser a única Ordem religiosa enquanto Ordem religiosa — não digo congregação religiosa — consagrada a Nossa Senhora; além de, segundo toda a probabilidade e até segundo aquela revelação de Santa Teresa que o Dr. Cosmin nos mostrou, os apóstolos dos últimos tempos trajarem o hábito carmelitano; além de tudo isso, há, entretanto, uma nota que é comum a todas as Ordens religiosas e que é preciso ressaltar.

Uma Ordem religiosa é como que uma faceta do espírito da Igreja Católica. É uma escola de espiritualidade, é uma escola de santidade que retrata um dos mil aspectos riquíssimos da Igreja Católica. E como a beleza da Igreja Católica tem que se manifestar inteira antes de chegarmos à consumação dos tempos, é preciso que essas facetas possíveis da Igreja, se vão revelando ao longo da História.

E é por isso que a Providência vai suscitando Ordens religiosas que vão revelando as várias facetas da santidade da Igreja, nas várias escolas espirituais que elas contém. Então, a Providência suscita habitualmente santos que fundam essas Ordens religiosas. A Igreja examina as finalidades, as Regras dessas Ordens religiosas, as retifica, as prova, as abençoa. A graça chama as pessoas para pertencerem a essa Ordem. O Espírito Santo ajuda as pessoas com graças inerentes específicas dessa Ordem para realizarem aquele tipo de escola espiritual. A Igreja dá indulgências para quem segue esse caminho.

E, em suma, se constitui uma instituição que é um conjunto de graças, um conjunto de leis, um conjunto de regras, um conjunto de pessoas, tudo com uma bênção especial de Deus, com o favor de Nossa Senhora, para conduzir essas almas à santidade. E as pessoas que pertencem a essa família religiosa, recebem graças especiais que são as graças próprias para esse tipo de santificação.

Essas graças são graças valiosíssimas. Pode haver outras graças ainda maiores, mas essas graças são valiosíssimas e concorrem poderosamente para a santificação.

* Agiria com leviandade quem podendo prender-se a uma boa associação ou Ordem religiosa, não o fizesse

De sorte que a pessoa que queira de fato santificar‑se, devendo procurar cercar‑se do maior número possível de graças, agiria com leviandade, com superficialidade, e eu diria mesmo com temeridade, se, podendo prender‑se a uma boa associação religiosa, ou podendo prender‑se a uma Ordem religiosa de algum modo, não o fizesse. Porque é um modo exatamente de atrair sobre si graças inestimáveis.

O mesmo se diz da Ordem do Carmo e da Ordem Terceira enquanto um anexo da Ordem do Carmo. Nós podemos dizer das outras associações religiosas. As Congregações Marianas, por exemplo.

Um membro do Grupo lucra em ser congregado mariano. Lucra em ser congregado mariano porque é uma associação especialmente dedicada a Nossa Senhora, fundada de acordo com evidente desígnio da Providência, desígnio esse que era de dar glória a Nossa Senhora, de santificar as almas, de atrair inúmeras pessoas para a Igreja Católica.

Nossa Senhora deu às Congregações Marianas o papel muito grande em vários episódios da História, e especialmente no Brasil. Nossa Senhora chamou as Congregações Marianas a um apostolado muito importante a partir, mais ou menos, de 1925, 27, 28, até mais ou menos os nossos dias.

* O Grupo a não ser uma Congregação Mariana, seria qualquer coisa que vai muito além

E no que diz respeito ao Grupo, nós não devemos nos esquecer que o Grupo é algo de nascido do solo sagrado das Congregações Marianas. Com efeito, nós fomos todos congregados marianos, e eu tenho razões para acreditar que continuamos a ser, embora não freqüentemos.

As Congregações Marianas alimentaram, acalentaram os nossos primeiros ideais. Elas nos reuniram nos primórdios da prática da virtude. E pode‑se dizer que tudo aquilo que nós fazemos caberia nos estatutos de uma Congregação Mariana modelar que levasse os seus princípios até as últimas conseqüências, poderia fazer tudo quanto a TFP faz.

Nós diremos então: “Bom, mas não há uma antinomia entre o espírito das Congregações Marianas e a TFP?”.

