Santo do Dia (Sede São Milas) – 3/11/1970 – 3ª-feira – p. 4 de 4

Santo do Dia (Sede São Milas) — 3/11/1970 — 3ª-feira

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São Carlos Borromeu, Bispo e Confessor, autêntico reformador; instituiu os seminários diocesanos; conceito depreciativo de seminário nas gerações atuais; o tipo “heresia branca” apareceu depois da Revolução Francesa; antes dessa Revolução a formação do clero era exímia; exemplos históricos; dos seminários saíram grandes homens e às vezes grandes santos.

* Conceito de seminário na geração-nova * Ideal do seminário. Higiene * Antigamente havia grande aspiração de melhorias * Seminário tão perfeito quanto possível na época, para formar homens verdadeiros * O “heresia branca” é post Revolução Francesa. * Alto preparo do clero * Seminário: sementeira de grandes homens

São Carlos Borromeu

[ND. A data verdadeira deste Santo do Dia é realmente 03/11/1970; embora no “imagem” conste 66/11/03]



Temos para amanhã a festa de São Carlos Borromeu bispo e confessor.

Ele foi suscitado por Deus para a verdadeira reforma da Igreja no século XVI. À sua prudência, deve-se em grande parte pela feliz conclusão do Concílio de Trento. Cardeal aos vinte e três anos. Presidiu sínodos e conselhos, e estabeleceu colégios e comunidades, renovou o espírito de seu clero e das ordens religiosas. A ele se deve a criação de seminários diocesanos, século XVI.

Talvez coubesse dizer alguma coisa rápida a respeito da obra de São Carlos Borromeu, mas debaixo de um ponto de vista especial.

* Conceito de seminário na geração-nova

Quando se fala a respeito de seminário diocesano eu não sei bem aos ouvidos dos meus jovens amigos de 1970 que sonoridades isso tem, e quando a gente elogia o santo por ser criador dos seminários diocesanos eu não sei bem até que ponto os jovens compreendem o mérito dessa criação. Exatamente o Êremo de Elias, onde eu estava jantando agora, nós comentávamos que “corruptio optimi pessima” e que uma série de circunstâncias prosaicas e lamentáveis etc… Sendo ele canonizado pela Igreja e considerado um grande Santo, a gente forma então a idéia de que deve ser uma cosia muito boa, mas a gente não compreende bem por que é que ele não fez os seminários um pouco melhorezinhos do que esses que estão funcionando por aí.

* Ideal do seminário. Higiene

De maneira que valeria a pena a gente imaginar como é que um seminário deveria ser e como é que eram os seminários na mente de São Carlos Borromeu. Talvez valesse a pena dizer uma palavra sobre isso no momento atual. Eu tenho a impressão de que a primeira coisa que é preciso considerar é que na época de São Carlos Borromeu — eu vou tratar do assunto de baixo para cima e não de cima para baixo — os recursos higiênicos eram muito menores do que em nossa época. Enquanto a humanidade foi crescendo em falta de higiene de alma, ela foi crescendo simultaneamente em maior higiene do corpo. Os senhores tomam o século XIX que foi um século bastante mais corrupto do que o século XVIII, é o século em que começa a água corrente, começam os encanamentos, começam os progressos da hidráulica e começa também uma possibilidade de limpeza que nos séculos anteriores não havia. No Brasil no século passado, ainda as cidades em que ainda não havia água encanada o banho era assim: Punha-se o reservatório de água todo cheio de furinhos e em cima uma caixa d’água, certo momento a gente abria a comunicação da caixa d’água para o reservatório e caia um chuvisco do tamanho de uma caixa de água pequena, a pessoa que se tratasse de se lavar com isso. E depois subiam escravos com balde de água e enchia a caixa d’água para outro da família que vinha tomar banho. Agora os senhores podem imaginar que limpeza precária uma coisa dessas poderia produzir. Uma limpeza que nos mostra bem como as coisas do corpo são inferiores às coisas do espírito.

O século XIX começou a era da limpeza, eu acho que os homens nunca se lavaram tanto e tão bem como no século XX, sobretudo na América, por que na Europa a limpeza é mais discutível, mas, sobretudo na América os homens nunca se lavaram tão bem como no século XX. No século XX começou a apologia da porcaria e da sujeira nas pessoas dos “hippies” e não por falta de água encanada, mas por sujeiras de idéias, por corrupção moral, começa decair de novo a higiene nos homens e o “hippie” é mais porco do que o homem nem sei de que eras pré-históricas e troglodoticas.

