Santo
do Dia – 9/11/1966 – p.
Santo do Dia — 9/11/1966 — 4ª-feira
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Seis anos após o lançamento da “RAQC”, desenvolvimento; São Justo e Santo Agostinho de Canterbury, apóstolos da Inglaterra; normas pastorais de São Gregório, Papa; transformar templos em igrejas, retirar os ídolos; esses são imagens de demônios; ductilidade da Igreja quanto aos templos; intransigência nos princípios, flexibilidade no acidental.
* Lançamento da “RAQC” há seis anos * São Justo, apóstolo da Inglaterra * S. Gregório, diretrizes sobre templos pagãos * Os deuses são demônios * Templos pagãos e arte moderna * Pagode adaptável em igreja * Mesquitas em igrejas * Aspecto psicológico na orientação de S. Gregório * Intransigência no princípio, ductilidade no secundário * Pré quermesse católica
São Justo
Hoje, nove de novembro, é a festa da Dedicação da Arquibasílica do Santíssimo Salvador, mãe e cabeça de todas as igrejas que, como eu disse ontem, é a catedral de São João de Latrão, do Papa, em Roma.
* Lançamento da “RAQC” há seis anos
Dez de novembro, amanhã, é uma data histórica, porque nesse dia, em 1960, teve lugar o lançamento do livro “Reforma Agrária, Questão de Consciência”. Há seis anos só e os senhores vejam o enorme caminho percorrido, mas enorme. Tudo quanto foi reforma agrária, e depois tudo quanto veio depois da reforma agrária, e depois a campanha do divórcio e a “Filial Defesa”, e as manifestações de acadêmicos e estudantes, homem! e tudo o mais; os senhores vejam que seis anos foram esses. Não é verdade? Marcou uma etapa…
(Sr. –: Argentina, Chile…)
Argentina e Chile. Marcou uma etapa na nossa vida porque, vamos dizer, foi o começo da era da publicidade. Nós podíamos dizer que nós tínhamos uma espécie de vida oculta com Nossa Senhora antes disso, e sem deixarmos a nossa vida oculta, nós pulamos para o lado de fora da trincheira e começamos a aparecer em público, e a trabalhar e a lutar, não é? É tão grande o caminho percorrido, que nem sei o quê dizer. De maneira… se a gente quisesse, por exemplo, fazer uma relação do que passou nesses seis anos, eu não seria capaz de improvisar. Precisaria reunir um pequeno conselho, este pequeno conselho me ajudar durante uns dois ou três dias de reunião, a fazer a montagem disso. Eu precisaria uma grande reunião para depois eu dar isso. Aí os senhores vêem quanta coisa esplêndida nesse tempo inteiro.
* São Justo, apóstolo da Inglaterra
Amanhã, também, vai ser festa de São Justo, bispo e confessor, da qual diz Rohrbacher na “Vida dos Santos”, o seguinte:
São Justo foi companheiro de Santo Agostinho em seu trabalho de conversão da Inglaterra.
É, portanto, Santo Agostinho de Cantuária e não Santo Agostinho de Hipona. Foi arcebispo de Canterbury, no século VII.
* S. Gregório, diretrizes sobre templos pagãos
Escreveu-lhe São Gregório o seguinte, a respeito de uma consulta.
São Justo escreveu a São Gregório uma consulta e São Gregório deu essa resposta que vem agora.
Quando chegardes ao pé de nosso irmão Agostinho dizei-lhe que depois de ter pensado longamente, examinado bem a questão dos ingleses, julguei que não devia destruir os templos, mas somente os ídolos que neles estão. Purifique-os com água benta, desça do altar os ídolos e lá coloque relíquias. Porque, se esses templos são bons, bem edificados, que passem do culto dos demônios ao serviço do verdadeiro Deus.
Dos demônios, hein. Os ídolos são demônios, não é? Bem.
Afim de que aquela nação vendo conservados os lugares aos quais estão acostumados, neles passem a ir mais à vontade. E como estão acostumados a sacrificar bois aos demônios, estabeleça qualquer cerimônia solene como a da consagração, ou dos mártires de que ali estão as relíquias.
Que façam barracas em volta dos templos transformados em igrejas e celebrem a festa com refeições discretas. Ao invés de imolar animais ao demônio, que os matem para comer e render graças a Deus que lhes deu o alimento, a fim de que deixando quaisquer manifestações sensíveis de júbilo, possam insinuar-se mais facilmente nas alegrias interiores. Porque é impossível destituir os duros espíritos de todos os costumes, de uma só vez. É devagar que se vai ao longe.
* Os deuses são demônios
Esta carta é muito interessante, antes de tudo por causa dessa afirmação que nós encontramos em padres, em Doutores da Igreja etc., muito numerosas vezes, e que é que todos os deuses — há um trecho da Escritura, não me lembro mais qual, que diz isso, omnes dii gentium demonia — todos os deuses dos povos, das nações que não são Israel, são demônios. E isso provém desse fato, de que São Luís Grignion de Montfort põe muito em relevo, o homem, depois de pecado original nasceu escravo. Ou ele é escravo de Deus, ou ele é escravo do demônio; ou ele é escravo de Nossa Senhora, ou escravo do demônio. Não tem outro remédio. E como esses povos pagãos não são escravos de Nossa Senhora, nem de Deus, são necessariamente escravos do demônio. E aquilo que eles adoram são realmente demônios. Isso sem falar nos numerosos casos que se conhecem de manifestações preternaturais diabólicas, a propósito do culto dos demônios.