Eu diria: uma como que antinomia; uma homogeneidade em alguns pontos e uma antinomia em outros, existe em relação ao espírito deteriorado de tantas Congregações Marianas. E aí, de fato, a antinomia é muito grande. Mas como uma Congregação Mariana fervorosa, não existe uma antinomia; existe, pelo contrário, uma afinidade.

Nós poderíamos dizer que o Grupo a não ser uma Congregação Mariana, seria qualquer coisa que vai muito além de uma Congregação Mariana, mas nada que tenha qualquer coisa de contrário a uma Congregação Mariana. Pelo contrário, profundamente afim com a Congregação Mariana.

E é essa razão pela qual eu nunca quis que o nosso escudo mariano fosse trocado pelo distintivo do Grupo.

Como seria bonito do ponto de vista artístico, como seria adequado do ponto de vista estratégico, que nós tirássemos o distintivo de congregados marianos e puséssemos o distintivo de membro da TFP.

O distintivo de congregado é bonito. Eu creio que o distintivo com o leão e o thau é muito mais bonito ainda. Nós poderíamos fazer um lindo distintivo com isso. E se nós somos a TFP, o normal é que da TFP tenhamos o distintivo.

Entretanto, exatamente eu nunca quis tirar esse distintivo, porque é o distintivo sagrado de Nossa Senhora, dos filhos de Nossa Senhora, e lembra as Congregações Marianas das quais nós somos uma espécie de quintessência, uma espécie de superação, uma espécie de condensação. Nós somos uma espécie de algo que a excede e a sublima, mas nós somos uma continuação disso. Evidentemente devemos prezar e querer isso até o fundo de nossas almas.

* Devemos prezar a condição de membros da Ordem Terceira, sem desmerecer em nada a pertencença ao Grupo

E assim, portanto, Ordem Terceira do Carmo, Congregação Mariana, outras organizações assim, nós devemos compreender que elas não vivem hoje na plenitude de seu espírito. Elas vivem fantasiadas, deformadas, privadas de sua beleza originária, incoerentes com seu próprio espírito, é bem verdade. Mas isso é o defeito dos homens que habitam nessas instituições ou nessas associações, não é defeito delas em si. E as graças que os seus membros recebem não se deixam macular por esses defeitos.

Isso é dito para que então nós compreendamos quanto nós devemos prezar a condição de membros de Ordem Terceira, a condição de Congregados Marianos, sem desistir em nada da linda expressão de Frei Jerônimo de que, depois da graça do batismo, a mais preciosa graça é ter tido a vocação para o Grupo.

Eu não sei se essa mise au point está clara e se os senhores gostariam de fazer alguma pergunta a esse respeito. Alguém gostaria?

(Sr. –: As pessoas que não chegaram a ser recebidos na Ordem do Carmo, por causa da situação toda elas juridicamente não foram ligadas à Ordem, portanto, não pertencem?)

Aí infelizmente não pertencem.

(Sr. –: Os postulantes…)

Não são postulantes. Eu lamento.

(…)

É uma coisa que se pode usar.

(Sr. –: Os noviços…)

Também não creio. Hein, Castilho?

Infelizmente.

(Sr. –: …)

Nós estamos estudando. Estamos estudando porque estou certo que todos os senhores gostariam de pertencer, não é?

Alguma outra pergunta?

(Sr. –: …)

Eu tenho uma certa idéia de que houve um pormenor diferente. Estou para conversar com alguém do primeiro grupo sobre o caso.

Floriano.

(Sr. Floriano: Dr. Plinio, os membros do Grupo que não são Congregados Marianos, como ficam?)

É preciso — entendam‑me bem, porque para bom entendedor meia palavra basta — não amolar demais a D. Mayer com pedidos de pertencer à Congregação Mariana da catedral. Mas vários dos senhores, porque gostam de reunir à condição de membro do Grupo, têm pedido e obtido dele que receba.

Se algum dos senhores tiver jeito… Há uma expressão latina: bene nati gaudio — os que nasceram bem com jeito, que se alegrem.

Há mais alguma pergunta?

Então, podemos encerrar.

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