* Antigamente havia grande aspiração de melhorias

Bem, mas é claro que certos recursos de limpeza naquele tempo eram menores do que são hoje em dia, mas havia nos homens do tempo em que São Carlos Borromeu fundou os seminários, havia nos homens uma tendência para aprimorar tudo, para melhorar tudo, para levar tudo à plenitude de sua ordem natural. Razão pela qual se não existiam esses recursos de limpeza havia uma grande apetência para tê-los, a tal ponto que foi só eles aparecerem que o mundo inteiro os utilizou imediatamente. Quer dizer, havia uma grande aptidão para isso, um grande desejo disto, que só não se realizava por falta de circunstâncias materiais inteiramente convenientes. Não era possível que os encanamentos e a água corrente se generalizassem com tanta rapidez se não houvesse uma grande aptidão, um grande desejo disso, e não era possível que houvesse desejo se não houve um surto todo do homem para tudo quando era melhor, para tudo que não era perfeito [fosse corrigido], para tudo que era mais adequado à natureza humana e também ao contacto do corpo e ao cuidada com o corpo.

* Seminário tão perfeito quanto possível na época, para formar homens verdadeiros

Os seminários de São Carlos Borroemeu, seminários da época tridentina, poderiam parecer, portanto comparados com hotel de hoje menos asseados e menos limpos. Entretanto o que está no espírito do Concílio de Trento e o que está na letra do Concílio de Trento no que foi realizado, é que eles fossem tão limpos quanto as circunstâncias da época permitissem e que eles fossem organizados de modo tal que os homens que passassem por esses seminários dessem um homem másculo, varonil, batalhador, padre no sentido pleno da palavra, e por isso varão no sentido pleno da palavra.

* O “heresia branca” é post Revolução Francesa.

E por causa disso os senhores tomam que esse tipo “mocorongo”, esse tipo heresia branca não existia no clero de antes da Revolução Francesa. Esse tipo veio aparecer no clero de depois da Revolução Francesa, com o sentimentalismo piegas, com o romantismo de século XIX, com [a] super estima dos sentimentos é que essas coisas começarem entrar no seminário. Padre de antes da Revolução Francesa era padre varonil, poderia até não ser muitas vezes um padre clerical, mas varonil era, e nem passava pela cabeça de ninguém achar um padre menos varonil que outra pessoa, ou achar o padre inferior em cultura e preparo de inteligência do que qualquer outra pessoa.

* Alto preparo do clero

Os seminários formavam gente tal, que o perigo para formação do padre não era de sair uma nulidade, mas era de sair um homem tão preparado e tão igual em valor aos outros que até era requisitado para as carreiras de caráter humano. De onde o excesso de entrada de padres para carreiras de caráter humano.

Os senhores tomam, por exemplo, o Richelier. Onde é que se tinha formado um homem como o Richelier, que punha couraça e que ia de pistola na batalha? Tinha-se formado em seminário. Quando é que de um seminário de hoje poderia sair um Richelier? É completamente impossível, ou ele se formava, ou ele saia antes de se formar ou ele saia deformado, mas sair daquele jeito do seminário era inteiramente impossível.

Os senhores tomam, por exemplo, os jesuítas da grande época, ou ia ser missionário na China e convertia o imperador, outro ia ser, não sei o quê, e outro ia dirigir Reis; era homem de corte, outro era diplomata, outro figurava em batalhas etc… Donde é que saiam esses homens? Saiam dos seminários. Os senhores tomem um São Lorenço de Brindes, que lutou na batalha de Belgrado, se não me engano. Ele, franciscano, quando havia um ataque — século XV, se não me engano — ataque dos maometanos aos católicos, ele não lutava fisicamente por que ele era padre e só podia se defender, não podia atacar, mas de crucifixo na mão percorria constantemente a cavalo a velocidade todas as fileiras dos combatentes exitando a voltarem à carga e a lutarem mais uma vez e fazendo sermão durante horas inteiras da batalha. De maneira que, ganha a batalha, a conclusão que tirou o Imperador é que ele deveria ser arrolado entre os vencedores, entre os generais vencedores, pela sua energia e pela sua capacidade, pelo seu espírito sobrenatural.

Onde é que os senhores encontram isso nos seminários de hoje?

* Seminário: sementeira de grandes homens

Esses foram os seminários formados por São Carlos Borromeu, deveriam formar homens exímios na fé, exímios na virtude e por causa disso, por que tinham as virtudes cardeais, justiça, fortaleza, temperança e prudência, capazes de fazer tudo aquilo quanto um homem pleno e plenamente equilibrado e plenamente senhor dos seus dotes era capaz de fazer. Os seminários foram então verdadeiras sementeiras de grandes homens e muitas vezes de grandes Santos.

Quem conhece o seminário de hoje, quem conheceu o seminário de ontem já tinha disso uma idéia.

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Sede São Milas