De maneira que a expressão é muito característica, é uma expressão muito violenta, é uma expressão profundamente antiecumênica. Exatamente nesse sentido é que é interessante essa carta porque ela indica, ao mesmo tempo, muita ductilidade, muita maleabilidade naquilo que não tem importância e uma enorme severidade naquilo que é realmente importante.
* Templos pagãos e arte moderna
Os templos dessas nações pagãs eram templos que não tinham nada de comum com a arte moderna. A arte moderna é uma negação violenta, é uma negação blasfematória de toda forma de verdade e de bem. É a arbitrariedade artística erigida em afirmação normal de desordem e de feiúra. Evidentemente, a arte moderna não pode servir para uma Igreja Católica. Mas os templos constituídos em outras escolas artísticas, que não terão a elevação do gótico, não terão a sacralidade do gótico, mas que são escolas dignas e que realmente contém verdadeiros elementos de beleza, esses templos podem adequadamente servir para o culto católico.
* Pagode adaptável em igreja
Eu me lembro que nós publicamos uma vez um “Ambientes-Costumes” em “Catolicismo”, em que publicamos um pagode chinês e mostrávamos como esse pagode chinês era próprio para servir ao culto católicos dentro de uma nação chinesa. Não que se fosse construir um pagode para ali pôr um culto católico, porque a gente quando faz procura fazer o melhor possível. Mas quando recebe o fato consumado, procura aceitar o aceitável. E o pagode, bonito, com muita nobreza, com muitos valores mereceria perfeitamente ser aceito pelo culto católico.
* Mesquitas em igrejas
Como também, por exemplo, os heróis da Reconquista, quando eles tomavam aquelas cidades antigamente mouras, que tinham mesquitas muito bonitas, por exemplo, a famosa mesquita de Córdova. Eles purificaram a mesquita de Granada, eles purificaram a mesquita, tiravam de lá todos os emblemas do islamismo e instalavam ali o culto católico. E até hoje o culto católico continua a ser celebrado nesses locais. E isso é uma coisa digna, feita pelos próprios heróis da Reconquista.
Isabel, a Católica, quando ela penetrou em Granada, uma das principais preocupações dela foi precisamente de mandar purificar a principal mesquita de Granada e de mandar rezar ali uma Missa católica. Era o principal símbolo da vitória alcançada contra o Islã.
Ora, acontece que é exatamente essa ordem o conselho que São Gregório dá a Santo Agostinho. Se as Igrejas são boas, quer dizer, se elas são próprias ao culto, se elas têm uma forma, se têm características que não destoam do culto, aproveitar.
* Aspecto psicológico na orientação de S. Gregório
E ele dá então uma razão de caráter psicológico: as pessoas estão habituadas a ir lá. Uma vez que estão habituadas a ir lá, uma vez que se elimina o elemento ruim ali dentro, que é o culto idolátrico, o hábito de ir lá desinibe a pessoa de freqüentar lá. Então, convém aproveitar essa circunstância de nosso lado.
* Intransigência no princípio, ductilidade no secundário
Os senhores estão vendo quanta intransigência no necessário e depois quanta ductilidade naquilo que é secundário e que realmente aí não tem nenhuma atinência com os princípios. Não quer dizer o seguinte: ser intransigente com os princípios fundamentais e tolerante com os princípios secundários. Isso seria uma abominação. Com os princípios a gente é intolerante, em toda linha, até onde eles vão. Mas é uma parte da realidade que escapa, sob vários aspectos, ao ângulo dos princípios e que, portanto, pode ser vista com essa largueza.
* Pré quermesse católica
Então os senhores também vêem uma pré-quermesse católica. Os senhores devem ter visto quermesse do Coração de Maria — ao menos do lado de fora —, cheiro de pipoca e cara alegre do irmão, são duas coisas que ficaram para mim conexas como a expressão de uma mesma festa hedionda, de moralidade duvidosa, culturalmente repelente e sem nenhuma expressão de valor piedoso em nenhum sentido da palavra.
Bem, aqui os senhores estão vendo o contrário. Manda fazer barraquinhas em torno da igreja. É, propriamente, naquela noite dos tempos, a quermesse. Para quê? Para distribuir comilanças porque aquele pessoal está habituado a comer. E ele indica um sentido religioso à comilança: alegrem-se, celebrem, alegrem que Deus lhe deu essa comida, pois comam; e fiquem alegres com isso. E com isso se atraia o povo. É um pouquinho comilança e é um pouco Giorndano, Fasano, Regência e outras coisas assim; um pouco de alegria. Deus que deu a maçã, o alemão para fazer o apfelstrudel e o apfelstrudel que o alemão fez nos dá alegria, e comem o apfelstrudel. Está acabado. É um pouco de alegria depois do trabalho etc.
Os senhores estão vendo como essas coisas se ligam e dão bem uma expressão da perenidade da Igreja até nas coisas inteiramente secundárias.
A Inglaterra, nos primeiros anos de sua existência cristã e já começa a “quermessinha”, sem os horrores de hoje, naturalmente sem a pipoca, sem o irmão nem as mocinhas “melentas”, nem nada disso que há lá pelas paróquias, pelas quermesses do Coração de Maria; mas enfim, uma coisa que é verdadeiramente um anexo quase que habitual da vida religiosa.
Com essas considerações, fica dado o Santo do Dia de hoje.
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